Mas como quem manda agora descende em linha recta do fascismo, a opção é branquear a ditadura, designada Estado Novo, e apagar criminosamente 50 anos de história trágica.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Fascismo nunca mais!
Mas como quem manda agora descende em linha recta do fascismo, a opção é branquear a ditadura, designada Estado Novo, e apagar criminosamente 50 anos de história trágica.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
O novo Código de Processo Penal
Contudo, até há pouco ainda alguns dos nababos podiam correr o risco de ser incomodados, se algo corresse mal. O que, convenhamos, é intolerável para suas senhorias. Por isso, como noutras esferas, os associados também no Código de Processo Penal introduziram modificações.
A matriz que os guiou e lhes deu alento foi, como bem recentemente reconheceu o agora "socialista" José Miguel Júdice, o Processo Casa Pia. Melhor dizendo: o que alterar, nas leis processuais penais, para que nunca mais um dos associados possa ser incomodado se decidir prevaricar.
Melhor do que este texto pobre, para quem quiser saber como actuam os associados, é a leitura das escutas a distintas personagens publicadas no semanário Sol de sábado passado. Que asco!
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
domingo, 23 de setembro de 2007
O Caminho das Aves
O caminho das aves : romance
by José Casanova category Literature & Fiction
Contracapa:
"Reina a calma em todos os lares e há paz nos espíritos e nas ruas, garante quem, por obrigação e hábito, de tão complexa matéria deverá possuir o elevado saber que ao rasteiro entendimento naturalmente escapa. Felizes os que tal juízo acatam como bom, porque deles é o reino da tranquilidade, sabendo que assim é por assim lhes ser dito desde tempos imemoriais, A minha política é o trabalho, Eu quero é ganhar o meu, Ricos e pobres sempre houve e há-de haver, Pobrezinhos mas honrados, Graças a Deus. Sensatas sentenças, palavras de portugueses de lei, dignos herdeiros dos nossos avós, ou dos nossos maiores, como também há quem diga, autênticos pilares da serena estabilidade nossa, muito bem! Todavia, e por via das dúvidas sopradas pelo desvario que varre o Mundo e ameaça a ordem natural das coisas, aferrolhemos portas e janelas e frestas e postigos, calafetemos todas as frinchas visíveis e invisíveis não vão os ventos da História tecê-las, O seguro morreu de velho, não é verdade?"
Bela apologia da amizade, do amor, dos valores.
"Começa Eugénio a ouvi-los, primeiro incrédulo, incredulidade que dura pouco, o melhor é não duvidar muito tempo da veracidade das boas notícias, não vão elas escapar-se, não ser, transformar-se em sonho, sabe lá."
"São como as aves - pensa Francisco - Partiram juntos, regressam juntos."
"Triste e deprimente, porquê - pergunta-lhe Abílio que não se cansa de elogiar o espectáculo, É um espectáculo maravilhoso, e há nele qualquer coisa de novo, de nunca visto, acho eu - responde Francisco - No entanto, há também muito desalento, muito desencanto, muita desesperança, muita passividade, muito conformismo, muito vazio... Marta concorda: De facto, eles esperam o futuro - Godot - mas esperam apenas, não fazem nada para o encontrar e isso é, de alguma forma, angustiante."
"Brindam: Ao nosso filho, Ao nosso amor, Aos nossos amigos."
"Ouve-o segredar-lhe: Sabes de mim o que mais ninguém sabe... sabes-me."
Trabalhando na Biblioteca Museu República e Resistência foi um livro que se tornou precioso para o trabalho de referência.
Referências bibliográficas:
"Vasco, que não deu mais notícias, deixará sinais de um livro, Cantares, de Rosalía de Castro, e um bilhete que Francisco lê a caminho da reunião para que foi convocado: 'Disse-me quem sabe (conheci pessoa culta, em Vigo. Culta e não só...) que esta Rosalia não sei quê é a maior poetisa galega. Será? Aguardo que me digas'."
"Nessa noite começa a ler Os Thibault. Não dorme."
"Antes do jantar, Vasco abre os presentes: uma camisola de malha, metade verde-claro, a outra metade de um verde mais escuro e uma caneta Parker - ofertas da mãe e do pai; a prenda de Francisco é um livro: A Cidade das Flores - lê em voz alta - Política, aposto, Haverá alguma coisa que o não seja?"
"Francisco pega no livro - Uma Noite e Nunca, Urbano Tavares Rodrigues(...)."
"Estão no Trindade: À Espera de Godot, a peça recém-estreada, é o que os traz ali."
"Enquanto esperam pelo começo do espectáculo, Abílio e Marta discutem, entusiasmados, o último livro de Redol, A Barca de Sete Lemes."
"Sara está à porta de casa como que adivinhando a sua chegada, beijam-se furtivamente, ele entrega-lhe a prenda de aniversário - Seara de Vento, de Manuel da Fonseca."
"O Politzer ajudou-me (está a ajudar-me) muito, tal como Lenine (as tuas notas e os teus sublinhados explicaram-me melhor as preocupações que tens e que, repito-te, são as minhas). Quanto à 'Alma Encantada': como me fez feliz! como me fez sofrer!"
"Augusto dá-lhe a ler A Montanha Mágica. Depois Os Buddenbrook."
"Como foi possível viver estes anos todos sem ler Thomas Mann - pergunta-se. E, porque o tempo não lhe falta, passa a Stendhal, Maupassant, Tchekov."
"Falam e comem, Manuela tenta retomar, sem êxito, o tema Rocco e os Seus Irmãos, Marta elogia a impecável condução de Vasco, Luís aconselha um livro de Ítalo Calvino, acabado de sair, O Atalho dos Ninhos de Aranha, sobre a resistência antifascista na Itália (...)."
"Francisco, sentado sobre o bailique, retoma a leitura de Madame Bovary, que iniciara de manhã."
"Na sala receberá as prendas enviadas: de Abílio, A Guitarra Quebrada, de Pavese, com dedicatória ('O título é outro e a viola passou a guitarra. Mesmo assim estou certo de que gostarás desta versão portuguesa. Um abraço do tamanho da amizade'); de Vasco, A Peregrinação ('Leste-o, menino e moço, talvez te agrade relê-lo, homem. Um abração maior do que o tamanho do mundo. Parabéns do teu amigo'); mais livros de Marta, Maria Eduarda, Albano..."
"No dia seguinte, Jacinta irá à morada indicada onde deixará um saco com os livros pedidos por Francisco: todos excepto Os Capitães da Areia que não conseguiu encontrar."
"Salta-lhe à vista Um Rapaz de Florença."
"Sabe de cor, de tantas vezes o ter lido, um longo poema de João Cabral de Melo Neto - 'Vida e Morte Severina' - inserto nas Poesias Escolhidas, prenda de aniversário de Abílio (...)."
"Tem um livro, fechado, sobre as pernas. Jubiabá."
"Toma, este é meu, este é da Mariana - diz Francisco, estendendo-lhe dois embrulhos, visivelmente um livro e um disco, La Question, Henry Alleg e Nara Leão, 'Pedro Pedreiro... penseiro, esperando o trem... e a mulher de Pedro está esperando um filho para esperar também...': canta Vasco desafinado."
"Pedro levanta-se de um salto, os outros olham-no espantados, ele justifica: Li um artigo sobre a amizade entre Marx e Engels, conheceram-se, ficaram amigos e começaram a trabalhar juntos... a pensar e a sonhar juntos... até à morte de Marx, uma amizade total, Para cada um deles o outro era... único - intromete-se Eugénio, aproximando-se e sorrindo."
"A seguir, distribui as prendas búlgaras: um pequeno urso de peluche que entrega a Manuela (É para o João, quando ele vier, trouxe um igual para o Marcos), uma jarra de cerâmica, um lenço de seda, um livro (este comprado em Paris: Lettres de Fusillés)."
"Agora, indica-lhes o quarto que vai ser o deles, ajuda-os a arrumar as roupas, abre o saco e tira os livros cujos títulos vai lendo, Ah o Romain Rolland! grande humanista!, trazem aqui uma bibliotecazinha bem escolhida, sim senhor, e discos... para que querem vocês os discos se não têm onde os tocar?"
"Não é necessário assinar - diz, escrevendo a dedicatória e entregando o livro a Jacinta: 'El socialismo e el hombre en Cuba', Che Guevara."
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Obrigado, Ricardo Cardoso
Sempre que falo contigo, é como se o mundo se abrisse e o espanto das tantas coisas por fazer me impelisse no caminho do futuro. Tu és dos afectos e também pertences, para parafasear Tordo, à tribo que acampa nos meus sonhos. Gosto de ti e da Céu. Gosto do Arestas e do vento quente dos sonhos a que dás alento. Trabalho, tanto trabalho Ricardo. E tudo pelo prazer de veres singrar o que há-de tornar melhor a vida a outros seres humanos. Obrigado por tudo, querido amigo.
domingo, 12 de agosto de 2007
Contra a especulação

A comunicação social dominante vê no caso Maddie apenas o filão, preferencialmente inesgotável, que lhe permite, diariamente, encher espaço, captar audiências, publicidade e muito dinheiro. Jornais e televisões tratam o assunto de forma miserável, sem curarem de saber e transmitir aos portugueses uma visão séria do problema.
Os pais da criança – cuja negligência grosseira contribuiu decisivamente para a tragédia – já foram vítimas e agora, porque uns cães terão descoberto sangue, passaram a algozes. Se na próxima semana o resultado dos exames laboratoriais indicar que afinal o sangue não pertence à criança, os escribas e jornaleiros terão que forjar novos argumentos e contratar prestativos especialistas, sempre disponíveis para debitar o que a voz do dono pretende ouvir.
A verdade é que para a generalidade da comunicação social a sorte da menina é indiferente. Basta pensar no que sucedeu no processo Casa Pia: depois de fingirem solidariedade com as crianças vitimadas, as televisões e jornais dedicam-se agora a lavar a imagem de arguidos acusados e pronunciados por crimes gravíssimos.
A investigação em curso é necessariamente morosa e difícil. Neste momento a menina pode estar, viva ou morta, em qualquer lugar do planeta. A Polícia Judiciária é, comprovadamente, uma das melhores polícias do género a nível mundial. Apesar de todas as limitações orçamentais e de todos os condicionamentos governamentais. Por que razão foi destruída a equipa que investigou de forma exemplar os pedófilos que atacaram, entre outras, as crianças da Casa Pia de Lisboa? Que tem feito o governo português para consciencializar os portugueses para o drama da pedofilia e do abuso sexual de menores?
Onde está a base de dados com os pedófilos condenados? Que acompanhamento têm após cumprirem as respectivas penas de prisão, sabendo-se que na generalidade dos casos são incuráveis? Onde estão as medidas legislativas que visem efectivamente proteger as vítimas e não transformar Portugal num paraíso para criminosos?
segunda-feira, 23 de julho de 2007
segunda-feira, 16 de julho de 2007
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Do Álvaro
“Um problema de consciênciaHá então que não subordinar as acções ao alcance dum prazer. Mas antes amoldar a ideia de felicidade à vida que se vive.
Quando não nos sentimos meros joguetes da evolução mas, pelo contrário, sentimos que, mesmo ao de leve, as nossas energias modificam o seu ritmo. Quando sabemos ser leais, rectos e solidários. Quando amamos profunda e extensamente e nos sentimos capazes de sacrificadas demonstrações do nosso amor. Somos felizes porque não desejamos outra vida, porque sentimos preenchida a própria função humana. A felicidade só existe assim como condição da consciência da própria utilidade. Não dispersar actividades. Proceder com um critério. Ser coerente em todas as atitudes. Agir com uma só linha de conduta. Ter fé na própria vontade, embora aceitando as suas determinantes. Convicção de impotência e felicidade excluem-se.
Assim far-se-á da própria vida uma vida feliz. Feliz nas horas de ascenso e nas horas de derrota. Feliz na alegria e na tristeza. Porque, na felicidade, prazer e dor interpenetram-se. Até o estertor final pode conduzir à felicidade pela convicção de que se morre bem. Não pode haver felicidade sem dor, porque esta é inseparável da vida. Que se sofra! Mas que as vontades saibam amordaçar o sofrimento para triunfar. E, para isso, é necessário forjar nos peitos o desinteresse pessoal por prazeres efémeros, a rijeza do aço para lutar, o esclarecimento das exigências dos sentidos. Através da dor e da angústia, corações ao alto!
Se a felicidade é dada pela satisfação da linha de conduta, pela satisfação de que se procede bem, nada, nada, nem os gritos da própria carne esfacelada, nem lágrimas de emoção, nem a revolta instante e desesperada, podem destruí-la. Porque, acima dos próprios gritos, das próprias lágrimas, do próprio desespero, fica sempre a certeza duma vida voluntariosa e independente ou – se se preferir a expressão – recta, leal, digna.
Então suporta-se a dor e ama-se a vida. Podem as leis da Natureza esfrangalhar o corpo. Podem os órgãos começar cansando. E as pernas vergando de fadiga. Amortecendo-se a percepção. O corpo começar em vida o seu desagregamento. Poderá bailar ante os olhos a perspectiva da morte e o fim especar-se num amanhã irremissível.
E haverá sempre vontade de continuar procedendo sempre e sempre duma forma escolhida, marchando sempre para um destino humano e uma missão terrena voluntariosamente traçados. Haverá sempre anseio de continuidade e aperfeiçoamento.
Atravessar-se-ão tragédias com lágrimas nos olhos, um sorriso nos lábios e uma fé nos peitos.”
Álvaro Cunhal, Obras Escolhidas I, 1935-1947, edições Avante!


