segunda-feira, 29 de maio de 2006

Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandeza,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampávamos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro de papoulas!



Cesário Verde

1 comentário:

GR disse...

Gosto da descrição do quotidiano, na poesia de Cesário Verde.
É uma poesia realista!
Gosto da serenidade, da cor, dos perfumes que sinto, quando leio os seus poemas!

Esta semana visitei uma aldeia, vi muitas papoilas vermelhas!
Há muito que não via! Tantas papoilas, tão vermelhas!
Fotografei-as, eram tão lindas como essa que ilustra o post.
Ofereci as papoilas, enviadas por e-mail, a um meu camarada e amigo. Às vezes sinto saudades!
As papoilas são flores simples, delicadas, tem a beleza natural, tão natural, como a amizade!

Pedro,
Bonito post para um dia de "Verão"!
Um bj,

GR