terça-feira, 4 de novembro de 2008

Contra o capitalismo

O capitalismo é um sistema criminoso, que serve apenas os facínoras que dele vivem dizimando milhões de vidas em todo o mundo. O que impressiona é ver a facilidade com que os bandalhos batem com a mão no peito e juram crer em Deus. Um milhão de crianças morre anualmente por falta de uma vítamina. E depois? O que pode isso contra a invocação devota dos sacrossantos princípios do capitalismo?
Toneladas de alimentos são destruídas para que o respectivo preço não desça nos mercados e quando a frieza dos números nos diz que milhões de seres humanos morrem de fome, os canalhas organizam galas muito altruístas e que os deixam cada vez mais bonitos nas fotografias.
Agora, perante o colapso do sistema finaceiro, os governos decidiram, em uníssono, salvá-lo, descobrindo avultadas somas em segundos. Os bancos e banqueiros que tanto têm roubado os povos de todo o mundo - os mesmo que o ano passado despejaram de suas casas mais de 150 000 famílias que não puderam pagar as elevadíssimas prestações dos empréstimos - não hesitaram na apropriação de recursos públicos e na intervenção estatal.
Mas cada vez é mais evidente que o capitalismo contraria o futuro. Pode sobreviver séculos, mas há-de ruir. Até porque a alternativa significaria o fim da humanidade.

sábado, 1 de novembro de 2008

LIDICE, o exemplo


Lídice, pequena vila da antiga Checoslováquia, foi totalmente destruída, em 1942, pelos nazis como represália pela morte de Reinhard Heydrich seu comandante.
Heydrich, então designado como protector do Reich na Boémia e Morávia, área ocupada pelas tropas nazis há mais de três anos, dirigia-se da casa onde morava para seu escritório no centro de Praga. Numa esquina perto de seu local de destino, o carro em que viajava foi emboscado a tiros pela Resistência.
Atingido, o oficial das SS, protegido de Himmler e Hitler e um dos mais cruéis nazis, um dos mentores da solução final, morreria uma semana depois. Hitler ordenou então ao substituto de Heydrich que retaliasse de forma brutal. Em 10 de junho, Lidice, perto de Praga, a capital, foi cercada por tropas nazis que impediram a saída dos seus residentes.
Todos os homens com mais de quinze anos foram separados de mulheres e crianças, colocados num celeiro e fuzilados em pequenos grupos no dia seguinte. As mulheres e crianças da cidade foram enviadas para o campo de concentração feminino de Ravensbruck onde a maioria viria a morrer de tifo e exaustão pelos trabalhos forçados.
Após o assassinato e o desterro da população restante, a vila foi demolida. Cerca de 340 habitantes de Lídice morreram no massacre alemão, 173 homens, 60 mulheres e provavelmente 88 crianças.
Ao contrário do que fazia habitualmente, a propaganda nazi fez questão de publicitar o horror de Lídice, como uma ameaça e um aviso aos povos da Europa ocupada. filmaram tudo, inclusivamente o jogo de futebol que sobre os escombros organizaram, utilizando como bolas bébés recém-nascidos.
Estive em Lidice em 1985, integrado num grupo de jovens e foi das experiências mais marcantes da minha vida. O local onde se situava a vila foi transformado num imenso prado e considerado um memorial nacional. Mesmo tendo sido totalmente apagada do mapa, Lídice foi novamente reconstruída e ampliada em 1949, a setecentos metros da área onde tinha sido destruída.
Juntámo-nos em torno de uma resistente, das poucas que sobreviveram e escutámos o seu relato dorido com a ajuda de uma intérprete. No rosto das dezenas de jovens que ali se encontravam as lágrimas marcavam a determinação de lutar para que no futuro nunca mais seja possível tamanha monstruosidade.
Sou militante do PCP há 25 anos. Cada vez com mais orgulho e honra. No meu Partido, com os meus camaradas, com a sua História inigualável, aprendi o respeito pela memória. Sou contra qualquer utilização de Peniche para fins diversos dos museológicos. E acho isto tão natural que explicá-lo me parece redundante. Se a Cãmara de Peniche não tem dinheiro, tem que ser o Estado central a custear a recuperação e manutenção do forte. Da mesma forma que faz com o Mosteiro dos Jerónimos ou a torre de Belém.
Se os comunistas se empenharem nisto, reduzem o campo de manobra oportunista dos que, à segunda-feira, escrevem obras laudatórias de fascistas e nos feriados simulam preocupar-se com a preservação da memória.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Pela preservação da memória

Em 23 de Outubro de 2005 escrevi:

"Fascismo nunca mais!

Um dos traços mais repulsivos da empreitada que alguns desenvolvem para reescrever a História, consiste na destruição de tudo quanto possa questionar as mentiras que apregoam. Até agora, quem fosse a Peniche desarmado do conhecimento do que foi aquele antro de tortura e sofrimento para quantos ousaram combater o fascismo, podia convencer-se de que nada de grave por lá havia acontecido, tal o desprezo a que tem estado votado o espaço.
A conquista da Câmara Municipal de Peniche pela CDU vai, estou certo, inverter esta situação. Porque um povo sem memória não tem futuro, os comunistas e seus aliados vão seguramente transformar o Forte num monumento digno, onde possamos ir rever o que foi o fascismo, assim revigorando forças para o grito que cada vez mais se justifica: 25 de Abril, sempre! Fascismo nunca mais! "
Afinal, parece que me enganei. Vi agora o actual presidente de câmara, um independente eleito pela CDU, justificar a transformação da prisão de Peniche num empreendimento hoteleiro do grupo Pestana. Se a moda pega e os grupos empresariais - como se diz agora para esconder o que foram antes do 25 de Abril - se entusiasmam, ainda teremos o Tarrafal transformado num moderno SPA. E os campos de concentração em campos de golfe.
Claro que com espaço resídual para a memória. Afinal, os capitalistas justificam sempre as maiores atrocidades com as intenções mais benévolas.

Contra o capitalismo!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mudar as Prisões



Nas prisões portuguesas – assumo o risco da generalização – ainda não se fez sentir o 25 de Abril de 1974.
Sou, convictamente, contra as penas cruéis e degradantes. Por isso, combato o sistema prisional iníquo que possuímos.
Segundo a lei, a pena de prisão visa fundamentalmente recuperar o delinquente. Contudo, todos sabemos que o sistema prisional não só não recupera como avilta o ser humano que cumpre pena de prisão. Achincalha-o, menoriza-o e fornece-lhe os condimentos necessários para se doutorar em crime.

Se existisse vontade política, seria ordenada a necessária auditoria e fiscalização do universo carcerário e, nomeadamente, investigadas as admissões de pessoal, as aquisições de serviços e o respectivo funcionamento. As prisões são um mundo à parte: frio, cruel, desigual. Não é por acaso que, a exemplo do que sucede nos EUA, as celas estão pejadas de pobres e negros.

O trabalho devia ser obrigatório para todos os reclusos. Se em cada cadeia existisse a possibilidade de formação profissional, estou certo de que a taxa de reincidência seria muito inferior. Por outro lado, a privação de liberdade é a pena a que os reclusos foram condenados e é absurdo que cada guarda entenda poder aplicar e aplique, penas acessórias de forma prepotente e discricionária. É como se cada recluso o fosse duas vezes: do Estado de Direito e do sistema iníquo que o mantém.

Se quisermos ser coerentes com a natureza da prisão preventiva e com a condição de presumíveis inocentes que caracteriza os arguidos nessas condições, não podemos continuar a misturá-los com delinquentes já condenados.

Tanta coisa por fazer e o mais que temos é um agrupamento de interesses no governo e um primeiro-ministro que não consegue o esforço de ficar um dia sem mentir.




terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sobre (in)segurança

O problema da insegurança em Portugal tem sido discutido por quem se limita ao trivial. Os especialistas na matéria, os que estudam com denodo o problema, são ignorados, não vá dar-se o caso de apontarem responsabilidades aos que agoram choram tanta criminalidade.

O PSD que terminou com o policiamento de proximidade, para criar as ineficazes super-esquadras, pretende colher votos com a demagogia sobre o sangue derramado. Como se não tivesse dominado o País durante tantos anos. O CDS, só vê crimes e bandidos nos bairros pobres e quer pejá-los de câmaras para filmar tudo. O ps, tão responsável quanto o PSD por esta bandalheira, acordou agora para as operações das polícias feitas à dúzia, sem critério e incidindo também apenas sobre bairros e gente humilde.

Que fizeram até aqui? Nada! Aliás, basta estudar um pouco para se constatar que esta gente não sabe nada de segurança. Já em 2002, descobri que emigrantes compravam - sim, compravam!!! - vistos numa embaixada portuguesa. Da mesma rede faziam parte falsificadores de documentos, traficantes de escravos, mafiosos da droga.

Toda a gente sabe que chegam criminosos a Portugal, diariamente e com destino certo. Todos conhecem os locais onde impunemente mulheres são traficadas para favorecer o enriquecimento de canalhas.

E nem assim se faz seja o que for para, decisivamente, se atacar a criminalidade. Porque? Porque a quem detém o poder interessa este estado de coisas. Que um influente político socialista presida a uma associação de trabalho temporário - liga esclavagista por natureza - é a melhor demonstração que podemos apontar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

As comissões de inquérito

Quem tiver assistido hoje à transmissão da actividade parlamentar, há-de ter ficado esclarecido sobre a natureza, objectivos e funcionamento das comissões parlamentares de inquérito. As ditas só deliberam o que a maioria entende e hoje percebeu-se que o ps impôs, na investigação das entidades que supervisionam a actividade bancária, a sua versão dos acontecimentos-

Segundo o deputado Louçã, o BCP, aliás, administradores do BCP, cometeram o maior assalto do século a uma instituição bancária, com a complacência das autoridades de supervisão, nomeadamente a CMVM.

O deputado comunista Honório Novo colocou a questão central: os que assim agiram criminosamente, se fossem punidos, não obstante terem obtido de forma ilícita milhões de euros, sofreriam uma pena bastante inferior aos meliantes que têm furtado apenas valores na ordem dos mil ou dois mil euros.

Perante todas estas denúncias, graves e fundamentadas, o governo calou-se conivente. Que pouca vergonha!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Honrado?

Chama-se Alexandre Honrado e surpreendi-o há pouco, no Rádio Clube Português, a afirmar, sem pinga de vergonha, que os congressos do PCP decorrem à porta fechada. Dita esta falsidade, o senhor que ao que consta escreve para crianças - coitadas !... - permitiu-se aprofundar o embuste com umas graçolas que me fizeram recordar José Gil, referindo-se aos burgessos:

"O riso obtido, explorando a esperteza estúpida dos outros, revela um traço típico do burgesso português: é que, para ele, há sempre um burgesso mais burgesso do que ele. "

Apesar de tudo, confiei que o senhor faria justiça ao nome que ostenta e enviei-lhe uma mensagem, para que ainda pudesse corrigir a mentira durante o programa. Como é evidente, Alexandre ignorou o meu esclarecimento. O que mostra com suficiente clareza que o senhor pode ser o que quiser. Honrado, não!


A verdade é bem diferente: o congresso tem várias sessões e apenas uma é reservada aos delegados. Todas as outras têm imensa assistência que segue com entusiasmo o decurso do congresso. Por outro lado, não há em Portugal qualquer organização, e não estou a referir-me apenas às partidárias, que tenha um funcionamento tão democrático e tão participado.

Desde a adolescência que participo em organizações diversas e nunca encontrei tanta facilidade para exprimir de forma livre o que penso. E também nunca senti que me escutavam, quer dizer, que respeitavam o meu direito de expressão, como no PCP.

E surgem estes fulanos que, sem saberem rigorosamente nada sobre a nossa forma de funcionamento, se permitem criar uma caricatura do que somos para poderem despejar o fel que lhes rói as entranhas.


A banca é uma ladra!

Portugal está a saque: os bancos nunca ganharam tanto dinheiro na vida e apuraram o seu faro criminoso. Milhares de famílias são despejadas de suas casas por não poderem pagar as prestações, ante a indiferença de Sócrates e companhia. Muitas vezes me pergunto: como reagir perante tanto desespero?

Imagino um trabalhador sem salário e sem casa, sem dinheiro para alimentar a respectiva família . Que deve fazer? Lutar, sem dúvida. Mas olhemos a questão pelo seu lado prático: que fazer para garantir entretanto a subsistência? Pedir esmola?

Na generalidade, os trabalhadores cumprem as suas obrigações laborais. Mas estão sempre dependentes do que o mercado e os canalhas que nele enriquecem determinam. Por isso, acho que não esmolaria. Mais facilmente assaltaria um banco. Ou uma carrinha de valores. Afinal, ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão...


domingo, 14 de setembro de 2008

Os diplomas de Sócrates

O aproveitamento escolar melhorou imenso, afirma Sócrates visivelmente agastado com as vozes contrárias. De facto, melhorou e basta analisar as notas atribuídas. Mas a que custo? A ordem explícita ou implícita (basta constatar que o sistema que determina a análise do desempenho dos docentes quantifica também a percentagem de alunos reprovados), foi clara: passa tudo e quem vier atrás que feche a porta!

O mesmo se passa com o RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) através do qual se pode obter, o 9º ou 12.º anos, sem sacrícfio nem necessidade de demonstrar aptidão para tal. Basta preencher os requisitos formais e aí estão, disponíveis como o vento, milhares de diplomas à "farinha amparo".

Quando os actos eleitorais do próximo ano convocarem, interessados, as estatísticas, sócrates que afinal carece de legitimidade para exigir sacrifícios por ter feito exame em casa, poderá acenar com os milhares de novos habilitados com um diploma. Sem fundo, como os cheques carecas. Mas um diploma.