quarta-feira, 23 de maio de 2007
terça-feira, 22 de maio de 2007
segunda-feira, 21 de maio de 2007
O candidato e o mandatário trabalharam bem

Quando deflagrou o pesadelo da Casa Pia e o arguido Carlos Silvino foi detido, o País reagiu em uníssono, exigindo a punição exemplar, não apenas do arguido, mas de todos os envolvidos, por se tratar de “uma vergonha, um escândalo sem precedentes”. Nos diversos meios de comunicação social, os comentadores denunciavam a cumplicidade com a pedofilia, “através do silêncio” e da “vista grossa dos poderes diversos”, e garantiam que as respectivas consciências não consentiriam, “num caso onde as vítimas são crianças indefesas”, que os culpados deixassem de ser punidos.
António Costa surgiu como guardião indómito do templo que antes tutelara: declarando confiar no “funcionamento normal das instituições”, defendeu que se deve “confiar” na acção da Justiça, “independentemente de quem está em causa” e verberou os que antes se queixavam da inacção da Justiça e agora se queixam “quando as instituições estão a actuar.”
Contudo, depois da detenção de Pedroso, o PS tudo fez para conferir ao caso um cariz político. Os seus principais dirigentes rasgaram subitamente os princípios que durante décadas juraram defender, manifestaram-se incrédulos, impuseram a inocência do correligionário político e iniciaram um vendaval de intrigas, estratagemas e mistificações que os há-de tingir de vergonha para toda a vida.
Relembremos: no dia 21 de Maio de 2003, Ferro Rodrigues e António Costa, líder do grupo parlamentar socialista, acompanharam Paulo Pedroso na conferência de imprensa convocada pelo PS e que decorreu nas instalações da Assembleia da República. "Tenho a certeza absoluta da sua inocência", afirmou Ferro e manifestou-se "indignado e totalmente solidário com Paulo Pedroso", informando que o PS iria reunir durante essa tarde o secretariado nacional.
No dia seguinte, António Costa viria a falar de “cabala”, atribuindo-lhe a prisão preventiva de Pedroso, em cuja inocência se afirmou também absolutamente crente. Segundo defendeu, a “cabala” fora criada contra o Partido Socialista e a credibilidade do processo em investigação.
No dia em que Paulo Pedroso foi conduzido ao DIAP, António Costa nem do então bastonário da Ordem dos Advogados e actual mandatário se esqueceu, e apressou-se a comunicar a Ferro que estava a chegar a “casa do Júdice” e, coisa espantosa, transmite ao líder partidário que “uma testemunha da judiciária” não é “fiável”, mostrando assim saber quem são as testemunhas do processo. Como adquiriu este conhecimento?
Mais tarde, pelas 20h30, António Costa confidencia a Ferro Rodrigues que conversou com “o Júdice” sobre um documento, e os dois rejubilam com as “excelentes declarações” que o bastonário transmitiu à SIC, nesse mesmo dia. Considero que as declarações que, ao longo de todo o processo da Casa Pia, Júdice foi proferindo, tomando sempre o partido dos arguidos influentes, devem ser lidas à luz desta visita que Costa oportunamente lhe fez.
domingo, 20 de maio de 2007
Grande e oportuno Júdice
Requerimento de 24 de Junho de 2004Apresentado por : Deputado António Galamba (PS)
As últimas semanas de negociações com os dois concorrentes que passaram à fase final do concurso, a Petrocer e o grupo Mello, têm incluído a participação activa de uma representante deste escritório nas reuniões que decorrem na Parpública. A "holding" está instalada no novo edifício do Ministério da Economia, em Lisboa. Embora os honorários de um milhão de euros por cada 15 dias sejam os actualmente vigentes, não foi possível confirmar desde quando estão a ser aplicados. O escritório de José Miguel Júdice presta assessoria jurídica ao Governo para este processo de venda da Galpenergia há mais de um ano, embora o tipo de serviço tenha variado ao longo dos meses, havendo agora, por exemplo, uma intervenção activa num momento decisivo do processo - fase final de negociações -, o que não acontecia, por exemplo, há um ano.
Para os especialistas, um cálculo que pecará por defeito e não por excesso será considerar que esta "tabela" de honorários se refere apenas a esta fase negocial e que se prolonga por dois meses, para o que são, assim, contabilizados quatro milhões de euros. A este montante há ainda a adicionar mais 56 milhões de euros de serviços prestados por outras áreas de consultoria associados à entrada da ENI na Galp e à sua saída, desde que o Governo decidiu, no final de 2002, reestruturar o sector da energia em Portugal. O Crédit Suisse foi, há quatro anos, a instituição financeira contratada para assessorar a entrada da ENI na Galpenergia, um trabalho que, a valores de mercado, terá rondado os seis milhões de euros. Por sua vez, o trabalho dos advogados para a entrada dos italianos foi orçada em seis milhões de euros. A McKinsey foi chamada para assessorar a reestruturação do sector energético, enquanto consultor estratégico, trabalho que é calculado em três milhões de euros. Quanto à Goldman Sachs, que o Governo contratou, pelo menos, desde Março passado, como consultor técnico para a área da energia e que coordenou várias fases do processo da Galp, até à sua passagem para o comité de sábios, tem uma prestação de serviços que o mercado avalia em 40 milhões de euros. A este montante há ainda a somar os históricos 100 milhões de euros de mais-valias que o Estado prescindiu de receber, ao isentar do respectivo pagamento os privados reunidos na Petrocontrol que venderam, em 2000, a sua participação à ENI.
Face ao exposto, considerando a conjuntura económica de particular dificuldade para as famílias portuguesas que estamos a atravessar, nos termos regimentais e constitucionais, requere-se ao PRIMEIRO MINISTRO as seguintes informações:1)está o XV Governo Constitucional em condições de confirmar que a Parpública está a pagar ao escritório de advogados de José Miguel Júdice um milhão de euros de honorários por cada duas semanas de serviços prestados à "holding" estatal nesta fase de intermediação da venda de, pelo menos, 33,34 por cento do capital da Galpenergia ?2)em caso afirmativo, desde quando está o Estado a pagar esses honorários ?3)está o Governo em condições de confirmar já ter gasto 160 milhões de euros em consultadoria para privatizar a Galp, conforme noticia a comunicação social?António Galamba- 24.6.2004"
Rigor...

RIGOR 1 – NÚMEROS
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou números devastadores sobre o desemprego em Portugal. No 1º trimestre de 2007 a população desempregada é quase meio milhão, uma taxa de 8,4%. Um dos números mais altos na Europa que está connosco. Imediatamente várias vozes questionaram a realidade. Van Zeller, o patrão dos patrões da CIP, veio a correr em socorro do governo dizendo que tem números que mostram uma tendência contrária, nomeadamente em relação ao fecho das empresas.
RIGOR 2 – MAIS NÚMEROS
RIGOR 3 – NÚMERO ÚNICO
Escrito por Manuel Augusto Araújo
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Incoerência
Espertalhices
O Paulo Varela Gomes publicou no Público um texto muito curioso sobre Lisboa que acaba, mas não arranca, de um pressuposto correcto: a urgência de existir uma ideia para Lisboa. Ideia que consubstancie um projecto que a recupere de décadas de gestão desastrada em que convergem duas linhas principais. Uma, a gestão corrente da realidade que mediocremente vai alimentando o crescimento canceroso do tecido urbano. A outra, travestir essa gestão com rasgos voluntaristas sobrepondo camadas de laca do populismo mais desbragado género chinela no pé ou fragrâncias raras como o foram Portugal típico servido nos relvados de Belém por Nuno Abecassis ou encomendas a arquitectos do star-system contratado Piano/ João Soares ou Gehry/Santana Lopes.Quanto às sinecuras, nessa época, o PVG se escavar seriamente, encontra-as e muitas é no Bloco de Esquerda, que sem estar formalmente no poder, enxameava os corredores, ocupava gabinetes, direcções, mesmo em pelouros atribuídos ao PCP. Anda distraído o PVG, como só por distracção ele pode considerar, sabe-se lá porquê, que o Bloco de Esquerda deveria ser eco da elite lisboeta. Uma ideia que só pode passar pela cabeça de alguém que não ultrapassa o plástico com que desveladamente a comunicação social embrulha o BE colando-lhe uma imagem arejada, jovem, que a de ter ideias novas tem-se embaciado com o tempo apesar dos esforços e do espaço concedido a esses “pensadores” nos mais variados media.
É uma ideia espantosa, artificial que vende, enquanto não se perceber que é de estanho o papel de prata que embrulha esses vigésimos premiados. Não será o PVG o cavaleiro andante do pensamento que irá libertar o BE de um vereador e cabeça de lista com a mentalidade de polícia de trânsito, nem impedir que se subscreva um programa que, segundo essa luminária, poderia ser apoiado por um conservador inglês, um socialista francês, um liberal alemão e.... pelo Bloco Esquerda. O que mostra urbi et orbi como a “elite” é dada ao oportunismo mais rasca. Provavelmente o PVG está convencido que o BE é um albergue de promissora juventude e aí vai ele, em disparada correria, com medo de envelhecer. Daí à asneira, o passo é curto.
Texto de Manuel Augusto Araújo
quinta-feira, 17 de maio de 2007
terça-feira, 15 de maio de 2007
Viva o PCP!

Desde a sua fundação, em 1921, o PCP tem sido um referencial de honra, dignidade, resistência, coragem, estudo, firmeza, coerência, dedicação, ternura, festa, solidariedade, verdade, ideais, amor, futuro. E eu sinto-me feliz por me saber parte desta obra colectiva. Por se me aplicar a mais bela expressão do mundo: camarada!
Digo-o de forma convicta e sem qualquer espécie de fanatismo ou convicção de superioridade. Digo-o por amar profundamente o PCP. Digo-o por serem meus, também, os heróis que tudo deram desinteressadamente para que Portugal pudesse ser livre. Se disser Álvaro, Lourenço, Miguel, Tereso e tantos nomes – tantos -, o que vejo é uma fortaleza inexpugnável de convicções e luta. Gente honrada, gente minha.
Costumo pensar nos meus camaradas, de norte a sul do país, resistindo sozinhos ao que aparentemente seria invencível. Quarenta e oito longos anos seguraram nas mãos corajosas a digna bandeira rubra. A nada soçobraram. A nada capitularam. Tiveram medo, venceram-no. E quando chegou o tempo novo souberam recompensado tanto esforço, tanta abnegação.
Hoje uma amiga perguntou-me se perante determinados acontecimentos, não questiono as minhas convicções. Se perante a conduta miserável de alguns que afirmam partilhar comigo ideais, não me apetece desistir de lutar. Não! Era só o que faltava…
Aprendi no PCP que devemos estar sempre do lado dos que trabalham e são explorados. Ao lado dos que são maltratados, perseguidos, humilhados. Somos revolucionários e não há ilusionismo que se sobreponha a essa condição. Se nos calássemos perante canalhas de cravo vermelho ao peito, não teríamos legitimidade para combater os que sempre odiaram Abril.
