quarta-feira, 28 de março de 2007

Classe dos burlões profissionais

Hoje de tarde, na SIC, segui o programa Praça Pública. No estúdio, o moderador tinha a seu lado Paulo Baldaia, que chefia a redacção do Jornal de Notícias. O assunto versava a guerra sem quartel que se trava no CDS/PP e a generalidade das pessoas que telefonaram para o programa criticou, ora um ora outro, os contendores, a saber: Paulo Portas, Ribeiro e Castro e Maria José Nogueira Pinto.

No final, aos dois jornalistas não podia faltar a habitual conclusão dos que tudo generalizam abusivamente: o povo está farto da classe política! Sem mais…

Ora eu, que sempre votei no PCP, quero aqui expressar publicamente que nunca me senti desiludido pela prática política nem pelo uso que o Partido deu ao meu voto. Sempre fiscalizei a acção política dos cidadãos que contribuí para eleger e como resultado obtive a satisfação decorrente de saber cumpridos os compromissos que comigo assumiram.

Sei, também por isso, que é abusivo falar em classe política. O curioso é verificar que a generalidade das pessoas que conheço e não votam no PCP, o fazem reiterada e alternadamente, no ps ou no psd, apesar de saberem – supremo masoquismo – que inevitavelmente serão burladas.

Olhe-se para a prática do governo do senhor Sócrates: prometeu baixar os impostos e elevou-os a um nível insuportável para milhares de famílias. Prometeu criar 150 000 empregos e o desemprego não pára de crescer. Prometeu melhorar a qualidade de vida das pessoas e está a destruir o Serviço Nacional de Saúde. Prometeu ser sério e afinal descobre-se que nem engenheiro é… Prometeu respeitar a Constituição e está a destruir, sob orientação do patronato, direitos conquistados por sucessivas gerações.

Antes dele, outros, embora sob sigla diferente, burlaram de igual forma a confiança e o mandato que o povo lhes atribuiu. Politicamente não passam de vigaristas. Por isso, a conclusão adequada seria: o povo está farto da classe dos burlões.

3 comentários:

GR disse...

Na realidade cada vez mais o cidadão eleitor profere, estas palavras “estamos farto da classe política!”. Generalizando.
O povo só vê e ouve falar na tv, rádio e jornais do ps e psd (efectivamente assim fica melhor) e o PCP? Ocultam notícias de grandes realizações, de diários combates, de profundos estudos dos mais variados temas. Por vezes lá aparece uma informação de dois segundos.
Roubos, confusões, conflitos, impostos, encerramentos, despedimentos, é disto que o povo está farto!
Todavia, cada vez é mais difícil demonstrar ao povo que o PCP é, o único Partido que fala com Razão, em prol das classes mais desfavorecidas.
Vem a igreja com grandes teorias anticomunistas, o futebol para esquecer, as novelas para anestesiar. O povo com contas por pagar, remédios por comprar!
É muito complicada a situação política no norte! 33 anos depois, os “fantasmas” criados por Salazar e continuados (não só, mas também) pelo PS, os branqueamentos e a Ignorância, consolidaram a INDIFERENÇA do povo.
Até quando o eleitorado vai deixar de votar neste pingue-pongue neoliberal, cada vez mais perigoso para a já débil Democracia?

Parabéns.
O teu texto está brilhante.

GR

Sadi disse...

Pois burlões é que por aí não faltam...

Um abraço Pedro e gostei de conhecer o seu blog (supondo que é a mesma pessoa de quem estou a pensar - o ex-Casapiano, certo?).

a formiga disse...

Muitos sabem, custa-lhes é aceitar que exista um partido onde haja pessoas a lutar por valores.

Quando se sobrevive numa sociedade onde é cada um por si, como aceitar que existam pessoas que se interessam pelos outros, pessoas essas que são constantemente atacadas nos seus valores e ideais.

Há que escolher....