sábado, 7 de novembro de 2009

Os do costume

A operação face oculta já era. Nem tempestade, nem abalo. Apenas a tarefa periódica, um leve espernear tendente ao ócio futuro, um faz-de-conta com destino preciso: a presunção de inocência a reforçar o clima propiciador de outras faces tão ocultas quanto esta. O que é preciso é enganar a malta, fingir que se quer combater o que afinal é o cimento do sistema.
Por esta altura, nos labirintos pérfidos da república das bananas, as ratazanas movem-se, traficam influências, ameaçam-se recíprocamente. Invocam-se solidariedades passadas, crimes comuns, cozinhados antigos. Se me tocas, disparo, se investigas, mordo-te. Ai como deve rebolar de riso a fatinha de Felgueiras e quejandos. Os do avental já reuniram e teceram estratégias: a presunção de inocência é tudo, ou quase. Porque o resto, pá, o resto é uma cambada de invejosos.
Nas próximas semanas não faltarão entendidos a perorar sobre as maldades cometidas contra as almas puras, sucateiros ou banquei ros, com diploma da farinha Amparo, lavrado a preceito pela família.
E ainda há quem os leve a sério. O país está a saque, mas não se pode sequer o elementar gesto de revolta, nem o grito ingénuo: agarra que é ladrão!
Esta cambada não nasceu agora, perdeu o umbilical cordão nos idos de 74 e 75, quando para malhar nos comunistas e nos que desejavam um país novo e limpo, se recrutaram bandidos, pides, verdugos.
O Ramiro, por exemplo. Bombista exemplar, amnistiado por Mários Soares, mas que, enquanto perseguido pelo Estado português, chefiava a delegação da, então pública, Galp em Madrid.
Esse bombista, quem o nomeou?, vinha a Portugal as vezes que queria, sem que a polícia o incomodasse, porque os padrinhos velavam. Não sei se Soares o condecorou, como ao Ritto pedófilo, mas que vinha, vinha.
E como ele tantos. Porque a cumplicidade forjada nos anos da traição ao 25 de Abril, pode mais. Por onde anda o autor dos faxes pedindo cinco milhões de contos a Carlucci, para derrubar as resistências débeis, de dois autarcas conhecidos, à voracidade construtora da empresa que mafioso da CIA dirigia?
Portugal é um lodaçal: das inspecções automóveis aos exames de condução, do tráfico de mulheres e armas à violação de crianças; das facturas falsas ao roubo de milhões, tudo passará impune, porque a presunção de inocência dos poderosos vale tudo

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Desabafo

Mordeste o pão duro que deus amassou, mas não choraste a desdita como tantos. Perdeste filhos , pais e o passe social da carris e do metropolitano. Perdeste a novela das onze e um quarto, como ressalvas sempre a salivar.
Mas não esqueceste o telefonema dos “bjinhos” e dos “bigadas”, para os amigos com cédula e certidão de interesses. Lavas a boca com dystron ou com lixívia e comes ovos moles e risos descabidos. És uma farra, amigo e o teu avô jogava ao berlinde no rossio galando actrizes porno na ginjinha, porque a arte de fugir é um desafio que derrete mesmo a alma da madrinha.
Tanta coisa errada - não é meu asno? - tanta miséria e tu, um primor, vestes o paletó, dás dois peidos na escada e vais à vidinha a palitar os dentes de desprezo pelos pobres que afugentas do passeio.
A  tua dama a gastar-te o salário no casino, o teu clube falido, os pombos decrépitos fazem-te chorar - és um coração de manteiga, é o que é - mas esqueces a cara da avó a apodrecer no cadeirão coçado , o lar da ameixoeira grande, deserto de gente como tu, o cheiro a mijo, as fraldas com merda de semanas, coladas à parede como post-it acusadores.
A mesma velha que repele as tuas visitas semestrais, o teu ar de quem chegou com cara de quem não volta mais, o teu nojo colado à camisa em grossas gotas de suor. Ou será medo?
Tu ali, colado a ela, na ânsia da sopa que não chega, dos remédios que apressem a morte, a mesma janela, o mesmo rio parado, o mesmíssimo cheiro e os teus pombos que não dizem, que não grasnam, indiferentes aos latidos que protestas.
Tu ali esquecido, amnésico, com a âncora do cachucho dourado a colar-te ao cadeirão usado a majestade, a pedires para mijar às operárias que te ralham e simulam afazeres.
Não são tuas as lágrimas que te rasgam o focinho contrariado, não é teu o murmurar de sangue arrependido. Não há verniz que esconda o vilão que foste, não há poses que salvem o bandido.
Resta-te o deus que mesura por interesse as almas vis. De forma que ajoelhas, simulas estar ausente de pecado, entoas ladainhas mirando o altar onde também cerejeira e Salazar se prostraram – esses cabrões que tanto recomendas – e guinchas impropérios contra a culpa dos que não te entendem a bondade.
Perdoai-lhe, senhor!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Contra o nazismo, a determinação do povo soviético

Em 22 de Junho de 1941, a Alemanha nazi invadiu a URSS. Hitler estava convicto de que a destruição do imenso país seria rápida, mas para tristeza de Churchill e Roosevelt, que recusaram aliar-se a Moscovo para combater o nazismo, o heróico povo soviético resistiu e deu um contributo ímpar para a libertação da Europa.

Neste vídeo, filmado em 7 de Novembro de 1941, Stáline exorta à resistência e é impressionante verificar como passados tão poucos meses desde a monstruosa invasão, o líder soviético anuncia já a inevitávelderrota alemã.
Viva a URSS!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O canalha do Expresso

Chama-se Henrique Raposo e periodicamente ataca o PCP, acobertado no Expresso. Desta vez, porém, esmerou-se na mentira e decidiu injuriar Álvaro Cunhal, vomitando aqui a raiva que aprendeu da pide e dos fascistas que venera.

Decidi escrever-lhe ( henrique.raposo79@gmail.com ) e vou ficar à espera de resposta, porque gente desta tem que ser continuamente confrontada com os dejectos que produz:

"Li o seu artigo no Expresso, onde só os democratas do seu calibre, politicamente mentirosos , podem escrever os disparates que entendem, sem possibilidade de contraditório.
Já tinha percebido que não passa de um falaz anticomunista, mas tão repugnante não o imaginava. Por isso quero apenas dizer-lhe que tudo quanto escreveu sobre o PCP e Álvaro Cunhal é mentira e lanço-lhe um desafio: ou prova o que afirmou, difamando um grande patriota, ou assume que é um aldrabão, tão reles que nem sequer se deu ao trabalho de fundamentar a caca que produziu.
Que canalha!"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quem quer casar com José sócrates?

O povo português mal sobrevive. O desemprego e os despedimentos alastram, o custo de vida aumenta, a educação degrada-se, o acesso à Justiça é só para alguns. E josé sócrates, o putativo engenheiro, apenas vê como prioritário a consagração em lei dos casamentos homossexuais.

Mas que problema é este? As uniões de facto já contam com um tratamento legal que as equipara ao casamento. Se acaso for insuficiente, que se aprofunde até à igualdade, o regime de direitos e obrigações. Mas, num país onde as mulheres continuam a ser perseguidas nos empregos e a ganhar muito menos do que os homens para trabalho igual, que urgência dita esta prioridade socratina senão o politicamente correcto?   

Há quatro anos, quando foi eleito na sequência do golpe de Estado constitucional de Jorge Sampaio, desferido, cada vez tenho menos dúvidas, para que o processo Casa Pia não pudesse decorrer com normalidade, Sócrates fez do ataque aos farmacêuticos a sua causa fundamental. Agora, virou o azimute, seguramente estimulado pelas contas que asseguram existir em Portugal 10% de homossexuais.

Este fulano é um oportunista encartado.  

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um abraço solidário à Rita Rato

Rita Rato é uma jovem deputada comunista. Na sequência de uma armadilhada entrevista ao Correio da Manhã - jornal que a exemplo dos gémeos do sistema, censura sem vergonha o PCP - está a ser vítima de uma campanha repugnante por parte dos canalhas habituais.
Desde apoiantes de pedófilos conhecidos a traidores e cobardolas encartados, todos querem, como guincham em coro abichanado, "esmiuçar" a referida entrevista, atacando a jovem e corajosa deputada.
Rita, eles não sabem nada do teu profundo humanismo, da tua coragem, da tua dedicação ao povo a que pertences. Quando te atacam - e o movimento miserável nasceu nos queques-rosa do ps e do be - o que pretendem é investir, redicularizando-te - contra o PCP.
Que ladrem e vociferem. Tu és, de facto, de outras coisas. Pertences à vida que se cumpre no combate diário, solidário. Que os répteis te detestem, é inevitável. Choca-os a serenidade e firmeza da tua condição revolucionária. Um pouco por todo o mundo, de Eduardo Galeano a Óscar Niemeyer, de Fidel Castro a Gabriel Garcia Márquez, a tua visão do mundo e a luta contra o politicamente correcto está a marcar posições, a quebrar a fortaleza que julgavam inexpugnável do pensamento único.
Deixo-te um abraço solidário, feliz e honrado por te saber cúmplice no ideal emancipador da humanidade.
A luta continua! 

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Capitalismo é isto



O fulano da foto é o rosto do capitalismo português. Presidente da CIP, vive ainda no tempo em que os patrões afixavam à porta das empresas o cartaz que interditava a entrada a quaisquer direitos dos trabalhadores.

De forma monstruosa e na sequência de dislates anteriores, veio agora sugerir que se não aumente a miséria de salário mínimo existente em Portugal, durante um ano.

Ele que seguramente gasta esse montante em duas ou três refeições, ele que ganha milhões explorando seres humanos sem direitos, acha que os devemos condenar ao agravamento da miséria, para que se não questione as nossas exportações.

Pudesse ele, pudessem os vanzeleres deste país, e comeríamos apenas o estritamente necessário a produzir de sol a sol a riqueza que, avarento, lhe permite a crueldade.

Mas não se julgue que esta manifestação repugnante de desumanidade é obra sua e surge por acaso. É que no dia em que a Assembleia da República abriu, o PCP, fiel como sempre aos compromissos eleitorais e à classe que representa, apresentou várias iniciativas legislativas para favorecer os trabalhadores.

Sócrates, que este marmanjo ama profundamente, pode assim descansar e, elogiando a necessidade de diálogo, recusar a justiça de aceitar as iniciativas comunistas. Ou não fosse ele o dilecto representante da cip e quejandos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

El nombre encontrado

En la sierra mexicana de Nayarit había una comunidad que no tenía nombre. Desde hacía siglos andaba buscando nombre esa comunidad de indios huicholes. Carlos González lo encontró, por pura casualidad.

Este indio huichol había venido a la ciudad de Tepic para comprar semillas y visitar parientes. Al atravesar un basural, recogió un libro tirado entre los desperdicios. Hacía años que Carlos había aprendido a leer la lengua de Castilla, y mal que bien podía. Sentado a la sombra de un alero, empezó a descifrar páginas.

El libro hablaba de un país de nombre raro, que Carlos no sabía ubicar pero que debía estar bien lejos de México, y contaba una historia de hace pocos años. En el camino de regreso, caminando sierra arriba, Carlos siguió leyendo. No podia desprenderse de esta historia de horror y de bravura. El personaje central del libro era un hombre que había sabido cumplir su palabra.

Al llegar a la aldea, Carlos anunció, eufórico: - Por fin tenemos nombre! Y leyó el libro, en voz alta, para todos. La tropezada lectura le ocupó casi una semana. Después, las ciento cincuenta familias votaron. Todas por sí. Con bailares y cantares se selló el bautizo.

Ahora tienen cómo llamarse. Esta comunidad lleva el nombre de un hombre digno, que no dudé a la hora de elegir entre la traición y la muerte.-Voy para Salvador Allende dicen, ahora, los caminantes.


Eduardo Galeano