domingo, 23 de dezembro de 2007

Que Natal?


Nem sei se vale a pena reflectir sobre a evidência: já não há Natal! Tudo não passa de um pretexto – mais um – para o consumismo desenfreado. Gasta-se, em produtos desnecessários, quantias obscenas. Sem olharmos para o lado, não vá o rosto famélico do ser humano, que tanto invocamos em palavras, interpelar-nos as consciências.


A verdade é dura: o desemprego aumenta e a tendência é para que se agrave o martírio. O poder de compra desce para níveis que nos colocam entre os últimos da União Europeia. E, cimeira após cimeira, ao longo do percurso do embuste laboriosamente urdido, somos conduzidos à destruição total da nossa soberania.


O nosso povo tem escolas e hospitais degradantes. Pensões de miséria. O preço dos bens culturais é elevadíssimo. As nossas crianças são negligenciadas, maltratadas, violadas, assassinadas. As “elites” que nos têm desgovernado desde 1975, além de pés de barro são incompetentes, corruptas e ávidas de poder.


A dignidade tem o valor do dinheiro. Tudo se faz por interesse. Queres ganhar um telemóvel ou um carro? Faz o que te mandam e não estrebuches. Vives numa democracia, pá, e entre as plásticas da Lili Caneças e os arrotos boçais de cómicos deprimentes, tens que encontrar a via-sacra da sobrevivência. Cada vez mais precária e mais submissa. Ah, mas podes protestar, desde que o faças a horas certas e de modo politicamente correcto. Porque até o teu protesto já domaram.


Agora, a melhor prenda de Natal do Sócrates e Vieira da Silva: um pacote que vai facilitar os despedimentos.


Olho o mundo e com pouquíssimas excepções, o que vejo é aterrador: por todo o lado o capitalismo provoca miséria e morte. Milhões de seres humanos sacrificados para que enriqueçam os bandalhos.


De modo que para mim não há Natal. Nem festa. E tudo se resumirá ao necessário para não cercear às crianças o direito à imaginação.


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Insolente Sócrates

Acabo de ouvir o senhor José Sócrates na Assembleia da República. Interpelado por Jerónimo de Sousa sobre a dramática situação na educação especial, que afecta crianças deficientes de todo o país, o ainda primeiro-ministro recorreu ao blá-blá do costume para arrancar aplausos boçais aos seus apaniguados.


Diga-se o que se disser, o poder responde sempre o mesmo. Nada interessa: o desprezo é uma conquista do nosso sistema democrático. Jogado à cara dos eleitores incautos, reiteradas vezes. Até quando?


Na turma do meu filho, no ano passado, um menino surdo esteve meses sem o acompanhamento que a lei estipula. Situação que aliás é comum à generalidade das escolas. Meses em que foi criminosamente privado de escola. E este Sócrates é um insolente tão insensível que se limita a responder com demagogia aos problemas apresentados. Que vergonha.

Parabéns, Inspector Dias André

Segundo o Correio da Manhã de hoje, "O Tribunal da Relação de Lisboa aumentou de cinco mil para 25 mil euros o valor da indemnização por danos morais a pagar por Raquel Cruz a Dias André, antigo inspector-chefe da Polícia Judiciária que investigou o processo Casa Pia."

Só quem passou pelas contínuas difamações orquestradas por Raquel Cruz, pode avaliar os danos que causou. Parabéns, pois, senhor inspector. E obrigado por ter protegido as vítimas dos pedófilos, contra tudo e contra todos.

Portugal seria bem melhor se existissem mais pessoas como o senhor

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

E, por cá, não se podia fazer uma campanha semelhante?

Os muros

"Um dia destes, a propósito dos gastos dos partidos nas campanhas eleitorais, um politólogo especializado na matéria, chamado a opinar, opinou que as campanhas eleitorais partidárias eram desnecessárias, já que, explicava, a intervenção da comunicação social nas campanhas era suficiente para fazer chegar aos eleitores as propostas dos vários partidos concorrentes.

Nessas circunstâncias, acrescentava, os cidadãos, para darem consciente destino ao seu voto, não precisavam de cartazes, nem de panos dependurados nas árvores, nem de comícios, nem de debates, nem de sessões de esclarecimento, nem de nada dessas coisa que tanto dinheiro custam.

Presumindo que o dito politólogo não estava a brincar, só nos resta... levá-lo a sério – sobretudo no que respeita ao conceito de democracia eleitoral implícito na sua opinação. Sabe, certamente, o politólogo – não pode deixar de saber – que a comunicação social dominante que dá guarida às opiniões por ele emitidas não tem igual abertura para opiniões que das suas discordem ou se lhes oponham.


Sabe, igualmente – não pode deixar de saber – como essa comunicação social distribui o seu tempo e o seu espaço pelos partidos políticos nacionais – e não apenas em período de campanha eleitoral, mas todos os dias de todas as semanas, de todos os meses, de todos os anos. Sabe, ainda – não pode deixar de saber – o porquê dessa prática por parte de todos os média propriedade do grande capital – que são a quase totalidade dos existentes.


Ora, sabendo tudo isto e opinando como opina, é óbvio que ao seu conceito de eleições democráticas falta, precisamente, o conteúdo democrático. Bem tramados estávamos, nós, comunistas, se seguíssemos a opinação dele; se não recorrêssemos à militância partidária para fazer chegar as nossas propostas ao eleitorado, procurando ultrapassar e derrubar os muros espessos que a comunicação social dominante ergue entre nós e o eleitorado – muros que são feitos não apenas do silenciamento dessas propostas, mas, pior do que isso, da sua deturpação e falsificação. Muros que, todos os dias, roubam democracia à democracia."

José Casanova, no "Avante!"

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A luta alastra

Petição pelas crianças vítimas de abuso sexual

2007/12/05 | 17:18 || Patrícia Pires

Corre uma petição na internet em prol das «Crianças Vítimas de Abusos Sexuais». A mensagem é dirigida ao Presidente da República e deixa um apelo a Cavaco Silva para que faça uma intervenção na Assembleia da República sobre os direitos das crianças. O ex-casapiano Pedro Namora é um dos signatários da petição e foi contactado pela professora Maria Clara Sottomayor, que teve a ideia.

Em pouco tempo foi escrita a missiva e colocada na internet para a recolha de assinaturas. «Queríamos, no mínimo, recolher quatro mil assinaturas» explica ao PortugalDiário Pedro Namora. Cavaco Silva já expressou publicamente a sua preocupação sobre as situações de abuso sexual a crianças e perante as suas palavras muitos acreditam que pode ser um aliado na luta contra a pedofilia.

O presidente da República pode ser uma nova voz de alerta e quando achar que é «o momento oportuno pode dirigir uma mensagem à Assembleia da República em defesa dos direitos das crianças».

Os criadores da petição ainda não sabem como vão fazer chegar a missiva a Cavaco Silva, mas «talvez tentem pessoalmente», acrescenta o ex-casapiano Pedro Namora.


«Dever de protecção do Estado em relação às crianças»

Na carta escrita ao Presidente da República pode ler-se: «Indo ao encontro das preocupações reveladas por V. Exa. relativamente às investigações em curso sobre crimes de abuso sexual de crianças a viver em instituições (...) vimos requerer a intervenção de V. Exa, através de uma mensagem à AR, ao abrigo do art. 133.º, al. d) da CRP, para a concretização» de vários objectivos.

Entre os objectivos destacam-se, por exemplo, «a proibição de repetição dos exames, interrogatórios e perícias psicológicas», como vai acontecer às vítimas do processo Casa Pia. Ou ainda, garantir sempre o direito da criança à audição por videoconferência, sem estar «cara a cara» com o arguido.

Ou seja, além da mensagem de Cavaco Silva, o objectivo principal da petição é tentar criar «medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que realizem o dever de protecção do Estado em relação às crianças confiadas à guarda de instituições, assim como as que assegurem o respeito pelas necessidades especiais da criança».

A petição está acessível em vários blogues: Vale a pena Lutar; Comadres, Compadres e Companhia e ainda Portugal Profundo.

Até esta quarta-feira já foram recolhidas 1.300 assinaturas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Vale a pena lutar!



Quem não se sentir ofendido com a ofensa feita a outros homens, quem não sentir na face a queimadura da bofetada dada noutra face, seja qual for a sua cor, não é digno de ser homem.


José Martí

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço...

Silva Peneda está na Venezuela onde, em representação do Parlamento Europeu, fiscalizou o referendo ao projecto constitucional apresentado pelo presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Rafael Chávez Frías.

Escutado pelos "media" nacionais - que democraticamente ignoraram a posição dos cerca de 4,5 milhões de apoiantes do projecto - Peneda permitiu-se perorar sobre aquilo que, no seu democrático entendimento, caberia agora aos responsáveis venezuelanos fazer para entrarem no bom caminho. A saber: o capitalismo selvagem que até há bem pouco vigorou.

O senhor deputado há-de ter lido as determinações que a embaixada norte-americana sempre distribui aos seus súbditos nestas ocasiões, de molde a que reproduzam, sem equívocos, a "voz do dono". Mas anos de prática política - e que prática, senhores! - poderiam ter-lhe ensinado, pelo menos, a existência de países soberanos. Mesmo na América Latina, feudo tradicional dos USA.

E já agora, se não fosse pedir muito, poderia até ter-se calado. Afinal, sobra-lhe em arrogância o que lhe falta em legitimidade. É que na Europa, apesar de derrotado em referendo, o projecto constitucional federalista está de novo a ser imposto aos povos, sem discussão. E agora, ao que sabemos, sem referendo

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Obrigado

Julio Machado Vaz apoia a nossa luta: "

"Meu caro Dr. Pedro Namora,

Tenho a certeza que a partir do endereço que nos deixa, os visitantes irão - como eu fui... - ler e apreciar o texto a que se refere, pela importância de que se reveste - trata-se das nossas crianças.

Cordialmente, Júlio Machado Vaz."

Muito obrigado, senhor professor.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

PETIÇÃO


Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa
Prof. Aníbal Cavaco Silva
Palácio de Belém, Calçada da Ajuda, nº 11, 1349-022 Lisboa


Assunto: PETIÇÃO para estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que realizem o dever de protecção do Estado em relação às crianças confiadas à guarda de instituições, assim como as que assegurem o respeito pelas necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal.



Excelência,

No exercício do direito de petição previsto na Constituição da República Portuguesa, verificado o cumprimento dos pressupostos legais para o seu exercício, vêm os signatários abaixo assinados, por este meio, expor e peticionar a V. Exa. o seguinte:

Somos um conjunto de cidadãos e de cidadãs, conscientes de que o abuso sexual de crianças não afecta apenas as vítimas mas toda a sociedade, e de que “a neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. O silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado” (Elie Wiesel).

Estamos unido(a)s por um sentimento de profunda e radical indignação contra a pedofilia e abuso sexual de crianças, de acordo com a noção de criança do art. 1.º da Convenção dos Direitos da Criança, que define criança como todo o ser humano até aos 18 anos de idade, e partilhamos a convicção de que não há Estado de Direito, sem protecção eficaz dos cidadãos mais fracos e indefesos, nomeadamente, das crianças especialmente vulneráveis, a viver em instituições ou em famílias maltratantes.

Os direitos especiais das crianças são dotados da mesma força directa e imediata dos direitos e liberdades e garantias, previstos na Constituição da República Portuguesa, nos termos dos arts. 16.º, 17.º e 18.º da CRP e constituem uma concretização dos direitos à integridade pessoal e ao livre desenvolvimento, consagrados nos arts 25.º e 26.º da CRP, e do direito da criança à protecção do Estado e da sociedade (art. 69.º da CRP).


Indo ao encontro das preocupações reveladas por V. Exa. relativamente às investigações em curso sobre crimes de abuso sexual de crianças a viver em instituições, e também ao anterior apelo de Vossa Excelência para que não nos resignemos e que não nos deixemos vencer pelo desânimo ou pelo cepticismo face ao que desejamos para Portugal, sendo que é dever do Estado de fiscalizar a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e outras instituições de reconhecido interesse público (art. 63.º, n.º 5 da CRP) e de criar condições económicas, sociais, culturais e ambientais para garantir a protecção da infância, da juventude e da velhice (art. 64.º, n.º 2, al.d) da CRP), vimos requerer a intervenção de V. Exa, através de uma mensagem à AR, ao abrigo do art. 133.º, al. d) da CRP, para a concretização dos seguintes objectivos:

1) A criação de uma vontade política séria, firme e intransigente no combate ao crime organizado de tráfico de crianças para exploração sexual e na protecção das crianças confiadas à guarda do Estado;

2) O empenhamento do Estado, na defesa dos direitos das crianças em perigo e das crianças vítimas de crimes sexuais, em ordem a assegurar a protecção e a promoção dos seus direitos;

3) O estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que assegurem o respeito pela dignidade e necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal, que evitem a vitimização secundária e o adiamento desnecessário dos processos, e que consagrem um dever de respeito pelo sofrimento das vítimas, nos termos dos arts. 8.º e 9.º do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os direitos da criança, relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis, documento ratificado pelo Estado Português, nomeadamente:


a) Proibição de repetição dos exames, dos interrogatórios e das perícias psicológicas;

b) O direito da criança à audição por videoconferência, sem «cara a cara» com o arguido;

c) O direito da criança se fazer acompanhar por pessoa da sua confiança sempre que tiver que prestar declarações;

d) Formação psicológica e jurídica especializada da parte das pessoas que trabalham com as vítimas, de magistrados e de pessoas que exercem funções de direcção em instituições que acolhem crianças, assim como de funcionário(a)s das mesmas;

e) Assistência às vítimas e suas famílias, particularmente a promoção da segurança e protecção, recuperação psicológica e reinserção social das vítimas, de acordo com o art. 39.º da Convenção sobre os Direitos da Criança e o art 9.º, n.º 3 do Protocolo Facultativo à mesma Convenção relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis;

f) Uma política criminal que dê prioridade à investigação de crimes de abuso sexual de crianças e de recurso ao sexo pago com menores de 18 anos;

g) Proibição da aplicação de pena suspensa ou de medida de segurança em regime aberto ou semi-aberto (ou tutelar educativa, no caso de o abusador ter menos de 16 anos), a abusadores sexuais condenados;

h) A adopção de leis, medidas administrativas, políticas sociais e programas de sensibilização e de informação da população, nomeadamente das crianças, sobre a prevenção da ocorrência de crimes sexuais e sobre os seus efeitos prejudiciais, no desenvolvimento das vítimas;

4) Proibições efectivas da produção e difusão de material que faça publicidade às ofensas descritas no Protocolo Facultativo à Convenção dos Direitos da Criança.

Requeremos a Vossa Excelência, que num discurso solene, dirigido às crianças, as cidadãs mais importantes do nosso país, assuma, para com elas, estes compromissos, prestando uma manifestação de solidariedade para com o sofrimento das vítimas, pois como disse Albert Camus não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento”.
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Com os melhores cumprimentos,

Os signatários


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