Quando penso na desfaçatez com que hoje os fascistas se colocam em bico de pés, além da revolta, assalta-me um nojo profundo. Estes criminosos, agora de novo fanfarrões, são os mesmos que em Abril de 1974, tendo no currículo cinco décadas de crimes horrendos contra homens e mulheres indefesos, se mijaram e borraram de medo mal avistaram os cravos libertadores.
Cobardolas, bandalhos, assassinos. Guincham agora de satisfação por acharem apropriados os ventos que correm. Mas nós sabemos e não há Jaime Mussolini Nogueira Hitler Pinto que apague a realidade: pertenceis à mesma corja que pariu os campos de concentração e as prisões onde milhares de portugueses foram encerrados. Que perseguiu, torturou e assassinou. Foram milhares as vítimas e muito o sangue derramado. Podeis estar certos de que não o esqueceremos.
O nosso património é indestrutível: agora mesmo posso ver o heróico Militão Ribeiro agonizando numa cela. Apesar de selvaticamente espancado ainda consegue, antes de morrer, reiterar, escrevendo com o próprio sangue, a sua dedicação ao Partido e ao povo e a sua confiança no futuro. Vejo Catarina, Bento Gonçalves, Álvaro Cunhal e milhares de anónimos que vos enfrentaram sem temor. O heroísmo dessas gentes é o nosso baluarte. A sua memória, que procuraremos honrar, a melhor companhia para o futuro.
Perante isso, os vossos grunhidos cobardes não nos intimidam. Estaremos vigilantes, porque acreditamos, como refere o poeta, “que se Abril ficar distante desta terra e deste povo, a nossa força é bastante para fazer Abril de novo”. Dure o tempo que durar. E quanto aos que de forma diletante e com aparente magnanimidade, nos receitam despreocupação perante os vossos guinchos reiterados e desvalorizam o perigo real do fascismo, só espero que não repitam a cobardia da inacção conivente a que se votaram antes de Abril.







