domingo, 19 de fevereiro de 2006

Almas cinzentas


A propósito das decisões dos senhores juízes da terceira secção do Tribunal da Relação de Lisboa, mas também do comportamento inqualificável de outro juíz desembargador, de seu nome Eurico Reis, que não tem cessado de se pronunciar contra as vítimas dos abusadores sexuais, muitos amigos ficam incrédulos e incapazes de entender o que se está a passar.

Philippe Claudel, no seu belíssimo romance Almas Cinzentas, Edições ASA, explica, de forma certeira, o posicionamento de tais personagens:

“… faziam parte da mesma classe social, a dos bem-nascidos, criados em berço de ouro, das viaturas motorizadas, dos lambris e das baixelas. Para lá dos factos e das simpatias, mais alto do que as leis ditadas pelos homens, está esta conivência e esta troca de galhardetes: “Não te metas comigo que eu pagar-te-ei na mesma moeda.” Quem pensar que um dos seus pode ser um assassino, está a admitir que ele próprio o pode ser. É confessar perante toda a gente que aqueles que falam com trejeitos de boca e nos olham do alto, como se fôssemos excrementos de galinha, que têm uma alma torpe como os outros homens, são de facto como todos os homens. E isso talvez seja o fim do mundo, o fim do seu mundo. É portanto insuportável.”

3 comentários:

Sérgio Ribeiro disse...

Bom dia, Pedro!
Junto a minha voz e indignação à tua.
Os posicionamentos de classe têm as manifestações mais diversas e algumas delas são difíceis de suportar. Mas não se trata de suportar ou não, de ter nojo (nos sentidos desta palavra), trata-se de luta! E obrigado pelo teu exemplo.
Abraços

GR disse...

Um romance denso, útil e belíssimo!
Comprei este livro no Natal. Edições Asa. Lê-se rapidamente.
Belos momentos de grande narração poética!

Este romance (para mim) está alicerçado em seis pontos fundamentais.
- Uma Guerra.
- Um homicídio, para esconder abusos sexuais infantis.
- Uma vítima condenada.
Injustamente executada.
- Um Procurador, homem poderoso e insuspeito.
- Uma testemunha, silenciada.
- Uma população pobre, fustigada. Alguns com a consciência pesada, com atitudes do passado.

Enquanto lia este livro (reportando-se a 1917), não deixei de fazer um paralelismo, entre a história do romance e os dias de hoje.
Há no romance um Procurador cruel que com a conivência de um seu colega, sonegam a verdade.
Procurador = Justiça = Tribunal, símbolo da opulência económica, do poder social. Prepotência de um poder, capaz das maiores atrocidades, de uma Justiça vingativa, calando a verdade, amedrontando os mais indefesos, ridicularizando testemunhas, humilhando todos aqueles que lutam pela verdade! Basta uma palavra ou um só olhar!

A narração é tão perfeita que se torna incomodativa. Entre o romance e o processo Casa Pia, há uma realidade desconcertante!
(os personagens)
Eles sabem a verdade, quem cometeu o homicídio!
(a nossa população)
Nós sabemos a verdade, quem são os verdadeiros arguidos!
Eles sabem quem os ajudam, a esconder as atrocidades!
Nós sabemos quem os ajudam, a inventar as mentiras!
Ambos, “eles” e “nós” silenciamos, acomodamo-nos, aceitamos, tem que ser assim!
Como uma paralisia colectiva, um emudecimento geral.
Sei que há grandes lutadores, a favor das vítimas, mas refiro-me à generalidade da população!

No romance o narrador, com a consciência perturbada, tenta abrir o caso, para repor a verdade.
É tarde! Duas décadas passaram. Deu tempo para esconder muita maldade, calar a verdade, sacrificar inocentes, agrilhoar os poucos que queriam a verdade!
Será, que as nossas vítimas terão que esperar vinte anos!
A nossa Justiça é uma vergonha!
O nosso governo, incompetente, indecente!
Numa só palavra DESUMANO!

Solidariedade para com todas as vítimas.

Um beijo,

GR

GR disse...

O poder está podre!

«O aborto é pior do que a pedofilia».
«A esperança média de vida dos homossexuais activos é de 45 anos, sem contar com aqueles que morrem de sida».
«A homossexualidade é uma doença (...) de origem psicológica, um sintoma de uma neurose relacionada com um complexo de inferioridade».
«Qualquer relação sexual que não seja dirigida à procriação é uma perversão».
«A família só existe a partir do momento em que há filhos».
«Promover a utilização do preservativo é uma grande irresponsabilidade».

“Padre Nuno Serras Pereira – jornal independente” (retirado do blog Rubra Bandeira)

Não querendo ferir susceptibilidades e reconhecendo que um padre tem responsabilidades sociais perante a comunidade que com ele convive, lendo estas afirmações, só poderei dizer:
Ou este padre é louco! Ou é um perigoso pervertido!
Andar na rua, a dizer tanto disparate! Não!É um perigo!
Deve ser internado. No manicómio ou na prisão!

É uma perversão dizer: ”abortar é pior que a pedofilia”!

Hoje, mais do que nunca é necessário promover o uso do preservativo, para que não se tenha que recorrer, à última solução, o aborto! Portugal atravessa momentos de grande recessão económica. O desemprego, falta de habitação, gastos com a saúde, educação, os problemas sociais, drogas, álcool, doenças graves transmissíveis. É difícil ter uma criança! Pode até haver desejo, muito amor para lhe dar, mas a vertente económica (quer queiramos ou não), é fundamental!
A criança nasce sem ter pedido para o fazer. Logo a responsabilidade é dos adultos.
A criança, tem o direito a ser protegida de toda a exploração e crueldade, de ser respeitada, direito à saúde, educação, alimentação, compreensão, dedicação e muito amor!
São direitos básicos!
Vem este senhor que é padre, dizer que não se faça o aborto! Com que direito?
A pedofilia é mais aceitável que um aborto???
Compreendo que o padre queira defender a sua classe! Mas não aceito que o diga, em grandes parangonas nos jornais! É não ter o mínimo de vergonha, de dignidade!Não ter o mínimo de respeito pelos direitos humanos e sobretudo pelos Direitos da Criança!
É do conhecimento público que os padres, sexualmente são (a maioria)uns pervertidos, (para mim) a lei do celibato é a principal causa, destes graves problemas!
Dando alguns exemplos da “vida social” dos padres e sendo do conhecimento público.
Reporto-me a padres americanos, ingleses e irlandeses. Sendo estes exemplos a nível de todos os países do mundo. Até de Portugal. Apesar de tentarem ocultar aqui estes crimes.
Há também casos de padres que vivem “maritalmente”, com mulheres e com homens!
Ou seja há padres pedófilos, homossexuais, heterossexuais e os desbocados como o padre Nuno Serra!

O padre John P. Leninhan – teve de pagar a uma senhora 1,2 milhões de dólares, pelos abusos sexuais e pelo aborto que a obrigou a fazer, quando menina!
Padre Don Kimball – acusado de violar uma adolescente no altar!
Padre John Geoghan – processo judicial por ter violado várias crianças!
O padre Sean Fortune de Belfast, suicidou-se quando ia ser julgado a 66 processos de abusos sexuais.
O papa João Paulo II, aceitou a renúncia do bispo Anthony J. O'Connell, da Flórida, Estados Unidos, que abusou sexualmente de um estudante adolescente num seminário de Missouri.
As indemnizações que a Igreja dos EUA, a mando do Vaticano tem dado, excedem a mais de um bilião de dólares!
O Vaticano vai lavando as mãos, como Pilatos! Não impondo regras de disciplina aos seus bispos, padres, arcebispos. Deixando-os continuar com os crimes sexuais a crianças e jovens indefesos! Nunca os denunciando!

Este senhor não tem ponta de vergonha, nem de instrução!
Então a homossexualidade é uma neurose? E morrem aos 45 anos de idade?
Este homem, pensa que todos são incultos e reaccionários como ele!

Pobre das crianças que caírem nas garras deste padre!

Procuradores, juízes, médicos, padres, políticos e tantos outros,a ocultarem e usufruirem, destes crimes!

O poder está podre!

Resta-nos homens como tu, Pedro!
Com a tua persistência e a tua coragem, Lutas para que esta barbárie, não se esqueça, não se branqueiem e não se silencie!
Tudo fazes para que jamais aconteça!

Obrigado!

A Luta Continua!

GR