domingo, 24 de fevereiro de 2008

DEMOCRACIA EXPOSTA


"Curiosa, e por demais significativa, foi a predominância das bandeirinhas norte-americanas nas mãos dos kosovares que diziam (e julgavam) estar a festejar a independência do seu país. Não se trata propriamente de uma novidade, já que situações semelhantes têm ocorrido em todo o mundo ao longo dos anos: o imperialismo norte-americano tem uma vasta experiência em cerimónias deste género – sempre antecedidas de cruéis morticínios à boa maneira do império.
Como aconteceu desta vez: em 23 de Março de 1999, Solana, previamente contratado por Clinton para secretário-geral da NATO, ordenou - sem mandato da ONU e apoiado pelos habituais governos europeus, entre eles o do PS/Guterres - os bombardeamentos sobre a Jugoslávia, iniciando assim aquilo a que chamou uma «intervenção humanitária», levada à prática pelas fortalezas voadoras B-52, os caças-bombardeiros B-2 e os mísseis Tomahawk.
Milhares de toneladas de bombas (de «fragmentação» e com «urânio empobrecido») foram lançadas sobre bairros e lares residenciais, hospitais, escolas, fábricas, pontes, lares de refugiados, refugiados nas estradas, centrais eléctricas, sistemas de abastecimento de água potável – fazendo milhares de mortos. Entretanto, no interior, concretamente no Kosovo, a acção criminosa da NATO era apoiada por um grupo terrorista que se auto-designava «Exército de Libertação do Kosovo» (UÇK) organização criada pelos EUA, a Grã Bretanha, a Alemanha, etc, e cujo símbolo era o mesmo usado por um grupo nazi (criado pela Alemanha nazi, na 2ª guerra mundial) para combater os resistentes jugoslavos.
Assim, enquanto a NATO bombardeava impiedosamente o território jugoslavo (Kosovo incluído), os terroristas do UÇK, em terra, perseguiam e assassinavam compatriotas seus. Agora, «chegou o dia em que o Kosovo é orgulhosamente independente e livre» - mentiu, no domingo, com voz cheia de requebros democráticos, o actual primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaçi, «democraticamente eleito», como é uso dizer-se nestes casos.
Neste específico caso, contudo, com a democracia toda à mostra, já que este Hashim Thaçi é nem mais nem menos do que o «Comandante Cobra», antigo chefe do UÇK. "
Texto de José Casanova, publicado no AVANTE! de 21/02/08

5 comentários:

GR disse...

Uma situação que a curto prazo poderá ter graves repercussões nos Balcãs. O Kosovo é um protectorado sem o mínimo de viabilidade económica, governado por um perigoso e conhecido mafioso, com o apoio dos EUA e alguns países da U.E., violando o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas.

Parabéns Pedro por este post.

Um bj,

GR

poesianopopular disse...

O passo seguinte, será o pedido do kosovo para ser integrado na Albania, ficando a Sérvia sem saida para o mar.
A Sérvia vai ser a Cuba da Europa, este é o filme deles,os que se dizem (democratas).
Vamos ver se, o tiro não lhes sai pela colatra,o socialismo pode estar a perder sectorialmente, mas globalmente ele avança, daí o desespero das forças capitalistas reacionárias.
Abraço
José Manangão

Mar Arável disse...

Kosovo

pior que a tragédia

do Iraque

fotógrafa disse...

É a hipocrisia do mundo...ou seja de quem pensa dominar o nosso Mundo!!!
Abraço

fotógrafa disse...

No dia mundial da poesia...aqui fica,

de PABLO NERUDA - 20 POEMAS DE AMOR E UMA CANÇÃO DESESPERADA

Gosto quando te calas porque estás como ausente
e me escutas de longe; minha voz não te toca.
É como se tivessem esses teus olhos voado,
como se houvesse um beijo lacrado a tua boca.
Como as coisas estão repletas de minha alma,
repleta de minha alma, das coisas te irradias.
Borboleta de sonho, és igual à minha alma,
e te assemelhas à palavra melancolia.
Gosto quando te calas e estás como distante.
Como se te queixasses, borboleta em arrulho.
E me escutas de longe. Minha voz não te alcança.
Deixa-me que me cale com teu silêncio puro.
Deixa-me que te fale também com. teu silêncio
claro qual uma lâmpada, simples como um anel.
Tu és igual a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão remoto e singelo.
Gosto quando te calas porque estás como ausente.
Distante e triste como se tivesses morrido.
Uma palavra então e um s6 sorriso bastam.
E estou alegre, alegre por não ter sido isso

Bom fds
abraço