sábado, 10 de novembro de 2007

Um agressor das vítimas

Quem tenha acompanhado com um mínimo de atenção o processo Casa Pia, conhece, pelo menos de nome, Jorge Van Krieken da Mota, o cobardola da foto que há mais de cinco anos se dedica a perseguir as vítimas dos pedófilos e a descredibilizar a investigação. Agora ataca escondido na zona de Portalegre, onde rodeado de galinhas se dedica à prestativa tarefa de difamar por encomenda.


Habitualmente actua sob disfarce, o que dificulta o reconhecimento da sua acção criminosa. Deixamos aqui esta foto rara, uma vez que o personagem é avesso a câmaras, vá-se lá saber porquê. Durante anos, este biltre produziu toneladas de lixo sob a forma de um blogue que sistematicamente difamou os investigadores, os magistrados, as vítimas, e os que persistiram na luta contra os pedófilos.


Inventou sempre as calúnias mais disparatadas e quando convidado a comparecer para provar as patranhas que difundiu, escondeu-se como as ratazanas, grunhindo impropérios. Sistematicamente, deu a entender que conhecia todo o processo e que possuía documentação que demonstrava a inocência dos arguidos cuja protecção assumiu.


Sucede, porém, que, quando chamado a tribunal, o impostor revelou a sua verdadeira natureza: como referiu o jornalista do Diário de Notícias, Carlos Rodrigues Lima, em 9 de Novembro de 2006, “Ao fim de dois dias de depoimento, e de acusações ao Ministério Público e à Polícia Judiciária de manipulação e ocultação de provas, o jornalista Jorge Van Krieken (um dos envolvidos no caso do Envelope 9) admitiu, ontem, não ter documentos que não constam do processo e que poderiam demonstrar a inocência dos arguidos, mas sim "informações". (…)

Foi já ao final da tarde que, após insistência de José António Barreiros, advogado das vítimas, Jorge Van Kriken acabou por dizer que apenas conhece o processo da Casa Pia "provavelmente até ao volume 70" e que não falou com jovens que apenas acusam Carlos Silvino. Retomando as acusações do jornalista sobre ocultação de provas e manipulações, Barreiros insistiu na junção ao processo das provas que sustentam a acusação do jornalista, até porque poderia estar em causa a inocência dos arguidos.·


Os restantes advogados subscreveram o "apelo". A juíza Ana Peres solicitou a Jorge Van Krieken documentos que não estivessem no processo, mas o jornalista afirmou que não tinha. Possuía apenas "informações". Um pouco irritada, Ana Peres perguntou a Van Krieken se tinha algum "interesse directo no processo". A resposta foi negativa. Ainda assim, a juíza deu um prazo de cinco dias para que o jornalista entregue ao tribunal documentos que detém.


Já durante a inquirição feita por José Maria Martins, advogado de Carlos Silvino (Bibi), Jorge Van Krieken revelou que, após a detenção de Carlos Cruz, Ferreira Diniz e Hugo Marçal (31 de Janeiro de 2003) teve uma "reunião" com os então directores da PJ, Paulo Rebelo e Artur Pereira. Segundo o testemunho prestado em tribunal, estes ter-lhe-ão dito: "A informação que recebi é que não tinham nada a ver com isso, não queriam saber e quase detestavam quem soubesse."


Um dos primeiros momentos de exaltação na sala de audiência surgiu quando o jornalista fez referência a um dos jovens do processo e a uma entrevista a um canal de televisão. Foi então que Carlos Silvino se exaltou e disse que era mentira. Afirmando ainda que Van Krieken era "pago por Carlos Cruz". "Isto está tudo combinado."

Por nós, tudo faremos, mal o consigamos encontrar, para que responda pelos crimes que tem cometido



sexta-feira, 9 de novembro de 2007

D. Hélder Câmara

"Quando dou comida aos pobres chamam-me santo! E quando pergunto por que não têm comida, chamam-me comunista."



quarta-feira, 7 de novembro de 2007

CONCORDO!

Sempre a Casa Pia

A ida de Pinto Monteiro ao Parlamento é mais um episódio sinistro do escândalo nacional chamado Casa Pia


O senhor procurador-geral da República vai amanhã ao Parlamento explicar aos senhores deputados se anda ou não a ser escutado e se os ruídos estranhos que ouve no seu telemóvel são provocados por deficiências de rede ou mãozinhas marotas que querem acompanhar de perto as suas actividades. Vai ser, com certeza, mais um dos muitos momentos hilariantes que a Casa da Democracia proporciona aos cidadãos deste sítio cada vez mais perigoso e cada vez mais mal frequentado.

O tema das escutas é recorrente. De quando em vez, sempre que é necessário desviar as atenções de outros temas mais escaldantes e delicados para os senhores que, no poder ou na oposição, dominam este sítio, lá aparece uma virgem bem colocada a queixar-se de escutas. De imediato salta para a praça pública um enorme coro de donzelas indignadas e aflitas a pedir inquéritos, a fazer declarações solenes sobre a gravidade da situação e propostas interessantes para evitar que, no futuro, alguém possa ser escutado de forma ilegítima, sem o devido controlo do poder judicial.


Passado um tempo, quando a poeira assenta, isto é, quando o assunto que os preocupa realmente deixa de estar na agenda da comunicação social, as tais vozes calam-se muito caladinhas e as escutas voltam a ser cuidadosamente guardadas no armário das armas de arremesso dos senhores que dominam há anos este sítio. As palavras do senhor procurador-geral da República, Pinto Monteiro, vêm a público no momento em que voltam a surgir à luz do dia novas acusações sobre os abusos sexuais a alunos da Casa Pia. As queixinhas do responsável do Ministério Público acontecem quando a ex-provedora Catalina Pestana veio denunciar a continuação da actividade de uma rede de pedófilos no interior da instituição. Os gritinhos indignados sobre as escutas são a poeira necessária, veremos se é suficiente, para desvalorizar e colocar em segundo plano o facto de senhores muito importantes do regime continuarem a ir buscar crianças à Casa Pia para satisfazer os seus criminosos desejos pedófilos.

Desde que o escândalo rebentou em finais de 2002, uma grande parte da classe política, com o PS à cabeça, e altas figuras do Estado fizeram tudo o que era possível e impossível para abafar o caso e evitar que os pedófilos fossem condenados. Substituíram o procurador Souto Moura por Pinto Monteiro, destruíram a brigada que investigou os crimes sexuais, afastaram Catalina Pestana e alteraram o Código Penal e o Código de Processo Penal. A ida de Pinto Monteiro ao Parlamento é mais um episódio sinistro do escândalo nacional chamado Casa Pia.

António Ribeiro Ferreira, no Correio da Manhã de 29/10/2007

domingo, 4 de novembro de 2007

Dois livros fundamentais

"Não te deixes levar! Os abusos sexuais explicados às crianças", Jocelyn Robert, Dinalivro.

Como se afirma na sinopse da editora, "Mais do que um livro, estamos perante um pequeno estojo de chaves e instrumentos de prudência, que se destina aos pais e crianças com idades entre os 4 e os 12 anos. Muitas crianças pensam, ainda hoje, que os adultos têm todos os direitos sobre elas. Jocelyn Robert convida os leitores a iniciarem um percurso de prevenção, procurando dar à criança o poder que lhe assiste sobre o seu corpo e a sua vida, porque os lobos e os papões, como poderão vir a verificar, não existem só nas histórias!
A tarefa ainda é mais delicada quando os abusos sexuais são cometidos pelos mais próximos - e estes constituem a maior parte -, precisamente aqueles que as crianças calam mais frequentemente e durante mais tempo."


"UMA FERIDA NO CORAÇÂO - Abuso sexual de rapazes ", Pedro Strecht; Assírio e Alvim

"Este livro aborda o impacto psíquico do abuso sexual em rapazes. Explica o medo, a vergonha e a dor das vítimas deste tipo de crime, e lembra a importância de uma boa resposta médica e jurídica para minimizar um sofrimento que sempre deixa marca, tal como uma ferida no coração.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Aos meus amigos

Sabia, desde o dia em que decidi lutar contra a máfia pedófila, que as dificuldades seriam substanciais. Contudo, surpreendeu-me a violência da resposta e a diversificada coligação de padrinhos a tudo dispostos.

No designado processo Casa Pia 1, valeu tudo: sabem-no as vítimas, os investigadores, os magistrados e todos quantos resistiram. O pivot de todas as agressões é um criminoso de delito comum, que criou um site onde os bandidos que foi arregimentando babaram as habituais enormidades. Feliz ou infelizmente, nunca consegui encontrá-lo. Como todos os cobardolas e sobretudo como os que defendem os abusadores sexuais, ataca e foge.

Hoje, o mesmo bandido disparou novamente contra mim, a partir do pasquim que neste processo imundo sempre defendeu os arguidos. Disparou de forma mentirosa e tão assumidamente canalha, que nem sequer me foi dada a oportunidade de contraditar o lixo que bolsaram.

Por isso, e em primeiro lugar, quero dizer-vos que, a exemplo do que sucedeu recentemente com outro difamador, pedirei ao bandalho responsabilidades no local certo: os tribunais!

Em segundo lugar, quero fazer-vos um apelo: neste processo, o que está em causa é a luta contra a pedofilia em geral e, contra os que, dentro e fora da Casa Pia, atacam de forma bárbara crianças desprotegidas. Por isso, o Pedro Namora é irrelevante, e não pode servir para que os bandidos desviem as atenções do que é fundamental.

E o fundamental é que eles conseguiram atrasar o processo para que nunca se faça justiça. E agora vão de novo sujeitar as vítimas à violência de novos exames. Isto quando se sabe que as vítimas falaram verdade e não há um único pedófilo que não seja um mentiroso experiente.

O fundamental é que a rede pedófila mantém dentro da Casa Pia elementos, perfeitamente identificados, que alimentam os pedófilos e a indústria de que vivem. Bandidos que , mesmo sem que tenha terminado o primeiro processo, já se sentem à vontade para fornecer crianças a arguidos poderosos.

O fundamental é percebermos que a presidente da Casa Pia foi nomeada para as funções pela mesma gente que tempos antes combateu as vítimas de forma cruel.

O fundamental é exigirmos que o governo faça alguma coisa em defesa das crianças. Por mim, continuarei a lutar. Sei que se alguma vez revelasse os nomes dos bandidos envolvidos, teria que pedir asilo político a outro país. Mas se lutarmos, colectivamente, poderemos diminuir o espaço de actuação desses criminosos.

Há minutos, vindo com os meus filhos pela mão, uma senhora perguntou-me se não tinha medo. Respondi-lhe que não. Afinal, mesmo que alguma coisa me sucedesse, sei que eles poderiam contar convosco. Obrigado.

Contra a ignomínia!

“Muitos adultos vítimas de abuso sexual na infância, não conseguem sequer, muitos anos após o abuso, pronunciar o nome do abusador. Têm um cemitério dentro de si, no qual se sentem incapazes de tocar”


Prof. Maria Clara Sottomayor


Acabo de receber a informação de que, por deliberação do tribunal, as vítimas vão ser sujeitas a novos exames médicos. Isto, como facilmente explicará quem conhecer minimamente o profundo sofrimento das crianças abusadas sexualmente, é inaceitável. Obrigar as crianças a reviver, uma vez mais, o tormento por que passaram é, além de desumano, desnecessário.

Com efeito, no decurso do processo, as vítimas foram submetidas, no Instituto Nacional de Medicina Legal, a dois tipos diferentes de exames periciais: perícias médico-legais de natureza sexual, realizadas por médicos, e perícias sobre a personalidade, a cargo de psicólogos.

Enquanto a avaliação médica teve uma duração média de 4 horas, os exames sobre a personalidade duraram, em média, dez horas. Constata-se assim que cada uma das vítimas foi observada, por profissionais que trabalharam separadamente, durante cerca de 15 horas, tempo superior ao que é usual empregar-se na generalidade dos países onde estes crimes ocorrem.

Os peritos, altamente conceituados, competentes e isentos, nortearam-se na avaliação psicológica, pelas orientações emanadas da American Academy of Child & Adolescent Psychiatry e da Fédération Française de Psychiatrie.


Os exames de natureza sexual, que visaram constatar a existência de marcas físicas decorrentes das violações narradas, foram realizados pelo Prof. Dr. Jorge Costa Santos, especialista em Medicina Legal e professor de Medicina Legal, Ética, Direito e Deontologia Médica, da Faculdade de Medicina de Lisboa, cientista que realizou já mais de 2.500 exames periciais de natureza sexual. O perito não teve dúvida em afirmar que: “o relato fornecido pelos menores que examinou era, pela sua coerência, congruência e ressonância afectiva compatível com os abusos sexuais que relataram, sendo a ocorrência de tais práticas e as circunstâncias relatadas altamente prováveis”.

Ao contrário do que escreveram os avençados de serviço, entre os quais alguns que se reclamam especialistas, os exames médico-legais não se reduzem à “mera observação dos genitais externos ou da região perineal da alegada vítima”, como salientou o Ministério Público no recurso contra a não pronúncia dos então arguidos Paulo Pedroso e Herman José. Essa concepção está ultrapassada pelos “conhecimentos e a experiência da moderna medicina psicossomática, para a qual o corpo e a mente, o soma e a psique, o físico e o psíquico, representam não duas realidades distintas, mas duas faces ou vertentes de uma mesma realidade – a pessoa.”

A verdade é que os peritos foram unânimes no reconhecimento de que as descrições efectuadas pelas vítimas eram consistentes e coerentes e sem lapsos relevantes. O que permitiu concluir pela credibilidade dos depoimentos que prestaram, apesar de constantemente intimidados para que nada revelassem.

Crianças que ainda hoje não se conhecem, referiram ter sido abusadas sexualmente pelos mesmos arguidos, em tempos diferentes e em locais que descreveram minuciosamente. Quando os investigadores foram a essas instalações, verificaram que tudo batia certo. Perante tal evidência, logo surgiu o recurso às teorias sobre a fragilidade da memória e as correspondentes acusações de que a polícia, os magistrados e os médicos induziriam, de formas diversas, nas mentes imaturas, o nome dos arguidos indiciados.

Contudo, o Ministério Público considerou as declarações das vítimas absolutamente credíveis e repudiou a teoria da cabala, “por ser de todo inconcebível a possibilidade de alguém ou alguma organização seviciar crianças, delas abusando sexualmente; convencer essas crianças a mentir e lograr que as mesmas imputassem”, aos arguidos, “a prática dos factos de que foram vítimas”.



terça-feira, 30 de outubro de 2007

A luta continua!



Em Setembro de 2005 escrevi neste blogue o que, por ser cada vez mais actual, reproduzo agora:

"Queridos irmãos casapianos,
Se, como espero, persistirem na infâmia de não escutarem a dor que vos inferniza a existência, todos os segundos de todos os dias;
Se recusarem o que aceitaram para outros, só porque estes podem mais e têm dos cordéis que tudo determinam melhor conhecimento;
Se como espero, vierem apressados clamar que agora tudo acabou e no andor colocarem os bandalhos;
Se as trombetas ecoarem triunfantes calcinando-vos com a desonra da mentira;
Se os que tudo vendem ou alugam, fingirem agora ter consciência;
Quero dizer-vos, queridos irmãos de condição, que nem por um segundo duvidei dos vossos testemunhos. Sei dos que cometeram o massacre. E acima de tudo vi os vossos olhos pejados de sofrimento, de revolta, de abandono.
Nós sabemos que a verdade é outra: eles são compadres de outros como eles. E de outros ainda piores. Têm muito poder, tesouros e mundos para ofertar.
Nós somos apenas os filhos da desdita mil vezes humilhados.
Mas, se como espero, decidirem fingir que afinal não foi como sabem ter sido, nem por isso vamos desistir. A desonra é deles! Será deles a vergonha!
Nós continuaremos convictos de que valeu e vale a pena lutar!
Podem encomendar decisões, mas a vossa dignidade não compraram.
Eles são os carrascos. Vocês os heróis que o povo admira e respeita profundamente."

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Os cobardes não brincam

Segundo a jornalista Patrícia Pires, do PortugalDiário, Catalina Pestana está a ser perseguida. E uma das vítimas foi cruelmente sovada.

"Desde que falou sobre «mais abusos» a alunos da instituição, a ex-provedora reparou «num homem estranho» com quem já se cruzou «em locais diversos». Demasiado «distintos» para ser coincidência. Testemunha do processo também foi violentamente agredida há cerca de três meses"

Catalina Pestana, ex-provedora da Casa Pia, contou ao PortugalDiário que tem sido «seguida», porque já se cruzou, «várias vezes em locais muitos distintos», com «o mesmo homem». Desde quando? «Não posso dar a certeza absoluta, mas tenho ideia que foi após dar a entrevista ao semanário Sol», afirma.

Apresentar queixa ou pedir protecção especial não está nos planos de Catalina Pestana. «Não tenho medo. Nunca tive protecção e não é agora que vou pedir», garante. A ex-provedora sabe que não é a primeira vez que a «seguem» e exemplifica, com outra situação. Recentemente, soube que esteve «um carro parado muito tempo num largo perto da minha casa, para ver quem entrava e quem saia de minha casa». Com alguma ironia exclama, «nunca viram nada de especial, não tenho nada a esconder».

Catalina Pestana garante que não vai mudar a sua vida por causa deste «homem» mas reconhece que os seus amigos «estão preocupados» com esta nova «perseguição». Os seus olhos cruzaram-se com «ele» em locais tão diversos que é impossível «ser coincidência».

O último «encontro» aconteceu num jardim de Lisboa e Catalina Pestana estava acompanhada. Os presentes repararam no «ar de gozo» e «no olhar» que o homem lançou à ex-provedora.

Testemunha foi «sovada»

Mas o que a mais preocupa a ex-provedora da Casa Pia são os jovens que acompanhou nos últimos anos e que foram vítimas de abuso sexual. Há cerca de três meses uma das testemunhas do processo «foi agredida» violentamente. «Eu vi com os meus próprios olhos como ele ficou, sei que não foi tanga», conta.

De alguma forma, o facto de os jovens terem deixado de ter protecção, por parte do corpo de segurança pessoal da PSP, é motivo de preocupação. Actualmente, os seguranças apenas são chamados para irem com os jovens a tribunal. «O local onde provavelmente estão mais seguros», desabafa Catalina Pestana. Apesar da presença «da sombra» mantém as declarações que fez ao semanário Sol e espera que a denúncia seja investigada."

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

8 meses de tanta saudade

A caminho da praia deu a mão ao neto e recuou ao seu tempo de menino.
Não se recordava de ter sido criança. Nem um afago, nem uma brincadeira. Apenas a dureza do ofício de padeiro.

Apertou a mão do neto.

Antes da padaria, as planícies alentejanas marcaram-lhe o carácter com a dureza da jorna e a míngua de pão. Depois foi a guerra, os ferimentos e o campo de concentração. Já em liberdade e regressado ao País, a dura labuta para criar dois filhos.

Pegou no neto ao colo.

Lembrou Soeiro, Redol e Manuel da Fonseca. Depois de Abril aderiu ao Partido e fez tanta vida nova brotar das mãos calejadas que a felicidade lhe estampou o rosto solidário para sempre. Abençoado tempo novo!

Beijou o neto.

Quando este lhe perguntou por que chorava, deu-lhe outro beijo e exclamou: É tão bonita a praia, meu amor!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Uma espécie de ditador

Sócrates mentiu sem vergonha aos portugueses para ser eleito. Mentiu sem vergonha quando se disse engenheiro. Mentiu sem vergonha quando afirmou preocupar-se com o desemprego, fatalidade que não se cansa, insensível, de alimentar. Mentiu na propaganda que fez com a atribuição de computadores descontinuados, a preços elevados.

Mentir sempre foi, para esta gentalha, uma forma de vida. A diferença que Sócrates instituiu, a coberto da maioria absoluta, reside no garrote que agrilhoa todos quantos discordam do seu exercício antidemocrático.

Sócrates domina tudo, sem qualquer espécie de controlo: as polícias, o SIS, a Procuradoria-Geral da República, o Tribunal Constitucional, o Tribunal de Contas; o Banco de Portugal; os media; os chamados “fazedores de opinião” – espécie de lambe-cús invertebrada e solícita, que abana a cauda e repete à exaustão o que o dono grasna – e, é claro, milhares de boys e girls que vivem do aparelho de Estado e dos fundos comunitários roubados ao desenvolvimento do País.

Se em Portugal fosse crime mentir para conquistar o poder, Sócrates e socratinos estariam engavetados. Ou talvez não. Afinal, se eles até alteraram o código penal para proteger os pedófilos…