quarta-feira, 2 de agosto de 2006

CUBA VENCERÁ!

Fídel Castro tem sido tratado, nos media ocidentais, como um ditador. Sabendo-se que a generalidade dos órgãos de comunicação social é propriedade de capitalistas, tal designação não pode deixar de ser tida como o mais elogioso dos predicados. Porque a verdade é esta: canalhas que toda a vida orientaram as respectivas condutas determinados apenas pela obtenção do lucro máximo; miseráveis que durante décadas deram cobertura aos maiores ditadores da História, que continuam a silenciar - interessados e coniventes - os monstruosos crimes do capitalismo, não possuem legitimidade para se pronunciarem sobre um homem honrado, digno, coerente e corajoso.
A verdade é outra: Fidel Castro demonstrou, com a sua conduta irrepreensível e em conjunto com o povo a que pertence e que nele identifica um herói imortal, que “sobre a dignidade pode construir-se um mundo”. Diferentemente dos canalhas que por esse mundo ostentam o poder mascarados de democratas – sempre governando contra o povo que na tomada de posse juram defender – Fídel e os cubanos que com ele têm lutado, sempre agiram de forma honrada e séria, assumindo frontal e corajosamente a luta contra o maior flagelo da história da Humanidade: o capitalismo.
Não admira, pois, que atraiam os ódios mais diversificados: desde a camarilha mafiosa, de origem cubana, que a partir de Miami e com a complacência criminosa de diversas administrações norte americanas, têm repetidamente desenvolvidos acções terroristas estudadas nas academias dos EUA, até aos escribas que subservientes reproduzem, pelo mundo, a voz do dono, todos se babam de raiva.
O que eles não fazem, contudo, é olhar a realidade, porque lhes dói a verdade. Ditador, Fidel? Vamos a alguns factos:
Antes da revolução cubana, o analfabetismo atingia a esmagadora maioria da população. Em 27 de Abril de 1952, a revista Bohemia publicava uma taxa de mortalidade infantil, em Cuba, de 118 para cada mil nados vivos. Repito, 118! Dados de 23 de Julho de 2006, referem que a mortalidade infantil em Cuba foi de 5,56 para cada mil nados vivos. Mas em Havana, por exemplo, a taxa de mortalidade infantil é de 4,5 para cada mil nascidos vivos.
Antes da revolução, em 1955, a estimativa de vida em Cuba ao nascer, era de 59,6 anos e nos países desenvolvidos cerca de 66,1 anos, quer dizer, 6,5 anos mais. Actualmente, os nascidos em Cuba têm uma esperança de vida de 77 anos. De facto, como referiu recentemente Fidel Castro, “é uma violação muito cruel dos direitos humanos e um imperdoável crime que na Cuba bloqueada, as perspectivas de vida sejam 1,2 anos superiores do que na média dos países desenvolvidos”. Há países em África - países capitalistas assinale-se -, onde actualmente a esperança de vida ao nascer atinge apenas os 38 ou 39 anos.
Cuba possui hoje o maior índice de médicos per capita do mundo, o que permite que o país se desdobre em missões de solidariedade por 77 países, onde se encontram 28600 trabalhadores de saúde, 22000 dos quais médicos. Enquanto a África subsaariana, com quase 700 milhões de habitantes, possui apenas 50 mil médicos, Cuba, com 11,2 milhões possui mais de 70 mil e nas faculdades de medicina cubanas estudam milhares de alunos do Terceiro Mundo, além dos 20 mil cubanos. Tudo isto sem gastarem um único centavo.
O povo cubano é um povo culto e participativo Discute e intervém na vida política e social. Já não é, como referiu Fidel em Julho deste ano, “o povo da era do capitalismo que não podia compreender nada disso. Morriam e não sabiam ler nem escrever, não existia a televisão, ninguém informava; hoje em muitos países do mundo o único que escutam é publicidade”.
Se existissem outros “ditadores” como Fidel, mais de dez milhões de crianças sobreviveriam anualmente, por receberem os cuidados médicos e alimentares adequados. Mas que vale isto para os que cultivam o capitalismo? Que pode isto contra o fino corte dos fatos e a alta cilindrada dos motores que ostentam?
Cada dia me convenço mais de que não pode haver progresso social nem futuro no capitalismo. Por onde a nossa vista alcança, só se vê miséria e desgraça para a generalidade do povo, enquanto uma minoria privilegiada engorda e progride alheia a tudo.
Admiro e respeito profundamente o Comandante Fidel Castro e o povo cubano O seu exemplo de dignidade, heroísmo e resistência é património da humanidade. Por mais que isso desagrade aos senhores do dinheiro, Cuba vencerá!

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Isto anda tudo ligado!



Segundo o Correio da Manhã de hoje, “Alípio Ribeiro, director nacional da Polícia Judiciária (PJ), mandou instaurar um processo disciplinar aos inspectores que investigaram o processo de pedofilia da Casa Pia, Rosa Mota e Dias André, que, em Tribunal, acusaram o director Artur Pereira de interferir na investigação para proteger Carlos Cruz.
Ainda segundo o jornal, “O Tribunal da Relação de Lisboa considerou ilegais as buscas e apreensões à Redacção do ‘24Horas’ no âmbito do caso ‘Envelope 9’. Rodrigues Simão e Telo Lucas (relator), dois dos três juízes que assinam o acórdão da 3.ª secção, tiveram também intervenção na libertação e na não pronúncia de Paulo Pedroso no âmbito do megaprocesso de pedofilia da Casa Pia.
Simão presidiu ainda ao colectivo que confirmou a decisão da juíza de instrução de não levar o ex-deputado a julgamento e, a par de Telo Lucas, decidiu soltar Jorge Ritto em Abril de 2004.·
Ontem, os mesmos desembargadores deram parcial provimento ao recurso dos jornalistas do ‘24horas’ e declararam a nulidade das buscas e das apreensões efectuadas no âmbito do inquérito ‘Envelope 9’ instaurado pela Procuradoria.”

No passado dia 19, também fui constituído arguido na sequência de queixa apresentada pelo fidalgo Paulo Pedroso. Motivo: declarações alegadamente prestadas por mim em tribunal.
Pedro Strecht, Catalina Pestana; Felícia Cabrita; António Balbino Caldeira; e todos quantos ousaram posicionar-se do lado das vítimas estão a ter tratamento semelhante. A coisa promete: por mim estou já a reler "A defesa acusa!", obra que narra a coragem dos que, nos tribunais plenários, denunciaram a perversidade do fascismo e da pide.
Faltando ainda tanta gente testemunhar, estes anúncios de procedimento criminal não podem ter senão um efeito intimidatório. A que é preciso responder com determinação, porque sempre falámos verdade. A luta continua!

terça-feira, 25 de julho de 2006

Assassinos!

Soldados israelitas, comandados por uma corja de assassinos, semeiam a morte e a destruição, no Líbano e na Palestina. Escribas portugueses, ávidos de sangue, tecem longos panegíricos aos assassinos e pedem mais. Mais sangue, mais morte, mais dor. Assim mostrando que a propaganda pode ser parte integrante do arsenal terrorista. Sempre pronto a disparar contra a Paz, contra o desenvolvimento social, contra os que persistem em fazer da dignidade uma forma de vida.
Estes bandalhos, iguais aos que por esse mundo sempre se dedicaram a lamber o rabo aos donos poderosos, usam e abusam de adornos e argumentos formais para embrulhar a ignomínia. Mas na verdade são cúmplices dos assassinos israelitas. Cada gota de sangue derramada é também responsabilidade sua.
Olho as fotografias do horror: prédios esventrados, milhares de feridos e mortos, tantas crianças assassinadas – e as que sobrevivem, meu deus, como padecem – e não me sai da cabeça a voz de infames cultores do ódio pedindo a Israel que prossiga a ofensiva nazi. Na sombra, coniventes patrocinadores da barbárie babam-se de gula pelo o momento em que as respectivas empresas serão chamadas à tarefa de reconstruir as infraestruturas agora destruídas.
A verdadeira natureza da besta, criada com desvelo pelos nazis norte-americanos, surge representada na foto em que crianças e adolescentes israelitas autografam bombas que no Líbano vão aniquilar outras crianças como elas.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Por que mente Teresa Costa Macedo?

A jornalista Felícia Cabrita referiu em tribunal, no passado dia 10 de Julho, que a ex-secretária de Estado da Família Teresa Costa Macedo lhe forneceu, baseada em relatórios dos anos 80, uma lista de figuras públicas implicadas no abuso sexual de menores.
Logo a senhora, sentindo-se acossada pela verdade, veio desmentir a jornalista. Sucede, porém, que estive presente no estúdio da SIC, quando Teresa Costa Macedo entregou à jornalista o papel com o nome de tais personalidades. Por isso, não tenho dúvidas em afirmar: Teresa Costa Macedo mente!

Mas, e esta é a verdadeira questão, por que mente a senhora? A quem serve a mentira? Revisitemos o início do designado processo da Casa Pia e as declarações que a ex-secretária de Estado produziu quando pretendeu surgir como a paladina da luta contra a pedofilia. Dessas declarações resulta claramente que a senhora sempre afirmou conhecer os nomes de alguns criminosos que exibem virtudes publicamente, mas em privado abusam sexualmente de crianças:

1. Ao Expresso de 23 de Novembro de 2002, afirmou que as investigações à Casa Pia poderiam revelar a existência de uma vasta rede de pedofilia. Aparentemente contristada, lamentou na ocasião não ter conseguido, quando exerceu funções governativas, inculpar Carlos Silvino, apesar de este, como admitiu, já estar referenciado como pedófilo. Considerou igualmente que os esforços feitos pela PJ teriam esbarrado então com um muro de indiferença pelo facto de, “haver nomes muito importantes envolvidos” e afirmou, resoluta, que “Carlos (Silvino) era o principal agenciador de crianças para as pessoas ilustres deste país”.
2. Ao Diário de Notícias de 26 de Novembro de 2002, garantiu que o director da PJ, “ é que tem a obrigação de analisar tudo o que aconteceu nestes vinte anos”, porque, segundo asseverou, dispunha de todo o material para investigar e acusar. Referiu saber os nomes dos pedófilos: “Os nomes que sei são os nomes que os meninos deram” e a jornalista acrescenta, “Teresa Costa Macedo também terá visto fotografias e guardado dois relatórios”.
3. Ao Correio da Manhã de 26 de Novembro de 2002, Costa Macedo afirma-se a única pessoa com memória e garante ter em sua posse relatórios que alega ter entregue à PJ e que envolvem “dezenas de homens”. E acrescenta mesmo que, “com excepção do Bibi, de todos aqueles de quem recordo o nome, nenhum deles até hoje respondeu na Justiça”. Segundo o jornal, a ex-governante, disse estar indignada pelo facto de ser a única a recordar-se, entre os antigos titulares de cargos ministeriais, do desaparecimento de várias crianças da Casa Pia por um período de 15 dias. Crianças que posteriormente foram encontradas na casa de um diplomata, no Estoril. Macedo explica que foi a partir deste caso que chegou ao que descreve como “uma grande rede de pedofilia que envolve gente importante do nosso país” e em que Bibi era apenas o angariador de meninos. Afirmou igualmente ter recolhido fotografias em casa do diplomata onde foram encontradas as crianças, nas quais reconhecera um homem, apesar de só ter visto duas fotos, por serem “horríveis”. Por esta altura eu já tinha estado com Teresa Costa Macedo em pelo menos dois canais de televisão e ouvi-a dizer, reiteradamente, que possuía fotos que guardara num cofre cujas chaves não encontrava... E três relatórios, dos quais só entregaria dois por enquanto. De facto, quando foi ouvida na Polícia Judiciária, Teresa Costa Macedo só entregou dois relatórios. Esquecendo igualmente as fotos, nas quais, como afirmou, se reconheciam personalidades diversas.
4. Na edição de 29 de Novembro de 2002, o Jornal de Notícias informa que Costa Macedo recusa revelar os nomes das personalidades envolvidas no escândalo de pedofilia, mas garante que tem um trunfo escondido. Guarda um terceiro relatório, que diz respeito à gestão da Casa Pia e que terá, também, revelações surpreendentes. “Irei torná-lo público quando julgar conveniente”, afirmou então.
5. Em entrevista ao “Euronotícias”, publicada a 29 de Novembro de 2002, declarou surpreendentemente, estar convencida que a rede de pedofilia associada à Casa Pia, “esteve activa até há três dias”. E reafirma ter visto “duas ou três” fotografias de pessoas conhecidas, esclarecendo mesmo que “A primeira tinha um estrangeiro, a segunda duas crianças nuas, com eles completamente nus e uma terceira só com os meninos nus”.
6. No dia 3 de Janeiro de 2003, em declarações ao DN e referindo-se ao que foi encontrado em casa de Jorge Ritto, afirmou: “Na altura, apreenderam-se fotografias, dinheiros, material fotográfico. Deixaram lá a máquina fotográfica”. Desejando saber a jornalista como se referiam os miúdos aos pedófilos, respondeu que “alguns com apelido, que eram os conhecidos, principalmente da comunicação social, e os embaixadores e isso tudo, o senhor francês, o senhor do consulado... O melhor é investigarem quem é que em 1983 estava nos postos e foi imediatamente mandado retornar ao país. Encontram aí muitos diplomatas.”
Afinal, o que pretende TeresaCosta Macedo? Não lhe bastou ter gerido com inaptidão e insensibilidade a Casa Pia de Lisboa, o que significou para centenas de crianças órfãs, a fome, o abandono, os maus tratos e posteriormente a expulsão da instituição que os havia acolhido e até mesmo a morte. Não lhe bastou ter perseguido o mestre Américo? Como evidenciou José António Cerejo, num excelente artigo escrito no Público de 7 de Fevereiro de 2003, Teresa Costa Macedo foi até ao Supremo Tribunal Administrativo para castigar o mestre Américo e só comunicou à Polícia judiciária o que sabia, catorze meses depois do mestre o ter feito e – note-se bem! - cinco meses depois de as crianças terem sido encontradas em casa de Jorge Ritto." A quem protege Teresa Costa Macedo?

quinta-feira, 6 de julho de 2006

OS EQUÍVOCOS DE PACHECO PEREIRA

"A contestação da classe operária como a única classe verdadeiramente revolucionária, a contestação da sua missão histórica como coveira do capitalismo e criadora da sociedade socialista, a contestação do partido do proletariado de tipo leninista, tornam-se pontos centrais da ideologia e da actividade do radicalismo pequeno burguês de "opção socialista"".

(...) "No plano político, em vez do estudo objectivo e científico dos fenómenos sociais (possível somente na base do marxismo-leninismo), manifesta-se o subjectivismo, a tomada da parte como todo, a tomada de aspectos superficiais, derivados, acidentais e episódicos do desenvolvimento social como se fosse a raiz dos acontecimentos ou a força motora dos processos".

Estas palavras foram escritas por Álvaro Cunhal em Novembro de 1970. E publicadas clandestinamente em 1971 no livro Radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista. Dirigiam-se, entre outros, ao então "revolucionário" marxista-leninista-estalinista-maoísta José Pacheco Pereira. Assentam que nem uma luva ao actual "historiador", militante do PPD/PSD e defensor do capitalismo, JPP. Não cabe no âmbito deste artigo a resposta, ponto por ponto, ao que PP tem vindo a publicar sobre Álvaro Cunhal e o PCP. Por um lado, porque partilho a tese do Álvaro que "Deturpações e falsificações não merecem em geral desmentido." (in ob. cit.). Por outro, porque entendo que os escritos de PP não são o fim da história. Outros virão...
Os três volumes até agora publicados de Álvaro Cunhal: Uma Biografia Política, têm dado origem a numerosos elogios, nalguns casos desmedidos. São José Almeida e Miguel Portas, para não citar outros, conhecem da história do PCP e da dialéctica da história o suficiente para não serem tão categóricos quanto aos méritos em causa.

Não está em causa a qualidade literária. É sabido que algumas das maiores falsificações da história foram servidas em belas prosas. Veja-se, p. ex., Plutarco sobre Cleópatra. Não está em causa a capacidade de trabalho. Não me consta que os ideólogos mais retrógrados e reaccionários fossem preguiçosos ou pouco diligentes. Não está em causa o acesso a arquivos. Que aliás o episódio Suslov bem demonstra. Nos arquivos soviéticos não figuram as suas deslocações ao estrangeiro. E no entanto elas tiveram lugar!
Não estão em causa as fontes. Privilegia-se Vasco Carvalho e a PIDE? É uma opção que nem sequer é virgem.

O que está então em causa? Não é certamente a forma, que é de elevada qualidade.
A questão é de conteúdo. PP não utiliza o método dialéctico, mas sim o silogístico. Não parte da análise concreta da realidade concreta para as conclusões. Não distingue o essencial do secundário. O seu percurso é precisamente o inverso.
Para PP há uma série de teses por ele criadas de antemão que há que demonstrar obrigatoriamente:
- A História do PCP está por fazer. Por parte do PCP, o que existe é sobretudo hagiografia, pontuada por algumas histórias de santos, mártires e vitórias, e por isso mesmo cheia de ensurdecedoras lacunas (Luís Filipe Rocha dixit, mas podia ser PP).
- No PCP houve sempre luta pelo poder. Ela teria sido mesmo o fio condutor da sua actividade política.
- Dirigentes com capacidade só os de origem intelectual (Cunhal e Fogaça). Os outros eram meros tarefeiros.
- O papel da PIDE e da repressão durante o fascismo, nomeadamente no dia a dia dos comunistas, são questões secundárias. Ou quase.
- A verdade é só uma: o PCP não fala verdade. PP sim!

Os factos não correspondem, no essencial, a este esquema? Citemos de novo Álvaro Cunhal:
"Os teorizadores pequeno-burgueses fazem afinal como o maledicente da fábula, que, criticando o projecto de uma casa e pretendendo "provar" que a casa era par toupeiras e não para homens, escondeu que no projecto estavam indicadas largas janelas; e logo afirmou que os arquitectos eram uns utopistas ao indicarem janelas no projecto, pois as toupeiras jamais construiriam casa semelhante. Contra tais argumentos batatas!".

Como o biografado é Álvaro Cunhal deixemo-lo desmontar algumas das teses queridas a PP e que perpassam linearmente pelos 3 volumes:
Em Junho de 1971 a Revista Internacional publicou um artigo de AC "Algumas experiências de 50 anos de luta do PCP". PP certamente que o leu.
Nele se apontam as razões do êxito do PCP: partido operário; marxista-leninista; capacidade para se colocar à frente das lutas dos trabalhadores e das massas populares; criação e consolidação da organização clandestina; recurso a formas legais e semi-legais de organização e acção; ter forjado sucessivas gerações de militantes revolucionários; defensor do socialismo e da causa internacional da classe operária.
Mas em relação a todos estes pontos e a cada um deles Álvaro Cunhal aponta os erros cometidos. "Ilude-se e ilude os trabalhadores, qualquer partido que pretenda que nunca erra ou pretenda esconder os próprios erros.". E mais adiante "Na vida do nosso Partido pagámos caro alguns erros".
Segue-se uma extensa lista de erros de análise política, de trabalho conspirativo, de métodos de acção e de organização. Ao longo de 50 anos.
O texto escolhido foi este. Mas podia ter sido o Rumo à Vitória, A tendência anarco-liberal no trabalho de organização, os relatórios da actividade do CC ao III, ao IV ou ao VI Congresso. Neles se encontra sempre a mesma análise dialéctica: sucessos e erros, vitórias e derrotas, avanços e recuos, heróis e traidores. Hagiografia? Só para rir!
Das duas uma. Ou o retrato resumido de 50 anos de PCP elaborado por Álvaro Cunhal é uma falácia completa e uma mentira pegada, ou as coisas não se poderiam ter passado como PP nos que fazer crer. Ou ainda, dirão alguns, algures no meio é que está a verdade.
Luta pelo poder para quê?
O PCP era um partido clandestino. Perseguido pelo regime fascista e pela PIDE. Os seus dirigentes e militantes eram assassinados. Ou presos, torturados e condenados a longos anos de prisão. Quanto maior a responsabilidade maior a pena de prisão.
A alternativa era desistir da luta, denunciar camaradas, passar-se para o inimigo. Houve, obviamente, quem o fizesse.
Lê-se PP e fica sem se perceber onde ficava espaço, mesmo temporal, para organizar o PCP, a luta dos trabalhadores, as greves, as manifestações, a distribuição da imprensa clandestina, o derrube do fascismo. Seria apesar de? "
António Vilarigues -No Público de 2/1/2006

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Esclarecimento pelo povo timorense


Do blogue ANÓNIMO SÉC: XXI, retirámos o seguinte texto escrito por Sérgio Ribeiro:

"De Timor-Lorosae algo sei...

Quando fui parar a Bruxelas e Estrasburgo em tarefas no Parlamento Europeu, calhou-me, em substituição do Carlos Carvalhas, ser vice-presidente da delegação PE-Nações Unidas. E, nessa (duvidosa) qualidade, logo fui a Nova Iorque, onde tem sede a organização que das nações unidas se chama.Passo, agora, sobre as peripécias peripatéticas para que um deputado eleito pelo povo português, proposto nas listas do PCP, tivesse o visto para os Estado Unidos, onde Nova Iorque fica e onde fica a sede da ONU, pois recusei-me a responder – num mesmo sim ou não! – se era comunista, terrorista, homossexual, portador de doenças transmissíveis, se fora condenado por crimes nazi-fascistas e mais coisas. O resultado é que, após murros na mesa e esperas de castigo, consegui o tal visto e lá fui, visto que obtive o visto. Com uma anotação alfabética que fez com que a minha entrada nos States fosse demorada e penosa. Adiante…
Em cada reunião em que participei, fui colocando questões sobre Timor Leste. Tantas pus que, às tantas, o senhor Perez de Cuellar, então secretário-geral das Nações Unidas, que até fazia gala em lembrar as suas familiares relações com Portugal, me proporcionou uma conversa a sós com o seu (se me lembro da função) secretário-adjunto encarregado de Timor.A conversa foi elucidativa. Naquela horita fiquei a saber mais sobre a armadilha da simultaneidade de eleições em Timor, enquanto região da Indonésia, com um referendo sobre autonomia, e outras “habilidades”, que em dias de leitura e estudo embrulhados em documentos e relatórios.Não que tivesse ficado satisfeito com o que soube. E menos o quis guardar para mim.
No regresso a Bruxelas, dada a informação a quem considerava responsável pela minha tarefa, logo procurei divulgar o que seria de divulgar pela via da comunicação social. Falei para a Lusa e para outros órgãos de comunicação social.Depois, em Lisboa, provoquei uma reunião na comissão da AR para Timor, na presidência de Eduardo Pereira, informei do que soubera, tive um debate frutuoso com intervenção relevante de Sousa Lara, fui ao CIDAC e outros, procurei que o que sabia ajudasse a melhorar a luta contra o que pretendia esmagar o povo de Timor-Leste. Desde 1975, desde que ele começara a ter condições, fora do quadro colonial, de se afirmar como povo que era. Que falava e rezava em português.
Após o massacre de Santa Cruz, em Bruxelas e Estrasburgo fui dos que contribuíram para que lá tivessem ido os jornalistas que tinham presenciado o massacre, no quadro das iniciativas do Intergrupo Timor-Leste, que animei quanto me foi possível, procurando que não estiolasse em guerrilhas de influência partidária e penachos de presidências, tendo para ela convidado Simone Veil, primeira mulher presidente do Parlamento Europeu (1979-82), com um leque de vice-presidentes um por partido português representado em Bruxelas-Estrasburgo.
Os episódios que me saltam à memória, e susceptíveis de terem interesse para além de recordações pessoais, são muitos. Para agora, retenho as visitas de Ramos Horta ao Parlamento, a disponibilidade que tinha no meu gabinete, autenticamente colocado às suas ordens, a decisão de pagar a um timorense como lobbyista a custear pelos deputados, as “animadas” sessões de algumas comissões em que tive papel activo, convidando gente para falar ou interpelando gentinha como o timorense (?!) Martins da Cruz, hoje embaixador da Indonésia em Portugal, convidado por grupo excursionista ao Oriente, chefiado por um enorme e reaccionaríssimo deputado holandês com quem me cheguei a “pegar”, também a outorga do Nobel da Paz ao Ramos Horta, a minha participação, enquanto “deputado europeu” nos “festejos” no PE, a proposta do nome de Xanana para rua em Ourém e a mudança, por proposta minha, para rua Povo de Timor.
E, entretanto, vou acrescentando coisas – tantas! – que me chocam, que me/nos agridem.Como as que já coloquei neste blog. Como as que leio nos sempre esclarecedores artigos do Pedro Namora. Como não ver referido o que ouvi e me parece a mais ridícula das manobras neste atoleiro, que foi a do sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, o inefável Ramos Horta, na esteira do sr. Presidente da República, o não menos inefável Xanana Gusmão, vir anunciar ao corpo diplomático, e às instâncias com que está relacionado pelas funções ministeriais que tem e outras, que o sr. Primeiro Ministro, o alvo a abater Mari Alkatiri, se demitia e que ele próprio Ramos Horta iria voltar à Fretilin para não sei quê da moral e do crédito e do respeito por, e mais isto mais aquilo de que ele seria capaz de ser (e por ser) o agente.
Poucas vezes tenho sentido a ignomínia tão por perto. Pelo que vivi em tarefas parlamentares, talvez por ter tido Ramos Horta como inquilino no 3º andar da rua do Sol ao Rato, decerto porque o povo de Timor-Leste é dos mais massacrados da História. Na escala que é a sua, e na escala do petróleo que existe nas cercanias da terra que sua é e em que resiste heroicamente para que continue a ser. E resiste em português falando e indo à missa nas igrejas onde há traição enroupada de sotainas e sermões hipócritas.
De Timor Lorosae algo sei
Pelo Povo de Timor indigno-me
e sofro a impotência!"

sexta-feira, 23 de junho de 2006

O FIM DA HISTÓRIA


foto de Sebastião Salgado

"Não vive sangue nem esperança no silêncio frio dos deserdados", apregoam os que tudo podem enquanto afugentam as aves desavindas e a vertigem de tempo novo. Cínicos, evocam a humanidade nos livros. Toneladas de letras amontoadas contra a sua proverbial boçalidade.
Recitam pensamentos alheios, que repetem até à exaustão. Querem-se diferentes, novos, mas só transportam corações empedernidos de anjos domesticados em carris de luxo.
De ti esperam que não queiras a diferença, que te mostres cooperante. Que bajules os donos do mundo, devores o fígado e lhes lambas os pés. Que raches e desprezes a coerência. Cordeiro te querem, ao rebanho deves comparecer. Escravo em cifrões engravatado. Potro dócil de órbitas domadas. Ruminante de interesses imutáveis.
Quanto ao protesto? Que espere, resguarde-se no tempo, aguarde a sua vez. Os que podem decretaram a morte do futuro.
Há no entanto um pequeno contratempo: multidões persistem no punho içado contra a iniquidade, a miséria e a opressão. Por todo o lado se erguem as vozes clamando justiça, ávidos gritos inconformados, entoando em uníssono: o futuro é nosso, a luta continua!

O imperialismo joga forte em Timor-Leste

Empunhando a mesma cartilha que possibilitou a Pinochet assassinar Allende para satisfazer os interesses das multinacionais americanas, afectados pela revolução chilena, assistimos à conspiração organizada e desenvolvida por Xanana, – o mesmo Xanana que tudo fez para perdoar aos verdugos indonésios – Ramos Horta e sectores reaccionários da igreja, irmã gémea da que em Portugal abençoou os crimes contra os que pretenderam libertar Portugal do fascismo.
A desvergonha é tanta que adulam o golpista major Reinado, analfabeto cujo pensamento altamente elaborado guinchou há dias, referindo-se à FRETILIN, algo como “Não queremos comunistas em Timor-Leste”. Mesmo que tenham ganho as eleições por maioria absoluta…

Hoje na TSF, julgando-se certamente dona de Timor e do seu martirizado povo, Ana Gomes, deputada portuguesa eleita por um partido mascarado de socialista, decretou majestosa e imperial, ingerindo-se vergonhosamente na vida interna de outro país, que o Primeiro-ministro de Timor-Leste, legitimamente eleito, tem que demitir-se aceitando a provocação chantagista de Gusmão.
Ao que chegámos…Da mesma forma que Pina Moura serve Espanha, após ter sido ministro de Portugal, Ana Gomes oferece à Austrália faminta do petróleo timorense argumentos que justifiquem o perpetuar da invasão em curso.
Cabe ao povo de Timor-Leste solucionar os seus problemas e decidir o seu futuro, sem ingerências externas nem tutelas de cariz colonialista.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Que tristeza!

O país está revestido de bandeiras, como outrora surgiu pejado de sereias e de inscrições boçais nas traseiras dos automóveis. Esta espécie de tendência para a imitação acrítica já não é sequer o que de forma inovadora marcou o Euro 2004. Desta feita, à esperteza saloia mas bem remunerada dos que só pensam cifrões, bastou associar o patriotismo aos feitos da equipa que na Alemanha nos representa, para multiplicar por muitos os cêntimos que custa cada pedaço do símbolo pátrio.

Que sucederá se, como é previsível e natural, a selecção nacional for derrotada um destes dias? Rasga-se a bandeira? Substitui-se por outra mais ganhadora? Acorda-se para a realidade de um país submetido ao neoliberalismo por um governo cobarde, travestido de socialista?

Que país é este onde se fecham maternidades por razões economicistas e os membros – pseudo-socialistas – de um governo mentiroso se passeiam pela Alemanha, à custa do erário público, comentando de forma alarve as incidências dos jogos?

Que país é este onde morre um intelectual como Mário Ventura Henriques e a alegada TSF abre a emissão do noticiário preocupada por não saber se jogaria o Ronaldo ou o Deco? Que nação é esta adormecida para os dramas de trabalhadores despedidos aos milhares, mas disposta a guerrear por excrescências envolvendo craques de futebol?

Onde colocar as bandeiras quando o país começar a arder? Sim, porque tem ardido todos os anos, a horas certas, perante a passividade negligente e cúmplice de sucessivos governos de direita.

Não nos respondem, porque nos querem anestesiados, domados, sem consciência. Apetece fazer, neste fascismo manso e torpe em que vivemos, o que faziam os antifascistas durante a ditadura: empunhar um pau sem bandeira. Hasteando dessa forma o inconformismo dos que não se vergam. A luta continua!

terça-feira, 13 de junho de 2006

Faleceu Fernanda Barroso


O PCP informou hoje « com profundo pesar o falecimento de Maria Fernanda de Sousa Barroso, funcionária do PCP e membro da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP. Fernanda Barroso, engenheira técnica química, faleceu hoje, dia 13 de Junho, com 61 anos. Fernanda Barroso aderiu ao PCP em 1974 e era funcionária do Partido desde 1975. Como aluna do Instituto Industrial de Lisboa, participou nas greves estudantis de 1971/72 e foi delegada dos alunos nocturnos na Reunião Geral de Alunos (RGA). Colaborou com a Comissão Democrática Eleitoral (CDE) nas eleições de 1973 e participou no movimento católico antifascista. Depois do 25 de Abril de 1974 foi eleita para a Comissão Directiva Provisória do Instituto Industrial de Lisboa e fez parte da Comissão de Trabalhadores do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).
Integrou o Secretariado de Célula do PCP dos Trabalhadores do LNEC e, entre outras tarefas, foi responsável pelo Sector de Telecomunicações e pela Organização dos Trabalhadores da Função Pública da Organização Regional de Lisboa do PCP. Era membro da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP desde 1979 e foi membro do Comité Central do PCP de 1979 a 1996. Fernanda Barroso foi companheira de Álvaro Cunhal durante mais de 25 anos.»
Faleceu hoje uma lutadora abnegada, como o Partido fez questão de destacar e esclarecer na nota distribuída à imprensa. Apesar disso, a comunicação social dominante optou por referir o falecimento fazendo alusão apenas ao facto, sem dúvida de assinalar, de Fernanda Barroso ter sido companheira de Álvaro Cunhal. Ora isso é profundamente injusto para a memória, que urge preservar, de uma portuguesa honrada que tanto lutou por um mundo melhor.
Porque trabalhei com ela no sector de empresas da cidade de Lisboa, não posso deixar de recordar aqui a sua imensa dedicação aos trabalhadores, a fraternidade com que se relacionava com todos os camaradas, a ternura, o carinho e a imensa sensibilidade com que tratava os militantes mais novos; a preocupaçaõ em saber a realidade com que cada um de nós se debatia. Em ajudar.
Morreu, pois, uma revolucionária. Maria Fernanda de Sousa Barroso. Militante comunista. Mulher digna, dedicada ao seu povo e à sua pátria. Realçando o seu exemplo, exprimo o meu profundo pesar.