sábado, 19 de janeiro de 2008

Que vergonha!!!!

Quanto mais tempo se arrastar o processo Casa Pia, mais se alargará a prestativa amnésia de algumas testemunhas. Teresa Costa Macedo abriu o desfile. Depois de me garantir, e a outras pessoas, ter visto o arguido Carlos Cruz nas fotos apreendidas em casa de Jorge Ritto, bem como um estrangeiro - conhecido mafioso amigo de Mário Soares - foi a tribunal mostrar-se esquecida e cobarde.
Agora a cena repetiu-se com uma antiga educadora. E se mais arrastarem o julgamento, mais "surpresas" surgirão e não duvido que consigam provar que foram as vítimas que abusaram dos arguidos.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Indemnização?


Acabo de escutar, numa rádio, que o bandido pretende pedir uma indemnização ao Estado português por ter estado ilegalmente detido.
O mundo enlouqueceu?????

Sócrates, o finório

José Sócrates é um espertalhão: depois de ontem ter ficado claro que mentiu aos portugueses quando garantiu referendar o novo Tratado Europeu, hoje arranjou forma de colocar um manto pesado sobre o assunto. E nada melhor do que tirar da sacola da banha-de-cobra, a decisão do novo aeroporto. Assim pensará o putativo engenheiro calar a indignação reinante.

À mesa do almoço, todos concordavam: o homem é inteligente. Assim não se fala do que não lhe interessa. Cala-se a iniquidade dos aumentos miseráveis das pensões de reforma e a mais recente embrulhada de Alberto Costa, que anuiu vender ao próprio sócio – António Lamego – um imóvel do Estado, por um preço inferior ao que o Ministério da Justiça suportou quando o adquiriu.

Cala-se a monstruosidade do ministro Correia de Campos, dilecto apoiante de Paulo Pedroso, que não descansará enquanto não destruir o Serviço Nacional de Saúde. E a destruição do regime de acesso à Justiça para as pessoas de menores rendimentos, o que, associado ao monstruoso aumentos das taxas e custas judiciais, significa na prática a impossibilidade de recurso aos tribunais para milhares de portugueses.
Silencia-se o drama de mais de 150 mil famílias que ficaram sem casa por não poderem pagar as prestações mensais dos empréstimos, enquanto os bancos engordam com lucros fabulosos.
Isto ainda não é Chicago? Talvez não. Mas talvez o próprio Al Capone se sentisse mal com tanta baixeza.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Uribe, o bonifrate

Na Colômbia, Uribe - vassalo dos EUA - impediu que as FARC libertassem três pessoas. Familiares dos detidos e o realizador Oliver Norton denunciaram a estratégia militarista e carniceira do presidente colombiano, que impediu um gesto humanitário arduamente preparado pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Por cá, os que ufanos glosaram o "por que não te calas?" do rei espanhol, calaram agora a evidência: o problema da Colômbia não tem solução porque as redes de narcotráfico não querem. Sem o apoio dos EUA e dos mercenários ao seu serviço, o títere Uribe não resistiria um segundo à luta do povo colombiano pela liberdade e democracia substanciais.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Que Natal?


Nem sei se vale a pena reflectir sobre a evidência: já não há Natal! Tudo não passa de um pretexto – mais um – para o consumismo desenfreado. Gasta-se, em produtos desnecessários, quantias obscenas. Sem olharmos para o lado, não vá o rosto famélico do ser humano, que tanto invocamos em palavras, interpelar-nos as consciências.


A verdade é dura: o desemprego aumenta e a tendência é para que se agrave o martírio. O poder de compra desce para níveis que nos colocam entre os últimos da União Europeia. E, cimeira após cimeira, ao longo do percurso do embuste laboriosamente urdido, somos conduzidos à destruição total da nossa soberania.


O nosso povo tem escolas e hospitais degradantes. Pensões de miséria. O preço dos bens culturais é elevadíssimo. As nossas crianças são negligenciadas, maltratadas, violadas, assassinadas. As “elites” que nos têm desgovernado desde 1975, além de pés de barro são incompetentes, corruptas e ávidas de poder.


A dignidade tem o valor do dinheiro. Tudo se faz por interesse. Queres ganhar um telemóvel ou um carro? Faz o que te mandam e não estrebuches. Vives numa democracia, pá, e entre as plásticas da Lili Caneças e os arrotos boçais de cómicos deprimentes, tens que encontrar a via-sacra da sobrevivência. Cada vez mais precária e mais submissa. Ah, mas podes protestar, desde que o faças a horas certas e de modo politicamente correcto. Porque até o teu protesto já domaram.


Agora, a melhor prenda de Natal do Sócrates e Vieira da Silva: um pacote que vai facilitar os despedimentos.


Olho o mundo e com pouquíssimas excepções, o que vejo é aterrador: por todo o lado o capitalismo provoca miséria e morte. Milhões de seres humanos sacrificados para que enriqueçam os bandalhos.


De modo que para mim não há Natal. Nem festa. E tudo se resumirá ao necessário para não cercear às crianças o direito à imaginação.


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Insolente Sócrates

Acabo de ouvir o senhor José Sócrates na Assembleia da República. Interpelado por Jerónimo de Sousa sobre a dramática situação na educação especial, que afecta crianças deficientes de todo o país, o ainda primeiro-ministro recorreu ao blá-blá do costume para arrancar aplausos boçais aos seus apaniguados.


Diga-se o que se disser, o poder responde sempre o mesmo. Nada interessa: o desprezo é uma conquista do nosso sistema democrático. Jogado à cara dos eleitores incautos, reiteradas vezes. Até quando?


Na turma do meu filho, no ano passado, um menino surdo esteve meses sem o acompanhamento que a lei estipula. Situação que aliás é comum à generalidade das escolas. Meses em que foi criminosamente privado de escola. E este Sócrates é um insolente tão insensível que se limita a responder com demagogia aos problemas apresentados. Que vergonha.

Parabéns, Inspector Dias André

Segundo o Correio da Manhã de hoje, "O Tribunal da Relação de Lisboa aumentou de cinco mil para 25 mil euros o valor da indemnização por danos morais a pagar por Raquel Cruz a Dias André, antigo inspector-chefe da Polícia Judiciária que investigou o processo Casa Pia."

Só quem passou pelas contínuas difamações orquestradas por Raquel Cruz, pode avaliar os danos que causou. Parabéns, pois, senhor inspector. E obrigado por ter protegido as vítimas dos pedófilos, contra tudo e contra todos.

Portugal seria bem melhor se existissem mais pessoas como o senhor

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

E, por cá, não se podia fazer uma campanha semelhante?

Os muros

"Um dia destes, a propósito dos gastos dos partidos nas campanhas eleitorais, um politólogo especializado na matéria, chamado a opinar, opinou que as campanhas eleitorais partidárias eram desnecessárias, já que, explicava, a intervenção da comunicação social nas campanhas era suficiente para fazer chegar aos eleitores as propostas dos vários partidos concorrentes.

Nessas circunstâncias, acrescentava, os cidadãos, para darem consciente destino ao seu voto, não precisavam de cartazes, nem de panos dependurados nas árvores, nem de comícios, nem de debates, nem de sessões de esclarecimento, nem de nada dessas coisa que tanto dinheiro custam.

Presumindo que o dito politólogo não estava a brincar, só nos resta... levá-lo a sério – sobretudo no que respeita ao conceito de democracia eleitoral implícito na sua opinação. Sabe, certamente, o politólogo – não pode deixar de saber – que a comunicação social dominante que dá guarida às opiniões por ele emitidas não tem igual abertura para opiniões que das suas discordem ou se lhes oponham.


Sabe, igualmente – não pode deixar de saber – como essa comunicação social distribui o seu tempo e o seu espaço pelos partidos políticos nacionais – e não apenas em período de campanha eleitoral, mas todos os dias de todas as semanas, de todos os meses, de todos os anos. Sabe, ainda – não pode deixar de saber – o porquê dessa prática por parte de todos os média propriedade do grande capital – que são a quase totalidade dos existentes.


Ora, sabendo tudo isto e opinando como opina, é óbvio que ao seu conceito de eleições democráticas falta, precisamente, o conteúdo democrático. Bem tramados estávamos, nós, comunistas, se seguíssemos a opinação dele; se não recorrêssemos à militância partidária para fazer chegar as nossas propostas ao eleitorado, procurando ultrapassar e derrubar os muros espessos que a comunicação social dominante ergue entre nós e o eleitorado – muros que são feitos não apenas do silenciamento dessas propostas, mas, pior do que isso, da sua deturpação e falsificação. Muros que, todos os dias, roubam democracia à democracia."

José Casanova, no "Avante!"

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A luta alastra

Petição pelas crianças vítimas de abuso sexual

2007/12/05 | 17:18 || Patrícia Pires

Corre uma petição na internet em prol das «Crianças Vítimas de Abusos Sexuais». A mensagem é dirigida ao Presidente da República e deixa um apelo a Cavaco Silva para que faça uma intervenção na Assembleia da República sobre os direitos das crianças. O ex-casapiano Pedro Namora é um dos signatários da petição e foi contactado pela professora Maria Clara Sottomayor, que teve a ideia.

Em pouco tempo foi escrita a missiva e colocada na internet para a recolha de assinaturas. «Queríamos, no mínimo, recolher quatro mil assinaturas» explica ao PortugalDiário Pedro Namora. Cavaco Silva já expressou publicamente a sua preocupação sobre as situações de abuso sexual a crianças e perante as suas palavras muitos acreditam que pode ser um aliado na luta contra a pedofilia.

O presidente da República pode ser uma nova voz de alerta e quando achar que é «o momento oportuno pode dirigir uma mensagem à Assembleia da República em defesa dos direitos das crianças».

Os criadores da petição ainda não sabem como vão fazer chegar a missiva a Cavaco Silva, mas «talvez tentem pessoalmente», acrescenta o ex-casapiano Pedro Namora.


«Dever de protecção do Estado em relação às crianças»

Na carta escrita ao Presidente da República pode ler-se: «Indo ao encontro das preocupações reveladas por V. Exa. relativamente às investigações em curso sobre crimes de abuso sexual de crianças a viver em instituições (...) vimos requerer a intervenção de V. Exa, através de uma mensagem à AR, ao abrigo do art. 133.º, al. d) da CRP, para a concretização» de vários objectivos.

Entre os objectivos destacam-se, por exemplo, «a proibição de repetição dos exames, interrogatórios e perícias psicológicas», como vai acontecer às vítimas do processo Casa Pia. Ou ainda, garantir sempre o direito da criança à audição por videoconferência, sem estar «cara a cara» com o arguido.

Ou seja, além da mensagem de Cavaco Silva, o objectivo principal da petição é tentar criar «medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que realizem o dever de protecção do Estado em relação às crianças confiadas à guarda de instituições, assim como as que assegurem o respeito pelas necessidades especiais da criança».

A petição está acessível em vários blogues: Vale a pena Lutar; Comadres, Compadres e Companhia e ainda Portugal Profundo.

Até esta quarta-feira já foram recolhidas 1.300 assinaturas.