sexta-feira, 2 de junho de 2006

Obrigado Vitor!

Nós somos
argila barro calcário
argamassa que une
tijolo a tijolo
pedra a pedra
a ponte o muro a casa o celeiro
o ferro a caldeira o aço
a charrua o arado o tractor
a grua o guindaste o elevador
esta oficina esta fábrica
a corda a linha
o tecido
que amassa nosso alimento
que protege o nosso corpo

Nós somos o caminho
a distância e o acontecimento
no instante ultrapassados
Sem nós
outra seria a mudança
outra seria a qualidade
outro seria o mundo
outras seriam as sementes

Desde sempre pela paz e pela liberdade lutamos
Não pela liberdade dos senhores e dos senhoritos
Não pela paz dos cemitérios
deserto da Roma imperial
Mas pela vida
Enquanto houver voz e mãos
Enquanto houver inteligência e vontade
Enquanto houver
um homem uma mulher
duas crianças


VITOR NOGUEIRA (do Barreiro a Setúbal, em 17 Janeiro 1985,
reelaborado em 13 Outubro 1985 e 01 Março 1989)

2 comentários:

GR disse...

Enquanto houver poetas assim!

Este poema e o “Das Kapital e o Manifesto Comunista”, têm força, dão-nos entusiasmo!
Que me desculpe o poeta Vitor Nogueira, mas não conheço a sua poesia!
Pedro,
Podias dar o nome dos livros publicados?

GR

Pedro Namora disse...

O Vitor é meu colega de trabalho e nosso camarada. Conheço-o há pouco tempo, mas é um prestigiado dirigente sindical. Desconheço se tem alguma coisa publicada, mas escreve muito, sobre diversos assuntos e é uma pena que ainda não tenha decidido criar um blogue.