sexta-feira, 8 de maio de 2009

Toy, exemplo de coragem


Em Alfornelos, concelho de Amadora, há um espaço que é um verdadeiro porto de abrigo: o restaurante No Carvão ou Talvez Não, propriedade do meu querido amigo Nélson. Por sugestão e muito trabalho de outro grande amigo, O António Alte Pinho, acontecem por ali, frequentemente, tertúlias com convidados diversos, da política à música.
O mais recente foi o Toy e a surpresa marcou profundamente todos os convivas. Na música, por descobrirmos um dos melhores intérpretes nacionais. Na cultura, ao seguirmos, embevecidos a lição magistral que nos deu sobre os vários tipos de música. E, sobretudo, por termos podido escutar a sua potente e multifacetada voz.
Políticamente, assumiu as suas opções. E não obstante dizer que não tem partido, assumiu ir votar CDU nas próximas eleições legislativas. Obrigado, Toy, pela noite fabulosa e pela coragem da posição política assumida.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Algumas verdades que eles não gostam de ouvir

Intervenção da Dr.ª Ilda Figueiredo, candidata da CDU - a única mulher que chefia a lista de entre os partidos com representação parlamentar - na RTP a 20.04.2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

António Gedeão

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

Nada a temer senão o correr da luta...

Caçador de Mim


Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim
Milton Nascimento
Composição: Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão

terça-feira, 5 de maio de 2009

Comentário necessário

Por mim não teria feito disso notícia, mas a recente publicação, no Público online, de que serei candidato pelo PPM à Câmara de Setúbal, impõe-me o seguinte comentário:

Fui militante do PCP durante 26 anos. Não tenho palavras para expressar tudo quanto vivi e aprendi no Partido. Tudo quanto sou, como homem e cidadão, devo-o ao meu querido Partido. Para mim, a existência do PCP é um dos motivos mais fortes que alicerça o profundo orgulho que tenho em ser português.

No entanto, entreguei hoje mesmo o meu pedido de demissão do Partido, no que constituiu a decisão mais dolorosa da minha vida. Fi-lo por dever de consciência: sempre protestei contra os que, violando os estatutos do Partido, pretenderam descaracterizá-lo. E não podia agora incorrer na violação da disciplina partidária.

Cada vez me sinto mais próximo, ideologicamente, do meu Partido, o único que verdadeiramente defende os trabalhadores e outras classes sociais desfavorecidas, em Portugal.

A organização do meu Partido em Setúbal escolheu para candidata à respectiva câmara municipal a senhora Maria das Dores Meira, que para mim representa tudo quanto de mais negativo existe na política portuguesa.

Não podia pois deixar de lhe dar combate político, ciente de que o bom povo de Setúbal não merece sofrer mais quatro anos de gestão autárquica despótica por parte de uma anticomunista dissimulada.

Agradeço ao PPM e aos respectivos dirigentes, a confiança que em mim depositaram e a oportunidade que me deram de poder expressar, eleitoralmente, as minhas ideias para melhorar o concelho de Setúbal.

Peço desculpa aos meus camaradas do PCP, que sei desiludir profundamente com esta atitude.Mas deixo-lhes uma garantia pessoal: procurarei no futuro ser digno de reaver o meu estimado cartão de militante.

Naturalmente, no resto do território nacional, apelarei ao voto na CDU.

Ao PCP

Ao meu Partido

Deste-me a fraternidade para com o que não conheço.
Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem.
Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo.
Deste-me a liberdade que o solitário não tem.
Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo.
Deste-me a rectidão de que a árvore necessita.
Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens.
Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos.
Ensinaste-me a dormir nas camas duras dos meus irmãos.
Fizeste-me edificar sobre a realidade como uma rocha.
Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético.
Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.
Tornaste-me indestrutível porque, graças a ti, não termino em mim mesmo.


Pablo Neruda

sábado, 2 de maio de 2009

Vital, o provocador

Talvez ninguém, como provocador ao serviço do ps, tenha destorcido, atacado e criticado as posições poítico-sindicais como Vital Moreira o fez. Por isso, a sua presença hoje na manifestação da CGTP/IN tem a marca indelével do que Mário Soares assinalou há uns anos quando foi fazer idêntico número para a Marinha Grande e apanhou com uns peixes na cara.
Agora Vital conseguiu, com a palhaçada a que se entregou, atingir dois objectivos: fazer-se mártir e difamar, através da insinuação velada, os comunistas e a CGTP.
Esta era uma provocação esperada. Vital, Santos Silva e correlegionários boys de sócrates estão desesperados e não se deterão ante qualquer iniquidade para obterem bons resultados eleitorais, de que depende, afinal de contas, a possibilidade de partilharem o que resta dos recursos nacionais.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Palavra de deputado faz fé!...

Como se sabe, este governo alterou a forma de justificação de faltas dadas pelos funcionários públicos por motivos de doença, obrigando-os a recorrer aos Centros de Saúde para obterem o respectivo certificado. Dessa forma quis o senhor sócrates e a maioria subserviente que apoia o putativo engenheiro, atestar que tais funcionários e os médicos que os atendem fora do serviço público, não merecem pinga de confiança.

Contudo, relativamente aos deputados, essa classe superior à populaça, o entendimento é outro. Somos todos iguais. Não se sabe é onde, nem em quê.
Clique sobre a imagem e surpreenda-se. De facto, a realidade ultrapassa a ficção

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Vinicius de Moraes

Gente humilde

Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar



Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com que contar


São casas simples, com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda, flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar

E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contra Maria das Dores Meira, pela Liberdade!

Acabam de dizer-me que, em Setúbal, a inumana vai recandidatar-se pelos meus. Que fazer? Olhar para o lado e simular não ver e não saber, apurando assim os condimentos da cobardia e aquiescência com a iniquidade?
Perder a legitimidade futura para combater pela Justiça, contra toda a espécie de inquisidores e déspotas?
Prostestar apenas contra os que não se travestem com as minhas cores? Não!
Relembro Guevara: "Se tremes de indignação perante as injustiças, és meu irmão".
Por isso, a partir de hoje e até Dezembro, tudo farei para que o bom povo de Setúbal não sofra mais quatro anos de desnorte e maldade. Tudo farei para que a Maria das Dores Meira sofra nas urnas a derrota que taticismos oportunistas adiaram.
A luta continua!