segunda-feira, 18 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Aos bandalhos
domingo, 10 de maio de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
O Caminho das Aves

Homens e mulheres capazes de atravessar Lisboa, em pleno fascismo, para dizer ao amigo que não acreditam na injúria da imputada colaboração com a pide. Ou para doarem a alegria de um poema. Um gesto simples, um abraço. Uma palavra de frontal discordância, mas acompanhada da reafirmação dos laços indissolúveis, unindo-os, muito acima do trivial, numa comunhão feita também, claro, de partilhas ideológicas.
Quando li e difundi esse livro maravilhoso, esse porto seguro da amizade, esse exemplo do humanismo profundo que caracteriza os comunistas em todo o mundo, cresci imenso, aprendi muito, reforcei o meu profundo amor e dedicação à gloriosa luta dos homens e mulheres contra a barbárie do capitalismo.
Recuso a ideia de que se trate de uma obra de ficção. É que nessas páginas vivas, quentes, calorosas, por vezes tristes mas sempre confiantes, conheci-te Francisco. E sei-te vivo, amigo e solidário como o sangue que me corre nas veias e me mantém vivo.
Quero por isso dizer-te que te sei aqui, a meu lado em cada instante, por mais desiludido, ou ferido, que possas estar. E se a amizade também é não enjeitarmos o essencial, se persiste mesmo quando na opinião dos amigos enveredamos por caminhos antes impensados sem contudo matarmos a pessoa que somos, eu quero dizer-te que estou, também, presente.
De corpo e alma, o que vale por dizer, com a minha consciência e a mesma tranquilidade de me olhar ao espelho sem nojo do que vejo. Porque aprendi contigo e com muitos amigos como tu, a não trair.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Toy, exemplo de coragem

quinta-feira, 7 de maio de 2009
Algumas verdades que eles não gostam de ouvir
quarta-feira, 6 de maio de 2009
António Gedeão
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.
Nada a temer senão o correr da luta...
Nada a temer senão o correr da luta
terça-feira, 5 de maio de 2009
Comentário necessário
Fui militante do PCP durante 26 anos. Não tenho palavras para expressar tudo quanto vivi e aprendi no Partido. Tudo quanto sou, como homem e cidadão, devo-o ao meu querido Partido. Para mim, a existência do PCP é um dos motivos mais fortes que alicerça o profundo orgulho que tenho em ser português.
No entanto, entreguei hoje mesmo o meu pedido de demissão do Partido, no que constituiu a decisão mais dolorosa da minha vida. Fi-lo por dever de consciência: sempre protestei contra os que, violando os estatutos do Partido, pretenderam descaracterizá-lo. E não podia agora incorrer na violação da disciplina partidária.
Cada vez me sinto mais próximo, ideologicamente, do meu Partido, o único que verdadeiramente defende os trabalhadores e outras classes sociais desfavorecidas, em Portugal.
A organização do meu Partido em Setúbal escolheu para candidata à respectiva câmara municipal a senhora Maria das Dores Meira, que para mim representa tudo quanto de mais negativo existe na política portuguesa.
Não podia pois deixar de lhe dar combate político, ciente de que o bom povo de Setúbal não merece sofrer mais quatro anos de gestão autárquica despótica por parte de uma anticomunista dissimulada.
Agradeço ao PPM e aos respectivos dirigentes, a confiança que em mim depositaram e a oportunidade que me deram de poder expressar, eleitoralmente, as minhas ideias para melhorar o concelho de Setúbal.
Peço desculpa aos meus camaradas do PCP, que sei desiludir profundamente com esta atitude.Mas deixo-lhes uma garantia pessoal: procurarei no futuro ser digno de reaver o meu estimado cartão de militante.
Naturalmente, no resto do território nacional, apelarei ao voto na CDU.
Ao PCP
Deste-me a fraternidade para com o que não conheço.
Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem.
Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo.
Deste-me a liberdade que o solitário não tem.
Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo.
Deste-me a rectidão de que a árvore necessita.
Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens.
Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos.
Ensinaste-me a dormir nas camas duras dos meus irmãos.
Fizeste-me edificar sobre a realidade como uma rocha.
Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético.
Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.
Tornaste-me indestrutível porque, graças a ti, não termino em mim mesmo.
Pablo Neruda
