quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Contra as vítimas, sempre os mesmos

Transcrevo do blogue de António Balbino Caldeira, a quem os pais e crianças deste país muito devem:

"Real, virtual e absurdo
Enquanto pela Europa fora se pune a pedofilia virtual, por aqui desculpa-se a pedofilia... real!João Beselga, professor de... Moral da Casa Pia, condenado pelo tribunal de 1.ª instância por abuso sexual de um deficiente mental de 14 anos, viu a sua pena comutada em um terço e a indemnização da vítima reduzida a metade, por decisão dos inesquecíveis juízes desembargadores Rodrigues Simão, Carlos Sousa e Telo Lucas, da 3.ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa. Segundo o Correio da Manhã, o argumento dos juízes foi o seguinte: "não ter ficado provado que João Beselga tenha sido a única, ou a primeira pessoa, a abusar da vítima"... O corajoso advogado da Casa Pia Miguel Matias comentou a este propósito que o chocava que "a repetição de um abusos sexual faça diminuir o valor do dano". Saliente-se que, ainda por cima, a vítima é deficiente mental.O inesquecível juiz desembargador Carlos Rodrigues de Almeida, da mesma secção do Tribunal da Relação de Lisboa, já tinha assumido uma posição polémica no recurso deste caso quando pôs em causa o testemunho de uma vítima de João Beselga.(...)"

4 comentários:

Sérgio Ribeiro disse...

Que nojo!

Sérgio Ribeiro disse...

Que nojo!

GR disse...

Mais um post do blog, DO PORTUGAL PROFUNDO de imprescindível leitura, como aliás, vai sendo hábito. A temática dos post’s do Dr. Caldeira, são sempre de grande reflexão e todo o interesse!
Estando todos os leitores infinitamente gratos, pelo seu trabalho, pela sua Luta!


Por muito que tente perceber, a nossa justiça é vergonhosamente injusta!
Como é possível uma criança deficiente ser violada e o violador ver a sua pena e indemnização substituída, para metade? O argumento do juiz é escandaloso!
Não há possibilidade de levar este processo para o Tribunal Europeu?
"Eles" deixaram de ter vergonha, decência! O governo comprou os juízes! Impossível esta situação!
É uma desonra para a minha pessoa, ouvir de amigos estrangeiros dizerem, “Portugal é o paraíso dos pedófilos! E sem tsunamis! “
Em França, Espanha, na América de Bush, os tribunais fazem justiça! Os pedófilos são presos! Em Portugal, protege-se os violadores! Condena-se a vítima!

Lendo o JN deste último domingo, verifico que se tenta a todo o custo incutir/confundir/perturbar, a mente da população. As crianças deste processo, foram levadas a inventar, mentir! Tem que se ter cuidado, saber ouvir e destrinçar a verdade da mentira?!!!

O criminalista Barra da Costa em declarações ao JN de 06-01-29 diz: - “ Claro que as crianças mentem e os adultos que dizem que isso não acontece, estão a mentir”.

É claro que as crianças mentem, os adultos mentem, os políticos mentem, os juristas mentem, os polícias mentem, os jornalistas mentem, os médicos mentem. Mentem, os psicólogos, sociólogos, investigadores, todos mentem!
Aliás, hoje em Portugal mais do que nunca todos mentem! Governo, ministros, empresários, todos mentem! Somos um país de mentirosos e os que não o são, chamam-lhe também de mentirosos!
Existe diferenças significativas entre a mentira das crianças e a dos adultos!
Uma mentira é uma afirmação feita por alguém que acredita que seja falsa, esperando que quem a ouve acredite nela!
A criança mente, quando diz que comeu o bife, estando o cão ao seu lado a lamber-se, do bom repasto!
A criança mente, quando está no sofá a ver desenhos animados dizendo, ter feito todos os trabalhos escolares, sem ainda ter aberto a pasta!
A criança mente, quando afirma que a jarra se partiu, sozinha. Não quando deu o pontapé na bola!
É claro que as crianças e os jovens mentem!
Mentiras que mais não servem senão, para o desenrascar momentâneo. Todos sabem que mentem! Mentiras, não sentidas! Amanhã já não se lembram, contrariando-se com a verdade! Mentiras que todos sabem que não são verdades. São mentiras, sem gravidade! Por uma questão de educação, devem ser repreendidas!
Mentiras que não escondem sofrimento, nem dor!
Mas a criança/jovem, não mente quando a situação vivida lhe causa/causou dor, consternação, sofrimento!
Podem calar, esconder, não querer dizer!
Mas mentir sempre, não!
Não pode inventar mentiras, quem não passou, por uma determinada situação!
Será que um investigador num interrogatório feito a uma criança ou a um jovem, não sabe se está a mentir, inventar falsas realidades, ou falar verdade?
A criança mesmo de tenra idade, sabe o que é o sofrimento, a dor, o não poder fugir de uma situação anormal (maus-tratos infantis, pedofilia, desestabilização no casal, álcool, drogas). Situação que a criança não compreende, não tem capacidade para a resolver. Quantas vezes culpando-se, massacrando-se, acreditando que tudo é culpa dela, sem saber o que fazer!
A criança sofre! Sente dor!
A criança nesta circunstância, não mente!
Emudece, revolta-se, pode até falar, mas não mente!
Essa dor, não se esquece!
Com o passar dos anos a dor cresce, a raiva torna-se numa ferida, tantas vezes enlouquece!

Não duvido que o Dr. Barra da Costa seja um conceituado criminalista.
Contudo prestou um péssimo serviço público, com este depoimento!

Pedro,
Um beijo solidário.

GR

Antonio Balbino Caldeira disse...

Obrigado pela tua citação, Pedro. Antes não tivéssemos de o fazer, num cartel acossado de lamentos do horror. A luta continua, contudo!