domingo, 23 de dezembro de 2012

O mito do tonto

Vi hoje na RTP, enojado, uma peça tristíssima, laudatória até ao vómito, destinada a alimentar no povo o que Fernando Dacosta entende como muito necessário, o mito, neste caso, de Sá Carneiro. Francisco Sá Carneiro foi dirigente do PPD, depois de Abril de 1974. Antes disso, foi deputado à Assembleia Nacional Fascista, onde desempenhou um papel importante, designadamente ajudando a passar do regime uma imagem de abertura que os cárceres fascistas internamente desmentiam.

Pode dizer-se que de facto apresentou projectos de lei visando a democracia. Isso é inegável. Foi sendo derrotado e decidiu demitir-se. Depois de Abril, o que mais recordo é a aversão ao projecto de democracia perfilhado pelo MFA e o ódio que nutria pelos comunistas. Tanto ódio levou-o a apoiar um fascista, director de campo de concentração, à presidência da República. A sua morte, nas condições trágicas em que ocorreu, contribuiu para o culto de personalidade que por todo o país multiplicou referências ao falecido.

Enquanto os comunistas o criticavam e lhe exigiam responsabilidades pelo que fazia a nível político, Mário Soares e outras consciências de idêntica dimensão, de forma canalha e oportunista, usaram a sua vida pessoal. Com convém às encomendas, sobretudo às bem pagas, nem uma palavra sobre a denúncia pública e sustentada da dívida de 33 000 contos à Banca, contraída pelos irmãos Sá Carneiro nem às sucessivas fracturas no PPD. Tudo um mar de rosas. 

Com Fernando Dacosta, Maria João Avillez ( que de forma racista teve a ousadia de afirmar, fazendo paralelismo com as uvas "este foi um português de boa cepa",) e outros parodiantes, a História tornou-se fábula. De tão apologética, ficou ridícula e diminuiu o visado. Mas desde que se entretenha o povo...

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