terça-feira, 29 de maio de 2007

Começou a greve geral

A Greve Geral iniciou-se hoje às 24.00. Antes, contudo, centenas de piquetes de Greve já se encontravam mobilizados e activos. A DORL do PCP assume a responsabilidade de aqui , no seu Jornal Electrónico, informar da verdade da luta dos trabalhadores no Distrito de Lisboa. Com actualizações permanentes durante toda a noite e dia. Com os trabalhadores, mudar de rumo!
A luta continua!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

O TEMPO DAS GIESTAS

INFORMAÇÃO/CONVITE

No dia 2 de Junho (às 16.30),no espaço Som da Tinta,como diz o meu querido amigo e camarada Sérgio Ribeiro, será tempo de giestas. Terei a honra de apresentar o livro, que já li e reli com muito prazer, dor, orgulho, raiva, alegria, confiança no futuro e cada vez mais admiração pelo escritor.

Explicações necessárias (*)

A ideia de escrever este livro surgiu-me quando, há cerca de dois anos, uma senhora se dirigiu à sede do PCP, em Lisboa, procurando saber notícias de um rapaz que conhecera e pelo qual se apaixonara, em 1936, e que, a dada altura, desapareceu misteriosa e definitivamente.
(…) o desaparecimento do jovem - na realidade, militante comunista - decorrera do facto de ter sido preso e deportado para o Campo de Concen-tração do Tarrafal, onde viria a ser assassinado.
(…) Tratando-se de uma obra de ficção, quer os personagens quer a trama desta história são fruto da imaginação do autor.
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(*) - do autor, no final do livro

Com os anteriores livros de José Casanova – O Caminho das Aves e Aquela Noite de Natal – O Tempo das Giestas conta, sob a forma de romance, a nossa História recente. Que tem de se lembrar, que não pode ser esquecida, não se pode deixar que seja adulterada. (sérgio Ribeiro)

Os Costas do costume


O lançamento da candidatura de António Costa à presidência da Câmara de Lisboa é bem elucidativo do estado de putrefacção em que se encontra a nossa democracia: apresentado como uma solução providencial a rasar o divino, Costa tem merecido o desvelo dos patrões da comunicação social com tanta intensidade que chega a parecer natural o que fabricado foi até ao mais ínfimo pormenor.

Absolutamente irrelevante – para o efeito da promoção e branqueamento do que foi o seu péssimo desempenho como ministro – é o total inexistência de obra ou sequer experiência no trabalho autárquico, além da que lhe adveio de se andar a pavonear com um burro e um Ferrari.

O que releva, na verdade, é que Costa interessa ao sistema e este avança-lhe em géneros o que no futuro há-de solicitar-lhe de volta, com os respectivos juros. A compor o ramalhete surgem as marquetestes e afins, sondagens tão credíveis quanto previsíveis na sequência do martelar constante “O Costa é que está a dar!”. À fraude presta assessoria também a disparidade de meios com que conta cada candidato.

A verdade, simples, é que não existem eleições livres em Portugal. Embuste após embuste, fraude eleitoral após fraude eleitoral, vamos elegendo sucessiva e irresponsavelmente, os sócrates, fátimas e costas do burgo, conduzidos ao sufrágio viciado pela canga da comunicação social e dos grandes grupos económicos .

Tivesse o povo memória e em Lisboa votaria na CDU, única força que combateu as negociatas e esquemas em que se enredaram todos os restantes partidos.

domingo, 27 de maio de 2007

A luta continua

Estando a decorrer o julgamento em que sou arguido e queixoso Luís Martins Rebelo, ex-provedor da Casa Pia de Lisboa, tenho recebido inúmeras mensagens de apoio e também de preocupação. Aos meus amigos e a todos quantos me têm manifestado solidariedade, quero, em primeiro lugar, transmitir o meu profundo agradecimento. Sem a vossa solidariedade, ter-me-ia sido bem mais difícil resistir.

Neste julgamento, com a solidária e qualificada ajuda do meu querido amigo e advogado Eduardo Allen, adoptei a única estratégia possível: passei de arguido a acusador. O ex-provedor da Casa Pia de Lisboa esteve na instituição 34 anos, desde 1968 até Novembro de 2002, quando foi demitido pelo ministro Bagão Félix. Em 24 de Novembro desse mesmo ano, na televisão, depois de escutar atónito e revoltado os disparates de Luís Rebelo, que considerou sinal de segurança a existência na instituição de apenas um pedófilo, pronunciei-me pela sua exoneração.

No dia seguinte, tendo escutado as mesmíssimas alarvidades, Bagão Félix demitiu-o, fazendo cessar um reinado que durava desde 1986. Apelei então ao ministro que afastasse também da Casa Pia de Lisboa os que, fazendo parte da equipa de Luís Rebelo, nada tinham feito para deter o predador sexual de menores. Apesar de conhecerem os crimes do pedófilo desde, pelo menos, a década de 70 do séc. passado.

O senhor decidiu processar-me por se considerar atingido na sua honra e consideração. Tivesse usado contra os pedófilos uma ínfima parte do zelo persecutório que me destinou, ao mestre Américo e a Catalina Pestana, e centenas de meninos viveriam hoje sem o imenso sofrimento que os atormenta.

Com uma única e honrosa excepção, as testemunhas de acusação têm mentido sem vergonha ao tribunal. Sentado no banco dos arguidos – nunca imaginei sentir-me tão honrado com tal estatuto – tenho assistido ao desmontar das suas intrujices. Dir-se-ia terem lido todas as mesmíssimas instruções mas, padecendo da mesma fragilidade que a mentira confere, capitulam fácil e vergonhosamente ante a interpelação acutilante do meu defensor.

Falta ainda ouvir testemunhas de defesa, mas estou profundamente confiante. Aliás, suceda o que suceder, nada apagará a alegria que senti ao constatar que com Catalina Pestana a Casa Pia de Lisboa foi reconduzida ao seu papel na sociedade portuguesa e os milhares de alunos tornaram a poder sentir-se protegidos.

A luta continuará sem desfalecimentos. Obrigado pelo vosso apoio.

sábado, 26 de maio de 2007

Do poeta José Manangão



Eu tive a honra de conhecer
Um lutador vertical
Orgulho-me de aqui dizer
Seu nome Álvaro Cunhal

I
Um profundo conhecedor
De tudo que o rodeava
A vida que ele sonhava
Era para todos melhor
Vivida com mais amor
E também com mais prazer
Sempre o ouvi defender
Da vida cada momento
Para mim foi um exemplo
Eu tive a honra de conhecer

II

De muito novo começou
Eu ainda não era nascido
Já ele era destemido
Contra a ditadura iniciou
A luta que muitos animou
Todos com o mesmo ideal
Como tribuno era genial
Sempre de coração aberto
Homem muito correcto
Um lutador vertical

III

Por isso sofreu as agruras
Pela causa que abraçou
A ditadura não gostou
Condenou-o a penas duras
Anos de prisão torturas
Clandestino teve de ser
Mas já habituado a sofrer
A nossa luta continuou
Esforços nunca regateou
Orgulho-me de aqui dizer

IV

Quando a todos nos deixou
Teve na última partida
A homenagem merecida
Que muitos emocionou
E como eu também chorou
À passagem do seu funeral
De norte a sul de Portugal
De cravo vermelho na mão
Demonstrando gratidão
Seu nome Álvaro Cunhal.


José Manangão

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O candidato e o mandatário trabalharam bem


Quando deflagrou o pesadelo da Casa Pia e o arguido Carlos Silvino foi detido, o País reagiu em uníssono, exigindo a punição exemplar, não apenas do arguido, mas de todos os envolvidos, por se tratar de “uma vergonha, um escândalo sem precedentes”. Nos diversos meios de comunicação social, os comentadores denunciavam a cumplicidade com a pedofilia, “através do silêncio” e da “vista grossa dos poderes diversos”, e garantiam que as respectivas consciências não consentiriam, “num caso onde as vítimas são crianças indefesas”, que os culpados deixassem de ser punidos.

António Costa surgiu como guardião indómito do templo que antes tutelara: declarando confiar no “funcionamento normal das instituições”, defendeu que se deve “confiar” na acção da Justiça, “independentemente de quem está em causa” e verberou os que antes se queixavam da inacção da Justiça e agora se queixam “quando as instituições estão a actuar.”

Contudo, depois da detenção de Pedroso, o PS tudo fez para conferir ao caso um cariz político. Os seus principais dirigentes rasgaram subitamente os princípios que durante décadas juraram defender, manifestaram-se incrédulos, impuseram a inocência do correligionário político e iniciaram um vendaval de intrigas, estratagemas e mistificações que os há-de tingir de vergonha para toda a vida.

Relembremos: no dia 21 de Maio de 2003, Ferro Rodrigues e António Costa, líder do grupo parlamentar socialista, acompanharam Paulo Pedroso na conferência de imprensa convocada pelo PS e que decorreu nas instalações da Assembleia da República. "Tenho a certeza absoluta da sua inocência", afirmou Ferro e manifestou-se "indignado e totalmente solidário com Paulo Pedroso", informando que o PS iria reunir durante essa tarde o secretariado nacional.

No dia seguinte, António Costa viria a falar de “cabala”, atribuindo-lhe a prisão preventiva de Pedroso, em cuja inocência se afirmou também absolutamente crente. Segundo defendeu, a “cabala” fora criada contra o Partido Socialista e a credibilidade do processo em investigação.

No dia em que Paulo Pedroso foi conduzido ao DIAP, António Costa nem do então bastonário da Ordem dos Advogados e actual mandatário se esqueceu, e apressou-se a comunicar a Ferro que estava a chegar a “casa do Júdice” e, coisa espantosa, transmite ao líder partidário que “uma testemunha da judiciária” não é “fiável”, mostrando assim saber quem são as testemunhas do processo. Como adquiriu este conhecimento?

Mais tarde, pelas 20h30, António Costa confidencia a Ferro Rodrigues que conversou com “o Júdice” sobre um documento, e os dois rejubilam com as “excelentes declarações” que o bastonário transmitiu à SIC, nesse mesmo dia. Considero que as declarações que, ao longo de todo o processo da Casa Pia, Júdice foi proferindo, tomando sempre o partido dos arguidos influentes, devem ser lidas à luz desta visita que Costa oportunamente lhe fez.