Estes três caramelos, confesso que só de olhá-los fico enojado, têm em comum um amor pelos arguidos ricos e poderosos. Defenderam os pedófilos condenados no Processo Casa Pia, inventando e caluniando pessoas, arranjando pretextos, fingindo uma indignação que sentem no umbigo.
Vêm agora de novo, a propósito da prisão de Sócrates, dizer as mesmíssimas coisas, falando de cabalas e cabalinhas.
São uns badamecos, uns merdas. E não há quem lhes diga isso no focinho imundo.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Adeus, meu querido amigo
Dizer o quê? Que me sinto triste? Que me parece mentira?
Releio O Caminho das Aves, para te ter comigo. A saudade é tanta e partiste agora.
Releio O Caminho das Aves, para te ter comigo. A saudade é tanta e partiste agora.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Cavaco, o camicie nere
Cavaco foi um fascista convicto.
Como todos os iguais, adaptou-se com engenho ao novo regime. Frequentou os
lugares e os tratantes que Abril não vedou. Foi a presidente, em lugar de
Soares Carneiro, por ter escondido melhor a sua dependência e amor aos campos
de concentração. É um camisa-negra recauchutado a que se deve, dizem-nos,
respeito institucional.
Caraças, que palavra tão importante.
Mas cada um de nós é, também, instituição ou devedor a essa coisa vaga? Por mim
Cavaco é tão institucional quanto Mussolini, embora sem o tempo ou o cenário
desse criminosos abjecto.
Esperar desse troglodita que se
oponha a qualquer medida contra os trabalhadores é tão pueril que nauseia. Ele
já mostrou ao que vinha e ao que andou desde a juventude. Preencheu a ficha da
Pide para assegurar ser um bom serventuário do fascismo e, do alto da sua
cagança presidencial, baniu o secretário-geral do PCP do Conselho de Estado e
os cravos da sua lapela infecta. Gestos conformes com a sua ideologia
salazarenta.
Como todos os herdeiros do
fascismo, Cavaco teme expor o que na verdade preconiza para Portugal. Mas não
nos é difícil mostrar o que habita a sua cabecinha inculta e ressabiada:
edificar em Portugal o paradigma da revolução industrial do Séc. XIX e afixar
às portas das empresas o conhecido cartaz dirigido aos trabalhadores, “A partir
destes portões cessam todos os vossos direitos. Ámen!”.
E não se estranhe o acrescento
pio. Afinal, não é Cavaco o invocador-mor de santas e santinhas? O beato com
ânsias de Fátima sob a delicodoce manta de republicanismo à Belém?
Habitasse em Cavaco réstia de
dignidade, a mais leve brisa de sentido de justiça, a mais reduzida visão do
interesse colectivo e há muito teria abandonado o Palácio por ilegitimidade e falta
de requisitos para lá obrar.
Quantas divisões têm o edifício,
quantos quartos, cozinhas e latrinas, quantos empregados, quantos cristais,
quantos GNRs e agentes, quantos assessores e mordomias diversas? Se fosse
coerente com a necessidade que nos impõe de sacrifícios, Cavaco imitaria o
gesto de Mujica (a substância está-lhe vedada, absolutamente) e abria as portas
de par-em-par, para que os pobres e sem abrigo lá fossem viver sem o fausto
presidencial.
Se assumisse ser o que é, uma
rainha de Inglaterra em feio e sem trono nem préstimo, partiria para Boliqueime
ou, pensando melhor, para uma dessas feiras itinerantes; imagino-o a cobrar
bilhetes para a excelsa representação: mostrar a hercúlea façanha de sua Maria
Cavaco, a sobreviver com uns meros oitocentos euritos e tadinha, sem poder
tocar em qualquer das variadas e gordas reformas de dom Aníbal.
Estes gajos, cada vez me capacito
mais disso, só aprenderão a lição se conseguirmos enfiar-lhes os princípios
grandiloquentes pelo dito cujo acima, ensaboados no estado de direito que
querem só para si.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Cuba, vencerá!
Em Cuba, longe da ferocidade maniqueísta dos que só vislumbram branco e preto, floresce uma intensa discussão, ideológica, vital, necessária. O que mais me impressiona é a qualidade do debate, a preparação e cuidado dos intervenientes, os argumentos usados, a coragem da análise.
É notória a preocupação com a existência do que designam por "pirâmide social invertida", consequência de medidas tomadas recentemente e do laxismo e mesmo boicote com que a Revolução se defronta. Como Fidel advertiu, num célebre e inesquecível discurso na Universidade de Havana, os inimigos externos não conseguiram, com 54 anos de atentados terroristas, destruir a Revolução, mas o inimigo interno, devidamente financiado pelos EUA, pode destruí-la.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Álvaro Cunhal e as conquistas da Revolução (I)
Rumo ao socialismo
Ninguém reflectiu mais profundamente sobre as conquistas da Revolução de Abril do que Álvaro Cunhal que, em obras tão significativas como «A Revolução Portuguesa – o Passado e o Futuro» ou «A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril – a contra-revolução confessa-se», analisou a sua extensão, o seu significado, o seu sentido de futuro. Mas não se limitou apenas a pensar sobre estas conquistas: enquanto Secretário-geral do Partido Comunista Português, o grande partido da Revolução de Abril, foi ele próprio um destacado protagonista dessas transformações, que mudaram por completo a face do País, apontando-o ao socialismo.
A 2 de Abril de 1976, fez há poucos dias 37 anos, era aprovada a Constituição da República Portuguesa. No seu preâmbulo sublinhava-se (e sublinha-se ainda!) a decisão do povo português de «defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista». Quase que bastaria esta frase para se perceber a profundidade das transformações operadas na sequência do 25 de Abril, num País que dois anos antes se encontrava ainda subjugado a uma ditadura fascista, com o seu rol de violência, arbitrariedade, obscurantismo e miséria.
Mas a Constituição de Abril não se ficava pela proclamação do objectivo supremo da construção do socialismo. Pelo contrário, consagrava os princípios, direitos e garantias que o consubstanciavam, como o direito ao trabalho e a um salário digno; o direito à saúde e à educação públicas e de qualidade e à protecção social no desemprego ou velhice. Mas também o carácter irrevogável da Reforma Agrária, das nacionalizações e do controlo operário; o Poder Local Democrático; a submissão do poder económico ao poder político democrático; a contribuição de Portugal para a Paz, o desarmamento, o respeito pela independência e soberania dos povos.
Como afirmou Álvaro Cunhal num comício do PCP em Odivelas realizado no próprio dia em que a nova Lei Fundamental foi promulgada, ela «consagrou as liberdades e as conquistas fundamentais da Revolução», sendo por isso legítimo considerá-la em si mesma uma «conquista das forças revolucionárias portuguesas, do nosso povo, dos militares do 25 de Abril». O então Secretário-geral do Partido salientava ainda a necessidade de «exigir a todos os reaccionários, a todos aqueles que querem liquidar as liberdades, que cumpram também esta Constituição, que é obrigatória para todos os portugueses».
O resto da história é conhecido. O desrespeito pela Constituição a partir do próprio dia da sua promulgação, sobretudo por alguns daqueles que a aprovaram, como o PS e o PSD, por não terem tido então coragem para fazer outra coisa; a tenaz resistência popular pela sua defesa e efectivação, com os comunistas na primeira linha. Quanto ao futuro, ainda não está escrito. Mas os trabalhadores e o povo terão, com o PCP, uma palavra a dizer.
in, AVANTE!, de 11/04/2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Editorial do Jornal de Angola
Portugal e Jonas Savimbi
24 de Fevereiro, 2013
Uma parte significativa das elites
políticas corruptas e intelectuais portuguesas fez tudo para que Angola não
fosse um país independente. Se o plano aprovado na ilha do Sal por Spínola,
Nixon e Mobutu tivesse resultado, hoje as elites portuguesas e a sua imprensa
tratavam os angolanos como trataram durante décadas a UNITA. Já a ONU tinha
aprovado pesadas sanções contra a organização de Jonas Savimbi e os seus
dirigentes e Portugal era ainda um paraíso para os sancionados. A imprensa
portuguesa apresentava Savimbi como um herói. Mário Soares, então presidente da
República, tratava-o como um amigo e o seu filho João como compadre. Altos
dirigentes políticos seguiram o exemplo e curvaram-se reverenciais diante dos
servidores do colonialismo e organizados nas forças repressivas do regime de
“apartheid” da África do Sul.
Nunca a imprensa portuguesa referiu que
Savimbi foi um dos carcereiros de Nelson Mandela, ao colaborar com o regime
racista da África do Sul. Ou que pôs as suas armas ao serviço da sangrenta guerra
colonial. Os dirigentes da UNITA andaram décadas por Lisboa a traficar armas e
diamantes e a tratar das suas negociatas criminosas. Mas nunca a
Procuradoria-Geral da República Portuguesa ou os serviços de combate ao
banditismo investigaram os traficantes e criminosos que circulavam livremente
em Portugal. Muito menos os raptores e assassinos de cidadãos portugueses que
viviam em Angola. Antes pelo contrário, muitos foram premiados com a atribuição
da nacionalidade portuguesa e integrados em instituições e sociedades secretas
para ficarem melhor protegidos.
Qualquer jornalista português sabe
disso, mas todos se calaram. O império mediático português foi sempre um fiel
servidor de Jonas Savimbi. Os jornais e canais de televisão do senhor Pinto
Balsemão trataram a rede criminosa como se os seus membros fossem os seus
heróis. Savimbi escolhia a dedo os jornalistas portugueses necessários às
acções de propaganda para a guerra em Angola. Os nomes dos jornalistas a quem
Savimbi pagava os seus serviços são conhecidos e continuam activos nas
redacções. Mas mantêm um silêncio cúmplice até hoje. Alguns estão agora em
lugares-chave das grandes empresas e passaram a ter como nova tarefa prejudicar
ao máximo as relações luso-angolanas. Já o escrevi aqui e volto a repetir: a
imprensa portuguesa foi responsável pelo prolongamento da guerra em Angola e as
elites corruptas portuguesas apenas se servem dos angolanos. Por trás estimulam
ataques violentos contra quem lhes dá a mão e oferece amizade desinteressada.
Continuamos a lidar com uma chocante falta de carácter.
Um antigo ministro da Defesa português,
Castro Caldas, voltou a pôr a mão na ferida. Confirmou o que todos sabíamos:
Jonas Savimbi e a UNITA foram agentes das autoridades coloniais portuguesas,
que armaram, municiaram e financiaram as suas operações para impedir a
libertação de Angola. Pensava eu que face a mais esta confirmação oficial da
traição, a actual direcção da UNITA fosse rever a sua posição de continuar a
apresentar o fundador do partido como um patriota. Mas nada aconteceu. O
defunto chefe da UNITA continua a ser glorificado pela desacreditada imprensa
portuguesa e pela liderança do maior partido da oposição.
Os recursos que foram roubados pela
UNITA em Angola para pagar os serviços prestados pelos jornalistas portugueses
ordena os silêncios e as cumplicidades em Portugal. Mas essa cobardia merece
uma profunda indignação em Angola. Por continuar ainda hoje, décadas depois da
independência, a perseguição aos interesses de Angola em Portugal, soa mal e gera
muita desconfiança quando vem a Luanda um ministro do governo de Lisboa
afiançar que a amizade entre Portugal e Angola continua de pé e os
investimentos angolanos são “bem vindos” em Portugal. Já começamos a acreditar
que isso não é sincero. Mesmo quando o portador da mensagem é Paulo Portas,
ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, que é líder de um
partido que nunca escondeu a sua simpatia por Jonas Savimbi e que foi director
de um jornal, “O Independente”, que tanta desinformação verteu para a opinião
pública sobre a nossa realidade.
Hoje Paulo Portas é um grande amigo de
Angola e está a ser lançado para liderar a direita portuguesa em caso de as
coisas correrem mal à actual coligação, o que mostra que é possível, afinal de
contas, um entendimento com Portugal, se calhar igual ao Entendimento do Luena,
para que se ponha fim, de uma vez por todas, às guerras e guerrinhas
portuguesas contra Angola.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.
Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.
Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Também por isto, AMO CUBA!
Os alunos cubanos tiram notas muito mais altas em exames
internacionais que as crianças de outros países latino-americanos, incluindo o
Brasil. "A educação de Cuba oferece à maioria dos alunos uma educação
básica que somente crianças de classe média alta recebem em outros países da
America Latina", explica o economista Martin Carnoy, da Universidade de
Stanford (EUA), que conduziu um estudo comparativo entre os sistemas
educacionais do Brasil, Chile e Cuba.
Carnoy foi a campo e colheu evidências que jogam luz sobre
os principais problemas brasileiros. O resultado é o livro A vantagem acadêmica de Cuba - Por que seus alunos vão melhor
na escola, publicado no Brasil pela Ediouro. Nele, Carnoy mostra que o ótimo
desempenho dos estudantes cubanos é resultado de um sistema educacional que dá
oportunidades iguais para todos os alunos, que estudam em um ambiente mais
seguro e menos desigual que o brasileiro.
O economista filmou salas de aula em Cuba e no Brasil e
cronometrou o tempo dedicado a explicação dos conteúdos pelos professores.
Assim, procurou entender como uma sociedade com renda per capita menor que a
brasileira consegue promover uma educação de muito melhor qualidade para todos
os jovens de sua população. Suas descobertas provam que é possível avançar. "Embora
nem tudo em Cuba seja transferível para outras sociedades, acredito que as
lições são claras", explica o especialista. Para ele, os principais ensinamentos da experiência cubana são o recrutamento
dos melhores alunos do ensino médio para o magistério, as boas escolas de
formação de professores, a garantia de que os alunos são saudáveis e estão bem
alimentados e o sistema de supervisão dos professores, voltado para a melhoria
do ensino.
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