sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Ao Simão e à Teresa

Dor

Tardam na tela as nossas mãos
Onde a cor diz amante
És tu que vens, singular
Resgatar a existência do sol
Nos teus cabelos livres.
Agita-se já o hábito da dor
E as nossas mãos tardam
No instante em que o futuro se exime
E a imensidão vazia da memória
Traça percursos a sangue, delimita
A parede caiada dos teus gritos.
Finados tecem cardápios de silêncios
Meticulosos desferem chicotadas e conselhos:
De beber os teus lábios, não se fala
Em partilhar merendas ninguém pense.
Eu sei, a dor persiste, meu amor
Já não há mãos içadas para nós.
E no entanto,
A tua boca persiste na minha sem rodeios
Os teus olhos choram o mar onde me escondem
E ainda encontro resguardado do degredo
O desejo ancestral de sonhar.

3 comentários:

GR disse...

O amor levado ao limite!
Tão simples teria sido a liberdade de dois seres se tornarem num só, unindo-se!
Intrigas, conveniências financeiras (sempre os interesses económicos, toda a vida assim foi), separam este amor. Clausura, degredo, tudo serve para a destruição do amor, mas ele é alcançado com a morte.
Ainda hoje, esse amor perdura!

Pedro,
Não terás poemas suficientes para editares um livro?
Belíssimo poema!

Bjs,
GR

Maria disse...

Pedro,
A tua escrita é
uma forma de amor
e também
uma forma de luta.
Continua, camarada, gostei de te ler!

Antonio Balbino Caldeira disse...

Ou como a sensibilidade pura se veste de palavras fundas.