sexta-feira, 20 de maio de 2005

História da América Latina marcada pelas invasões e conspirações de Washington


A viagem recente da secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice pela América Latina suscitou receio nos povos e governos que são a favor da independência e da soberania nacional. Segundo a opinião geral, o objetivo da viagem foi reforçar o papel de quintal que o poderoso vizinho do Norte atribui à região. Não é possível uma aproximação entre os EUA e a América Latina se constantemente a região é alvo de imposições e ameaças de agressão contra países independentes que contestam a política de Washington, governo que mantém a mesma atitude dos anos da guerra fria.
Cuba e a Revolução Bolivariana na Venezuela são exemplo disso. A história continua os acusando quando, época por época, se constata o protagonismo imposto por Washington mediante agressões militares, ocupação de territórios e de nações, em conseqüência da diplomacia do destino expresso, da fruta madura, do grande porrete, ou da luta atual contra o terrorismo. O interesse desta nação no subcontinente é procurar aliados que apoiem suas intenções militares, políticas e econômicas no mundo, como fonte de matéria-prima para seu bem-estar e como área de segurança geopolítica. Dentro deste panorama, os povos latino-americanos sentimo-nos peões e instrumentos do país do Norte.

A HISTÓRIA NÃO OS ABSOLVE
Desde a independência das 13 colônias, em 1776, e a posterior união republicana até nossos dias, a história dos Estados Unidos reúne a sucessão paralela do maior expansionismo geopolítico, territorial, econômico e comercial jamais conhecido pela humanidade. Na primeira década do século 19, em 1809, o presidente estadunidense, Thomas Jefferson, realizou uma intentona para se apoderar de Cuba, através da Espanha. Propósito que seria estendido à região toda quando, em 1823, Washington proclamou a Doutrina Monroe, que declara que a América Latina é zona de influência do vizinho do Norte. A intervenção no Equador para garantir seus interesses econômicos foi qualificada pelo professor equatoriano Jorge Núñez, de exercício preliminar para intervenções posteriores no Pacífico sul. Apenas tinha decorrido um ano de sua retirada de Guayaquil quando, em 1835, sob o pretexto de proteger seus interesses em El Callao e Lima, os fuzileiros norte-americanos desembarcaram no Peru, aproveitando a guerra civil naquele país e a constituição da Confederação Peruano-Boliviana, em 1836.

Desde então, a intervenção do poderoso vizinho do norte tem estado presente no Panamá, Haiti, Porto Rico, Nicarágua, República Dominicana, Uruguai, Cuba, Chile, Honduras, Colômbia, Costa Rica, México, Equador e Peru, e em outros países. Além de realizar campanhas de extermínio dos índios, as 13 colônias originais multiplicaram por dez sua extensão territorial em menos de um século, mediante um processo de despojo, chantagem e terrorismo de Estado, particularmente com a agressão ao México.

Com sua estratégia expansionista, os Estados Unidos arrebataram a seu vizinho do sul 51% de seu território. Isto é, mais de dois milhões de quilômetros quadrados. Os primeiros passos foram dados em 1819 quando o banqueiro Moses Austin foi autorizado pelo governo do México para se estabelecer no país, com 300 famílias. Em 1835, os colonos norte-americanos domiciliados no rico território texano ultrapassavam a cifra de 60 mil. A fruta estava madura e alentados por Washington proclamaram a independência do Texas, pretexto para que os voluntários norte-americanos interviessem. Em 1846, o Congresso dos EUA aprovou a anexação e ao mesmo tempo as tropas atacaram, atravessaram o rio Grande, ocuparam Veracruz e posteriormente a Cidade do México. Lá morreram heroicamente, em combate, os cadetes da Escola Militar do castelo de Chapultepec. A agressão, qualificada por José Martí como guerra humilhante, terminou com o tratado Guadalupe-Hidalgo, em virtude do qual o México foi despojado, definitivamente, dos territórios que hoje compreendem os estados do Texas, Califórnia (os mais extensos dos EUA) Arizona, Novo México, Utah, Nevada e partes de Colorado e Wyoming. Mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, eqüivalentes à superfície conjunta da Inglaterra, França, Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Dinamarca e Suécia.

As perdas econômicas do México foram inestimáveis se observamos que somente a Califórnia produziu muito mais ouro do que o produzido pelos Estados Unidos nas seis décadas anteriores.
Mais uma vez, em 1914, Washington interveio no território mexicano. Foi quando vários tripulantes do cruzeiro ianque Dolphin foram presos no porto de Veracruz, incidente que supostamente tinha sido resolvido quando o presidente Woodrow Wilson foi autorizado pelo Congresso para ocupar, sem declarar guerra, o porto de Veracruz. Esta operação foi realizada com 6 mil fuzileiros. A arrogância ianque veio à tona novamente quando a marinha desse país bombardeou o porto nicaragüense de San Juan del Norte, depois que as autoridades desse país tentassem fazer pagar imposto ao iate do milionário estadunidense Cornelius Vanderbilt. Este incidente serviu de antecedente ao aventureiro William Walker, que operando a favor dos interesses dos banqueiros Morgan e Garrison, invadiu a Nicarágua e proclamou-se presidente, em 1855. Durante os dois anos de dominação atacou a El Salvador e Honduras, onde também se proclamou chefe de Estado.

O vizinho do Norte também interveio na guerra dos cubanos por sua independência do colonialismo espanhol e em 1902 proclamou na Ilha um protectorado, sob controle de Washington. O século 20 foi a época do Grande Porrete: escindiram o Panamá da Colômbia para se apoderarem do canal interoceânico, invadiram militarmente Cuba durante o levante provocado pela reeleição do presidente Tomás Estrada Palma, desembarcam fuzileiros na República Dominicana, intervieram em quatro ocasiões no Panamá, ocuparam o México para apoiar o regime de Adolfo Díaz, invadiram e usurparam o poder por mais de 20 anos na Nicarágua, onde pela resistência das forças, lideradas por Augusto César Sandino, deixaram o controle do país à tirania de Anastasio Somoza, que ordenou o assassinato do líder nicaragüense. Ainda, tornaram o Haiti num protectorado até 1934 e invadiram Honduras para garantir o domínio da banana por parte da United Fruit Company.

Com algumas exceções, reitera-se o apoio de Washington às ditaduras em diferentes países da região: Colômbia, Equador, Venezuela, Cuba, Haiti, República Dominicana, Peru, Uruguai, Argentina, Chile, El Salvador, Guatemala, Honduras, onde foram estabelecidos regimes militares que mataram milhares de pessoas. Esta repressão tentava tolher a ação dos movimentos revolucionários. Não ocultavam a teoria de quintal dos EUA quando armaram um exército de mercenários para derrubar o governo democrático de Jacobo Arbenz, na Guatemala, onde a guerra civil e a desapiedada repressão deixaram mais de cem mil vítimas. Por outro lado, o golpe militar que matou o presidente constitucional do Chile e impôs a tirania fascista de Augusto Pinochet foi o início do Plano Condor, em que as ditaduras militares da Argentina, Uruguai, Chile e Brasil, juntaram métodos e ações repressivas para assassinar mais de 50 mil revolucionários, em 20 anos.

O triunfo da Revolução cubana abriu uma nova etapa no processo revolucionário da América Latina. Mais de 45 anos de bloqueio econômico, atentados terroristas e planos para assassinar o presidente Fidel Castro, organizados pela CIA, não impediram que as ânsias de independência frutificassem em movimentos importantes que tinham como objetivo uma integração latino-americana. Eis a Alternativa Bolivariana para as Américas, assinada recentemente pelos presidentes Fidel Castro e Hugo Chávez.

2 comentários:

Malae disse...

Caro Pedro:

Tomei conhecimento do seu blog através do blog de um amigo que costumo visitar*. Confesso que várias vezes cá venho, mas que talvez por alguma vergonha não tenho comentado. Mas gostava de lhe dizer que este blog é o espelho da pessoa que é... e como Portugal precisa de pessoas assim! Que nunca desista! A luta será muito dura, mas tenho esperança que no fim vencerão os bons! Parabéns pelo seu blog. Voltarei. Um abraço grande. Malae***

*http://www.tadechuva.weblog.com.pt/

Carlos Silva disse...

Boa Noite,para quem se sente campeão!
Eu, ainda estou de "luto", para alegria de todos vós.

Não é para falar sobre as invasões e conspirações de Washington, pois são tantas, que gostaria de saber quem um dia os irá condenar!

Mas o Pedro, ou alguém me saberá exlicar o que se faz na Sociedade Secreta Bildeberg?
Quem para lá vai, tem um fururo promissor, 1º Ministro, Presidente das Nações Unidas(!).
Estou farta de ler, mas o que discutem?!!!
http://www.proyectopv.org/1-verdad/nuevoorden.htm
Desculpe o meu atrevimento.
Um forte abraço
Carlos Silva