terça-feira, 23 de março de 2010

VIVA O PCP!


Ao Partido



Pelos homens humilhados
oprimidos e explorados
nos quatro cantos do mundo
pela bandeira insubmissa
cor de um sagrado castigo
pelos que jazem no fundo
dos abismos da justiça
mas tombam de rosto erguido
existes tu, meu Partido!

Pelos mártires duma ordem
extintos nos sangues que escorrem
dos quatro cornos da guerra
e por todos quanto gemem
a um deus ensurdecido
para os sem lar e sem terra
pelas crianças que tremem
de fome e frio consentido
existes tu, meu Partido!

Pelas mulheres que se enfeitam
das mágoas com quem se deitam
nos quatro quartos de amantes
pelas mães que geram filhos
sem vislumbres de certezas
contra as causas repugnantes
que vomitam dos gatilhos
suas vinganças sem sentidos
existes tu, meu Partido!

Pelos que o mar hajam visto
em torturas anticristo
pelo Amor amplitude
das uniões operárias
pelo punho prometido
à Paz e à Juventude
Pelas Reformas Agrárias
de outro povo conseguido
existes tu, meu Partido!

Pela Revolução que os puna
pelo Hino da Comuna
pelo progresso da História
pela Pátria Universal
pelo homem pretendido
pelo dia da vitória
pela Internacional
pelo pão retribuído
existes tu, meu Partido

existes tu
meu Partido!



José Salsorte
Sto. António Caparica, Maio 1964

sábado, 13 de março de 2010

Cuba – a verdade dos factos


"A propósito da morte de Orlando Tamaya desenvolve-se na comunicação social dominante, internacional e nacional, uma intensa campanha contra Cuba. Uma situação lamentável é aproveitada para fazer reviver o chorrilho de acusações e preconceitos anticomunistas e para dar fôlego às manobras de ingerência e tentativa de isolamento contra Cuba, o seu povo e a sua Revolução.

Alguns dos que até ao momento da sua morte nem sequer sabiam da existência de Orlando Tamayo elegem-no agora como «mártir» da «luta pela democracia». Para tal ocultam convenientemente que as condenações de Orlando Tamayo nada tiveram a ver com questões políticas. Ocultam que Tamayo era um cidadão julgado e condenado desde 1993 por sucessivos crimes previstos na Lei e na Constituição do seu País como os de violação de domicílio, de agressão grave, de posse de arma, de burla, alteração da ordem e desordem pública. Ocultam que Tamayo foi libertado sob fiança em Março de 2003 e que foi novamente preso após reincidência e que nem a lista dos chamados «presos políticos», elaborada em 2003 pela então Comissão de Direitos Humanos da ONU como elemento de ataque contra Cuba, incluía o seu nome. 

Orlando Tamayo não era um preso político, reivindicou para si essa condição em função da acumulação de penas, e os grupúsculos da chamada «oposição» cubana viram na instrumentalização dessa sua opção uma oportunidade para recuperar da sua descredibilização, avançando com medidas como a da canalização de verbas da fundação cubano-americana para a sua família.

Os mesmos que acusam Cuba de ter «assassinado premeditadamente» Orlando Tamayo ocultam que não há registo de maus tratos por parte do sistema prisional cubano. Ocultam que, pelo contrário, tudo foi feito para o tentar demover da sua greve da fome e que Orlando sempre foi acompanhado pelos serviços médicos cubanos, como o demonstra o facto de ter sido operado em 2009 a um tumor cerebral. Os que acusam Cuba de ter assassinado Tamayo são os mesmos que ocultam que a sua greve de fome foi incentivada por organizações como as «damas de branco», a fundação cubano-americana ou a rádio que ilegalmente transmite sinal a partir de Miami. 

A morte de Orlando Tamayo deve ser lamentada, este cidadão cubano não merecia morrer, mas os responsáveis pela sua morte são os que o incentivaram a levar a sua decisão até às últimas consequências.

Os mesmos que destilam o seu ódio anticomunista a propósito deste caso são os mesmos que colaboram com aqueles que na ilha de Cuba, na base militar dos EUA de Guantanamo, mantêm, sem direito a acusação e a julgamento, presos que, como está sobejamente provado, foram e são submetidos às mais horrendas torturas, privações, maus-tratos e humilhações. São os mesmos que se calam perante os 30 470 cidadãos assassinados pelos paramilitares colombianos nos últimos 20 anos, perante o golpe de estado nas Honduras e o assassinato de militantes pela democracia, perante o criminoso bloqueio contra Cuba, a reaccionária posição comum da União Europeia face a este País ou a infame decisão da Administração Obama de incluir Cuba na lista de patrocinadores de terrorismo. 

São os mesmo que esquecem as centenas de vítimas cubanas do terrorismo norte-americano, os mesmos que fingem não ver as denúncias da infiltração de grupos de comandos colombianos na Venezuela com uma lista de execuções de dirigentes comunistas e progressistas venezuelanos ou que classificam como «um sucesso» os recentes massacres de dezenas de civis no Afeganistão.

Mas esses que instrumentalizam a morte de um homem para prosseguir a sua ofensiva anticomunista têm dois problemas. O primeiro é a verdade: Cuba não é um Estado opressor e agressor e a sua população sabe-o bem. O segundo é a realidade: Cuba lidera, com outros países da América Latina, processos de afirmação progressista e de integração regional que estão a reduzir o campo de manobra daqueles que continuam a insistir na conspiração para manter o seu domínio na região."

Ângelo Alves, in AVANTE! de 11 de Março

domingo, 7 de março de 2010

Cambada de porcos!

A crise internacional, provocada pelos corruptos que por todo o mundo capitalista se vão alternando no poder, está a ser aproveitada para a eliminação de direitos sociais importantíssimos. Incólumes, apenas os causadores de tanta desgraça.
Neste quadro complexo, é já de sobrevivência que se fala. Ora, os incompetentes e corruptos que em Portugal têm provocado tantas malfeitorias, desde os neonazis do cds aos invertebrados do ps e psd, já mostraram que se não importam nada de condenar à miséria mais abjecta milhões de portugueses, ciclicamente enganados pelo mesmíssimo canto de sereia que em coro síncrono esses bandalhos entoam.
Depois admirem-se que surjam, como cogumelos, pessoas desesperadas dispostas a tudo. É evidente que só a luta organizada das mais amplas massas populares pode deter estes canalhas. Mas que dá vontade de os caçar, um por um, dá. 
Tiras-me o emprego com falinhas delicodoces? O meu filho está condenado a servir-te como escravo? Tenho que pagar 300 € por uma biópsia que me assinala um cancro que o Serviço Nacional de Saúde tardará em tratar? Fico sem direito a ter vida pessoal para servir convenientemente os teus amigos empresários? Roubas-me o dinheiro que o estado me confisca por trabalhar? Impedes-me de alimentar a minha família? Toma: um tiro nesses cornos insensíveis! Nos teus e nos dos que, iguais a ti, peroram a mesma cantilena repugnante.
Isto talvez não resolvesse nada. Mas que aliviaria tanta raiva, tanto desespero, não tenho qualquer dúvida.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sócrates, o Berlusconi luso

Escrever sobre Sócrates e comandita provoca-me um asco profundo. O homem não tem nada que se aproveite, a não ser uma capacidade, que há-de ter herdado de Mário Soares, para esconder as trapalhadas em que se envolve. Ele e o séquito de vígaristas de que se rodeou e que fez medrar, qual muralha de aço em que se acolhe nos momentos mais difíceis.
Se não existissem outros índícios, a colocação dos seus afilhados políticos em lugares essenciais, com salários fabulosamente irreais - o queque sem currículo extra-partidário da PT ganha, segundo a imprensa, 2 milhões e 500 mil euros ano - chegaria para o engavetar pelo menos enquanto durassem as investigações.
Mas isto só poderia acontecer num país a sério, em que o PGR e o presidente do STJ não fossem uma espécie de ministros com imensa pasta deste SócratesBerlusconi.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Solidariedade com Mário Crespo, porque os sócratinos não perdoam


Artigo do Mário Crespo que foi censurado pelo JN não tendo sido por isso publicado como de costume na edição de hoje.

O Fim da Linha

Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. 

Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). 

Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. 

Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”.

É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. 

Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. 


Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.

O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Temos memória!

É uma boa altura para recapitular e tentar descobrir onde estará o erro grosseiro.

Já agora, façam o favor passar este mail, não é para dar sorte, é para que todos saibam e para eles saberem que nós nos lembramos e sabemos!!!!



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

PARA MEMÓRIA FUTURA

Estes são alguns dos fulanos, tudo gente distinta, que durante muito tempo - por terem um calhau no lugar do coração, mas não só - garantiram que as denúncias das vítimas eram apenas uma cabala contra um dos seus.


NOTÍCIA DO CORREIO DA MANHÃ



19 Janeiro 2010 - 00h30

Casa Pia: Ex-deputado socialista acusou jovens de difamação

Paulo Pedroso perde processo

Os seis jovens que referiram em julgamento o nome do ex-deputado foram ilibados do crime de difamação. Juiz sem indícios de terem mentido.


Os seis jovens que referiram o nome de Paulo Pedroso no julgamento de pedofilia da Casa Pia não vão ser julgados pelos crimes de difamação e de falsas declarações como pretendia o ex--deputado socialista. 

'Se é certo que as testemunhas podem mentir em tribunal (...) não podemos de modo algum afirmar que há indícios de que estes arguidos tivessem praticado o crime de que vinham acusados', concluiu ontem o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, que decidiu não pronunciar os jovens.

Na decisão instrutória, à qual o CM teve acesso, o juiz considera não ser possível concluir que as declarações dos seis ex-alunos da Casa Pia visaram apenas atingir a honra de Paulo Pedroso. 

'Desde logo porque as declarações foram prestadas de modo objectivo na audiência de julgamento (...). A verdade é que os arguidos se limitaram a relatar factos por eles alegadamente vivenciados tendo-o feito perante autoridades judiciárias', lê-se no despacho que nega a pretensão do ex-arguido do processo Casa Pia. 

Por outro lado, o juiz considerou que Paulo Pedroso não apresentou prova para contrariar as acusações dos jovens: 'O assistente apenas se limita a dizer que os arguidos mentiram, no entanto não apresenta factos nem qualquer prova nesse sentido, e tal é por si só insuficiente para concluirmos pela inveracidade e falsidade das declarações prestadas.' 

O Tribunal de Instrução Criminal desvalorizou ainda as inconsistências apontadas aos depoimentos dos jovens, lembrando que a maioria dos alunos da Casa Pia é oriunda de famílias disfuncionais e se caracteriza por necessitar 'de apoios educativos especiais'.

'Não existem indícios de que os arguidos tivessem praticado os crimes de difamação e falsas declarações', concluiu então o juiz, que, sem fazer referência aos abusadores, foi ainda mais longe, e disse que 'dúvidas também não restam de que estes jovens foram vítimas de abusos'.

RECURSO CONTRA INDEMNIZAÇÃO DE 130 MIL EUROS
Em Setembro de 2008, a juíza Amélia Puna Loupo, das varas cíveis de Lisboa, deu razão a uma queixa de Paulo Pedroso e condenou o Estado a pagar-lhe uma indemnização de 130 mil euros por ter estado preso no âmbito do caso de pedofilia. A magistrada entendeu ter havido 'erro grosseiro' por parte de Rui Teixeira, ao decretar a prisão preventiva do ex-deputado, argumento que recentemente foi utilizado pelo Conselho Superior da Magistratura para congelar a nota do juiz – decisão entretanto revogada pelo Supremo. O Ministério Público recorreu para a Relação de Lisboa, onde o processo se encontra há um ano, sem decisão.

APONTAMENTOS
23 CRIMES DE ABUSOS
Paulo Pedroso foi acusadode 23 crimes de abusos, mas não chegou a julgamento por decisão da juíza de instrução.
PRISÃO PREVENTIVA
O ex-deputado foi detido noParlamento, em Maio de 2003,e ficou preso quatro meses. Foi solto em Outubro pela Relação.
SOCIALISTAS ENVOLVIDOS
Além de Pedroso, tambémos nomes de Ferro Rodriguese Jaime Gama foram referidos no processo Casa Pia. Osjovens foram processados.
DECISÃO
'Dúvidas não restam de que estes jovens foram vítimas de abusos de cariz sexual.'
'Também não é difícil concluir a situação penosa que será, por um lado, ter de depor em tribunal e, por outro, expor a sua intimidade perante os outros.'
'O assistente apenas se limita a dizer que os arguidos mentiram, imputando-lhe factos e actos que não cometeu, no entanto não apresenta factos nem qualquer prova nesse sentido.'
'Não podemos de modo algum concluir que as declarações prestadas visaram atingir o assistente na sua honra e dignidade.'
Juiz do tribunalde instrução criminal

Ana Luísa Nascimento

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Novo Ano: Saudação das FARC-EP





Na habitual saudação de final de ano, as FARC-EP fazem um balanço da situação colombiana, em crise profunda provocada pela oligarquia local, uma das mais sangrentas da América Latina. A resistência colombiana saúda, igualmente, a fundação do Movimento Continental Bolivariano, que consideram expressão de recusa da dominação imperialista daquela zona do planeta.


As forças armadas revolucionárias comprometem-se, de acordo com as expectativas dos povos dilacerados pela miséria, a lutar até ao último alento por uma Nova Colômbia e apelam à unidade das forças revolucionárias e progressistas contra a reeleição do facínora Álvaro Uribe e a invasão dos EUA.



Pode ler a saudação AQUI