quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O Caminho das Aves

Dizer-se, da vida, que pode ser vivida de formas diversas, não passa de uma banalidade. O que é difícil, é vivê-la coerentemente, de acordo com o que se diz defender. O nosso povo, aliás, caustica de forma demolidora os que, em palavras, vagueiam entre o que dizem ser e o que efectivamente fazem. "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço", ou, "Isso não passa de trinta e um de boca", são tiros certeiros nos que da palavra fazem tudo e ainda arranjam lata para acrescentar que no "início era o verbo"...
Ocorreu-me isto pensando num amigo e num livro - o livro da minha e de tantas outras vidas - que se chama "O Caminho das Aves". Aqui, na ficção de José Casanova, tudo faz sentido por ser profundamente real. As personagens são tão naturais que se nos colam, como se efectivamente vivessem connosco e nos interpelassem ou fossem procuradas, por nós, a cada instante.
Sucede que uma dessas personagens, o carteirista, tem tudo a ver com um amigo que admiro profundamente. Esteve preso, cerca de doze anos, e hoje é um ser humano novo, admirável, solidário, combatente, coerente e amigo. Ofereci-lhe O Caminho das Aves porque sei que vai julgar que o Zé se inspirou nele para escrever sobre o carteirista. E nisso reside também a riqueza do livro.
Daqui a cem anos haverá gente a ver-se retratada pelo autor e a sentir-se motivada a lutar pela mudança. Gente que aprenderá que, se quisermos, nenhum estigma nos roubará o futuro. Gente que, apesar de ter sido conduzida, forçada, à marginalidade por um sistema anacrónico, conseguiu - e se isso é difícil... - retomar o caminho da luta, centrando sobre o capitalismo a justa revolta contra a iniquidade.

6 comentários:

GR disse...

Como deve estar orgulhoso o “Albino”! “O Caminho das Aves” oferecido por um amigo como tu, é uma verdadeira emoção!
Fazes muitos amigos (como Francisco ou Simão), porque és uma pessoa sincera, honesta e muito solidária. Permaneces fiel à amizade de alguém que por variadíssimas razões foi carteirista, contudo falas desse amigo, com respeito e o carinho que merece. Como nos livros de Casanova que nos ensinam o melhor que há na vida! A Amizade, Solidariedade e a Coerência. São belíssimos exemplos de vida, as três grandes obras do romancista José Casanova.
Contudo, sabes que vivemos num mundo difícil, num país sem escrúpulos, onde a palavra Fraternidade não é reconhecida e muito menos Verdade! Vendem-se por míseros trocos, por palavras vãs!
Poucos têm a tua coerência que tanto tem incomodado os sem-vergonha. Mas a verdade será reconhecida!

Utilizando as palavras tão belas e sentidas do Zé Casanova, na sua intervenção na Festa do Avante.
“Um forte abraço do tamanho do mundo”

Esperamos que amanhã, dia de mais uma leitura de sentença, que a Justiça te acompanhe!

GR

Maria disse...

Pedro

Não te digo mais nada porque já não tenho outras palavras. As que tinha já aqui estão todas.
Deixo-te um abraço, apertado....

Mazdak disse...

Cheguei aqui por mero acaso, pois, andava à procura da bandeira do ary e de repente escancarasse-me esta porta, ele há coisa do caraças, mas é um bom augúrio, chegar aqui não pela passadeira mas sim bandeira vermelha. Gostei, vou voltar!
Hasta…

Cravadinho disse...

... Braga por um canudo.
Parabéns.

Antuã disse...

Eles servem o deus Dinheiro, nós as pessoas. Eles são economia de mercado, nós a inclusão de todas as pessoas sejam deficientes ou outras. Um abraço.

GR disse...

No passado dia 18 de Outubro foi lida a sentença do processo de difamação ao Dr. Pedro Namora por João Braga. O Tribunal entendeu que o dito fadista depois de uma visita ao Estabelecimento Prisional onde se encontrava preso Carlos Cruz (2003) proferiu palavras* insultuosas contra Pedro Namora, tendo o Tribunal condenado João Braga ao pagamento de uma indemnização ao lesado e ainda a 120 dias de prisão remíveis a 3000 mil euros.
*Vídeo pode ser visto http://canhotices.blogspot.com/ no post “Braga por um canudo”

Foi com grande alegria que soube da justa decisão do Tribunal.
Este fadista fascista, com a prepotência já tão habitual, num momento tão sério e delicado, atacou com brutal violência Pedro Namora, humilhou os jovens Casapianos, amesquinhou todo o cidadão que não tendo condições económicas favoráveis, conseguem com grande esforço estudar, tirar um curso superior e levar uma vida de trabalho honesta.

Nunca gostei de João Braga. O fadista que odeia os Cravos de Abril!
Fugiu de Portugal após a Revolução de Abril, tendo-se exilado em Madrid, na Espanha franquista até 1976, quando Espanha começava a Democracia.
Este fadista “opinion maker” é muito alérgico á democracia!
Mesmo aos 62 anos é sempre tempo para começar a respeitar os cidadãos de bem!

Parabéns Pedro,

GR