quarta-feira, 2 de junho de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Concordo!
" A massa trabalhadora intui com extraordinária sensibilidade a diferença entre os comunistas honrados e leais e os que inspiram repugnância ao homem que ganha o pão com o suor do seu rosto, que não goza de nenhum privilégio, que não tem "acesso aos chefes".
V.I. LÉNINE
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Deambulações
Escreveu-lhe uma carta à medida. Mas antes de chegar ao destinatário, objecto do seu amor e dedicação, publicitou-a na net. Afinal, o que seria do sentimento sem publicidade. Da vaidade sem o elogio. Da comiseração sem a palavra amiga.
Escreveu na carta o que lhe ordenava a consciência desavinda e a necessidade de ordenar a confusão. O pior não foi ele ter permanecido igual. Foi a descoberta da coerência que a feriu de morte. Podes agredir, violentar, ofender, mas fornecer o mais pequeno indício de alegada indiferença, nunca!
De forma que na carta armadilhou o caminho a percorrer: a vitimização perante amigos comuns, a enunciação dos atributos de madre Teresa de Calcutá em versão apaixonada e até condescendência no pagamento futuro das 150 moedas.
Há pessoas assim: se são más, não o assumem, se rancorosas não o aceitam, se vingativas negam de pronto. E continuam a existência cordata pejada de referências boas. Pois, pá, o gajo é uma malandro. Quero lá saber se ébrio se equivocou. A verdade é que sóbria interpretei.
Quando descobriu que onde julgara dois, só ele contava, que na ausência de partilha restava a exigência e a cobrança, sentiu-se vazio. Vagueou sem nexo pela cidade, contando os candeeiros na avenida paralela ao mar, o chilrear das gaivotas marcando a cadência dos passos inseguros, o cheiro a maresia como analgésico e a vontade de desaparecer, de desnascer, causticando-lhe o peito sem cessar.
E depois, o quê? Nem manual de bom comportamento, nem aceitação de condutas impostas. Na verdade, só se sentia livre entre iguais.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Paternidades
O anunciado roubo de parte do subsídio do Natal aos trabalhadores e aos reformados e pensionistas – na sequência de um sem número de medidas de igual sentido que o Governo PS/Sócrates tem vindo a perpetrar – é bem o exemplo da natureza de classe evidenciada pela política de direita ao longo dos seus longos 34 anos de existência.Essa natureza de classe - presente em todos os governos dos três partidos pais dessa política – expressa-se ao sabor de um esquema de grande simplicidade: os trabalhadores, o povo e o País são, sempre, o alvo a flagelar; o grande capital é, sempre, o alvo a favorecer.
O anúncio dessas medidas de classe conta, sempre e desde logo, com o aplauso entusiástico dos propagandistas de serviço à política de direita – os quais, como se sabe, ocupam a quase totalidade do espaço de «opinião» dos média dominantes.
Assim aconteceu neste caso do anúncio do roubo do subsídio de Natal: os propagandistas apressaram-se a concluir que sim senhor, essa é a forma mais fácil, expedita e rápida de resolver o problema do défice e de cumprir a ordem da senhora Merkel e dos restantes patrões da União Europeia, ou seja, o roubo é a solução.
Mário Soares, que ocupa lugar destacado nessa acção propagandística, e que alia a essa tarefa a função complementar de defensor maior, em Portugal, do capitalismo (democrático, é claro...), saltou a terreiro em defesa do roubo, como lhe competia, e aproveitou para lembrar (antes que lho lembrassem), que também ele, quando foi primeiro-ministro, roubou parte do subsídio de Natal aos trabalhadores portugueses.
É claro que, assumindo a paternidade do roubo, Soares demonstrou igualmente o conteúdo democrático do acto praticado. Tratou-se, Soares o diz, de um roubo não apenas democrático mas essencialmente salvador da pátria, de acordo, obviamente, com os conceitos de democracia e de pátria do autor do roubo – que é, por isso mesmo e como estamos fartos de ouvir dizer, o «pai da democracia».
E que é, como estamos fartos de saber e de sofrer, o pai da contra-revolução e da política de direita - paternidade esta inequívoca e abundantemente confirmada pelo ADN do progenitor e da cria.
José Casanova, AVANTE! de 13/05/2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O esmerado carácter de um ex-comunista
O fulano da foto foi, durante a maior parte da sua vida, comunista. Foi perseguido pelo fascismo, esteve preso, foi torturado. Depois de Abril, durante muitos anos, continuou a dizer-se comunista e chegou mesmo à direcção do PCP. Já com idade avançada e os cabelos brancos, mudou de ideias, algo a que todos temos direito.Pretende agora convencer-nos que o que antes garantiu, asseverou, gritou, tudo aquilo por lutou durante dezenas de anos, afinal está errado. Evidentemente, só lhe dá credibilidade quem quer, até porque nada nos garante que daqui a seis meses não venha dizer a mesmíssima coisa que dizia antes e o seu contrário.
O fulano da foto, já entradote na idade, tornou-se catavento e, portanto, desdizer-se é o seu míster, a que nos ultimos tempos tem, aliás, dedicado intenso labor.
Anunciou agora que vai publicar um livro sobre Álvaro Cunhal. Sem cuidar do assunto relevante de saber se a um catavento é admissível ou lícito escrever sobre um homem digno, honrado, corajoso e coerente, o que mais me enoja é a facilidade com que, cobardemente, alguém decide pronunciar-se sobre quem, não estando vivo, não pode contestar a prevísivel montanha de alarvidades que agora se apregoa.
domingo, 2 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Sonho
Acordou de madrugada com uma ideia fixa. Afinal, começamos a morrer quando esquecemos que fomos crianças. Esquecemos o medo de perdermos a mão que nos guiava pelas ruas da cidade, o escuro medonho que escondia fantasmas esperando algures o momento de estarmos sós, o temor de tudo, os monstros que pejavam cada parede escura e que nos sitiava por baixo de leçóis e cobertores.
De repente, ou será paulatinamente?, desconhecemos o medo de que descobrissem as traquinices que fazíamos, o medo de termos medo. O medo de sermos grandes.
Perdemos o futuro quando esquecemos os pedidos ingentes que fazíamos, as birras habituais, os sonhos que nos moviam frágeis mas determinados. Esquecemos o medo de que não gostassem de nós, de que não nos dessem presentes ou nos envergonhassem perante os outros.
Começamos a definhar quando troçamos do que pensávamos em pequenos: o barquinho ao longe fugido de uma banheira citadina, o Superman sempre protector ou a moedinha da sorte. O medo do rídiculo macera-nos a carne condoída de uma noite em branco e os compromissos, transformam-nos em autómatos.
Sermos uma espécie em decomposição não nos deixa fruir o tempo em que nada tínhamos para fazer. A não ser brincar.
Acordou triste, magoado, exausto. A luz do candeeiro realçou-lhe as olheiras carregadas, os lábios irresolutos, os cabelos ralos. A lembrança dos baloiços no Alvito, o avião revestido a ferrugem em que sobrevoou oceanos imaginados, o cavalinho de papel, o pião carcomido no alcatrão da escola, os guelas de todas as cores e tamanhos, tudo lhe acentuava o mal estar.
De forma que se vestiu à pressa, bebeu uma caneca de leite com chocolate, calçou os ténis quase novos e acelerou o carro com direcção certa. No parque dos índios, o preferido dos filhos, a escuridão guardava tudo, mas não hesitou e tateando a rede, galgou-a sem esforço, com os sentidos despertos e um frio intenso na barriga obesa. Sentiu medo de ser apanhado, mas sorriu. O guarda jamais o surpreenderia... O piar de uma ave noctívaga, porém, estremeceu-o de pavor e correu a refugiar-se nas tendas cilíndricas.
Apache ou Sioux? Decidiu-se Baden Powel e urdiu planos para mil caminhadas. Salvaria os animais todos do planeta, e com um fósforo queimado desenhou o símbolo da paz no pulso enérgico. Nao sabe sequer como adormeceu, mas ao acordar no exterior da tenda, seres disformes gritavam sons inintelegíveis.
Persistiu num mutismo deliberado. Não lhe arrancariam palavra. Correu a manga da blusa para esconder a tatuagem e nem o silvar estridente da ambulância lhe indicou o local onde se encontrava. Deitado no chão pejado de papoilas e azedas, foi enterrando lentamente as mãos na terra molhada. E não demorou a sentir os músculos revigorados e um calor a incendiar-lhe de força o peito forte.
Quando a personagem de estetoscópio ao pescoço lhe perguntou o nome, depois de comentar ,com um ser igual, que "só lhe apareciam malucos", encheu os pulmões e suavemente trauteou a canção que muitos anos antes ensinara aos filhos: "Uma gaivota voava, voava, asas de vento, coração de mar..." e irradiando felicidade, deixou-se conduzir na padiola das urgências à casa onde os adultos encerram as crianças que renascem tarde.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Democracia socialista
Às cinco da tarde de 25 de Abril, domingo, já tinham votado 8 094 489 eleitores, de acordo com Ana Maria Mari Machado, presidente da Comissão Eleitoral cubana. Estavam inscritos 8 468 144 eleitores, ou seja, uma hora antes das assembleias eleitorais encerrarem, 95,6 por cento dos eleitores já tinham afluído às eleições.
Como é evidente, não sendo obrigatório o voto em Cuba, tal manifestação cívica só pode ser entendida num quadro de claro apoio à Revolução cubana.
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