quinta-feira, 9 de junho de 2005

Conceito O2

"Da próxima vez que o leitor entrar em qualquer delegação da Caixa Geral de Depósitos (CGD) preste bem atenção ao funcionário que o atender. Se for uma mulher, repare quantos anéis tem; se for um homem, atente na gravata. No primeiro caso, se houver mais de dois dedos enfeitados, torça o nariz; no segundo, se o trapinho for de poliester, não chegar ao cós das calças ou ostentar cores garridas ou bonecos, não hesite em manifestar o seu desagrado.Se o trabalhador estiver atrás do balcão, que é o mais comum, ou de uma secretária, como também sucede muitas vezes, não se deixe intimidar pelo empecilho e espreite, espreite mesmo, para ver o que se passa do lado de lá do obstáculo.Se for uma mulher, verifique o tamanho da saia - em caso de dúvida pode mesmo pedir uma fita métrica para comprovar se há mais de 2,5 cm à mostra acima do joelho - e aproveite para ter a certeza que as pernas estão devidamente protegidas por collants. Ah!, pormenor importante, dê uma olhadela aos sapatos - não aos seus, por enquanto, aos da trabalhadora - e veja se têm um bocadinho de salto, se não são brancos e sobretudo se não mostram o calcanhar.Se for um homem também não hesite, peça ao trabalhador para dar uma volta pela sala ou, no caso de estar sentado, para que trace a perna. Há que ter a certeza que a peúga é da mesma cor da calça ou do calçado, que ao andar não é vista, e que na condição de sentado não deixa à vista nenhum naco de perna.Mesmo que já esteja cansado de tanta investigação não desista. Olhe em volta e comprove se todas as mulheres estão devidamente maquilhadas. Se for o caso, então sim, está na hora de dar meia volta e ir resolver o seu assunto ao multibanco. O motivo é simples: consta que as pesquisas indicam que as mulheres maquilhadas ganham mais 12 a 15 por cento do que aquelas que não rebocam a fachada. Como a CGD não subsidia a produção, está-se mesmo a ver quem é que ganha com o negócio e à custa de quem.Este aparente delírio não é fruto do calor, ao contrário do que o leitor possa pensar. Garante o Expresso, na sua última edição, que isto e muito mais está a ser implementado na CGD, numa acção de formação de dois dias a que os trabalhadores estão a ser submetidos. As regras constam de um manual intitulado «Gestão da Imagem e da Relação com o Cliente», da autoria da empresa ‘Conceito O2’, que também dá os cursos e vigia os resultados. Quem for apanhado em falta após a frequência da formação é penalizado.Trinta anos depois do 25 de Abril, os métodos pidescos voltam à tona em versão fashion."

4 comentários:

Anónimo disse...

Convém sempre informar-mo-nos convenientemente antes de, como diz alguém que eu conheço, sermos "reprodutores de asneiras".

Maria Manuel
(mmanuel.sousa@netcabo.pt)

GR disse...

Infelizmente a mediocridade, instalou-se no nosso país!
Se nos anos 70 e 80 os bancários, foram uma classe privilegiada, hoje não passam de uns simples funcionários. Muitos deles sem regalias, com flexibilidade de horários, contratos precários, situação débil, para muitos jovens tendo terminado o curso de direito, sujeitam-se por umas centenas de euros, ou seja poucas dezenas de contos, ao novo tipo de “escravatura”.
No governo de Bagão Félix, a situação piorou! É claro que nem todos os trabalhadores alinham com estas atitudes fascistas, outros, tudo fazem e não olham a meios para atingirem os fins!
Infelizmente, este artigo (de tão reputada jornalista) reproduz a verdade, das asneiras que governos de direita ditaram!

GR

Funcionária disse...

Pena que a Maria Manuel não nos tenha informado. Aproveite, afinal reproduzir um artigo não é crime...

GR disse...

VASCO GONÇALVES

Portugal está mais pobre!
Hoje Portugal está de luto!
Morreu um homem integro,coerente,
um grande lutador pela Liberdade e pelos direitos de Abril!

Ele deixou-nos um legado.
Os seus actos as suas palavras, os seus pensamentos!

GR