domingo, 21 de dezembro de 2008

Será apenas ficção?

Chegado a secretário-de-Estado, num país pequenino, agendou a desejada viagem ao país africano. Foi recebido como um princípe: o Estado anfitrião não poupou nas especiarias. De ego inchado, julgou-se omnipotente e exigiu crianças. Que prontamente foram levadas ao hotel, para que sua excelência se não zangasse.
Só que, malandros, os que prontamente acorreram ao pedido providenciaram as filmagens, tão adequadas quanto clandestinas. E o secretário detestou saber-se protagonista num filme que queria só dele.
Que esse Estado esteja agora a comprar Portugal, será apenas infeliz coincidência. Mas há quem garanta que a tal não será alheia a opulência do ex-secretário.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Temos todos muito orgulho em vós, Manel


"CHOREI COMO UMA MULHER…

O Manel é um jovem que nasceu do lado errado da vida. Tem os olhos muito verdes e um ar de menino, que disfarça com uma linguagem agreste, quase a atingir o intolerável.

Intolerável como a forma como nasceu e cresceu.

O espermatozóide que fecundou o óvulo da sua mãe, jovem, bonita e sonhadora, pertencia a um polícia corrupto, que a foi tornando dependente de drogas para posteriormente a utilizar como dealer junto das redes que controlava. Há já um quarto de século. “Pode enganar-se algumas pessoas durante algum tempo, mas não se podem enganar todas as pessoas durante todo o tempo”, disse alguém cujo nome não recordo. O esquema de corrupção foi descoberto e o seu autor suicidou-se.

Ela, repudiada por uma família conservadora, “agarrada” à sua dependência, arrastava-se pelas tabernas de Lisboa sempre que podia levando o Manel.

Até ontem, esse tinha sido, apesar de tudo, e segundo ele, o tempo mais feliz da sua vida. Os donos das tascas davam-lhe comida, amendoins e tremoços e deixavam-no dormir nos bancos compridos, enquanto a mãe ia trabalhar. Nesse tempo ela voltava sempre, depois do trabalho e levava-o para casa. A mãe gostava muito dele e ele adorava-a.

Mas como sempre havia pessoas sensatas, e aquele estilo de vida não era próprio para um rapaz a chegar à idade escolar. A ama, figura positiva nas suas memórias, movimentou empenhos para que ele tivesse um futuro diferente.

Entrou numa Instituição, onde estudaria e se faria um homem.

A beleza, que arrastara a mãe para a vida que a sociedade não queria para ele, foi a sua perdição. Uma história de abusos igual a tantas outras.

Cresceu com a maior revolta que já me foi manifestada. Vi-o chorar de impotência e ódio.

Ontem, gritava ao telefone para o homem grande que encontrou tarde de mais na vida e que, não disfarça, gostaria que tivesse sido o seu pai: “Já nasceu, correu tudo bem, é um rapaz, assisti ao parto, chorei como uma mulher...”

Manel deita fora a tua raiva, com as primeiras fraldas usadas do teu filho. Vinga-te, ajudando-o a crescer com a segurança que um pai de verdade dá a qualquer filho; não se pode escolher o pai que se teve, mas pode escolher-se o pai que podemos ser. Se puderes ama a mãe dele como a amaste no dia em que o conceberam.

Chora mais vezes como as mulheres, porque só os homens “bué da estúpidos” é que não sabem como chorar liberta a dor, os sentimentos ruins, e exprime as alegrias para as quais não temos palavras. Quando, durante a noite, o vosso filho chorar, canta-lhe baixinho “o meu menino é d’oiro, é d’oiro o meu menino”. Com ele e por ele terás a coragem de perdoar, um dia."
Catalina Pestana, artigo publicado no semanário SOL

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A luta continua

A propósito do XVIII Congresso do PCP, os órgãos de comunicação social convocaram o habitual coro anticomunista para comentar não o que viram, mas o que às suas deformadas cabeçorras se afigura mais conveniente.
Inevitável, o coro de disparates faria fugir de vergonha os autores de tais patranhas se acaso dispusessem da mais pequena réstea de dignidade. Mas como são flibusteiros encartados - e nessa medida endinheirados - bolsaram tranquilos as enormidades do costume.
E a nossa democracia não pemite aos comunistas o contraditório, o esclarecimento, a desmontagem das mentiras. Como pode assim existir competição eleitoral séria? Vivemos numa ditadura neoliberal. E aos Belmiros e quejandos que a controlam não é necessário proferir palavra. Porque para isso sobram consciências de aluguer, smpre prontas a reproduzir a voz dos donos.
Carlos Magno, o pequenote anticomunista de trazer no bolso, chegou ao ponto de afirmar que o slogan do PCP "Sim, é possível", foi copiado da campanha do Obama. Alertado pela colega de rádio para o facto de o Partido muito antes de Barack usar essa expressão, manteve a afirmação. Porque sim.
Foi quanto bastou para que uma série de parvinhos glosassem a mentira, sem cuidarem de saber do logro em que cairam. Analfabetos e boçais.
O que eles não entendem, porque não os deixam e não querem, é que por mais que nos decretem acabados, ultrapassados, isolados, eu sei lá, hão-de ter-nos aqui, de pé sempre, reafirmando os ideais de Marx, Lénine e Álvaro Cunhal.
Não por teimosia, mas porque para nós não faz sentido viver a vida de outra forma. Onde existir uma injustiça, lutaremos. Onde nascer o sonho, caminharemos. Uns e outros de mãos dadas e unidos. Porque a coesão é fonte e condição da nossa força. Por mais que os coveiros habituais decretem o fim da história, desiludam-se: no PCP, com o PCP, resistiremos! E o queremos é muito claro: acabar com o capitalismo e construir uma sociedade socialista.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Em prol da memória

NOTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL


1. Como já é conhecido foi encerrada pelo Ministério Público a fase de inquérito do processo que ficou conhecido por processo «da Casa Pia».

O impacto público que causou e a expectativa que foi criada na população justificam que sejam prestados os presentes esclarecimentos públicos certo de que se trata de uma prerrogativa que o Código de Processo Penal, no seu artigo 86º, nº 9, al. b) atribui à autoridade judiciária. Na fase em questão ao Ministério Público.

2. Lembro que o mês de Novembro de 2002 foi assinalado pela revelação, na comunicação social, de comportamentos polarizados à volta da Casa Pia de Lisboa que surpreenderam a maior parte dos portugueses e os indignaram.

Disso mesmo fizeram eco várias personalidades, autoridades e órgãos de soberania, os quais publicamente apelaram às autoridades judiciárias, veementemente, para que levassem a cabo uma investigação com a máxima celeridade e empenhamento, até às últimas consequências.

3. Foram designados três magistrados do Ministério Público para se encarregarem do processo a tempo inteiro, magistrados que, aliás, há bastantes anos trabalham na secção do D.I.A.P. de Lisboa especializada no tipo de criminalidade em foco. Passaram a dispor excepcionalmente de uma equipa de elementos da Polícia Judiciária sob a sua directa orientação, para além, obviamente dos oficiais de justiça afectos à 2ª secção do D.IA.P..

Do trabalho altamente meritório desta equipa, iniciado então, resultou uma investigação que agora se mostra documentada em 13 mil folhas, distribuídas por 60 volumes, só do processo principal, ao que acrescem ainda 136 apensos.

Foram ouvidas em auto mais de 600 pessoas.

O Ministério Público respondeu a 37 motivações de recurso tendo ele mesmo interposto cinco.

4. A 11 de Julho de 2003, o Ministério Público requereu a marcação de declarações para memória futura de 32 testemunhas. O despacho do Juiz de Instrução Criminal, de 29 de Agosto, deferiria a realização de tal diligência com utilização da videoconferência. Sete arguidos interpuseram recurso desta decisão para o Tribunal da Relação de Lisboa e até à presente data nenhum desses recursos foi decidido.

Como é sabido, e porque os ditos recursos não suspenderam o início da diligência, quando a mesma acabava de se iniciar, foi deduzido o incidente de recusa do Juiz de Instrução. O qual deu sem efeito, consequentemente, as datas designadas para as declarações. O indeferimento da recusa de Juiz originaria ainda novos recursos.

Ora, ao requerer a tomada de declarações para memória futura das testemunhas referidas, há mais de cinco meses, e mais de meio ano antes do termo do prazo do inquérito, o Ministério Público fê-lo em tempo útil e ponderou a conciliação entre as necessidades das prisões preventivas decretadas e o respeito do prazo para se deduzir despacho final de encerramento do inquérito. No entanto, tempo necessário à dedução do despacho final num processo com esta dimensão;

A necessidade de aí se ter em conta o que resultasse das declarações para memória futura;

A eventualidade das diligências em questão se revelarem inúteis, caso os recursos interpostos da decisão de 29 de Agosto viessem a dar razão aos recorrentes;

Sobretudo, a necessidade de acautelar os interesses das testemunhas enquanto pessoas frágeis, o respeito pelo seu sofrimento e pela sua dignidade, tudo isso levou o Ministério Público a constatar que as condições para a realização das declarações deixaram de estar reunidas e por isso optou pelo encerramento do inquérito.

5. Ao longo deste processo foram sendo extraídas certidões para organização de processos autónomos em número de 14, que se reportam a factualidades não conexionadas directamente com a matéria aqui alvo de investigação. Prendem-se com os resultados de averiguações e sindicâncias à C.P.L, com outros abusos e maus tratos de menores, ofensas à integridade física e coacção, ou favorecimento pessoal. Para além, evidentemente, das certidões que se foram mandando extrair por violação do segredo de justiça.

No despacho final, ora lavrado, também se ordenou a extracção de certidões para organização de processos separados, ainda aqui por violações várias do segredo de justiça, do segredo profissional, pelos crimes de favorecimento pessoal, por ilícitos fiscais, lenocínio, tráfico de menores e abuso sexual de crianças, entre outros, os quais, ou não têm conexão com a matéria dos autos, ou reclamam uma investigação cuja morosidade se não compadece com os prazos que há que respeitar.

6. Durante toda a investigação foram relatadas ocorrências, foram feitas denúncias e foi desejado procedimento criminal contra pessoas concretas que não deram origem a qualquer procedimento. Os autos foram arquivados no que toca a tal factualidade, por razões que se prendem com o facto do prazo prescricional já ter expirado quando se tomou conhecimento de tais acontecimentos, ou por, no caso dos crimes semi-públicos, o direito de queixa não ter sido exercido em tempo útil e não ser possível em nome da vítima justificar um procedimento por iniciativa do Ministério Público.

A estes arquivamentos não é estranho o facto de os tipos de crime, as molduras penais e os prazos de prescrição serem diferentes a partir da reforma do Código Penal de 1995.

7. Foi deduzida acusação contra dez arguidos.

Os crimes imputados são de lenocínio (fomentar, favorecer ou facilitar o exercício de prostituição de menor), abuso sexual de crianças, abuso sexual de pessoa internada, violação, relações homossexuais com adolescentes, detenção de arma proibida e peculato de uso.

8. Inicia-se assim uma nova fase do processo aberta ao contraditório e em que os arguidos terão acesso incondicional aos autos.

Importa porém lembrar que de acordo com as leis que nos regem e que vinculam todas as pessoas, o segredo de justiça não terminou pelo facto de ter sido deduzida acusação.

Não é necessário lembrar os abusos cometidos, o autêntico descontrolo, a desinformação que ao longo do ano 2003 circulou, ocasionada por este processo. E tudo isso é para lamentar

De uma vez por todas importa assumir um comportamento civilizado a este respeito. A repressão penal será sempre um instrumento de que se lançará mão sempre que necessário, mas a maturidade cívica de todos obriga neste momento a um especial esforço de contenção.

Faço portanto um importante apelo para que os direitos individuais dos intervenientes no processo, e designadamente das vítimas, não sejam espezinhados na praça pública, para satisfação da curiosidade mórbida de uma parte da população, ou para se tentarem condenações ou absolvições populares, comprometendo qualquer realização da justiça onde ela, só pode ser realizada, ou seja, nos tribunais.

9. Os arguidos deste como dos outros processos crime serão sempre presumidos inocentes até trânsito em julgado da decisão que os possa condenar.

Mas porque a presunção de inocência não se confunde com a convicção de inocência, o Ministério Público procurará com empenho, obter a confirmação das imputações que ora faz. Como se impõe, obedecerá sempre a critérios de objectividade e agirá no escrupuloso respeito da legalidade

De uma coisa estamos todos cientes. Depois da revelação dos factos investigados será mais difícil, neste país, abusar de uma criança ou de um jovem. Só isso já seria bom, mas também almejamos a justiça, condicionada só pela verdade apurada.

Lisboa, 29 de Dezembro de 2003
Comunicado da PGR

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Álvaro Cunhal - Obras Escolhidas II


Quem pretender, sem preconceitos, conhecer a maior personalidade portuguesa de todos os tempos, pode agora adquirir o segundo volume das obras escolhidas de Álvaro Cunhal.
A leitura da sua obra, em boa hora sistematizada pelas edições Avante!, permite um conhecimento mais profundo e diversificado do que foi o seu labor titânico. Álvaro Cunhal foi e continuará a ser, daqui a séculos, uma referência incontornável para os milhões de seres humanos em luta contra a iniquidade.
A admiração, respeito, carinho e saudade que nutro pelo Álvaro não tem nada a ver com culto de personalidade, a que sempre foi avesso. Se eu pudesse gostava de ser apenas um pouquinho do que ele foi e esse desejo ajuda-me a ser melhor. Nada do que fez é sobrenatural. Tudo quanto produziu, gizou, defendeu é profundamente humano. Que o tenha conseguido, à custa de sacrifícios a que nunca fugiu e sempre mantendo a mesma humildade característica do povo a que pertence, diz bem da sua dimensão ética.
O Álvaro será para sempre uma referência que procurarei respeitar, nomeadamente, estudando a sua obra ímpar.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Alegre fingidor

A propósito da luta dos professores e da gigantesca manifestação de protesto contra sócrates e uma ministra faz-de-conta, Manuel Alegre, temendo que o silêncio o impedisse de fazer pela vidinha, logo veio declarar a impossibilidade de tal forma de luta ter sido levada a bom porto pelos sindicatos.
Que não - sentenciou -, não reconhecia à plataforma sindical capacidade para tão grande sucesso. E, célere, logo tratou de atribuir à colossal iniciativa razões que só ele descortina. Convenhamos que apesar de tudo, o poeta se conteve. Poderia, dando satisfação ao seu ego ilimitado, garantir que todos aqueles milhares de homens e mulheres desrespeitados pelo ps - de que é cúmplice, por mais que tente disfarçar - só desfilaram por amor e dedicação ao Alegre deputado e aos arrufos que, de quando em vez, liberta, quais gases intestinais.
A tal não chegou o Manuel e fez bem. Aliás, podia ser até mais comedido. Uma leitura simples do seu posicionamento e prática política, mostra-o coladinho a tudo o que de pior o ps tem feito contra Portugal e os portugueses. De braço dado com os seu antigos aliados Mário Soares e Frank Carlucci, começou por trair a Revolução de Abril e alinhar em intentonas que a História acabará por desvendar completamente.
Paulatinamente, foi justificando a excursão à Fonte Luminosa concedendo às políticas de direita todo o apoio, expresso ou implícito, da sua condição de deputado continuado. Recentemente, viu e propalou, mentindo, que a detenção de um seu correlegionário político era um ataque à democracia, um golpe de estado.
Apetece dizer deste poeta que é um verdadeiro fingidor. E que trata a realidade de acordo e à medida das obsessões presidenciais que acalenta.

domingo, 16 de novembro de 2008

O Arestas de Vento é nosso, não se vende!

Imaginemos um programa sobre cultura, com mais de 20 anos de resistência e provas dadas. Pensemos no pai do programa como um alentejano do Couço, homem digno, imune a pressões e ameaças. Analisemos os tempos que vivemos e o retrocesso político e social que sócrates e comandita representam. O clima de medo, os bufos e os invertebrados.
Recuemos na História até ao sinistro Salazar e o que disse dos comunistas. O que fez aos comunistas. Saltemos depois, sem perder o rasto a este deambular indignado, até 2008. Um censor - moderno claro, não servisse a modernidade também aos escroques -, de espada em punho comenta com os donos: " O gajo, pá, até entrevistou o Namora. Esse comuna que não se coibiu de atacar o ps e o sócretino regimento de empregados da CIP que governa Portugal. E até a Opus Dei".
Isto escutado, o censor-mor determinou que ao homem da cultura, como antes aos prisioneiros políticos, fossem formuladas condições inaceitáveis para os que não traem. Se queres vir para a Renascença, tens que vergar a cerviz, tal o conteúdo, em suma, da misérável oferta recusada.
Pois que me chamem comunista, pensou. Sou de uma terra e de uma gente para quem essa imputação é uma honra. Não morreram tantos por ela? E afinal , se ser comunista é esta alegria de ao longo de décadas dar impulso à cultura, quer dizer, à poesia, ao teatro , à música, à pintura, à gastronomia, ao artesanato, sou mais comunista, mesmo sem cartão, do que eles julgam.
E se aos outros nem o receio de perder a vida os fez trair, não há raio de Renascença que derrube o Ricardo Cardoso, meu amigo e camarada. Porque a luta continua, sei que poderemos continuar a escutá-lo, poderemos continuar a contar com a sua voz incómoda, insubmissa, mas também amiga e solidária.
Por mim a Renascença pode continuar a dar pasto aos seus censores. Há anos que a não sintonizo e a partir de agora considero elementar pedagogia democrática fazer campanha contra a coisa untuosa em que se transformou.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A nova pide

Uma passagem, mesmo que ligeira, pelos sites de gente ligada ao ps, agremiação financiada pela cia, mostra com clareza o propósito que empreenderam: sem razão e sem legitimidade, tudo fazem para manter o poder. Atacam sem argumentos, defendem sem convicção e peroram sem nexo.
No fundo, sente-se a máxima de Jorge coelho: ai de quem se meter com o ps! Apanha e da grossa. Se não for com a supressão de subsídios, é com uma inspecção fiscal. E , claro, o núcleo dirigente sabe dos que não alinham através da rede de bufos que, simulacro da extinta pide, não descansa na tarefa de denunciar os que prevaricam.
Nunca, depois de Abril, Portugal se viu confrontado com uma máfia tão poderosa e organizada. Eles dominam tudo: desde o Tribunal constitucional à Polícia Judiciária, a mancha rosa labuta para manter o poder e o domínio do fulano que se licenciou por fax. Cambada de escroques.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Contra a reescrita da História



Anda por aí um movimento que se atribui a tarefa de impedir que outros apaguem a memória. A coisa porém tem gato: para quem se apresenta com tão benfazejas intenções, a manifestação de amnésia reiterada e deturpação do passado pode fazer mal.

Proclamam querer manter viva a lembrança dos que lutaram contra o fascismo. Mas apelidam, benévolos, na esteira de Fernando Rosas, o regime nazi-fascista de Salazar e Caetano, de Estado Novo.


Falam das prisões fascistas, mas um dos membros mais proeminentes do referido movimento escreve elogiosamente sobre um dos mais sanguinários agentes da PIDE.


Anunciam um colóquio internacional sobre o campo de concentração do Tarrafal e além de ignorarem como oradores os comunistas, resistentes que em maior número sofreram a repressão fascista, omitem a existência de um livro fundamental para a compreensão desse tempo, como "O Tempo das Giestas" , de José Casanova.


Fácil é, pois, perceber que apenas querem preservar a memória de uma história reescrita a seu contento . E essa intenção não deixa de ser, convenhamos, uma refinada canalhice.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Retrato de uma Justiça de classe

Reclusos existentes em 31 de Dezembro 2007, segundo a instrução, nas cadeias portuguesas



Não sabendo ler nem escrever ________________620
Sabendo ler e escrever _____________________645
Ensino Básico _________________________8 953
Secundário ___________________________1 002
Superior ______________________________144
Outros cursos ___________________________ 15
Ignorado ou não especificado________________ 208

Fonte: Direcção-Geral dos serviços prisionais


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Adeus amiga

A minha amiga morreu hoje. Há cerca de 10 meses que padecia de uma doença rara: uma forma de tristeza filha do desencanto, que nada nem ninguém podia minorar. Dos seus olhos vazios, dos seus lábios doridos, das suas mãos inermes, do seu corpo cansado, nada resta agora. Apenas esta dor imensa que persiste em manter viva a sua ausência insuportável.
A minha amiga morreu hoje e eu, sem saber o que fazer, refugiei-me aqui, no choro inútil de tentar preencher o negro da sua ausência. A vida tem que continuar, eu sei. Mas agora não me apetece. Nem falar, nem pensar, nada.
O que havia para dizer, não lho pude dizer. O que havia para sentir, já não posso partilhar. O que havia para fazer já não serve de nada. Porque na verdade, sem a minha amiga nada vale a pena. Se perder alguém que se ama é assim, dói muito, muito mais do que julgava suportável. Olho-me e não me reconheço. Não sei do meu rosto, não sinto as minhas mãos. E fora do espaço onde me abrigo , se existe algo é o abismo.
A minha amiga morreu. E não fossem os amigos que me restam, corria no seu encalço até ao fim.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obrigado, José Saramago


Guantánamo

Novembro 5, 2008 by José Saramago



"No momento em que escrevo estas linhas os colégios eleitorais ainda vão continuar abertos durante mais algumas horas. Só pela madrugada dentro surgirão as primeiras projecções sobre quem será o próximo presidente dos Estados Unidos. No caso altamente indesejável de que viesse a triunfar o general McCain, o que estou a escrever pareceria obra de alguém cujas ideias sobre o mundo em que vive pecassem por um total irrealismo, por um desconhecimento absoluto das malhas com que se tecem os factos políticos e os diversos objectivos estratégicos do planeta. Nunca o general McCain, sendo, ainda por cima, como a propaganda não se cansa de lhe chamar e que um miserável paisano como eu nunca se atreveria a negar, um herói da guerra contra o Vietnam, nunca ele ousaria deitar abaixo o campo de concentração e tortura instalado na base militar de Guntánamo e desmontar a própria base até ao último parafuso, deixando o espaço que ocupa entregue a quem é o seu legítimo dono, o povo cubano. Porque, quer se queira, quer não, se é certo que nem sempre o hábito faz o monge, a farda, essa, faz sempre o general. Deitar abaixo, desmontar? Quem é o ingénuo que teve semelhante ideia?

E, contudo, é disso precisamente que se trata. Há poucos minutos uma estação de rádio portuguesa quis saber qual seria a primeira medida de governo que eu proporia a Barack Obama no caso de ele ser, como tantos andamos a sonhar desde há um ano e meio, o novo presidente dos Estados Unidos. Fui rápido na resposta: desmontar a base militar de Guantánamo, mandar regressar os marines, deitar abaixo a vergonha que aquele campo de concentração (e de tortura, não esqueçamos) representa, virar a página e pedir desculpa a Cuba. E, de caminho, acabar com o bloqueio, esse garrote com o qual, inutilmente, se pretendeu vergar a vontade do povo cubano. Pode suceder, e oxalá que assim seja, que o resultado final desta eleição venha a investir a população norte-americana de uma nova dignidade e de um novo respeito, mas eu permito-me recordar aos falsos distraídos que lições da mais autêntica das dignidades, das quais Washington poderia ter aprendido, as andou a dar quotidianamente o povo cubano em quase cinquenta anos de patriótica resistência.

Que não se pode fazer tudo, assim de uma assentada? Sim, talvez não se possa, mas, por favor, senhor presidente, faça ao menos alguma coisa. Ao contrário do que acaso lhe tenham dito nos corredores do senado, aquela ilha é mais que um desenho no mapa. Espero, senhor presidente, que algum dia queira ir a Cuba para conhecer quem lá vive. Finalmente. Garanto-lhe que ninguém lhe fará mal."

Pedrito do Bié

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Contra o capitalismo

O capitalismo é um sistema criminoso, que serve apenas os facínoras que dele vivem dizimando milhões de vidas em todo o mundo. O que impressiona é ver a facilidade com que os bandalhos batem com a mão no peito e juram crer em Deus. Um milhão de crianças morre anualmente por falta de uma vítamina. E depois? O que pode isso contra a invocação devota dos sacrossantos princípios do capitalismo?
Toneladas de alimentos são destruídas para que o respectivo preço não desça nos mercados e quando a frieza dos números nos diz que milhões de seres humanos morrem de fome, os canalhas organizam galas muito altruístas e que os deixam cada vez mais bonitos nas fotografias.
Agora, perante o colapso do sistema finaceiro, os governos decidiram, em uníssono, salvá-lo, descobrindo avultadas somas em segundos. Os bancos e banqueiros que tanto têm roubado os povos de todo o mundo - os mesmo que o ano passado despejaram de suas casas mais de 150 000 famílias que não puderam pagar as elevadíssimas prestações dos empréstimos - não hesitaram na apropriação de recursos públicos e na intervenção estatal.
Mas cada vez é mais evidente que o capitalismo contraria o futuro. Pode sobreviver séculos, mas há-de ruir. Até porque a alternativa significaria o fim da humanidade.

sábado, 1 de novembro de 2008

LIDICE, o exemplo


Lídice, pequena vila da antiga Checoslováquia, foi totalmente destruída, em 1942, pelos nazis como represália pela morte de Reinhard Heydrich seu comandante.
Heydrich, então designado como protector do Reich na Boémia e Morávia, área ocupada pelas tropas nazis há mais de três anos, dirigia-se da casa onde morava para seu escritório no centro de Praga. Numa esquina perto de seu local de destino, o carro em que viajava foi emboscado a tiros pela Resistência.
Atingido, o oficial das SS, protegido de Himmler e Hitler e um dos mais cruéis nazis, um dos mentores da solução final, morreria uma semana depois. Hitler ordenou então ao substituto de Heydrich que retaliasse de forma brutal. Em 10 de junho, Lidice, perto de Praga, a capital, foi cercada por tropas nazis que impediram a saída dos seus residentes.
Todos os homens com mais de quinze anos foram separados de mulheres e crianças, colocados num celeiro e fuzilados em pequenos grupos no dia seguinte. As mulheres e crianças da cidade foram enviadas para o campo de concentração feminino de Ravensbruck onde a maioria viria a morrer de tifo e exaustão pelos trabalhos forçados.
Após o assassinato e o desterro da população restante, a vila foi demolida. Cerca de 340 habitantes de Lídice morreram no massacre alemão, 173 homens, 60 mulheres e provavelmente 88 crianças.
Ao contrário do que fazia habitualmente, a propaganda nazi fez questão de publicitar o horror de Lídice, como uma ameaça e um aviso aos povos da Europa ocupada. filmaram tudo, inclusivamente o jogo de futebol que sobre os escombros organizaram, utilizando como bolas bébés recém-nascidos.
Estive em Lidice em 1985, integrado num grupo de jovens e foi das experiências mais marcantes da minha vida. O local onde se situava a vila foi transformado num imenso prado e considerado um memorial nacional. Mesmo tendo sido totalmente apagada do mapa, Lídice foi novamente reconstruída e ampliada em 1949, a setecentos metros da área onde tinha sido destruída.
Juntámo-nos em torno de uma resistente, das poucas que sobreviveram e escutámos o seu relato dorido com a ajuda de uma intérprete. No rosto das dezenas de jovens que ali se encontravam as lágrimas marcavam a determinação de lutar para que no futuro nunca mais seja possível tamanha monstruosidade.
Sou militante do PCP há 25 anos. Cada vez com mais orgulho e honra. No meu Partido, com os meus camaradas, com a sua História inigualável, aprendi o respeito pela memória. Sou contra qualquer utilização de Peniche para fins diversos dos museológicos. E acho isto tão natural que explicá-lo me parece redundante. Se a Cãmara de Peniche não tem dinheiro, tem que ser o Estado central a custear a recuperação e manutenção do forte. Da mesma forma que faz com o Mosteiro dos Jerónimos ou a torre de Belém.
Se os comunistas se empenharem nisto, reduzem o campo de manobra oportunista dos que, à segunda-feira, escrevem obras laudatórias de fascistas e nos feriados simulam preocupar-se com a preservação da memória.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Pela preservação da memória

Em 23 de Outubro de 2005 escrevi:

"Fascismo nunca mais!

Um dos traços mais repulsivos da empreitada que alguns desenvolvem para reescrever a História, consiste na destruição de tudo quanto possa questionar as mentiras que apregoam. Até agora, quem fosse a Peniche desarmado do conhecimento do que foi aquele antro de tortura e sofrimento para quantos ousaram combater o fascismo, podia convencer-se de que nada de grave por lá havia acontecido, tal o desprezo a que tem estado votado o espaço.
A conquista da Câmara Municipal de Peniche pela CDU vai, estou certo, inverter esta situação. Porque um povo sem memória não tem futuro, os comunistas e seus aliados vão seguramente transformar o Forte num monumento digno, onde possamos ir rever o que foi o fascismo, assim revigorando forças para o grito que cada vez mais se justifica: 25 de Abril, sempre! Fascismo nunca mais! "
Afinal, parece que me enganei. Vi agora o actual presidente de câmara, um independente eleito pela CDU, justificar a transformação da prisão de Peniche num empreendimento hoteleiro do grupo Pestana. Se a moda pega e os grupos empresariais - como se diz agora para esconder o que foram antes do 25 de Abril - se entusiasmam, ainda teremos o Tarrafal transformado num moderno SPA. E os campos de concentração em campos de golfe.
Claro que com espaço resídual para a memória. Afinal, os capitalistas justificam sempre as maiores atrocidades com as intenções mais benévolas.

Contra o capitalismo!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mudar as Prisões



Nas prisões portuguesas – assumo o risco da generalização – ainda não se fez sentir o 25 de Abril de 1974.
Sou, convictamente, contra as penas cruéis e degradantes. Por isso, combato o sistema prisional iníquo que possuímos.
Segundo a lei, a pena de prisão visa fundamentalmente recuperar o delinquente. Contudo, todos sabemos que o sistema prisional não só não recupera como avilta o ser humano que cumpre pena de prisão. Achincalha-o, menoriza-o e fornece-lhe os condimentos necessários para se doutorar em crime.

Se existisse vontade política, seria ordenada a necessária auditoria e fiscalização do universo carcerário e, nomeadamente, investigadas as admissões de pessoal, as aquisições de serviços e o respectivo funcionamento. As prisões são um mundo à parte: frio, cruel, desigual. Não é por acaso que, a exemplo do que sucede nos EUA, as celas estão pejadas de pobres e negros.

O trabalho devia ser obrigatório para todos os reclusos. Se em cada cadeia existisse a possibilidade de formação profissional, estou certo de que a taxa de reincidência seria muito inferior. Por outro lado, a privação de liberdade é a pena a que os reclusos foram condenados e é absurdo que cada guarda entenda poder aplicar e aplique, penas acessórias de forma prepotente e discricionária. É como se cada recluso o fosse duas vezes: do Estado de Direito e do sistema iníquo que o mantém.

Se quisermos ser coerentes com a natureza da prisão preventiva e com a condição de presumíveis inocentes que caracteriza os arguidos nessas condições, não podemos continuar a misturá-los com delinquentes já condenados.

Tanta coisa por fazer e o mais que temos é um agrupamento de interesses no governo e um primeiro-ministro que não consegue o esforço de ficar um dia sem mentir.




terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sobre (in)segurança

O problema da insegurança em Portugal tem sido discutido por quem se limita ao trivial. Os especialistas na matéria, os que estudam com denodo o problema, são ignorados, não vá dar-se o caso de apontarem responsabilidades aos que agoram choram tanta criminalidade.

O PSD que terminou com o policiamento de proximidade, para criar as ineficazes super-esquadras, pretende colher votos com a demagogia sobre o sangue derramado. Como se não tivesse dominado o País durante tantos anos. O CDS, só vê crimes e bandidos nos bairros pobres e quer pejá-los de câmaras para filmar tudo. O ps, tão responsável quanto o PSD por esta bandalheira, acordou agora para as operações das polícias feitas à dúzia, sem critério e incidindo também apenas sobre bairros e gente humilde.

Que fizeram até aqui? Nada! Aliás, basta estudar um pouco para se constatar que esta gente não sabe nada de segurança. Já em 2002, descobri que emigrantes compravam - sim, compravam!!! - vistos numa embaixada portuguesa. Da mesma rede faziam parte falsificadores de documentos, traficantes de escravos, mafiosos da droga.

Toda a gente sabe que chegam criminosos a Portugal, diariamente e com destino certo. Todos conhecem os locais onde impunemente mulheres são traficadas para favorecer o enriquecimento de canalhas.

E nem assim se faz seja o que for para, decisivamente, se atacar a criminalidade. Porque? Porque a quem detém o poder interessa este estado de coisas. Que um influente político socialista presida a uma associação de trabalho temporário - liga esclavagista por natureza - é a melhor demonstração que podemos apontar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

As comissões de inquérito

Quem tiver assistido hoje à transmissão da actividade parlamentar, há-de ter ficado esclarecido sobre a natureza, objectivos e funcionamento das comissões parlamentares de inquérito. As ditas só deliberam o que a maioria entende e hoje percebeu-se que o ps impôs, na investigação das entidades que supervisionam a actividade bancária, a sua versão dos acontecimentos-

Segundo o deputado Louçã, o BCP, aliás, administradores do BCP, cometeram o maior assalto do século a uma instituição bancária, com a complacência das autoridades de supervisão, nomeadamente a CMVM.

O deputado comunista Honório Novo colocou a questão central: os que assim agiram criminosamente, se fossem punidos, não obstante terem obtido de forma ilícita milhões de euros, sofreriam uma pena bastante inferior aos meliantes que têm furtado apenas valores na ordem dos mil ou dois mil euros.

Perante todas estas denúncias, graves e fundamentadas, o governo calou-se conivente. Que pouca vergonha!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Honrado?

Chama-se Alexandre Honrado e surpreendi-o há pouco, no Rádio Clube Português, a afirmar, sem pinga de vergonha, que os congressos do PCP decorrem à porta fechada. Dita esta falsidade, o senhor que ao que consta escreve para crianças - coitadas !... - permitiu-se aprofundar o embuste com umas graçolas que me fizeram recordar José Gil, referindo-se aos burgessos:

"O riso obtido, explorando a esperteza estúpida dos outros, revela um traço típico do burgesso português: é que, para ele, há sempre um burgesso mais burgesso do que ele. "

Apesar de tudo, confiei que o senhor faria justiça ao nome que ostenta e enviei-lhe uma mensagem, para que ainda pudesse corrigir a mentira durante o programa. Como é evidente, Alexandre ignorou o meu esclarecimento. O que mostra com suficiente clareza que o senhor pode ser o que quiser. Honrado, não!


A verdade é bem diferente: o congresso tem várias sessões e apenas uma é reservada aos delegados. Todas as outras têm imensa assistência que segue com entusiasmo o decurso do congresso. Por outro lado, não há em Portugal qualquer organização, e não estou a referir-me apenas às partidárias, que tenha um funcionamento tão democrático e tão participado.

Desde a adolescência que participo em organizações diversas e nunca encontrei tanta facilidade para exprimir de forma livre o que penso. E também nunca senti que me escutavam, quer dizer, que respeitavam o meu direito de expressão, como no PCP.

E surgem estes fulanos que, sem saberem rigorosamente nada sobre a nossa forma de funcionamento, se permitem criar uma caricatura do que somos para poderem despejar o fel que lhes rói as entranhas.


A banca é uma ladra!

Portugal está a saque: os bancos nunca ganharam tanto dinheiro na vida e apuraram o seu faro criminoso. Milhares de famílias são despejadas de suas casas por não poderem pagar as prestações, ante a indiferença de Sócrates e companhia. Muitas vezes me pergunto: como reagir perante tanto desespero?

Imagino um trabalhador sem salário e sem casa, sem dinheiro para alimentar a respectiva família . Que deve fazer? Lutar, sem dúvida. Mas olhemos a questão pelo seu lado prático: que fazer para garantir entretanto a subsistência? Pedir esmola?

Na generalidade, os trabalhadores cumprem as suas obrigações laborais. Mas estão sempre dependentes do que o mercado e os canalhas que nele enriquecem determinam. Por isso, acho que não esmolaria. Mais facilmente assaltaria um banco. Ou uma carrinha de valores. Afinal, ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão...


domingo, 14 de setembro de 2008

Os diplomas de Sócrates

O aproveitamento escolar melhorou imenso, afirma Sócrates visivelmente agastado com as vozes contrárias. De facto, melhorou e basta analisar as notas atribuídas. Mas a que custo? A ordem explícita ou implícita (basta constatar que o sistema que determina a análise do desempenho dos docentes quantifica também a percentagem de alunos reprovados), foi clara: passa tudo e quem vier atrás que feche a porta!

O mesmo se passa com o RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) através do qual se pode obter, o 9º ou 12.º anos, sem sacrícfio nem necessidade de demonstrar aptidão para tal. Basta preencher os requisitos formais e aí estão, disponíveis como o vento, milhares de diplomas à "farinha amparo".

Quando os actos eleitorais do próximo ano convocarem, interessados, as estatísticas, sócrates que afinal carece de legitimidade para exigir sacrifícios por ter feito exame em casa, poderá acenar com os milhares de novos habilitados com um diploma. Sem fundo, como os cheques carecas. Mas um diploma.

sábado, 13 de setembro de 2008

Bush nazi!

Bush não engole a vitória de Evo Morales na Bolívia. E a exemplo do que fizeram assassinos como ele, em 1973, no Chile, procura bombardear o governo legitimamente eleito, financiando assassinos e bombistas, cuja missão fundamental é destabilizar o país.
Assim se constata a profundidade da sua natureza democrática. Bush é um nazi, como há meses assinalou a grande pianista Maria João Pires. E a senhora que se candidata a futura vice-presidente dos EUA não lhe fica atrás e prevê mesmo, sem sequer ter sido eleita, a possibilidade de declarar guerra à Rússia. A coisa promete.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mentirosos e cobardes

Como sucedeu no início do processo Casa Pia, os que reproduzem a voz do dono retomaram a tese da cabala contra o ps, a propósito de uma decisão judicial favorável a Paulo Pedroso. Decisão que nem sequer transitou em julgado, a não ser que vá parar à 3ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa.

A verdade é que, quando foram ouvidos no DIAP, nem Ferro Rodrigues nem Paulo Pedroso conseguiram concretizar de quem teria partido tal urdidura ou conspiração. E não o conseguiram por saberem bem que seria impossível tal cabala.

Como bem salientou o Ministério Publico, tal pressuporia a existência de uma organização que violasse crianças e as induzisse a mentir sobre os autores de tais crimes; por outro lado, teria que corromper polícias, magistrados e um conjunto alargado de cidadãos, tudo com o fito de "decapitar a liderança política" então existente no ps.

Não podendo manter essa teoria absurda, cedo os que pagam as vozes do dono começaram a caluniar e perseguir os que se posicionaram de forma consequente ao lado das vítimas. Um dos alvos principais foi o corajoso e honrado juiz Rui Teixeira.

Atacam-no, cobardemente, por saberem que não se pode defender. Um dos sujeitos mais activos nessa conduta repugnante é um tal Daniel Oliveira, devidamente assessorado por Louçã e Fernando Rosas. A motivação do BE para trair as vitimas dos pedófilos há-de, a seu tempo, ser assinalada.

Analisemos agora outra mentira propalada por Paulo Pedroso contra Rui Teixeira: segundo o ex-arguido no processo, o magistrado teria ido prendê-lo à Assembleia da República acompanhado por uma equipa de televisão. Essa acusação foi agora repetida por Eduardo Sá, psicólogo que com Isabel Stilwel mantém um programa na Antena 1. Para o psicólogo o erro mais grosseiro do magistrado foi mesmo esse.

Ora essa é mais uma mentira que só classifica quem a criou. Eu estava na cadeia de televisão que foi à AR. E sei bem quem chamou a jornalista. O anúncio de que o senhor magistrado se deslocaria a São Bento partiu do próprio parlamento. E visou apenas, no contexto da acesa disputa entre canais de televisão, dar a primazia à SIC.

Por aqui se vê com que cimento se forjou o "erro grosseiro" que tanto alimento tem dado aos sofistas de serviço. E ainda há quem fale mal apenas da Camorra.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Aos meus amigos

A sujeição a uma intervenção cirúrgica só hoje me permitiu reatar o contacto convosco através do blog. A assinalar o tempo que vivemos, o exercício diário da mentira, por opinadores bem pagos e com a consistência viscosa da trampa que produzem.
A propósito da decisão que premiou Pedroso, Ana Gomes e um tal Daniel Oliveira, bolsaram falsidades. Sabem, cobardolas, que a mentira compensa, porque como o país foi tomado de assalto por Sócrates e companhia, está vedado o exercício do contraditório. Ana Gomes, que em Portugal assumiu a defesa dos indonésios, afirmou saber que "canalhas" manipularam as vítimas dos pedófilos, assim alimentando a teoria da cabala. O que posso garantir à desbocada senhora é que a verdade é bem diferente. Os canalhas existem de facto, mas a ocupação a que se dedicam é denegrir a investigação e ofender as vítimas. Quando a senhora quiser, posso provar o que digo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A CORJA - parte 2

A propósito de um texto que aqui publiquei, os queques-rosa, açulados por um jumento anónimo, como convém aos cobardolas, guincharam impropérios e ofensas várias na pobre caixa de comentários. A verdade dói. Mas não há ameaças que me impeçam de escrever o que penso. Poderia, para ilustar as malfeitorias do putativo engenheiro Sócrates, recorrer a centenas de documentos do PCP. Mas prefiro socorrer-me de

Excertos de um artigo de Garcia Pereira, publicado no Semanário de 12 de Junho de 2008


"Na verdade, e à boa maneira de todos os ditadores ao serviço de grandes interesses económico-financeiros, não há dia que passe em que Sócrates não tome mais uma medida contra os mais fracos e os mais pobres e em favor dos mais ricos e mais poderosos.


Como não há dia que passe em que - aconselhado por uma multidão de assessores de imagem, protegido por um núcleo crescente de seguranças, amparado por figurantes contratados e pagos ao dia ou por quadros do Partido Socialista "requisitados" para essa "nobre" missão de bater palmas ao chefe, e publicitado por uma imprensa de onde já há muito foi convenientemente varrido o jornalismo sério e independente e onde, portanto, não há lugar a perguntas incómodas ou a investigação digna desse nome - não venha pregar que vivemos melhor do que nunca, que os portugueses estão felizes, e que os nossos índices de qualidade de vida não cessam de subir.


O Governo PS, do mesmo modo que - unicamente para assim "poupar dinheiro" -, põe a Segurança Social a negar a reforma a trabalhadores a cair de mortos ou altera a lei para restringir, como efectivamente restringiu, o acesso ao subsídio de desemprego, permite que a dívida dos patrões à Segurança Social só no último ano tivesse aumentado cerca de 900 milhões de euros.

Mas Sócrates não se impressiona...


E entretanto, pela Lei 53-A/06, de 29 de Dezembro desse ano, o PS alterou à surrelfa e em defesa dos patrões o dito regime legal, passando agora este a estabelecer que empregador que embolsa em proveito próprio o dinheiro descontado a título de Taxa Social Única no vencimento dos seus trabalhadores só praticará o crime de abuso de confiança se já tiverem passado mais de 90 dias sobre a data do pagamento, se a Segurança Social tiver instaurado execução, se esta tiver notificado o mesmo patrão para pagar no prazo de 30 dias e se este não o tiver feito dentro desse prazo! Tudo razões por que se o patrão prevaricador tiver "bons amigos" na dita Segurança Social que nunca instaurem tais execuções, bem pode meter ao bolso dinheiro que não é dele que nunca será julgado por nenhum crime!?


Isto, enquanto o mesmo Governo de Sócrates, para pagar menos aos mais necessitados, criou uma base de cálculo (o chamado IAS - "Indexante de Apoios Sociais") de valor bem menor (407,01 euros) do que o já miserável salário mínimo nacional (que, como se sabe, é de 426,00 euros para o mesmo ano de 2008).

Mas Sócrates não se impressiona...


Tendo alterado, também no final de 2006, as regras de acesso ao subsídio de desemprego e ao subsídio social de desemprego, Sócrates fez com que um número cada vez menor de trabalhadores tenha hoje acesso a essas prestações sociais (de Julho de 2007 para Maio de 2008 esse número desceu de 263.278,00 euros para 254,135,00, cobrindo agora apenas 59,52% dos desempregados oficiais (427 mil) e 44,36% da totalidade dos desempregados (ou seja, incluindo os 70 400 de "inactivos disponíveis" e os 75 500 de "subemprego invisível", num total de 572 900).


E, mais do que isso, fazendo com que cada vez um maior número de trabalhadores desempregados - porque muitos e muitos deles precários e com contratos de curta duração - não consiga ter o tempo mínimo de contribuições para aceder ao subsídio de desemprego (450 dias nos dois últimos anos) e deste modo tenha apenas acesso ao Subsídio Social, de valor mais baixo.


Com o Governo de Sócrates - o tal que todos os dias nos entra pela casa dentro a repetir à exaustão que "estamos no bom caminho"... - o número dos contratos a termo aumentou drasticamente (entre o 1.º trimestre de 2005 e o 1.º trimestre de 2008 em cerca de 155 mil), enquanto o número dos contratos de natureza permanente, no mesmo período, baixou de 22,6%!

Mas Sócrates não se deixa impressionar...


Desde 2000 até agora, e de forma muito particular entre 2005 e 2008, o peso dos salários no PIB Português baixou sempre, sendo que agora é de apenas 49,3% do total.

E o último Relatório da Comissão Europeia refere mesmo que em Portugal 9% da população (sobre)vive com menos de 10 euros por dia (enquanto a média europeia é de apenas 5%)!

A miséria social e a pobreza - que atingem mais de 2 milhões e 200 mil cidadãos - alcançou já e de forma crescente mesmo as pessoas com empregos e correspondentes salários, só que tão baixos que mesmo esses não dão para satisfazer as necessidades mais básicas.
Mas Sócrates continua a não se impressiona
r..."

terça-feira, 29 de julho de 2008

A NÃO PERDER!!!

Carta do presidente Venezuelano ao heróico Comandante Fidel Castro Ruiz

Sobre a detenção de Remedios Garcia Albert


Nota do Gabinete de Imprensa do PCP


Face às notícias vindas a público da detenção da cidadã espanhola Remedios Garcia Albert o Partido Comunista Português:

1 – Expressa a sua solidariedade a esta activista espanhola dos movimentos pela paz e de solidariedade com os povos, membro da OSPAAAL (Organização de Solidariedade com os povos da Ásia, África e América Latina), Organização Não Governamental espanhola cujo objecto social é a busca da paz, da solidariedade e da solução negociada de conflitos com base nos princípios do direito internacional humanitário.

2 - Denuncia a criminosa onda de repressão do regime de Alvaro Uribe que numa violenta campanha intimidatória e de clara violação dos mais elementares direitos e liberdades dos cidadãos colombianos visa todos aqueles que na Colômbia não colaboram na política de nova escalada do conflito militar. Campanha essa que se tem traduzido na prisão, perseguição, indiciação criminal e mesmo morte, dos que se empenharam na recente tentativa humanitária de troca de prisioneiros entre as FARC e o exército colombiano - como o recente caso do assassinato de Guillermo Rivera dirigente sindical e membro do partido político Pólo Democrático Alternativo vem mais uma vez comprovar – e que parece agora, com este inaceitável episódio de “caça às bruxas” em Espanha, querer ser exportada para a Europa.

3 – Alerta para o facto de com esta detenção política se tentar lançar deliberadamente a confusão entre contactos com as partes beligerantes no conflito colombiano com vista à sua resolução pacífica e “colaboração com organizações terroristas”.

4 – Chama a atenção que a detenção de Remédios Garcia foi efectuada à luz de legislação dita “anti-terrorista” que em nome de um suposto combate ao terrorismo, visa a restrição das liberdades dos cidadãos e a criminalização das pessoas e organizações que não se rendem à ordem mundial do imperialismo.

5 – Reafirma a sua solidariedade com o povo e as forças que na Colômbia prosseguem a luta contra o regime fascista de Uribe – actual testa de ferro da administração Bush no continente latino-americano – pela democracia, a justiça social e a solução política e negociada do conflito colombiano e reafirma a sua posição de que um primeiro passo para a paz é o início de negociações entre as partes beligerantes para a troca humanitária de prisioneiros.

6 – Rejeitando a política de intimidação e perseguição que visa com esta acção instaurar na Europa - com a cumplicidade de alguns governos europeus - o mesmo clima de perseguição política vigente na Colômbia, o PCP reitera a sua solidariedade a Remedios Garcia e a todos aqueles que dedicam a sua vida e as suas forças à luta pela paz, a democracia e os direitos humanos, contra o imperialismo, o militarismo e a guerra.

O que te terá feito mudar tanto????

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Esta luta também é nossa!

Que pena que em Portugal nada se faça de semelhante. Sobretudo porque as famílias afectadas não contam com qualquer apoio governamental específico que atenue a dor imensa e ajude a ganhar a batalha decisiva.


Bethânia, Caetano e Dona Canô cantam Oração da Mãe Menininha

Com um grande abraço ao SAMUEL, pela revelação deste momento mágico.


terça-feira, 15 de julho de 2008

Com as FARC, com Manuel Marulanda Vélez, contra o fascismo!


Comunicado del Movimiento Juvenil Bolivariano
ABP/13/06/2008

Donde cantan los tucanes, donde el colosal verde cómplice se derrama sobre la montaña, donde el arado del campesino humilde hace parir la tierra, en el humo de los cañones que lanzan palomas de fuego, donde el sudor brota de la frente del obrero, entre las paginas abiertas de un libro que se sabe explorado por la mirada curiosa del estudiante, en el tropel y la alegría de sentirnos forjadores de patria, en las entrañas de la fértil tierra negra, entre la muchedumbre y las calles del viejo pueblo, en medio de cantos de aves inmortales, embebido en Colombia entera… yace la presencia del Comandante en Jefe.


Invicto en su brega contra el descomunal enemigo, muerto mil veces y mil veces vivo, como hoy, nuestro querido viejo, sigue conduciendo con acierto las columnas de quienes seguimos combatiendo junto a él, con nuevos gritos que reclaman libertad. Habrá que hacer mucho para emular al gran comandante de hombres y mujeres libres, habrá que darlo todo, esta vida y otras más para alcanzar su histórico ejemplo, para rasgar el techo de su talla revolucionaria.


La juventud bolivariana de la Colombia comunera, extiende su juramento hecho ante El Libertador, sobre su imagen guerrillera… vencer y mil veces vencer, es nuestro grito de compromiso que se junta al de miles de farianos que hoy siguen haciendo tronar los fusiles libertarios en honor a su presencia indeleble. Sentimos dolor por su partida física, porque es de humanos sentirlo…porque somos camaradas, pero no habrá silencio ni tristeza prolongada por su ausencia, porque no existe tal. Estuvo y estará por siempre Manuel Marulanda Vélez entre nuestra pólvora y nuestro sencillo amor revolucionario por el pueblo.


Seguirá siendo su ejemplo, su vida inagotable en experiencia combativa, la más diáfana fuente de consejos y orientaciones para triunfar. Han de saber los pueblos de la América Nuestra y sus juventudes, que habrá en este rincón de la Patria Grande, un gran puñado de hombre y mujeres, dispuesto a darlo todo por caminar junto a nuestro pueblo hacia la concreción de la Nueva Colombia y el Socialismo. Será ello nuestros mejores honores rendidos al Comandante en Jefe, al Camarada Manuel. ¡Con Bolívar y Manuel, con el pueblo al poder!


Dirección Nacional Movimiento Juvenil Bolivariano Desde la clandestinidad, Junio 8 de 2008


A CORJA

O governo de Sócrates é uma excrescência, um aglomerado de trapaceiros políticos, uma mentira permanente, uma corja de cobardes de peito inchado contra os trabalhadores, mas subserviente e de cócoras ante o patronato.

Não formam um governo, são um bando. Chusma miserável sempre pronta a rosnar contra os que produzem riqueza. O único propósito que têm é destruir o que resta do que Abril possibilitou. Agora é o direito a férias. Se os deixarem hão-de colocar-nos nas galés.

Que quem elegeu estes dejectos tenha consciência do atoleiro em que nos colocou. Eles não governam, destroem. Não há uma única coisa que tenham feito em prol dos trabalhadores que os elegeram. Com o socialismo na lapela, não passam de malfeitores ao serviço da CIP, da CAP e da CCP.

E claro, da CIA, que os premeia permanentemente desde que apadrinhou o Mário Soares logo em Abril de 1974.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Nicolai Ostrovski

Acabei de reler um dos livros que mais marcou a minha adolescência: Assim Foi Temperado o Aço, de Nicolai Ostrovski. Escrito em 1930, quando o autor tinha 24 anos e estava praticamente cego, o livro mostra bem a têmpera dos comunistas que edificaram a URSS, sob condições terríveis, nomeadamente a invasão criminosa de 24 potências capitalistas que tudo fizeram para que a revolução fracassasse.
A tudo resistiram os comunistas, nomeadamente, os jovens. que perceberam que era no poder soviético que estava o futuro. Considero fundamental o exemplo de abnegação, heroísmo e resistência que Ostrovski encarnou sem um queixume, bem como a crença fundamentada no futuro socialista da humanidade.
Kortchaguine, personagem principal da epopeia, deu tudo, de forma desinteressada pelo ideal que abraçou. Ora essa determinação influenciou e continuará a determinar para a luta, sucessivas gerações de jovens, que identificam hoje no neoliberalismo a besta sanguinária a abater.
Foi muito bom ter relido o livro. Vou dedicar uma prateleira para o colocar ao lado do Francisco, do Caminho das Aves e de tantos outros heróis censurados pelo fascismo actual. Eles são a melhor demonstração de que os coveiros apressados se enganaram. O comunismo não só não morreu como está presente no coração de milhões de seres humanos em todo o mundo.
A luta continua, camarada Ostrovski e podes ter a certeza de que o teu sacrifício não foi em vão. Somos muitos milhões os que estamos dispostos a empunhar a honrada bandeira que nos legaram Marx, Engelx e Lénine.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Os vigaristas confessam-se!

Que a generalidade dos dirigentes europeus são vigaristas do pior quilate, já o sabíamos. Não espanta assim o conto do vigário que, a propósito da derrota monumental que sofreram na Irlanda, desfiam em uníssono.
A tentativa é fazer com que acreditemos que o referendo não teve valor vinculativo e que, a exemplo das vigarices que com outros povos fizeram, a seu tempo tudo será corrigido. Quer dizer, os abutres assumem que nem a democracia formal respeitam quando os seus interesses são colocados em causa. Por isso, mal possam, vão fazer com que o não agora expresso se transforme num conveniente sim.
Por mim, fico sempre feliz quando a União se alarga em número de países. Quantos mais povos enganados, maior será a probabilidade de a construção europeia neoliberal implodir. E a cada derrota dos europeístas - vulgo charlatães endinheirados -vibro de felicidade.
A União Europeia é, desde o seu início, um monumental embuste. Criada com o único objectivo de lutar contra o comunismo, desde cedo assentou os seus alicerces na mentira e na chantagem. País e povo que não aceitassem o capitalismo não poderiam ser beneficiados com os milhões que permitiram a reconstrução no pós-guerra.
Desde então, e através do que o charlatão-mor apelidou de "política dos pequenos passos", têm sido servidas gradual e sucessivamente, doses de veneno federalista, que transformando a União numa federação de estados, cumpra o designío dos grandes senhores.
Tudo feito sem que o povo se possa pronunciar. Tudo realizado sob coacção e chantagem. Ainda agora, sob a ressaca do não, os tais europeístas se apressaram a exigir a expulsão do prevaricador do clube europeu.
Cambada de miseráveis.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A honra de ser comunista


Se alguém alertou, com verdade, para a situação actual foi o PCP. Cumprindo a sua missão, informou com coragem e desde o início, que a integração europeia - esta mesmo que agora sofremos - teria consequências desastrosas, designadamente, a destruição da base produtiva do país.
Na altura, os mários soares de ocasião, chamaram-nos pessimistas e anti-europeus. Se fossem dignos, pediriam agora desculpa. Em 2004, o PCP, pela voz desse grande intelectual revolucionário que se chama Miguel Urbano Rodrigues, previu a escalada brutal dos preços dos combustíveis. Chamaram-lhe catastrofista.

Não há, em matéria de coragem, coerência e honradez, partido que se assemelhe ao PCP. E eu, que neste ano cumpro 25 anos de militância no Partido, sinto-me profundamente orgulhoso. E vaidoso também. Porque contribuí, na medida das minhas possibilidades, para essa obra notável.


As consciências de aluguer ao serviço!

Em épocas de crise, como a que vivemos, torna-se mais claro o trabalho sujo desenvolvido pelas inúmeras consciências de aluguer. Como sucedeu no processo Casa Pia, em que só faltou dizerem que foram as vítimas que violaram os pedófilos, vêm agora defender o governo encabeçado pelo putativo engenheiro sócrates. São exactamente os mesmos escroques: bem pagos, bem nutridos de tachos e influências, tentam a todo o custo evitar que o povo despeje na rua a seita que rouba e destrói o País.
E usam todos o mesmo argumentário pútrido, visando perpetuar a ordem estabelecida. De tudo falam, ominiscientes na arte de prestar vassalagem e pressurossos no dobrar do cachaço. A mesmíssima cambada de suínos perora as verdades imutáveis na generalidade dos órgãos de comunicação social dominante. Pagos uns pelo Balsemão - agora apostado em branquear a imagem do pedófilo preferido - outros pelo Jacques e Belmiro, chafurdam na lama que pretendem vender-nos como farinha.
Por vezes é difícil mantermo-nos lúcidos perante tanto canalha. Mas a luta - que odeiam como a determinação dos que resistem - há-de mostrar-lhes que a caca que produzem é ineficaz contra o futuro. Por mais que o atrase.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O sócratino zangou-se

Segundo a imprensa, um tal Trindade, alegadamente sindicalista, abandonou a manifestação do passado dia 5, incomodado com a exigência de demissão do governo. E com razão! É inadmissível que 250 mil manifestantes - perdão, 249 999 - possam mais do que um esforçado mas pouco convincente sócretino. E ainda o rapaz não conhece o poema de Brecht. Senão estou certo que berraria a exigência de mudança de povo

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A senhorita Y

O século passado conheceu acontecimentos exaltantes. Destaco três: a Revolução russa de 1917, a revolução cubana de 1959 e a nossa, de Abril de 1974. Em comum têm a reacção criminosa que sofreram por parte dos EUA, potência que não admite a dignidade inerente aos povos soberanos.

A Rússia logo sofreu a invasão de 22 países capitalistas e sabotagens de toda a ordem. Cuba, além da invasão da baía dos porcos e do bloqueio, teve que suportar ataques reiterados de terroristas municiados pelos EUA e pela máfia anticubana. A nossa revolução foi atacada logo no dia 25, e basta relembrar a actividade do mafioso Carlucci e seus apaniguados lusitanos.
Quando pretendem submeter um povo aos seus ditames, os nazis de Washington não vacilam na utilização de todos os meios ao seu alcance. Por isso assassinaram Allende e milhares de chilenos por intermédio de Pinochet. Destruiram Granada, a Nicarágua Sandinista e patrocinaram todas as ditaduras de Strossener a Somoza.
Agora, depois de assassinarem centenas de milhar de iraquianos, contribuem denodadamente para nova ofensiva contra CUBA. Criaram uma figurinha, há anos associada a terroristas conhecidos, compuseram-lhe a imagem e depois de adequado estágio na Suíça, fizeram-na reentrar novamente em CUBA, ordenaram aos seus lacaios que lhe divulgassem o nome e lhe ofertassem um prémio.

Num repente, a menina Y tornou-se numa estrela planetária. O que diz não interessa. Afinal de contas limita-se a repetir, com roupagem nova, as mesmíssimas coisas que os seus mentores ideológicos disparam contra a revolução cubana desde o início. Mas por enquanto vai brilhando. Porque surge como a menina vitimada pela “censura castrista”.

A mesma censura que afinal lhe permite ter um blogue, que disponibiliza espaços públicos com acesso à net e, pelos vistos, lhe permite viver do dinheiro que ganha com os escritos que produz.
E que nojo causa constatar que os mesmos que em Portugal silenciam todas as lutas e, servilmente, adulam o poder, se colocam em bicos de pés gemendo pela Y. Os mesmos que ostracizam os desempregados, os idosos com pensões de miséria, as vítimas dos pedófilos, os perseguidos por convicções ideológicas, grunhem agora contra revolucionários que toda a vida lutaram pelo bem comum. Contra o capitalismo!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Demita-se, Jaime Gama!

No tribunal criminal de Lisboa está a ser julgada um jovem casapiano, talvez dos mais vitimados pela barbárie da pedofilia. Razão: ter denunciado Jaime Gama como autor de alguns dos crimes que sofreu. O actual presidente da Assembleia da República não foi constituído arguido porque o procedimento criminal relativo aos crimes por que foi denunciado se encontra prescrito. Mas pode perseguir quem o denunciou.

Estive no tribunal arrolado como testemunha pelo jovem corajoso, honesto e persistente. Apesar do que já sabia, o que ouvi deixou-me estarrecido. A defesa do meu irmão casapiano transformou o acusador em réu, através de um exercício doloroso mas necessário.

Inacreditavelmente e ao contrário do que sucedeu com a primeira sessão do julgamento, nem um jornalista marcou presença no tribunal. E ainda há quem duvide que o sistema controla a comunicação social dominante.

Seria muito importante que o povo português soubesse o que foi dito naquela sala de audiências. Estou certo de que não permitiria que Jaime Gama continuasse a desempenhar as altas funções que desempenha. Sobretudo para que as não usasse contra um jovem pobre e profundamente ferido. Se quer processar as vítimas, demita-se até que tudo fique esclarecido. Tudo não, porque infelizmente já não pode ser julgado.

A luta continua!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Obrigado Mação e Oliveira do Douro

Em Mação e Oliveira do Douro, com o intervalo de uma semana, duas magníficas noites e outras tantas oportunidades de falar com centenas de pessoas sobre abusos sexuais e prevenção. É impressionante a adesão das populações aos debates que se promovem sobre estes temas. E marcante a solidariedade para com as vítimas da barbárie.
Tivéssemos nós um governo preocupado com estas questões e Portugal deixaria de ser um paraíso para pedófilos, cuja actividade predatória só pode ser desenvolvida onde as pessoas não conhecem a forma como agem e dissimulam os crimes que cometem.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

As preocupações do senhor Procurador

O senhor Procurador-geral diz-se muito preocupado com a violência juvenil nas escolas. Não podia, pois, ter melhor álibi do que a cretinice em torno de um telemóvel publicitada na net por um filho do sistema miserável em que vivemos. Falta agora nomear Emídio Rangel para chefiar as polícias - de choque preferencialmente - que hão-de aplacar, de bastão em riste, as fúrias e birras estudantis.
O senhor Procurador tem demonstrado ser um óptimo ministro de Sócrates. Por isso, em vez de centrar a atenção dos portugueses no que urge combater - os homicídios, os roubos, as agressões sexuais; os crimes laborais e as crescentes falências fraudulentas; os crimes de colarinho branco e por aí fora - quer que a intervenção prioritária das forças repressivas se dirija a uma área onde a comunidade escolar (professores, restantes funcionários, pais e encarregados de educação, autarquias) pode e deve actuar de forma eficiente.
Como ministro de Sócrates, ao senhor procurador interessa iludir a questão central: as escolas estão neste estado caótico porque o governo, além do blá-blá costumeiro nada fez em quase 4 anos. Por isso falta quase tudo: funcionários, material escolar, ginásios, cantinas, tempo, estabilidade e formação para os professores darem as matérias e, quantas vezes, pais que não se dissociem dos filhos, que não se limitem a despejá-los à porta da escola.
Na verdade, quem usou de violência na escola do Porto, não foi a estudante. Foram os que a ensinaram a viver neste país dirigido por gente rasca na convicção de que o telemóvel é tudo. E o livro, nada.
Se o senhor Procurador quiser um conselho que evite a desmotivação dos alunos e outros fenómenos negativos, aqui fica: visite a Escola Voz do Operário. Constate como crescem felizes as crianças que por lá aprendem, o respeito recíproco entre professores e alunos, o amor à escola diariamente fortalecido. Depois, se quiser ser coerente, exija ao governo que pague à Voz do Operário os milhares de euros que lhe deve por não comparticipar nas despesas com as crianças de menores recursos.