sexta-feira, 18 de maio de 2007

Incoerência

Se fosse coerente, depois de ter escolhido estes mandatários, António Costa escolhia Paulo Pedroso para seu número dois.

Espertalhices

O Paulo Varela Gomes publicou no Público um texto muito curioso sobre Lisboa que acaba, mas não arranca, de um pressuposto correcto: a urgência de existir uma ideia para Lisboa. Ideia que consubstancie um projecto que a recupere de décadas de gestão desastrada em que convergem duas linhas principais. Uma, a gestão corrente da realidade que mediocremente vai alimentando o crescimento canceroso do tecido urbano. A outra, travestir essa gestão com rasgos voluntaristas sobrepondo camadas de laca do populismo mais desbragado género chinela no pé ou fragrâncias raras como o foram Portugal típico servido nos relvados de Belém por Nuno Abecassis ou encomendas a arquitectos do star-system contratado Piano/ João Soares ou Gehry/Santana Lopes.

A cidade continua ausente nessas intervenções, conceptualmente muito próximas. Vai-se normalizando. Aplainando a sua luz até ficar calibrada pelo crivo de um suposto bom gosto universal. Lisboa, em toda a sua vida, só teve dois autarcas que a souberam pensar enquanto cidade. O Marquês de Pombal, que não o sendo foi um dos mais decisivos interventores, e Duarte Pacheco. Os outros foram-se sucedendo no cadeirão do poder deixando Lisboa afundar-se numa vil tristeza que um certo diletantismo e cosmopolitismo, por vezes frenético, não disfarçam.

Curiosas são as ilações que o Paulo Varela Gomes extrai para concluir pela deslumbrante bondade de uma candidatura independente, desenhando-se uma lá esperamos encontrar o PVG, riscando o projecto de cidade mundial. Ao ler isto assalta-nos a memória os inúmeros escritos sobre arquitectura lisboeta produzidos por PVG, pós-modernos provincianamente deslumbrados com as galerias técnicas do Valssassina, a imagem coloridamente simbólica dos edifícios do Taveira, ainda não existia o estádio do Sporting, etc., etc. Dedicando-se afincadamente ao acessório e com o acessório construindo uma Lisboa que pouco tem com uma ideia consistente de cidade. Não temos, de momento, acesso a esses textos e estamos a arriscar uma injustiça, mas no meio de tanto arrazoado julgamos lembrar que até se descobriam virtualidades no caos suburbano, satélite da capital. Em resumo, o desenho da cidade era-lhe estranho. Não o comovia nem motivava. Encadeava-se era com os brilhos formais as superficialidades tecnológicas. Estamos de acordo com a miséria conceptual produzida pelos aparelhos políticos do PS e do PSD. Até estamos de acordo em condenar as transigências excessivas, em nossa opinião, do PCP tanto com Jorge Sampaio como com João Soares.

Quanto às sinecuras, nessa época, o PVG se escavar seriamente, encontra-as e muitas é no Bloco de Esquerda, que sem estar formalmente no poder, enxameava os corredores, ocupava gabinetes, direcções, mesmo em pelouros atribuídos ao PCP. Anda distraído o PVG, como só por distracção ele pode considerar, sabe-se lá porquê, que o Bloco de Esquerda deveria ser eco da elite lisboeta. Uma ideia que só pode passar pela cabeça de alguém que não ultrapassa o plástico com que desveladamente a comunicação social embrulha o BE colando-lhe uma imagem arejada, jovem, que a de ter ideias novas tem-se embaciado com o tempo apesar dos esforços e do espaço concedido a esses “pensadores” nos mais variados media.

É uma ideia espantosa, artificial que vende, enquanto não se perceber que é de estanho o papel de prata que embrulha esses vigésimos premiados. Não será o PVG o cavaleiro andante do pensamento que irá libertar o BE de um vereador e cabeça de lista com a mentalidade de polícia de trânsito, nem impedir que se subscreva um programa que, segundo essa luminária, poderia ser apoiado por um conservador inglês, um socialista francês, um liberal alemão e.... pelo Bloco Esquerda. O que mostra urbi et orbi como a “elite” é dada ao oportunismo mais rasca. Provavelmente o PVG está convencido que o BE é um albergue de promissora juventude e aí vai ele, em disparada correria, com medo de envelhecer. Daí à asneira, o passo é curto.

Texto de Manuel Augusto Araújo

terça-feira, 15 de maio de 2007

Viva o PCP!



Aderi ao PCP em 1983, com 19 anos. Ainda hoje recordo a emoção do momento. Nesse ano o Partido contabilizou mais de 200 000 militantes e só a soma dos que tinham menos de 35 anos era superior ao total de militantes do ps. Fazendo a retrospectiva destes 24 anos o que ressalta, intenso e fundamentado, é um profundo orgulho na minha condição de militante comunista. Sinto-me cada vez mais honrado por pertencer a este imenso colectivo partidário. Homens e mulheres construíram, construímos, das mais belas páginas da história portuguesa.

Desde a sua fundação, em 1921, o PCP tem sido um referencial de honra, dignidade, resistência, coragem, estudo, firmeza, coerência, dedicação, ternura, festa, solidariedade, verdade, ideais, amor, futuro. E eu sinto-me feliz por me saber parte desta obra colectiva. Por se me aplicar a mais bela expressão do mundo: camarada!

Digo-o de forma convicta e sem qualquer espécie de fanatismo ou convicção de superioridade. Digo-o por amar profundamente o PCP. Digo-o por serem meus, também, os heróis que tudo deram desinteressadamente para que Portugal pudesse ser livre. Se disser Álvaro, Lourenço, Miguel, Tereso e tantos nomes – tantos -, o que vejo é uma fortaleza inexpugnável de convicções e luta. Gente honrada, gente minha.

Costumo pensar nos meus camaradas, de norte a sul do país, resistindo sozinhos ao que aparentemente seria invencível. Quarenta e oito longos anos seguraram nas mãos corajosas a digna bandeira rubra. A nada soçobraram. A nada capitularam. Tiveram medo, venceram-no. E quando chegou o tempo novo souberam recompensado tanto esforço, tanta abnegação.

Hoje uma amiga perguntou-me se perante determinados acontecimentos, não questiono as minhas convicções. Se perante a conduta miserável de alguns que afirmam partilhar comigo ideais, não me apetece desistir de lutar. Não! Era só o que faltava…

Aprendi no PCP que devemos estar sempre do lado dos que trabalham e são explorados. Ao lado dos que são maltratados, perseguidos, humilhados. Somos revolucionários e não há ilusionismo que se sobreponha a essa condição. Se nos calássemos perante canalhas de cravo vermelho ao peito, não teríamos legitimidade para combater os que sempre odiaram Abril.

Ruben de Carvalho é o cabeça de lista da CDU a Lisboa

A CDU – Coligação Democrática Unitária, realiza na próxima quarta-feira, dia 16, às 17h30, no Hotel Altis, um acto público de apresentação e formalização da sua candidatura e do candidato à Presidência Câmara Municipal de Lisboa, Ruben de Carvalho.
O Mandatário da CDU será José Barata Moura, filósofo e Professor Catedrático da Universidade de Lisboa. A candidatura da CDU surge num quadro em que a política de direita, que desde 2001 governa Lisboa, conduziu a cidade à crise mais grave desde o 25 de Abril.
É, neste quadro de resistência e intervenção durante cerca de seis anos – pelo combate, pela denúncia e pela proposta – aos desmandos da governação camarária cessante, que é permitido à CDU apresentar-se nestas eleições como a força política que transporta o projecto alternativo de que a cidade necessita.

Contra a censura

José Manuel Paquete de Oliveira, provedor do telespectador da RTP, veio agora reconhecer que "relativamente ao programa “PRÓS E CONTRAS” do passado dia 7 de Maio, não pode deixar de concordar que a não presença de uma personalidade ligada ao PCP é justificativa das queixas apresentadas e entende que, naquelas circunstâncias, o critério de escolha deveria ter sido outro."
Muito bem, senhor provedor, dizemos nós. Apesar do seu texto parecer um pedido de desculpas por ter tido a ousadia de assinalar o óbvio. Mas o que verdadeiramente interessa é sabermos que consequências extrai vossa excelência dessa execrável violação do direito ao pluralismo informativo. Porque foram causados à terceira força política nacional prejuízos incalculáveis. Ficamos por aqui? Não deveria a RTP proporcionar agora ao PCP o tempo de antena que lhe foi ilegalmente surripiado por uma jornalista de capoeira e por um boy sem princípios?
Ou ser-se provedor só serve para "inglês ver"? Este programa "Prós e Contras" é um monumental embuste, cozinhado por seres desprezíveis e servido por uma prestativa e serviçal dondoca. Ontem mesmo se percebeu o que orienta as personagens. E ainda há quem não entenda que estas coisas andam todas ligadas. Discutia-se o desaparecimento da menina inglesa e a RTP sentou com intervenientes no debate, dois senhores que aquando da investigação do Processo Casa Pia se destacaram no ataque que desferiram às vítimas: Moita Flores e Júdice.
Dessa forma impedindo que os portugueses soubessem efectivamente dos perigos que representam pedófilos em liberdade. Dessa forma omitindo que existe e está activa, a rede pedófila nacional. Que tem ligações internacionais poderosíssimas, milhões de euros para gastar, por exemplo, em financiamentos a cronistas prestáveis, que escrevem tratados sobre branqueamento de bandalhos em épocas de crise.
A pornografia, sobretudo a infantil, é dos negócios mais rentáveis na actualidade. E em Portugal os canalhas vivem disso. E silenciam todas as vozes incómodas.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Poema de Amílcar Cabral


Mamãe velha venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão
É um bater de amigo que
vibra dentro do meu coração


A chuva amiga mamãe velha a chuva
Que há tanto tempo não batia assim
Ouvi dizer que a cidade velha a ilha toda
Em poucos dias já virou jardim


Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela porque é a cor da esperança
E a terra agora é mesmo cabo verde
É a tempestade que virou bonança


Mamãe velha venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão
É um bater de amigo que
vibra dentro do meu coração


A chuva amiga mamãe velha a chuva
Que há tanto tempo não batia assim
Ouvi dizer que a cidade velha a ilha toda
Em poucos dias já virou jardim


Venha comigo mamãe velha, venha
Recobre a força e chegue-se ao portão
A chuva amiga já falou, mantenha
e bate dentro do meu coração


Mamãe velha venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão
É um bater de amigo que
vibra dentro do meu coração


A chuva amiga mamãe velha a chuva
Que há tanto tempo não batia assim
Ouvi dizer que a cidade velha a ilha toda
Em poucos dias já virou jardim


Com um imenso agradecimento, por esta pérola, ao meu querido amigo Ricardo Cardoso

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Obrigado URSS


Foi com profunda emoção que retirei esta foto belíssima da edição online do semanário SOL. Retrata um veterano soviético celebrando o fim da II Guerra Mundial, que como se sabe, ocorreu no dia 8 de Maio de 1945.
Recordei idêntica data do ano de 1987. Moscovo: na praça situada em frente ao Teatro Bolshoi, dezenas de veteranos, de ambos os sexos, deambulam em círculos, empunhando cartazes com inscrições. Procuram familiares ou amigos desaparecidos desde a guerra. Ano após ano, com a mesma perseverança com que derrotaram a besta nazi e nos libertaram da barbárie, comparecem no local. Por vezes reencontram-se e tive a felicidade de presenciar um desses momentos.
O nosso povo diz que a conversa é como as cerejas. E eu acrescento que as imagens também. Porque ao ver o herói da foto, recordei-me de Simão, comunista português, asassinado pelo fascismo no campo de concentração do Tarrafal. E da sua Teresa, amada companheira, que incapaz de aceitar o desaparecimento súbito de Simão, descobriu, 50 anos depois as razões por que não valeria a pena continuar a empunhar a esperança de o encontrar com vida.
Esta história, real, pode ser lida no mais recente livro de José Casanova, "O Tempo das Giestas".

Contra os pedófilos!

Segundo o Correio da Manhã de hoje, “A Polícia Judiciária não tem uma base de dados actualizada com informações sobre redes pedófilas internacionais. Essa base de dados está para ser criada vai para três anos. Os investigadores estão agora a trabalhar com informações fornecidas pelas autoridades de Londres sobre pedófilos com ligações a Portugal – sobretudo ao Algarve onde reside uma vasta comunidade britânica.”

Não tenho dúvidas de que agora a referida base vai ser criada. Em Portugal actua-se sempre por reacção. Entretanto, é preciso dizer que a PJ também não possui o registo dos pedófilos portugueses, que circulam por aí à vontade, constituindo uma ameaça terrível para as nossas crianças.Noutros países, sabendo-se que os pedófilos são predadores incansáveis e, na generalidade, incuráveis, existe um controlo rigoroso das suas movimentações. Mas por cá, como se sabe, nada se fez nesse sentido. Na sequência do Processo Casa Pia, e como represália, desmantelou-se mesmo a equipa que realizou um trabalho notável na investigação dos abusos sexuais, não fosse dar-se o caso de reencontrar os que a imprensa domesticada apelida de “alegados” abusadores.

A verdade é que a nossa população não sabe como proteger as crianças dos pedófilos. E este governo - onde marcam presença ministros que no âmbito do Processo Casa Pia se destacaram pelos ataques que desferiram às vítimas de abusos sexuais e pela defesa de um arguido - nada fez para as proteger. Onde estão as palestras, os folhetos informativos, os apoios e esclarecimentos às famílias, o investimento na protecção?

Nada! Mas preocupado em evitar que no futuro algum cavalheiro seja incomodado pela Justiça, Sócrates apadrinhou alterações ao código de processo penal que, protegendo os poderosos, são uma vergonha. Portugal está a ser transformado num paraíso para os criminosos e respectivas organizações mafiosas. É evidente que nenhuma medida poderia ter evitado o rapto de Madeleine, que tanto nos dói.

Mas a inexistência de uma política governamental, efectiva, de protecção das crianças torna ainda mais insuportável a insegurança que sofremos. Porque a verdade, é que, como sucedeu na Bélgica com a menina Sabinne Dardenne, qualquer criança pode ser raptada a caminho da escola, por exemplo. Quando se lida com pedófilos, a única arma eficaz é a constante vigilância dos pais. Em Portugal as crianças passam cada vez mais tempo sozinhas. Inexistem escolas ou outras instituições, em número suficiente, onde as crianças possam estar protegidas durante o tempo em que os progenitores estão a trabalhar. Como não podem pagar os prolongamentos de horários, os pais deixam os filhos entregues a si próprios e os canalhas sabem disso.

O que é inadmissível, sobretudo depois do conhecimento de casos análogos – uma criança portuguesa desapareceu durante os breves minutos em que os pais escolhiam um gelado – é a completa ausência de divulgação dos cuidados básicos a adoptar pelas famílias. Que deve ser feita de forma séria, adequada e pedagógica.

domingo, 6 de maio de 2007

CONTRA A CENSURA!

Não calam a voz do PCP!

Domingo, 06 Maio 2007


A RTP vai emitir na próxima segunda-feira mais uma edição do programa “Prós e Contras” sob o tema “Choque de valores”, onde anuncia a discussão de um conjunto de elementos de grande actualidade política e ideológica, nomeadamente as eleições presidências em França e as regionais na Madeira, a situação na Câmara Municipal de Lisboa e as eleições que em breve ocorrerão, o que distingue a Esquerda da Direita, entre outros.
Para o painel de convidados está anunciada a presença do último candidato presidencial do PS (Mário Soares), de um ex-presidente do CDS-PP (Adriano Moreira), de um deputado do PSD (Paulo Rangel) e de um dirigente e eurodeputado do BE (Miguel Portas), excluindo de forma inqualificável a presença do PCP, partido que, registe-se, é a terceira força política nacional com representação na Assembleia da República, isto para além das posições e responsabilidades que assume no Concelho de Lisboa e na Região Autónoma da Madeira.

Registe-se também que, após a divulgação pela RTP do conteúdo e do formato do programa, o PCP procurou junto da produção do “Prós e Contras” e da Direcção de Programas da RTP, sugerir a participação de um membro do PCP, hipótese esta que foi cabalmente rejeitada. O Painel de convidados que foi anunciado, não suscita qualquer dúvida quanto à relação entre os presentes e o partido político a que pertencem, pelo que a exclusão do PCP por parte da RTP só pode ser entendida como forma de silenciar e apagar o papel, a reflexão e intervenção dos Comunistas, numa atitude que viola o pluralismo, o rigor, o respeito pelos telespectadores a que qualquer operador de televisão está vinculado, ainda mais no caso da RTP como prestador de serviço público.

O PCP não aceita esta discriminação e amanhã dia 7, irá fazer deslocar para junto das instalações da Casa do Artista, pelas 21 horas, local de onde o programa Prós e Contras será emitido, uma numerosa delegação com o objectivo de participar no programa e expressar o seu veemente protesto perante esta inaceitável exclusão. O PCP desenvolverá ainda um outro conjunto de iniciativas com vista a repor o pluralismo na televisão pública.

O Gabinete de Imprensa do PCP