José Sócrates é um espertalhão: depois de ontem ter ficado claro que mentiu aos portugueses quando garantiu referendar o novo Tratado Europeu, hoje arranjou forma de colocar um manto pesado sobre o assunto. E nada melhor do que tirar da sacola da banha-de-cobra, a decisão do novo aeroporto. Assim pensará o putativo engenheiro calar a indignação reinante. À mesa do almoço, todos concordavam: o homem é inteligente. Assim não se fala do que não lhe interessa. Cala-se a iniquidade dos aumentos miseráveis das pensões de reforma e a mais recente embrulhada de Alberto Costa, que anuiu vender ao próprio sócio – António Lamego – um imóvel do Estado, por um preço inferior ao que o Ministério da Justiça suportou quando o adquiriu.
Cala-se a monstruosidade do ministro Correia de Campos, dilecto apoiante de Paulo Pedroso, que não descansará enquanto não destruir o Serviço Nacional de Saúde. E a destruição do regime de acesso à Justiça para as pessoas de menores rendimentos, o que, associado ao monstruoso aumentos das taxas e custas judiciais, significa na prática a impossibilidade de recurso aos tribunais para milhares de portugueses.



