quinta-feira, 18 de setembro de 2008

As comissões de inquérito

Quem tiver assistido hoje à transmissão da actividade parlamentar, há-de ter ficado esclarecido sobre a natureza, objectivos e funcionamento das comissões parlamentares de inquérito. As ditas só deliberam o que a maioria entende e hoje percebeu-se que o ps impôs, na investigação das entidades que supervisionam a actividade bancária, a sua versão dos acontecimentos-

Segundo o deputado Louçã, o BCP, aliás, administradores do BCP, cometeram o maior assalto do século a uma instituição bancária, com a complacência das autoridades de supervisão, nomeadamente a CMVM.

O deputado comunista Honório Novo colocou a questão central: os que assim agiram criminosamente, se fossem punidos, não obstante terem obtido de forma ilícita milhões de euros, sofreriam uma pena bastante inferior aos meliantes que têm furtado apenas valores na ordem dos mil ou dois mil euros.

Perante todas estas denúncias, graves e fundamentadas, o governo calou-se conivente. Que pouca vergonha!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Honrado?

Chama-se Alexandre Honrado e surpreendi-o há pouco, no Rádio Clube Português, a afirmar, sem pinga de vergonha, que os congressos do PCP decorrem à porta fechada. Dita esta falsidade, o senhor que ao que consta escreve para crianças - coitadas !... - permitiu-se aprofundar o embuste com umas graçolas que me fizeram recordar José Gil, referindo-se aos burgessos:

"O riso obtido, explorando a esperteza estúpida dos outros, revela um traço típico do burgesso português: é que, para ele, há sempre um burgesso mais burgesso do que ele. "

Apesar de tudo, confiei que o senhor faria justiça ao nome que ostenta e enviei-lhe uma mensagem, para que ainda pudesse corrigir a mentira durante o programa. Como é evidente, Alexandre ignorou o meu esclarecimento. O que mostra com suficiente clareza que o senhor pode ser o que quiser. Honrado, não!


A verdade é bem diferente: o congresso tem várias sessões e apenas uma é reservada aos delegados. Todas as outras têm imensa assistência que segue com entusiasmo o decurso do congresso. Por outro lado, não há em Portugal qualquer organização, e não estou a referir-me apenas às partidárias, que tenha um funcionamento tão democrático e tão participado.

Desde a adolescência que participo em organizações diversas e nunca encontrei tanta facilidade para exprimir de forma livre o que penso. E também nunca senti que me escutavam, quer dizer, que respeitavam o meu direito de expressão, como no PCP.

E surgem estes fulanos que, sem saberem rigorosamente nada sobre a nossa forma de funcionamento, se permitem criar uma caricatura do que somos para poderem despejar o fel que lhes rói as entranhas.


A banca é uma ladra!

Portugal está a saque: os bancos nunca ganharam tanto dinheiro na vida e apuraram o seu faro criminoso. Milhares de famílias são despejadas de suas casas por não poderem pagar as prestações, ante a indiferença de Sócrates e companhia. Muitas vezes me pergunto: como reagir perante tanto desespero?

Imagino um trabalhador sem salário e sem casa, sem dinheiro para alimentar a respectiva família . Que deve fazer? Lutar, sem dúvida. Mas olhemos a questão pelo seu lado prático: que fazer para garantir entretanto a subsistência? Pedir esmola?

Na generalidade, os trabalhadores cumprem as suas obrigações laborais. Mas estão sempre dependentes do que o mercado e os canalhas que nele enriquecem determinam. Por isso, acho que não esmolaria. Mais facilmente assaltaria um banco. Ou uma carrinha de valores. Afinal, ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão...


domingo, 14 de setembro de 2008

Os diplomas de Sócrates

O aproveitamento escolar melhorou imenso, afirma Sócrates visivelmente agastado com as vozes contrárias. De facto, melhorou e basta analisar as notas atribuídas. Mas a que custo? A ordem explícita ou implícita (basta constatar que o sistema que determina a análise do desempenho dos docentes quantifica também a percentagem de alunos reprovados), foi clara: passa tudo e quem vier atrás que feche a porta!

O mesmo se passa com o RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) através do qual se pode obter, o 9º ou 12.º anos, sem sacrícfio nem necessidade de demonstrar aptidão para tal. Basta preencher os requisitos formais e aí estão, disponíveis como o vento, milhares de diplomas à "farinha amparo".

Quando os actos eleitorais do próximo ano convocarem, interessados, as estatísticas, sócrates que afinal carece de legitimidade para exigir sacrifícios por ter feito exame em casa, poderá acenar com os milhares de novos habilitados com um diploma. Sem fundo, como os cheques carecas. Mas um diploma.

sábado, 13 de setembro de 2008

Bush nazi!

Bush não engole a vitória de Evo Morales na Bolívia. E a exemplo do que fizeram assassinos como ele, em 1973, no Chile, procura bombardear o governo legitimamente eleito, financiando assassinos e bombistas, cuja missão fundamental é destabilizar o país.
Assim se constata a profundidade da sua natureza democrática. Bush é um nazi, como há meses assinalou a grande pianista Maria João Pires. E a senhora que se candidata a futura vice-presidente dos EUA não lhe fica atrás e prevê mesmo, sem sequer ter sido eleita, a possibilidade de declarar guerra à Rússia. A coisa promete.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mentirosos e cobardes

Como sucedeu no início do processo Casa Pia, os que reproduzem a voz do dono retomaram a tese da cabala contra o ps, a propósito de uma decisão judicial favorável a Paulo Pedroso. Decisão que nem sequer transitou em julgado, a não ser que vá parar à 3ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa.

A verdade é que, quando foram ouvidos no DIAP, nem Ferro Rodrigues nem Paulo Pedroso conseguiram concretizar de quem teria partido tal urdidura ou conspiração. E não o conseguiram por saberem bem que seria impossível tal cabala.

Como bem salientou o Ministério Publico, tal pressuporia a existência de uma organização que violasse crianças e as induzisse a mentir sobre os autores de tais crimes; por outro lado, teria que corromper polícias, magistrados e um conjunto alargado de cidadãos, tudo com o fito de "decapitar a liderança política" então existente no ps.

Não podendo manter essa teoria absurda, cedo os que pagam as vozes do dono começaram a caluniar e perseguir os que se posicionaram de forma consequente ao lado das vítimas. Um dos alvos principais foi o corajoso e honrado juiz Rui Teixeira.

Atacam-no, cobardemente, por saberem que não se pode defender. Um dos sujeitos mais activos nessa conduta repugnante é um tal Daniel Oliveira, devidamente assessorado por Louçã e Fernando Rosas. A motivação do BE para trair as vitimas dos pedófilos há-de, a seu tempo, ser assinalada.

Analisemos agora outra mentira propalada por Paulo Pedroso contra Rui Teixeira: segundo o ex-arguido no processo, o magistrado teria ido prendê-lo à Assembleia da República acompanhado por uma equipa de televisão. Essa acusação foi agora repetida por Eduardo Sá, psicólogo que com Isabel Stilwel mantém um programa na Antena 1. Para o psicólogo o erro mais grosseiro do magistrado foi mesmo esse.

Ora essa é mais uma mentira que só classifica quem a criou. Eu estava na cadeia de televisão que foi à AR. E sei bem quem chamou a jornalista. O anúncio de que o senhor magistrado se deslocaria a São Bento partiu do próprio parlamento. E visou apenas, no contexto da acesa disputa entre canais de televisão, dar a primazia à SIC.

Por aqui se vê com que cimento se forjou o "erro grosseiro" que tanto alimento tem dado aos sofistas de serviço. E ainda há quem fale mal apenas da Camorra.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Aos meus amigos

A sujeição a uma intervenção cirúrgica só hoje me permitiu reatar o contacto convosco através do blog. A assinalar o tempo que vivemos, o exercício diário da mentira, por opinadores bem pagos e com a consistência viscosa da trampa que produzem.
A propósito da decisão que premiou Pedroso, Ana Gomes e um tal Daniel Oliveira, bolsaram falsidades. Sabem, cobardolas, que a mentira compensa, porque como o país foi tomado de assalto por Sócrates e companhia, está vedado o exercício do contraditório. Ana Gomes, que em Portugal assumiu a defesa dos indonésios, afirmou saber que "canalhas" manipularam as vítimas dos pedófilos, assim alimentando a teoria da cabala. O que posso garantir à desbocada senhora é que a verdade é bem diferente. Os canalhas existem de facto, mas a ocupação a que se dedicam é denegrir a investigação e ofender as vítimas. Quando a senhora quiser, posso provar o que digo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A CORJA - parte 2

A propósito de um texto que aqui publiquei, os queques-rosa, açulados por um jumento anónimo, como convém aos cobardolas, guincharam impropérios e ofensas várias na pobre caixa de comentários. A verdade dói. Mas não há ameaças que me impeçam de escrever o que penso. Poderia, para ilustar as malfeitorias do putativo engenheiro Sócrates, recorrer a centenas de documentos do PCP. Mas prefiro socorrer-me de

Excertos de um artigo de Garcia Pereira, publicado no Semanário de 12 de Junho de 2008


"Na verdade, e à boa maneira de todos os ditadores ao serviço de grandes interesses económico-financeiros, não há dia que passe em que Sócrates não tome mais uma medida contra os mais fracos e os mais pobres e em favor dos mais ricos e mais poderosos.


Como não há dia que passe em que - aconselhado por uma multidão de assessores de imagem, protegido por um núcleo crescente de seguranças, amparado por figurantes contratados e pagos ao dia ou por quadros do Partido Socialista "requisitados" para essa "nobre" missão de bater palmas ao chefe, e publicitado por uma imprensa de onde já há muito foi convenientemente varrido o jornalismo sério e independente e onde, portanto, não há lugar a perguntas incómodas ou a investigação digna desse nome - não venha pregar que vivemos melhor do que nunca, que os portugueses estão felizes, e que os nossos índices de qualidade de vida não cessam de subir.


O Governo PS, do mesmo modo que - unicamente para assim "poupar dinheiro" -, põe a Segurança Social a negar a reforma a trabalhadores a cair de mortos ou altera a lei para restringir, como efectivamente restringiu, o acesso ao subsídio de desemprego, permite que a dívida dos patrões à Segurança Social só no último ano tivesse aumentado cerca de 900 milhões de euros.

Mas Sócrates não se impressiona...


E entretanto, pela Lei 53-A/06, de 29 de Dezembro desse ano, o PS alterou à surrelfa e em defesa dos patrões o dito regime legal, passando agora este a estabelecer que empregador que embolsa em proveito próprio o dinheiro descontado a título de Taxa Social Única no vencimento dos seus trabalhadores só praticará o crime de abuso de confiança se já tiverem passado mais de 90 dias sobre a data do pagamento, se a Segurança Social tiver instaurado execução, se esta tiver notificado o mesmo patrão para pagar no prazo de 30 dias e se este não o tiver feito dentro desse prazo! Tudo razões por que se o patrão prevaricador tiver "bons amigos" na dita Segurança Social que nunca instaurem tais execuções, bem pode meter ao bolso dinheiro que não é dele que nunca será julgado por nenhum crime!?


Isto, enquanto o mesmo Governo de Sócrates, para pagar menos aos mais necessitados, criou uma base de cálculo (o chamado IAS - "Indexante de Apoios Sociais") de valor bem menor (407,01 euros) do que o já miserável salário mínimo nacional (que, como se sabe, é de 426,00 euros para o mesmo ano de 2008).

Mas Sócrates não se impressiona...


Tendo alterado, também no final de 2006, as regras de acesso ao subsídio de desemprego e ao subsídio social de desemprego, Sócrates fez com que um número cada vez menor de trabalhadores tenha hoje acesso a essas prestações sociais (de Julho de 2007 para Maio de 2008 esse número desceu de 263.278,00 euros para 254,135,00, cobrindo agora apenas 59,52% dos desempregados oficiais (427 mil) e 44,36% da totalidade dos desempregados (ou seja, incluindo os 70 400 de "inactivos disponíveis" e os 75 500 de "subemprego invisível", num total de 572 900).


E, mais do que isso, fazendo com que cada vez um maior número de trabalhadores desempregados - porque muitos e muitos deles precários e com contratos de curta duração - não consiga ter o tempo mínimo de contribuições para aceder ao subsídio de desemprego (450 dias nos dois últimos anos) e deste modo tenha apenas acesso ao Subsídio Social, de valor mais baixo.


Com o Governo de Sócrates - o tal que todos os dias nos entra pela casa dentro a repetir à exaustão que "estamos no bom caminho"... - o número dos contratos a termo aumentou drasticamente (entre o 1.º trimestre de 2005 e o 1.º trimestre de 2008 em cerca de 155 mil), enquanto o número dos contratos de natureza permanente, no mesmo período, baixou de 22,6%!

Mas Sócrates não se deixa impressionar...


Desde 2000 até agora, e de forma muito particular entre 2005 e 2008, o peso dos salários no PIB Português baixou sempre, sendo que agora é de apenas 49,3% do total.

E o último Relatório da Comissão Europeia refere mesmo que em Portugal 9% da população (sobre)vive com menos de 10 euros por dia (enquanto a média europeia é de apenas 5%)!

A miséria social e a pobreza - que atingem mais de 2 milhões e 200 mil cidadãos - alcançou já e de forma crescente mesmo as pessoas com empregos e correspondentes salários, só que tão baixos que mesmo esses não dão para satisfazer as necessidades mais básicas.
Mas Sócrates continua a não se impressiona
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