terça-feira, 26 de setembro de 2006

Eugénio de Andrade


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

2 comentários:

GR disse...

É a rotina!
O uso diário das palavras, sem pensar o que estamos a dizer!
O hábito constante de olharmos, sem repararmos no que estamos a ver!
O costume rotineiro de beijarmos, sem sentirmos a carícia que nos estão a fazer!
As exigências do dia a dia. Conflitos, pressa, atrasos, pensamentos, tantas tormentas, fazem de nós animais assim, distraídos, tristes, carentes, solitários.
É a rotina que nos exige, esta urgência de viver!

Pedro,
Belíssimo este poema de Eugénio de Andrade.
Extraordinária pintura.
Bjs

GR

Dijambura disse...

Este poema ajuda-nos a abrir os olhos e a ver as coisas!