sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Vale a pena lutar!

Veste preto! É uma menina linda!
Uma beleza natural! Tem alguma agressividade,
muita desconfiança, evita ter amigos!
Vive num quarto alugado, trabalha muito!
Veste negro, sempre preto, igual à sua tristeza!
Dos quatro até aos doze anos, foi violada pelo pai!
Aos dezassete anos, no decorrer do processo Casa Pia,
e ouvindo as vitimas, tão iguais a ela,
foi aos Instituto de Medicina Legal, arranjou um advogado.
Hoje, o pai encontra-se na prisão! A mãe nunca lhe perdoou!
Conheci-a há dias! Tem 20 anos, um filho de dois anos!
Trabalha muito! Valeu a pena a sua luta!
Valeu a pena ter acreditado, nas vítimas da Casa Pia.
Que tanta força, lhe deram!
VALE A PENA LUTAR!

GR 10/11/05 23:59

1 comentário:

jmp disse...

No País Prós e Contras

José Mota Pereira - 32 anos
Torres Novas


Acabara a seca, mais ou menos na altura em que se contaram os votos para as locais. Foi isto mais ou menos na altura, em que as galinhas ficaram com gripe, e outros passarões se seguraram melhor ao poleiro.

( E aqui estava um país, o mesmo país de sempre. O do défice, do desemprego, das falências e onde a economia consegue cair, e a banca subir os lucros)

Mas claro todos sabemos de quem é a culpa. É de todos, excepto de todos aqueles que têm sido o poder nos últimos 30 anos.

E são poucos esses, os do poder? Olha , leitor, são cerca de 1000 (MIL) e dividem-se nas comissões de honra, nome bonito e pomposo para a lacaiagem, dos candidatos salvadores da pátria. Chamam-se a elite, mas juro-te não vivem aqui.

Estes mil homens iluminados, cavaleiros da nossa salvação, cavaleiros de todas as ordens, são habitantes de um país chamado Prós e Contras, que é um país muito especial que é 99,9% Pró e pronto, um bocadinho do contra. É o país onde as soluções são fáceis, as receitas milagrosas e onde cada um tenta ser mais Pina Moura que o Beleza, o Beleza sabe mais que o Cadilhe e o Cadilhe faz de Mira e o Mira de Medina e o Medina de Pina, e depois vem o intelectual da esquerda moderna do lux e diz, oh pá isso não é bem assim, etc e tal e vem um gin para a mesa do canto.

São cerca de Mil, os homens desta bravura. Gente sublime, comendadores, candidatos a comendadores, medalhados, pré medalhados, pós medalhados, subsidiados, Empresários dantes de Abril, Empresários do pós Abril, fascistas, esquerdistas, ministros de Salazar com capitães de Abril e Novembro, artistas fadistas, Chico-espertos, todos dizem YES YES YES! Estão lá todos: mdlps com mrpps, fupistas com eanistas, otelistas com pintasilguistas mais os renovadores, ah é verdade os renovadores também, que isto não são só istas, e ainda me obrigavam a chamar pelos chupistas! São todos uns porreiros pá. Mil gajos porreiros pá, a tratarem-te da vida!

(…a tratarem-nos da vida…)

Ah, leitor!

Mas Tu sabes, não há Tide, Omo ou Scotch Britze que lhes valha. Sabes que este país não precisa desta tralha. Sabes que são chamados agora os homens verticais e rectos. Sabes que há um direito à esperança, há direito a querer mais. Mais Vida!

(Podia falar-te agora do Professor Bento que se reformou, li no jornal. Não faz parte dos 1000 cavaleiros do prós e contras. Nem nunca terá ido ou sonhado sequer com a televisão. Limitou-se – limitou-se? – a ensinar centenas e centenas de torrejanos a amarem a vida. E a respeitá-la. Com poesia, no giz, no quadro na voz. Li no jornal que se reformou, mas isso é mentira. A vida e a poesia nunca se reformam)

Este é o tempo. Mas em que não basta engrossar a voz, erguer a crista e cantar, e depois fugir para os exílios. Este é um tempo de luta. Pela dignidade. Por Portugal, país de todos. Pela dignidade dos que trabalham com um salário cada vez mais mínimo (“500 Euros daqui a 5 anos? Escândalo! Escândalo!”), pelos trabalhadores acusados de falta de produtividade, pelos Funcionários Públicos acusados de tudo o que se queira, pelos pequenos e Médios Empresário embrulhados num sistema fiscal e finaceiro asfixiante.

Dizia um Poeta. “ Não é fonética a poesia!”.

Ary sabia que a poesia é bem mais que uma trova cantada no vento que passa.

É por isso leitor, que é precisa a ruptura com o país do Prós e Contras. É preciso convocar a pátria, onde somos todos Portugal, para a ruptura democrática.

Quando o Natal se for e as janeiras cantarem, é tempo de dar voz à esperança. Acreditas no Jerónimo?