sexta-feira, 4 de março de 2011

Mais depressa se apanha um mentiroso...

Já aqui havíamos referido a desvergonha e desonestidade intelectual de certos historiadores. Nem a propósito: a deambulação pela net mostrou-nos com limpidez a estatura de um desses artistas. Fernando Rosas, agastado com a oposição da FER de Gil Garcia ao apoio que o prestativo bloco que se diz de esquerda concedeu ao spinolista Manuel Alegre, e com a eventualidade que essa facção preconizou de apoiar Francisco Lopes, sacou da pistola e, no seu modo de ser historiador, mentiu.

Nem vale a pena comentar a adjectivação do candidato comunista como o “inefável Francisco Lopes”. Apaixonado pela candidatura de Alegre, é natural que Rosas, no seu modo histórico de ser, caustique com adjectivação prolixa os que fazem da vida um exercício coerente. Mas Rosas quis mais e mentiu deliberadamente.

De arma empunhada, decretou verificar a proximidade da FER em relação ao PCP em questões de fundo programáticas, como a defesa de um regime socialista de partido único e de censura politica.

Rosas sabe bem que o PCP sempre defendeu o pluripartidarismo. Rosas sabe bem que o PCP jamais defendeu o que a sua raiva anticomunista afirma. A História do PCP tem sido uma constante de luta pela Liberdade e pela Democracia. Rosas, sabe bem, mas prefere a mentira reiterada, que o PCP no seu VI Congresso, realizado em 1965, definiu, os oito objectivos da revolução democrática e nacional que foram consagrados no novo Programa aprovado : 1º - Destruir o Estado fascista e instaurar um regime democrático; 2º- Liquidar o poder dos monopólios e promover o desenvolvimento económico geral; 3º - Realizar a reforma agrária entregando a terra a quem a trabalha; 4º - Elevar o nível de vida das classe trabalhadoras e do povo em geral; 5º - Democratizar a instrução e a cultura; 6º - Libertar Portugal do imperialismo ; 7º- Reconhecer aos povos das colónias o direito à imediata independência; 8º - Seguir uma política de paz e amizade com todos os povos.

Entre isto e o que Rosas afirma vai a imensa distância que separa a verdade da mentira mais soez. Afinal de contas, o alimento preferido dos Rosas deste mundo. Ora sendo este o rosto desta esquerda, convenhamos que a fealdade abunda.





UM PARTIDO DIFERENTE


Comemoramos o 90.º aniversário do PCP. Em luta, como é próprio de um partido que fez das suas nove décadas de existência um tempo de luta constante, travada em todas as circunstâncias e enfrentando todos os obstáculos – assim se afirmando como um caso ímpar no quadro partidário nacional.

Na verdade, com a fundação, em 6 de Março de 1921, do Partido Comunista Português – correspondendo a uma necessidade histórica da sociedade portuguesa – nascia um partido de novo tipo, com características específicas, diferente de todos os existentes à altura.

Diferente, desde logo, pelo seu objectivo supremo – a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, a sociedade socialista e comunista – e, por isso mesmo, diferente no assumir das exigências que tão ambicioso objectivo comporta.

Diferente, sempre, na prática e na postura em todos os momentos e situações – e de forma inequívoca quando, face à ordem salazarista de dissolução de todos os partidos políticos, foi o único a dizer «não» e a optar pela resistência ao fascismo, vindo a sagrar-se como o grande partido da resistência e da unidade antifascistas.

Diferente quando, no tempo novo de Abril, foi força motriz do processo revolucionário que, com as suas grandes conquistas, viria a transformar profunda e positivamente a realidade nacional.
Diferente – nestes 35 anos de contra-revolução – na sua postura face à política de direita: no seu empenho na mobilização para a luta pela ruptura e por um novo rumo para Portugal; na apresentação de propostas visando combater as consequências dessa política de desastre nacional nas condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses; na sua intervenção em defesa da soberania e da independência nacionais; na luta por uma democracia avançada inspirada nos valores e nos ideais de Abril.

E se sublinhar esta diferença é sempre importante – mais ainda o é quando, como acontece actualmente, se desenvolve uma intensa operação visando a aceitação da ideia de que «os partidos são todos iguais», com isso se pretendendo ocultar a singularidade do PCP, o facto por demais evidente de ele ser, como os seus 90 anos de vida e de luta mostram, um partido diferente dos que são todos iguais.
Comemoramos o 90.º aniversário do PCP num tempo em que aos militantes comunistas se coloca um conjunto de importantes e incontornáveis tarefas, respeitantes quer à necessidade de dar resposta firme à política de direita e aos danos que provoca aos trabalhadores, ao povo e ao País; quer no que respeita à necessidade de reforço do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores.

Num tempo, também, em que, como a experiência tem vindo a demonstrar, a luta organizada dos trabalhadores se apresenta como o único caminho para dar a volta a isto e para construir a mudança.
Às importantes e poderosas lutas dos últimos meses – das quais emerge como momento maior a histórica Greve Geral de 24 de Novembro, erguida por mais de três milhões de trabalhadores – há que dar a continuidade necessária, prosseguindo-as, intensificando-as e atraindo a elas novos segmentos das massas trabalhadoras, de modo a torná-las mais eficazes com vista à concretização dos objectivos desejados.

Nesse sentido, é fundamental fazer da jornada de luta de 19 de Março uma muito grande manifestação, fazendo desse dia o dia da indignação e do protesto, da convergência de todos os descontentamentos e insatisfações, da exigência de mudança e de um novo rumo para Portugal – uma muito grande manifestação que será possível com um intenso e amplo trabalho preparatório, esclarecendo e mobilizando os trabalhadores e as populações, demonstrando-lhes que, ao contrário do que dizem os propagandistas do grande capital, a luta não só vale a pena como é indispensável para travar o declínio e o afundamento do País.

E hoje, como ao longo dos últimos noventa anos, os militantes comunistas ocupam a primeira fila da luta – com isso marcando a diferença em relação a todos os outros partidos.

Comemoramos o 90.º aniversário do PCP no momento em que o nosso grande colectivo partidário leva por diante a importante acção «Avante! Por um PCP mais forte!», visando o reforço orgânico, interventivo e ideológico do Partido. Com a consciência de que quanto mais forte for o Partido, mais forte será a luta – da mesma forma que o reforço da luta conduz ao reforço do Partido.

E o Partido reforça-se juntando mais e mais militantes ao nosso grande colectivo partidário – designadamente jovens militantes; ampliando e tornando mais estreita a sua ligação às massas – reforçando as células já existentes nas empresas e locais de trabalho e criando-as ali onde elas não existem; assegurando a actividade dos organismos partidários, no quadro do seu funcionamento democrático e do trabalho colectivo; elevando a consciência política e ideológica dos militantes e dos quadros; dando continuidade à luta levada a cabo por sucessivas gerações de comunistas ao longo das últimas nove décadas e que, no momento actual, tem como objectivo primeiro pôr fim à política de direita e construir a alternativa, sempre tendo no horizonte o socialismo e o comunismo – enfim, afirmando e defendendo a identidade comunista do Partido, sua fonte de força essencial e sua marca distintiva.

Muitas são as razões para nos sentirmos orgulhosos por estes noventa anos de vida e de luta que agora comemoramos – e para assumirmos o compromisso de, honrando o exemplo das gerações de comunistas que nos antecederam, sermos seus dignos continuadores.

José Casanova, in Avante! de 3 de Março de 2011



quarta-feira, 2 de março de 2011

Historiadores?

Estado Novo foi o rótulo que o fascismo escolheu para esconder as suas actividades criminosas. Que, em democracia, tal expressão mentirosa e laudatória da ditadura fascista seja empregue pela generalidade dos historiadores, diz bem do estado a que chegou a bicharada que tanto gosta de se declarar imparcial.

Há-de ser essa imparcialidade que leva os historiadores que escrevem sobre o fascismo – que piamente perdoarão a minha incapacidade de chamar novo ao Estado velho do terror Salazarista – a constantemente escamotear e deturpar o papel do PCP durante esses anos.

Tarrafal? Chamem aí a Irene Pimentel que tratará do assunto e de forma versátil: fidedigno só o Edmundo Pedro e os arquivos da Fundação Soares, pois então. Mais o Fernando Rosas. E se alguma dúvida for levantada sobre algo, a Pimentel não hesitará em recorrer a um qualquer enfermeiro informador da pide para garantir que não, o PCP não tem razão.

Militão Ribeiro, assassinado no EPL? A Pimentel convocada não deixará de assegurar que no PCP isso foi polémico, porque se falou em suicídio. Mesmo que o Avante! da época a desminta, Irene persistirá na sua. Porque a anima um ódio visceral ao PCP, familiar de ódio similar de Pacheco Pereira e Fernando Rosas e tantos outros.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mártires caídos na luta

Como se assinala no magnífico livro das edições Avante! que comemora o 60º aniversário do PCP:

"Dezenas de militantes comunistas, homens e mulheres filhos do povo trabalhador, intelectuais e artistas, caíram na luta assassinados pela ditadura fascista. Lutaram pela defesa dos interesses da classe operária e de todo o povo. Lutaram contra a opressão e o terror e pela liberdade de todos os portugueses. Mártires antifascistas. Legaram-nos sementes de liberdade. O seu exemplo e o seu sacríficio jamais serão esquecidos."

Destaco hoje Militão Ribeiro, através de um texto de José Dias Coelho, também assassinado pela pide:

"Militão Bessa Ribeiro, preso juntamente com Álvaro Cunhal em 25 de Março de 1949 (a sua quarta prisão) já se encontrava então com a saúde muito abalada por longos anos de prisão e duas deportações no Campo de Concentração do Tarrafal. O rigoroso regime prisional, a alimentação imprópria e a falta de tratamento começaram por agravar-lhe os padecimentos. Esteve semanas inteiras sem evacuar, sendo-lhe inclusivamente recusado um clister. Cada vez mais abatido, acabou por adoecer gravemente e resolveu fazer a greve da fome como protesto contra a falta de assistência médica e de uma dieta adequada.
Foi mudado para uma cela da enfermaria da penitenciária, mas a situação manteve-se praticamente a mesma, no mais rigoroso isolamento, sem visitas da família nem mesmo correspondência. Um doloroso calvário de padecimentos físicos e grandes perturbações nervosas fazia-lhe por vezes soçobrar a razão, mas não lhe roubou nunca o entranhado amor ao Partido e ao Povo, nem a confiança num futuro melhor, que já não partilharia.

Durante a greve de fome passava as noites a cantar uma canção revolucionária que então inventou: "Avante! Avante!/Não podemos parar/Nem recuar na luta..."
A voz quebrada e rouca ressoava estranhamente lúgubre no silêncio sepulcral das alas da Penitenciária. Na escuridão apenas os postigos iluminados das quatro celas afastadas ao longo do interminável corredor, quatro vigílias e aquela voz esgotada, numa mensagem de angústia.
Até às vésperas da morte, Militão manteve a preocupação de comunicar ao Partido a sua fidelidade e confiança. Escreveu várias cartas à Direcção do Partido, que foram interceptadas pelos carcereiros, só tendo chegado duas ao seu destino, uma das quais escrita com o seu próprio sangue.
A PIDE assassinou-o cruelmente, um crime lento, dos que não deixam vestígios. Militão morreu de inanição em 2 de Fevereiro de 1950."
                                            José Dias Coelho, A Resistência em Portugal.

domingo, 23 de janeiro de 2011

EU VOTO FRANCISCO LOPES


Amanhã, o nosso candidato vai submeter-se a sufrágio. Julgo que das pessoas sérias nenhuma contestará a verdade elementar: Francisco Lopes fez uma campanha fenomenal. Falou verdade, como é timbre do PCP, e com a legitimidade dos que sempre lutaram contra os ladrões que nos desgovernam e têm desgovernado, apontou os responsáveis pelo estábulo em que nos encerraram. E a solução para mudar este estado de coisas.

Pessoalmente, sinto-me honrado e orgulhoso pelo desempenho do Francisco Lopes e de todo o colectivo partidário. Mais orgulhoso ainda por constatar que esta campanha, feita por homens e mulheres – apetece-me evocar uma parte de O Caminho das Aves em que se descreve a chegada de pessoas para dizer os nomes todos – chegou a muita gente honrada que, com filiação partidária diferente decidiu apoiar o nosso candidato. Obrigado, por todos, à Isabel e ao pai…

Mas, queridos amigos e sobretudo, camaradas, não nos iludamos: estas eleições não são livres, nem democráticas. Formalmente, concerteza. Mas na substância, o tratamento que a comunicação social deu às diferentes candidaturas apenas reiterou o que têm sido as antecedentes disputas eleitorais. Todo o tempo de antena para favorecer e consolidar a bipolarização. Toda a discriminação, ódio e perseguição à candidatura comunista.

Para mim, a disputa eleitoral é apenas mais uma frente de luta e nem sequer a mais importante. O eleitorado está envenenado por anos de políticas executadas por ladrões diplomados e tende a considerar todos iguais. Embora de forma boçal e masoquista continue a votar sempre nos mesmos.

Não tenho dúvidas quanto à impossibilidade de eleições justas e democráticas em Portugal. Se não fosse a magnífica campanha que desenvolvemos, em que cada voto conquistado custa imensamente mais do que aos outros, talvez obtivéssemos um resultado eleitoral desagradável. Por isso considero tão importantes termos a noção do terreno em que nos movemos: movediço, liderado por ladrões e mafiosos do pior, que usam a política para mascarar os seus propósitos criminosos. Ladrões, traficantes de droga, pedófilos, eis o grosso da manada, habilitada sem dúvida a perorar longamente sobre os excelsos princípios democráticos.

Mas no fundo, se pudessem, o que não nos fariam. Considero que já ganhámos: o nosso Francisco Lopes, que conheço como honrado combatente há mais de trinta anos, foi um mensageiro excelente das nossas propostas e da crítica frontal que fazemos aos vendilhões da pátria.

Por isso, independentemente de percentagens redutoras, ou talvez por elas, deixo aqui a minha saudação:
Viva o candidato Francisco Lopes!
Viva o Partido Comunista Português!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Obrigado, CUBA!



O Dr. Marcus Dutra, médico brasileiro licenciado na Escuela Latinoamericana de Medicina (ELAM), a prestar serviço numa comunidade indígena chamada Nabasanuka, na Venezuela, escreveu o seguinte comentário, que é importante partilhar porque ilumina a dimensão humanista da Revolução Cubana

Arleen querida,
No había visto el texto que escribiste por Cubadebate, gracias por las palabras que me dedicas. Seguro que si no fuera por la Revolución cubana y la Revolución bolivariana jamás sería posible nada de eso. Y qué casualidad que me hayas enviado el correo hoy; ayer por la noche, a las 4 de la mañana en punto, yo había realizado un parto a una señora con eclampsia, convulsionó, le apliqué todo el tratamiento y las medidas en lo posible, pues yo no cuento aquí con todos los recursos de un hospital, ni tenía tiempo para trasladarla a otro centro porque era de madrugada.

La lancha del ambulatorio no tenía una sola gota de gasolina, y ya ella había empezado a parir. El hecho es que después de todo el estrés de la situación, donde era posible que ella no viviera, bueno, al final nació bien el niño, un varón, gordito. La madre comenzó a mejorar, estuve toda la noche a su lado, pendiente de cualquier cosa. Ella se mejoró, no convulsionó, la presión se normalizó, ya no tenía dolor, estaba tranquila, el medicamento iba bajando lentamente junto al suero… Todo se calmó.

Cuando ella se durmió y yo pude salir afuera a tomar aire, eran como dije las 4 de la mañana. Caminé por el pequeño muelle que hay frente al ambulatorio, hecho de tablas semipodridas, un silencio tomaba cuenta de la comunidad, algunas casitas con las luces prendidas brillando solo lo suficiente que permiten las velas, un perro acostado sobre las tablas, y el silencio profundo de todo ese pueblo. No podia dejar de sentirme feliz por haber ayudado a la madre y a su hijo. Un orgullo sano tomó cuenta de mi alma, y al sentir eso no podia dejar de preguntar:
 
coño, ¿sabrá Fidel la exacta dimensión del bien que ha hecho a la humanidad? ¿Acaso imaginará que en una pequeñísima comunidad del estado más pobre de Venezuela frente al Orinoco, a las 4 de la mañana hay un médico hijo de la ELAM salvando a la gente que había sido olvidada por todos? ¿Podrá él comprender cuánto lo necesitan, cuánto se necesitan hombres como él para hacer la felicidad de los seres humanos? ¿Entenderá que no hay palabras suficientes para calificarlo? Y acaso, ¿sabrá el niño algún día que si no fuera por Fidel Castro él mismo no tendría vida?

Es decir, sin Revolución no habría ELAM, sin ELAM yo no habría sido medico, y si yo no estuviera acá, en el momento que convulsionó la madre y hubiera actuado a tiempo el niño probablemente iba a morir, o quizás la madre. Fue entonces, Arleen, que sentí más que nunca el orgullo de todos los internacionalistas cubanos, los que partieron a Argelia en el 60, los que fueron al Congo, los que estuvieron con el Che en Bolivia, los que pelearon en Angola, y sentí un frío en la barriga, Arleen, cuando me enteré de que ahora yo soy un internacionalista cubano también… un soldado, un revolucionario, a la orden de la Revolución cubana, y de este increíble gigante, Fidel Castro.

Si algo no se entiende de esto que escribo de manera apurada, es que el deseo de compartir eso contigo es muy fuerte, y no puedo dejar para después. Además ya tocan a la puerta, llamando por el médico, parece que viene un niño con deshidratación. Tengo que ir. Cuídate mucho por allá, gracias por las palabras tan bellas,  y sí, claro que puedes compartir mi correo, no hay problema, un beso grande.
 
Marcus

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mário Castrim - Poemas do Avante!



Ser comunista, hoje

Esperança:
é a maneira
como o futuro fala
ao nosso ouvido.
Depois
há que saber
organiza-lo.
Então
os comunistas entram em acção.


Versos muito pessoais

III

És livre?
Isto é:
quem amas?

IV

Realizo-me no acto de pagar
as quotas do Partido.
Não tem nada de heróico.
Nada mais natural
como beijar o filho
na hora de deitar.

V

Leio
o AVANTE!
devagar
e com toda a atenção
como se o escrevesse.

domingo, 16 de janeiro de 2011

DESAFIO


Não afianço que a solução
ideal
para a Humanidade
fosse aquela da URSS
(aliás nunca pensei
que fosse o ideal
embora não andasse
longe de o pensar
e paguei caro
pela avaliação
que depois fiz de mim)

Portanto, não digo.
Mas digo que
com todos os erros
e todos os desvios
(e até se quiserem
alguns crimes)
jamais houve na História
sistema que estivesse
mais perto da justiça.
Achas que não?
Então diz-me qual foi.
Mas diz.
Não abanes apenas a cabeça.

Mário Castrim, in Poemas do Avante!

A SEITA GUINCHA!


Prometi que não escrevia sobre isto. Prometi, mas apesar de fazer um esforço para me conter, não consigo cumprir. O assassinato de Castro – que em vida sempre considerei um ser desprezível - forneceu à seita pedófila a oportunidade para, de forma repugnante, esgrimir os mesmos argumentos que usara contra as vítimas do designado Processo Casa Pia.
Ratazanas abjectas, guinchando impropérios contra o homicida, cada um deles exigindo a punição mais severa do que o antecedente e esforçando-se por demonstrar que o jovem é o único responsável pelo que sucedeu.
Assim se entende a posição que durante anos assumiram em defesa dos arguidos condenados por abuso sexual de crianças. No fundo, nem se suportam, mas estão amarrados, uns aos outros, pelo conhecimento recíproco dos abusos que cometeram e continuam a perpetrar e pela detenção de meios de prova que usam como elemento de obtenção de preeminências e mordomias.   
E muitos deles estarão certamente aliviados: afinal, vivências idênticas, muitas consubstanciando crimes de abuso sexual de crianças, poderiam ter tido o mesmo desfecho. Talvez os portugueses percebam que o mundo cor-de-rosa que lhes é servido se funda em excrementos perfumados, bem vestidos e idolatrados, mas sem pinga de dignidade ou princípios. 

sábado, 15 de janeiro de 2011

As mãos do cartaz

Pedindo desculpa pelo asco que a mera visão do símbolo abaixo por certo provocará em quantos, como eu, considerem a respectiva agremiação um pérfido clube de traidores, gostaria de saber de quem é a autoria do poema que encontrei no blogue Aldeia Olímpica.




As mãos do cartaz


São mãos apertadas
Cruzadas
Tratadas
Gravadas
Na grelha.
São mãos bajulantes
Pedantes
Tratantes
São mãos de Gonelha.
São mãos de verniz
De gente feliz
Que pousa pra telas.
São mãos de água e sal
São mãos de cristal
São mãos amarelas.
São mãos de pecebe
De quem nunca teve
Canseiras nem lidas.
São mãos indolentes
São mãos repelentes
São mãos corrompidas.
São mãos que recebem
Que esmolam
Que pedem
Favores do patrão.
São mãos ordinárias
De chulos de párias
Do povo é que não.
São mãos de labregos
São mãos de carrego
De jóias brilhantes.
São mãos de vadio
De gente sem brio
São mãos de moinantes.
São mãos de perfume
São lepra são estrume
Do pão da intriga.
São mãos de arrivistas
Tartufos golpistas
De faca na liga.
São mãos desenhadas
Limpinhas peladas
Limadas sem dor.
São mãos ascorosas
Cheirosas vaidosas
São mãos de estupor.
São mãos de melaço
De por ao regaço
Na hora do chá.
São mãos de canalha
São mãos de navalha
Como outras não há.
São mãos de algodão
Veludo aldrabão
Tecido incapaz.
São mãos da traição
E da corrupção
As mãos do cartaz.