terça-feira, 16 de setembro de 2008

Honrado?

Chama-se Alexandre Honrado e surpreendi-o há pouco, no Rádio Clube Português, a afirmar, sem pinga de vergonha, que os congressos do PCP decorrem à porta fechada. Dita esta falsidade, o senhor que ao que consta escreve para crianças - coitadas !... - permitiu-se aprofundar o embuste com umas graçolas que me fizeram recordar José Gil, referindo-se aos burgessos:

"O riso obtido, explorando a esperteza estúpida dos outros, revela um traço típico do burgesso português: é que, para ele, há sempre um burgesso mais burgesso do que ele. "

Apesar de tudo, confiei que o senhor faria justiça ao nome que ostenta e enviei-lhe uma mensagem, para que ainda pudesse corrigir a mentira durante o programa. Como é evidente, Alexandre ignorou o meu esclarecimento. O que mostra com suficiente clareza que o senhor pode ser o que quiser. Honrado, não!


A verdade é bem diferente: o congresso tem várias sessões e apenas uma é reservada aos delegados. Todas as outras têm imensa assistência que segue com entusiasmo o decurso do congresso. Por outro lado, não há em Portugal qualquer organização, e não estou a referir-me apenas às partidárias, que tenha um funcionamento tão democrático e tão participado.

Desde a adolescência que participo em organizações diversas e nunca encontrei tanta facilidade para exprimir de forma livre o que penso. E também nunca senti que me escutavam, quer dizer, que respeitavam o meu direito de expressão, como no PCP.

E surgem estes fulanos que, sem saberem rigorosamente nada sobre a nossa forma de funcionamento, se permitem criar uma caricatura do que somos para poderem despejar o fel que lhes rói as entranhas.


5 comentários:

Sérgio Ribeiro disse...

Honrado esclarecimento! Obrigado por ele, Pedro.
Apenas acrescentaria que já houve tempo em que os congressos do PCP eram à porta fechada. Mais: à porta clandestina. Porque era o único partido que existia, porque havia homens que tinham a coragem de tomar partido, e desses os melhores viviam na clandestinidade e, apesar disso, tinham um comportamento democrático como colectivo. Como gente honrada.
Um abraço.

Anónimo disse...

A crítica desconstrutiva e caluniosa é a única arma dos fracos, pois são tão insignificantes que não têm inteligência para debater com verdade e para se fazer notar!O PCP tem as costas largas e uma capacidade bem superior a qualquer destas mesquinhas e falsas insinuações!

Entratenamente disse...

Amigo, não há nada como ser Honrado. Estou mal informado e isso é terrível quando se faz jornalismo. Não esclareci ninguém porque não recebi a sua mensagem, mas estou a tempo de fazê-lo. Eu sei que vale a pena lutar. Não com o insulto, mas com a frontalidade. Tenho a maior consideração e respeito pelo papel do PCP em Portugal ao longo dos anos. Viva a porta aberta. E deixe lá a escrita para crianças em paz e fale comigo, pois tenho parazer nisso. Se fiz figura... de urso, admito-o. É uma questão de honra.

Pedro Namora disse...

O senhor pode sempre corrigir o seu erro, nomeadamente, convidando para falar consigo, no programa, alguém da direcção do PCP, que reporá a verdade facilmente.
Eu nunca pretendi insultá-lo, mas apenas manifestar a minha indignação. Nós vivemos e lutamos honradamente e todos os dias nos difamam. E a piada que o senhor desenvolveu aos microfones é das mais usadas. Mas, de qualquer forma, quero realçar e agradecer-lhe a resposta e a assumpção do erro.

carlos silva disse...

O PCP, além de ser um partido da porta aberta, é um partido com paredes de vidro, como dizia Álvaro Cunhal... e isso incomoda, é uma arma contra a burguesia putrefacta que se sustem ligada ao ventilador da mentira e do revisionismo histórico.
1 abraço