segunda-feira, 23 de julho de 2012

Devota e ordeira, a comunicação social dominante noticia, até à exaustão, a morte de um mercenário cubano, num acidente de viação, quando viajava na companhia de um dirigente do PP espanhol. Que terrível e inepta deve ser a ditadura cubana: não apenas permite que estes facínoras se movimentem à vontade, como aceita que o façam concertadamente com os que lhes pagam o trabalho sujo. A não ser que seja apenas pérfida. E que tal permissão sirva afinal para que entendamos o que o povo traduz de forma simples: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Por mim, que não desejo a morte a ninguém, diria à guisa de epitáfio: morreu um grande filho de puta!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Jornal «Avante!» - Opinião - No bom caminho

Diz a notícia: «furtos para comer disparam nos supermercados» - e explica que «o número de pessoas que roubam comida nos supermercados aumenta todos os dias».
Pão, leite, bacalhau, carne, peixe, queijo, salsichas, atum, chouriço e fiambre estão entre os produtos mais visados pelos que deles necessitam como de pão para a boca.
Diz, ainda, a notícia que as pessoas que «roubam para matar a fome» eram, até há um ano atrás, em regra, «idosos com baixas reformas» - e eram esses os «suspeitos» sobre os quais recaía a cerrada vigilância nos supermercados. Todavia, um ano após a ocupação do País pela troika FMI/UE/BCE, «já não há clientes insuspeitos» - isto porque, entre os que, actualmente, «roubam para comer», há cada vez mais «pessoas bem vestidas, da classe média, que até trabalham, mas o que ganham não chega para alimentar a família».
Os que têm a infelicidade de ser apanhados, são regra geral submetidos a julgamento imediato e, desde logo, condenados a pagar multas (quem é que diz que a Justiça não é célere?...)
A notícia não diz como é que esses condenados, que não têm dinheiro para comer, o arranjam para pagar as multas. Mas também para isso a Justiça há-de ter soluções céleres...
«Roubar para matar a fome»: eis uma das imagens de marca de Portugal após trinta e seis anos de política de direita praticada pela troika PS/PSD/CDS – com a preciosa ajuda, de há um ano para cá, da troika ocupante.
Mas não nos preocupemos: as troikas zelam por nós. E para resolver este e todos os outros problemas existentes, elas têm uma solução de eficácia garantida: assegurar a «estabilidade» - que é uma das filhas da ordem natural das coisas, a tal que nos ensina que ricos e pobres sempre houve e há-de haver... – de forma a garantir o prosseguimento da mesma política de direita que conduziu à situação actual e a assegurar a continuação da concentração da riqueza nas mãos de uns poucos e o alastrar da pobreza, da miséria e da fome por milhões de portugueses – para os quais restará sempre o caminho de «roubar para comer» e (ou) de estender a mão à outra filha da ordem natural das coisas: a caridade...
Tudo isto a confirmar que, como os troikistas não se cansam de repetir, Portugal «vai no bom caminho».


José Casanova, Avante de 5/07/2012

domingo, 18 de março de 2012

As memórias do monstro e o fascista atrevidote

O fascista que desempenha funções como presidente de Câmara de Santa Comba Dão, quer reabilitar a imagem do assassino impiedoso e cruel ditador engarrafando vinho com o nojento título de "memórias de salazar". Para que não se trate de uma iniciativa de publicidade enganosa, mais uma, do conteúdo a engarrafar hão-de fazer parte todas as atrocidades cometidas, as detenções, os espancamentos, os assassinatos, os campos de concentração, as torturas, o medo, o atraso a que Portugal foi amordaçado. e também, se não for pedir muito, o conteúdo que permita explicar como é que, a um presidente eleito em democracia, é permitido fazer tanta e tão reiterada apologia do fascismo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Obrigado, PCP!

Do fundo do coração, digo-vos: os tempos são muito difíceis, abunda o sofrimento, o desencanto, a miséria. Mas sinto um orgulho progundo. Neste Portugal seviciado, primeiro por socialistas de cabaré como esse burlão chamado sócrates e agora por fascistas travestidos de democratas, alegra-me e anima-me a coerência, a coragem, a honradez e inteligência de um colectivo imenso, de homens , mulheres e jovens que marcham unidos pelo mesmo ideal libertador, pela mesma rubra bandeira e sob a mesma sigla inspiradora e referente: o PCP!

Criado em 1921, a 6 de Março, o PCP tem uma história heróica de luta contra o fascismo que o torna único no panorama mundial. Podem difamá-lo, prender-lhe ou assassinar-lhe os militantes, a tudo resiste e por tudo se reforça. Os que não o conhecem pasmam, não entendem como pode reforçar-se tamanha convicção num colectivo que, em tantas outras paragens simplesmente desapareceu. Esses não sabem o essencial: o PCP é seiva popular, é de facto o único partido genuinamente português.

Hoje, todos falam do abismo em que nos colocaram, mas só a análise lúcida e corajosa efectuada pelo colectivo dos comunistas portugueses predisse esta desgraça. Então, os mesmos vigaristas que hoje nos massacram, apelidaram os comunistas de catastrofistas. E afinal, de todas as análises, a do PCP era a única correcta. Por isso, quero agradecer aos comunistas pelo exemplo de coragem, verdade, seriedade e competência. E garantir-lhes que para mim os partidos não são todos iguais: há o PCP e os outros. E estes, sendo mais, são uma e a mesma coisa.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A corja

Enquanto os jornalistas do sistema se divertem com a morte de um dirigente da Coreia do Norte, que se fosse rei mereceria dos mesmos os melhores encómios, o país vai soçobrando desgovernado por um bando de malfeitores. Aduladores profissionais, sofistas bem pagos e indiferentes à sorte de um povo confrontado com uma corja de vigaristas ressabiados com o 25 de Abril e descendente de fascistas, pides e bufos, competem para ver quem escreve a piada mais boçal sobre um morto.

Entretanto, a direita ultraliberal aplica o programa económico do governo de Pinochet, arrasa direitos, faz recuar o país para os tempos negros do fascismo, mata qualquer réstea de esperança. E não há um só desses lacaios capaz de apontar a evidência: não temos governo, estamos sitiados por um gangue, uma seita de ladrões.

Basta pensar na evidência: se cada um dos membros da organização de Passos Coelho ganhava, antes de desempenhar as ministeriais funções, centenas de milhar de euros por ano - e conhecendo-se a sua gula por dinheiro - a que título aceitariam ir para o governo ganhar o que eles próprios consideram a "módica" retribuição de ministro? 

Patriotas não são, como bem se alcança pela vergonhosa submissão à troika. Logo, só há uma resposta: a módica remuneração esconde, prestativa, a choruda corrupção. E nisto reside a governação capitalista; à vez, ps/psd e cds abocanham a riqueza do povo, servem-se e às respectivas clientelas. quando o roubo alastra e caem podres de ricos, os irmãos gémeos com nomeação diferente, ocupam os lugares e continua a festa.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Obrigado, filha!

A minha filha contou-me que fez, na escola, uma redacção. De manhã foi visitar a praia das Avencas e de tarde foi à grande manifestação da CGTP. “Sabes, pai”, contou-me admirada e orgulhosa, “escrevi que tinha dado um beijinho ao Jerónimo e ao Francisco Lopes e os meus colegas de turma nem sequer sabiam de que Partido eram os pais”.

Quando se deitou, pediu-me, como faz habitualmente, para lhe contar uma história. Só tem uma exigência habitual: que a história seja inventada por mim. Mas hoje à noite, acrescentou um requisito: “Fala-me da camponesa que os pides mataram por lutar contra a miséria”. E eu falei.
Por estas e por outras, quando me dizem que a História chegou ao fim, o desprezo que nutro pelos que sempre claudicam ante as adversidades, faz-me rir. A História avança e mesmo que os poderosos façam “planos para mil anos”, como dizia o poeta, estou certo de que também a minha Rita, milhões de ritas em todo o Mundo, empunhará a bandeira dos que lutam contra a opressão e a iniquidade.
Obrigado, filha!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

SOU COMUNISTA!


Sou comunista há mais de 30 anos. Carregado de defeitos e imperfeições, mas comunista. Como afirma Nicolás Guillen, o grande poeta cubano, sei que não sou perfeito, nem puro, se é que isso existe. Mas comunista sou e quero continuar a ser. O sonho que me anima é tão natural como a mais comezinha necessidade fisiológica. Com o Che e tantos outros que nele represento, partilho a indignação ante qualquer injustiça e procuro combatê-la da melhor forma possível. No Partido Comunista Português aprendi muito do que sou e tornei-me infinitamente melhor.
Aprendi, por exemplo, a expressar livremente a minha opinião, a criticar e criticar-me e sobretudo a trabalhar para responder a uma questão essencial: como tornar melhor a vida aos seres humanos?
 
Amo o PCP e considero que com a sua existência preencheu uma das mais belas páginas da nossa História. No Partido somos todos iguais, em direitos e deveres, e fazemos da luta e das propostas fundamentadas a nossa específica forma de ser. Sem procurar benefícios pessoais, tachos ou mordomias tão comuns entre os outros. O nosso estandarte, a foice e o martelo, sempre acompanhados da estrela que simboliza o Internacionalismo Proletário, tem passado de geração em geração empunhado por um colectivo de homens e mulheres de todas as idades. Ninguém como os comunistas tem lutado tanto em Portugal pela Liberdade e pela Democracia.
 
E no entanto, continuam a investir contra o nosso ideal e projecto de sociedade com os mesmos argumentos que salazar, o assassino cruel, repetia à exaustão.
 
Agora, por todo o lado, pretendem os democratas de pacotilha e bolsos recheados, proibir os comunistas e de novo sujeitá-los à clandestinidade. Pois que venham: hão-de encontrar-nos onde sempre estivemos. Ao lado do povo e com a disposição de jamais o trairmos. Temos sobre nós a difícil responsabilidade de preservar o exemplo de heróis como Dias Lourenço, Álvaro Cunhal, Carlos Costa,Joaquim Gomes; Militão Ribeiro e tantos outros. E não há aprendizes de feiticeiro que nos intimidem.
 
Viva o PCP!
Viva Portugal!







.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O triunfo dos porcos

O Tribunal de Justiça da União Europeia proibiu o uso do brasão da antiga União Soviética como marca registada na União Europeia.
A questão foi desencadeada em 2006 por um estilista russo, que pretendeu registar o brasão da URSS como marca, no espaço comunitário. As autoridades comunitárias rejeitaram de imediato a pretensão, argumentando que se tratava de um «simbolo de despotismo» em alguns Estados membros, nomeadamente os da antiga «Cortina de Ferro».

E o douto Tribunal foi chamado a pronunciar-se – o que fez agora, passados cinco anos, sentenciando que «Deve ser recusado o registo de uma marca, se esta for contrária à ordem pública e aos bons costumes numa parte da União», chegando ao cúmulo de invocar uma «lei húngara».
Anotemos como o acórdão não fugiu, nem numa vírgula, ao decidido cinco anos antes pelos patrões da UE, o que diz o suficiente sobre este Tribunal.

E chegou a hora de perguntar aos doutos juízes «da Europa»: de que «defesa da ordem e dos bons costumes» é que falam? A «defesa» que mantém «na ordem» os actuais 30 milhões de desempregados na zona euro? Os «bons costumes» que estão a desalojar milhões de famílias das suas casas pela cupidez da finança e da especulação que, concomitantemente, acumulam fortunas colossais fazendo alastrar a miséria em mancha de azeite pela outrora «Europa dos ricos»?

Em contrapartida, de que acusam a URSS? A de ter sido o primeiro país do mundo a pôr em prática, e para todos os cidadãos, valores universais como o direito ao trabalho, à habitação, à saúde, à educação, à reforma, às férias, aos tempos livres – e tudo isto sempre constante ao longo dos seus 74 anos de existência - e assim obrigando a «Europa dos ricos» a fazer o seu «Estado social»? Por ter sido o país que acabou com o racismo e a xenefobia num território que é o sexto da terra emersa do planeta, dando aos seus mais de 100 povos e necionalidades todos os direitos atrás enunciados, mais línguas escritas para todos e, em cada uma delas, vertidas todas as obras publicadas no país?

Ou, externamente, por ter sido o país que libertou a «Europa dos ricos» da besta nazi, à custa de 20 milhões de mortos soviéticos e furando os planos aos «ricos da Europa», que almejavam a destruição da URSS? Ou será por a URSS ter admitido a criação do Estado de Israel - agora tão incensado, pela deriva cripto-fascista que o sionismo lhe imprimiu – e que nunca teria existido sem o consentimento da URSS?

Em 1945, George Orwell escreveu uma fábula chamada «O triunfo dos porcos», procurando demonstrar que «os ideiais comunistas» desembocavam sempre numa ditadura. Vinte anos depois da queda da URSS, o capitalismo tomou o freio nos dentes espalhou, como mancha de azeite, a miséria, a injustiça e a retirada de direitos sociais adquiridos. E falam de poleiro, como se apenas o sistema capitalista fosse a solução.

Este acórdão dos doutos «juízes europeus», afinal, faz ricochete no livro de Orwell: perante a «obra» de miséria realizada, «O triunfo dos porcos» instalou-se foi na «Europa dos euros».

Henrique Custódio, in AVANTE! de 22/09/2011