terça-feira, 24 de abril de 2007

Chico Louçã apanhado em falso

De visita ao Brasil na sequência das últimas eleições legislativas, Francisco Louçã concedeu uma entrevista ao Democracia Socialista, jornal que pertence a uma facção do Partido dos Trabalhadores. E o que disse é verdadeiramente espantoso. À pergunta do jornalista,Em Portugal, o Bloco de Esquerda conseguiu ocupar um espaço importante a partir das últimas eleições, com cerca de 6,5% dos votos, chegando a 10% nas grandes cidades. Em que contexto se deu esse crescimento?”


Chico Louçã, como por lá é conhecido respondeu, entre outras coisas:

“A esquerda em Portugal tem três grandes correntes: o velho Partido Comunista, que representa a história do movimento popular em Portugal, o Bloco de Esquerda, hoje segunda força na esquerda, e o Partido Socialista, que é o partido do governo. Esse é um partido que tem uma política liberal do ponto de vista econômico, algumas políticas sociais em relação à pobreza e à exclusão e que, nas questões políticas, alterna posições com mais convergência à direita ou à esquerda. "


Das duas uma: ou o Chico considera que o Partido Socialista não é de esquerda, o que sendo verdade é coisa pouco provável de ser dita na sua boca, ou mentiu descaradamente ao povo brasileiro. Porque como toda a gente sabe, o BE ficou sempre muito atrás do PCP em expressão eleitoral e num planeta muito distante se analisarmos a influência social.

Ora, mentir é feio. Mas ser-se be, à moda do Chico Louçã, do DO e do Nando Rosas é trocar, as vezes que forem necessárias, a verdade pelos holofotes mediáticos. E todos os pretextos são bons.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Soneto

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.


José Carlos Ary dos Santos

sábado, 21 de abril de 2007

Contra o embuste!

Conhece o DO do BE? Não? Imperdoável! O DO do BE circula por aí e é justamente conhecido por padecer horrores sempre que avista a mais ténue presença de vermelho. Este tipo de complexo taurino – muito frequente entre os queques rosa – foi-lhe diagnosticado logo que o DO se fez do BE. E ainda bem, porque na ausência dessa sintomatologia, ao DO seria barrada a entrada no redil. Desde então o DO tem-se esmerado e o complexo tornou-se maleita incurável: Se alguém o quer ver transtornado, babando, incontinente, a raiva que o alimenta e dá prazer, basta ciciar-lhe: PCP!

Ai o que ele estrebucha e decreta, o que ele acusa e difama, o que ele mente e conspira. Como é do conhecimento geral, os do BE fazem revoluções à mesa dos cafés e investem, sempre com ar enjoado e definitivo, contra os que fazem da luta uma forma consequente e desinteressada de estar na vida. A última do DO que se fez do BE por não suportar o vermelho, é de rir. O menino estava cansado de ver o alegado licenciado enterrar-se no atoleiro de contradições sucessivas e, malandro, decidiu inventar um facto capaz de distrair o Zé povinho. Para o que contou com a colaboração de um avençado do DN.

Impostor, o DO atribuiu aos comunistas intenções censórias que só os da sua laia desenvolvem. O DO é um be e um be vive da frustração de não entender o que é a honra, dignidade e coerência. Um bom be tem que mentir para tirar proveito e o DO sabe-a toda: decretou, imperial, que o 25 de Abril não é exclusivo dos comunistas, só para dar a entender aos bes seus sequazes que o PCP teria manifestado tais propósitos. Na verdade, o DO está para a comunicação social do sistema como os bufos estavam, antes de Abril, para a PIDE. O lixo que produz não valeria o esforço de uma linha, mas em nome da verdade, aqui deixo o comunicado dos comunistas portugueses.

Quinta, 19 Abril 2007

A propósito da notícia do DN hoje publicada sob o título «PCP veta "Gato"» o PCP entende esclarecer que só por absoluta inexactidão, ou declarada má fé, se pode atribuir ao PCP, como é intenção da peça, a atitude de veto de Ricardo Araújo Pereira a propósito da intervenção de um jovem em representação de organizações juvenis na iniciativa de comemoração do 25 de Abril. A propósito da noticia do DN hoje publicada sob o título «PCP veta “Gato”» o PCP entende esclarecer o seguinte:

Em rigor o que se pode afirmar é que esta questão, a exemplo do que sucedeu com a inviabilização do acordo sobre o “Apelo” dos promotores, é expressão da atitude dos que, no quadro da comissão promotora, agiram para impedir nas comemorações quaisquer referências ou juízos críticos à acção do governo do PS.

Na actual situação – de agravamento dos problemas dos jovens e em particular dos jovens trabalhadores, que a recente lei sobre trabalho temporário veio acentuar, e deque a acção de luta de jovens trabalhadores de 28 de Março foi expressivo testemunho – a JCP apresentou e defendeu, desde o primeiro momento, por razões de actualidade política, a proposta (que chegou a ser consensualizada embora com a ausência da JS) de um jovem dirigente sindical (Pedro Frias) para a referida representação. É na sequência do desacordo manifestado já em momento posterior pelo representante da Juventude Socialista a esta proposta que o nome de Ricardo Araújo Pereira é apresentado e defendido (três reuniões mais tarde) pela JS e o BE. Perante o desacordo destas organizações àquela proposta foi ainda adiantado em alternativa, por iniciativa da Interjovem o nome de Joana Bastos para eventual consideração.

● Foi a falta de consenso entre as várias organizações juvenis – indispensável no processo de construção de decisões da comissão promotora das comemorações do 25 de Abril – que inviabilizou o acordo necessário para a referida escolha.

● O sentido que o título do DN e a peça que o acompanha pretende atingir é assim manifestamente tendencioso. Com igual «rigor» o DN poderia ter titulado “PS(ou BE) veta jovem sindicalista”.

É assim absolutamente falso que o PCP tenha “vetado” o nome de Ricardo Araújo Pereira. Para o PCP, a presença de todos quantos, como Ricardo Araújo Pereira, e tantos outros designadamente dos meios artísticos e culturais, se queiram associar às comemorações de Abril é sinal de uma desejável manifestação de vontade democrática de participação e de afirmação dos valores de Abril.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Cuidado que ele possui um cartão em que se diz socialista



Além de uma investigação independente ao atoleiro que gerou a licenciatura de Sócrates, é urgente investigar que outros dirigentes socialistas se licenciaram pela produtora independente. E em que condições.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Mário Quintana


Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

O TEMPO DAS GIESTAS


“Chove, agora, uma chuva miudinha, embora contínua. O vento, depois do temporal que durante a noite assolou o Tejo, amainou e sopra fraco. As gaivotas serenaram, pairam sobre o rio, soltam os seus gritos de tempo de bonança, fazem voos picados como se fossem mergulhar e elevam-se, roçando as águas, amiúde com peixes presos nos bicos. Simão espera-a junto à Torre, abrigado no seu guarda-chuva grande, acompanhando os movimentos das gaivotas, agora voltando-se, vendo-a, dirigindo-se-lhe em passo acelerado, quase a correr, a correr, no rosto um sorriso feliz. Pega-lhe nas mãos, segurando o guarda-chuva com o pescoço e o ombro: Ainda bem que vieste — murmura. Depois tira-lhe a sombrinha, devolve-lha fechada, ficam os dois sob o guarda-chuva, repete: Ainda bem que vieste.”

No próximo dia 19, às 18h30, todos os caminhos vão dar à Casa do Alentejo, em Lisboa: chegou, finalmente, O Tempo das Giestas, romance belíssimo, comovente, de José Casanova.

sábado, 7 de abril de 2007

Memórias do Cárcere

"Quem dormiu no chão deve lembrar-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, contorná-las, envolvê-las em gaze. "

Graciliano Ramos - Memórias do Cárcere

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Graciliano Ramos


Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

(Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948. Descobri Graciliano através da releitura do fabuloso livro de José Casanova, O Caminho das Aves. Se eu pudesse, oferecia a cada português um exemplar desse tesouro inesgotável.)

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Pela Verdade

No tratamento dado à matéria alusiva à alegada licenciatura de José Sócrates, os jornalistas têm omitido, com raríssimas excepções, um dado cada vez mais elementar: quem levantou a questão, quem a estudou e corajosamente publicou foi o Prof. António Balbino Caldeira, no seu blogue Do Portugal Profundo

Ora o Prof. há mais de dois anos que escreve sobre este assunto pelo que é de uma profunda desonestidade alegar, como tem feito o governo e hoje o barão socialista Jorge coelho reiterou, na Quadratura do Círculo, que tudo não passa de uma guerrilha entre gente que quer tomar o poder na alegada Universidade Independente. Guerra que como se sabe começou recentemente.

Com argumentos desse tipo pretendem atirar areia para os olhos do povo e adiar, quem sabe ad eternum, como noutros assuntos conseguiram, o conhecimento da realidade. Por que não fala José Sócrates? Algum licenciado admitiria, por uma hora que fosse, que questionassem o fruto do seu trabalho de pelo menos cinco anos?

A título de mera curiosidade, não posso deixar de assinalar um facto: Armando Vara, ex-governante socialista, surge agora também licenciado pela Independente, parece que em Relações Internacionais. Como foi meu colega em Direito na Universidade Lusíada, no já longínquo 1.º ano, hão-de ter sido as dificuldades sentidas a motivar a mudança de curso e de faculdade