quinta-feira, 27 de abril de 2006

CAVACO SÓCRATES


Andam a fingir, desde que Abril derrubou o fascismo, ser democratas. Bastou agora que o inquilino de Belém repudiasse o Cravo – há-de aliás, na solidão da residência oficial, tê-lo amarfanhado irado – para que os democratas a fingir vissem nisso, prestativos visionários, um sinal de modernidade.
Que dizer destes cronistas despeitados? De tanto esforço para agradar aos donos, vão deixando cair o manto que lhes oculta a pérfida função. Falam de Democracia e Liberdade, mas pretendem o oposto. Se analisássemos os serviços que prestam, talvez concluíssemos que semelhanças tão fortes com aquilo que fazia o lápis azul até Abril de 1974, não são mera coincidência. E, consequentes, seríamos levados a constatar o óbvio: o fascismo está aí, moderno claro, na fatiota que decidiu agora envergar.
A conjuntura sopra ventos favoráveis e os cronistas do reino ufanam no seu protagonismo servil: Cavaco e Sócrates, irmanados no mesmo propósito, maioria parlamentar e Belém em uníssono neoliberal, desenvolvem uma tremenda ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e os seus salários, contra o sistema público da segurança social, contra as funções sociais do Estado, que querem mínimo, reduzido, como disse um dos ministros de Sócrates, às “funções de segurança e reguladoras”.
É pois natural que Cavaco rejeite o cravo e que Sócrates o use como mero adorno, estando como claramente se constata, um e outro, nos antípodas do que Abril significou. Afinal são os dois responsáveis pelo agravamento do desemprego, pela crescente precariedade e pela degradação dos rendimentos dos portugueses. E natural há-de ser que as vozes dos donos sublinhem positivamente os ataques ao sonho e à esperança que Abril nos trouxe.
Apesar disso, ou talvez por isso, a luta continua!

5 comentários:

GR disse...

Cavaco (o fantasma ressuscitado) desde cedo demonstrou não ser presidente de todos os portugueses.
Quando para o Conselho de Estado, retirou a representação do PCP.
O discurso que fez (sem cravo), legitima a acção do governo (palavras de Sócrates)!
Sócrates é o sabujo do grande capital nacional e estrangeiro. Agora também capacho do Cavaco!
Em pouco tempo vão conseguir destruir o pouco que resta no país!
Um desrespeito total para com os idosos, reformados, desempregados, trabalhadores, justiça, professores, médicos, estudantes, deficientes, crianças!
Fecha hospitais, fecha escolas, privatiza o que ainda dá algum lucro, obriga mães a terem os filhos no estrangeiro, desmantela a segurança social.
Tudo isto com uma cara estupidamente feliz!

Com este governo de direita, já se começa a ler nos jornais;

Câmara de Mira persegue jovens comunistas!
Rui Rio, retira propaganda do 25 de Abril!
João Jardim, proíbe comemorações de Abril!
Tentam a todo o custo desmoralizar o cidadão, os que com consciência lutam! Não vão conseguir!
Eu não estou desmoralizada! Estou zangada com a situação que se torna quase insustentável.
Mas com mais força para lutar, reivindicar! Eu e todos nós que queremos um Portugal melhor! Um Portugal com futuro!

Como diz o nosso Ary;
“agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu”!

Como diz o nosso Pedro;
“VALE A PENA LUTAR”

GR

ANA GRALHEIRO disse...

PEDRO:
Ao ponto a que estamos a chegar? Vivemos numa sociedade de valores invertidos e pervertidos...! E o povo aplaude, ou cruza os braços!
Que se passa com esta gente?
Mais uma vez... a LUTA TEM QUE CONTINUAR!
BJ
ANA

GR disse...

Trinta e dois anos depois! 30 de Abril de 2006

Sábado, 27 de Abril de 1974.
Saíam, não olhavam para trás!
Debilitados, marcados pela tortura, carregavam os seus parcos haveres do tempo de cativeiro.
Saíram, não olharam para trás!
Esperavam-nos familiares, amigos, camaradas, muitos desconhecidos.
Todos queriam abraçar, estes heróis vivos!
Os olhos dos portugueses choravam ao verem os directos de televisão.
Chorava-se de alegria, impossível descrever tão forte comoção!
O sonho tinha-se tornado realidade! Era o começo da Liberdade!
Forte de Peniche, memória dolorosa mas de grande coragem para muitos dos que por lá sofreram a clausura de uma ditadura de 48 anos.
Homens e mulheres permaneceram semanas, dias, meses, alguns longos anos, no silêncio da coragem, só interrompido com gritos de dor, da tortura!
Houve também vitórias, como em 3 de Janeiro de 1960 a Fuga de Peniche de Álvaro Cunhal, Domingos Abrantes, Jaime Serra, Francisco Miguel, Carlos Costa, Pedro Soares, Joaquim Gomes, Guilherme de Carvalho, e José Carlos.
Muitos Resistentes foram assassinados pelas mãos dos carrascos da PIDE!

30 de Abril de 2006 pela 11:00 horas no Forte de Peniche.
32 anos depois neste lugar inóspito vai ter lugar, uma homenagem a todos os resistentes que lutaram pela nossa Liberdade.
Impossível colocar o nome de todos os camaradas e democratas antifascistas. Milhares de resistentes, ao longo dos 48 anos de ditadura fascista, lutaram, sofreram, sonharam!
A todos eles, o meu profundo respeito, o meu imenso Obrigado!

GR

zemanel disse...

Estamos cá. Semeando cravos. Não passrão. Saberemos defender Abril, conquistaremos o futuro!
Avante!

sandra almeida disse...

Quem andou na campanha eleitoral a cantar a "Grândola Vila Morena" e a dizer repetidamente "o povo é quem mais ordena"?? Alguém se lembra?

"Com papas e bolos se enganam os tolos"...


25 de Abril sempre!

Sandra Almeida