quarta-feira, 22 de março de 2006

Criminoso Bush


Do RESISTIR:

"Já há cerca de 17 mil mutilados estadunidenses da guerra do Iraque. No entanto, os media corporativos não os mostram. Nos EUA, ou em Portugal, é como se não existissem. Os media pasteurizados da classe dominante esmeram-se na arte da desinformação e do encobrimento da realidade. As imagens destes pobres mutilados, recrutados entre as classes sociais baixas dos EUA, são chocantes. Elas mostram o custo humano da guerra bárbara que o imperialismo desencadeou no Iraque. Mas, ao serem vistas, não se deverá esquecer que as principais vítimas destes três anos de guerra estão entre o heróico povo iraquiano e não na tropa agressora. As imagens estão em: http://www.voltairenet.org/article136827.html (impróprio para pessoas sensíveis). "

segunda-feira, 20 de março de 2006

Assassinaram Milosevic

Sob custódia das Nações Unidas
A morte matada de Slobodan Milosevic

Slobodan Milosevic morreu a 11 de Março numa cela do «tribunal» de Haia. Ao que se sabe, é o sétimo preso sob custódia da ONU a perder ali a vida. Acasos?
Nuns casos por «suicídio», noutros por «causas desconhecidas», noutros ainda por «ataque cardíaco», os presos do «tribunal» de Haia vão morrendo convenientemente antes que o processo chegue ao fim. O primeiro a «acabar com a vida» terá sido Slavko Dokmanovic, mas outros se lhe seguiram nos últimos seis anos. O ritmo acelerou-se no final de 2005, de tal modo que em apenas meio ano se registaram pelo menos três óbitos: em Novembro de 2005, Dusko Bukcevic morreu de «enfarte»; a 5 de Março de 2006 Milan Babic «suicidou-se», e uma semana depois, no dia 11, Slobodan Milosevic sucumbiu a um «ataque cardíaco».

Sem explicar como é que a morte do preso mais vigiado do mundo só foi descoberta «várias horas depois», os que dão a cara pelo «tribunal» desdobraram-se em explicações contraditórias para induzir na opinião pública a tese do suicídio, enquanto as primeiras páginas dos média de todo o mundo cavalgavam a onda para apresentar como facto consumado o que em cerca de cinco anos não foi possível provar, ou seja, a culpa de Milosevic. Incómodo em vida, o malogrado dirigente jugoslavo arrisca tornar-se ainda mais incómodo depois de morto. (excerto de texto publicado no Avante! Pela jornalista Anabela Fino).

Comentário do PCP

O Gabinete de Imprensa do PCP divulgou a 11 de Março o seguinte comentário à noticia da morte de Slobodan Milosevic:

1. O anúncio da morte de Slobodan Milosevic — o ex-presidente da República da Jugoslávia que resistira às imposições dos Estados Unidos e da NATO — ocorrida nas instalações do «Tribunal de Haia» para onde havia sido ilegalmente conduzido após o bombardeamento e desmembramento da Jugoslávia, não pode deixar de suscitar as mais legítimas interrogações.

2. O desaparecimento de Milosevic, curiosamente uma semana após a notícia do «suicídio», naquele mesmo local, de um outro destacado responsável político de territórios da ex-Jugoslávia, constitui um oportuno acontecimento para todos quantos — a começar pelos Estados Unidos — desejam iludir as graves consequências do seu intervencionismo, ver enterrada a verdade sobre a guerra que ali desencadearam e a nova situação na região dos Balcãs decorrente do processo de desmembramento que ainda hoje prossegue como o revela a tentativa em curso de separação do Kosovo.

3. O falecimento de Milosevic contribuirá para que perdure o conjunto de mentiras e falsificações históricas que deram suporte à ilegítima guerra de agressão, movida pelos Estados Unidos e pela NATO na base dos mais diversos pretextos, ao processo de sequestro e entrega de Milosevic ao «Tribunal de Haia», ao desmembramento violento do Estado Jugoslavo e à criação de uma nova situação geopolítica que visou, no essencial, a criação de um conjunto de novos países e protectorados subordinados à estratégia e objectivos de dominação dos Estados Unidos e dos seus aliados naquela região.

sexta-feira, 17 de março de 2006

O PROCESSO


Já lá vão três anos e alguns bocejam. Protestam que a confusão nunca mais termina. Denunciam as testemunhas por não apresentarem provas do que afirmam. “Nem ao menos uma foto” – exclamam, enfastiados. A chatice que isto lhes dá, tadinhos. A máfia, por seu turno, exulta de contentamento: o processo arrasta-se, as vítimas referem intocáveis cuja identidade não podem revelar – a não ser em troca da própria vida, ou da dos filhos – e as vozes dissonantes foram silenciadas.
Surgem, em tribunal, confissões cujo sentido é imediatamente adulterado, num contexto em que o polvo conseguiu calar os que defendem as vítimas. Agora só se escuta os que promovem os algozes. A constatação é óbvia: os pedófilos gozam da cumplicidade dos escribas ao serviço de padrinhos.
Neste atoleiro que só favorece os pedófilos, agrava-se até níveis insuportáveis a dor das vítimas. Mas o sistema olha para o lado, como se por já sabermos, tudo estivesse limpo de novo. E não é assim: vítimas de ambos os sexos, selvaticamente abusadas no passado e agora mafiosamente perseguidas e difamadas, continuam à espera de Justiça. Porque todos os dias deparam com os intocáveis que os massacraram. Porque, minuto após minuto, vivem no medo de que falhe a protecção de que ainda beneficiam. Ou que ceda a resistência, a heróica resistência que lhes tem permitido aguardar, pacificamente, que a justiça funcione.
Retorno à confissão que tanta celeuma suscitou: se tudo quanto se sabe pudesse ser dito, terramoto seria uma expressão branda para o desabamento do sistema putrefacto que persiste em afirmar-se democrático. A separação de poderes já foi: magistrados de joelhos, salivando por poder, benesses e mordomias, são quadro recorrente. Pedófilos e cúmplices, emporcalham órgãos de soberania, e em poses altivas que escondem as vidas duplas que tantas crianças destruíram, opinam, decidem em causa própria, apagam registos e apontam os alvos a abater. E com os bolsos a abarrotar de dinheiro, babados de raiva por terem sido apontados pelas vítimas, querem reescrever a história à luz de decisões judiciais que encomendam a partir dos respectivos domicílios.
Isto não é roteiro de filme de terror: é Portugal no seu pior. Perante isto, o que resta? Resistir e lutar. Por mim, continuarei a fazê-lo.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Os palhaços também choram!

"Fevereiro, quadra de Carnaval, temporada de Circos!
Carnaval, palhaços, cor, música, alegria, crianças, pais e Coliseu!
Nunca entendi a relação entre o Circo e o Carnaval! O Carnaval é correr na rua! As crianças viam os palhaços naquele Circo, ano após ano! No Coliseu!
O espectáculo obrigava que o palhaço fizesse rir e as crianças riam! O palhaço pobre, inocente, quantas vezes solidário, “mal” vestido, transmitia a nostalgia nuns olhos “mal” pintados! Como detestava aquele Circo! Obrigatoriamente tinha que rir! Imperiosamente tinha que assistir! No verão, nas vilas e aldeias, proliferavam Circos de parcas condições. Deslocavam-se em velhas roulotes com animais esquálidos e trabalhadores circenses com fome e muita miséria!

Certo dia numa tarde de verão, um Circo muito pobre instalou-se num descampado perto de minha casa. Ouvindo o rugido dos leões, fui lá para me mostrarem os animais! Atendeu-me um senhor, nada simpático. Falou na perigosidade dos animais, pedindo-me para que eu fosse embora! Impossível, teria que ver os ditos bichos. O perigo estava em casa, ninguém sabia que eu tinha ido ao Circo e era quase hora do lanche. Devido à minha insistência o senhor chamou alguém que logo trouxe uma cobra. Disse-lhe que nunca tinha estado com uma, talvez tivesse medo! Rindo, novamente pediu que os deixasse em paz! Quando eu me agarrei à longa cobra, acarinhando-a com beijos, prontamente decidiu que me mostraria todos os animais, não sem que eu lhe prometesse que nunca tocaria neles!
Fiquei deslumbrada! Leões, cobras, cães e macacos. Eram lindos! Magríssimos, mal tratados, mas lindos! Despedi-me agradecendo. Ainda presenciei o treino da “bailarina voadora”. Ela voava em altos baloiços dando grandes cambalhotas, saltava para outro baloiço ininterruptamente, até que caiu! Todos os trabalhadores acorreram, minutos depois foi levada por uma ambulância. Quando vinha embora, estava um palhaço, sentado (talvez num caixote), chorando compulsivamente! A pintura misturava-se com as lágrimas, que um lenço multicor ajudava a esborratar.

Corri até casa, coloquei num prato bolos e pudim, sobras da sobremesa do almoço. Aproximei-me do palhaço e ofereci-lhe o prato com os doces, dizendo-lhe que nunca tinha visto um palhaço chorar! Com um olhar que ainda hoje recordo, de surpresa mas tão meigo e triste, agradeceu com a cabeça, esboçando um sorriso forçado!
Ao longe, alguém gritava que tudo estava bem, só tinha uma perna partida! O palhaço levantando-se, tirou do bolso um pequeno papel com a foto da bailarina voadora e autografou dizendo: -“ Volte amanhã e assiste ao ensaio! Com este bilhete entra no espectáculo à noite. Obrigado, pelos bolos”, correndo. Talvez para ouvir notícias trazidas do hospital.

Cheguei a casa felicíssima, tinha como amigo um palhaço! Fiquei de castigo prolongado! Com oito anos, tive a ousadia de sair de casa e ter entrado num circo sozinha!!!
Nunca mais vi o palhaço. Nunca fui àquele circo! Continuei a ir ao Coliseu. Ano após ano!
Adoro o olhar dos palhaços, mas entristecem-me! "
Guida Rodrigues

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Condenado pedófilo Pedro Inverno


O acórdão do processo de pedofilia conhecido por "Caso Parque", foi hoje proferido no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa. O pedófilo Pedro Inverno, (à esquerda na foto), considerado culpado de 53 crimes de natureza sexual, de que foram vítimas nove crianças com idades compreendidas entre os 13 e 16 anos, foi condenado a 19 anos de prisão. O pedófilo António Nogueira foi condenado a oito anos.
Inverno é o principal dos 11 arguidos do chamado ‘Processo do Parque’, que envolve, entre outros, Pedro Bustorff , Messing Ribeiro - cirurgião do Hospital Curry Cabral - e José Filipe Silva, condenados a três anos de prisão efectiva.
Ao que consta, todos os pedófilos agora condenados acalentam o mesmíssimo desejo: que os recursos que vão interpor desaguem no território favorável da 3.ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa. Por que será?
O Correio da Manhã elucida-nos: "ANTÓNIO SANCHES: RELAÇÃO REDUZ PENA"

"O Tribunal da Relação de Lisboa reduziu de nove para sete anos e meio de prisão a pena do ex-funcionário da Casa Pia, António Sanches, condenado em Maio passado no Tribunal da Boa-Hora por um crime de abuso sexual de crianças e dois de violação sobre dois menores. A decisão dos desembargadores da 3.ª secção da Relação – Telo Lucas (relator), Rodrigues Simão e Carlos Sousa – foi votada por unanimidade. O colectivo de juízes, que também já havia determinado a redução em dois anos da pena de João Beselga – ex-professor condenado em processo autónomo por abusar de um menor deficiente – decidiu ainda diminuir de 75 para 50 mil euros a indemnização a uma das vítimas."

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Almas cinzentas


A propósito das decisões dos senhores juízes da terceira secção do Tribunal da Relação de Lisboa, mas também do comportamento inqualificável de outro juíz desembargador, de seu nome Eurico Reis, que não tem cessado de se pronunciar contra as vítimas dos abusadores sexuais, muitos amigos ficam incrédulos e incapazes de entender o que se está a passar.

Philippe Claudel, no seu belíssimo romance Almas Cinzentas, Edições ASA, explica, de forma certeira, o posicionamento de tais personagens:

“… faziam parte da mesma classe social, a dos bem-nascidos, criados em berço de ouro, das viaturas motorizadas, dos lambris e das baixelas. Para lá dos factos e das simpatias, mais alto do que as leis ditadas pelos homens, está esta conivência e esta troca de galhardetes: “Não te metas comigo que eu pagar-te-ei na mesma moeda.” Quem pensar que um dos seus pode ser um assassino, está a admitir que ele próprio o pode ser. É confessar perante toda a gente que aqueles que falam com trejeitos de boca e nos olham do alto, como se fôssemos excrementos de galinha, que têm uma alma torpe como os outros homens, são de facto como todos os homens. E isso talvez seja o fim do mundo, o fim do seu mundo. É portanto insuportável.”

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

A propósito de opas e privatizações



“ O moderno poder de Estado é apenas uma comissão que administra os negócios comunitários de toda a classe burguesa. ”

Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto do Partido Comunista, Direitos de tradução em língua portuguesa reservados porEditorial «Avante!», Lisboa, 1997

sábado, 11 de fevereiro de 2006

A LUTA CONTINUA!

Camarada Lénine,
os que decretaram o fim inevitável do Comunismo, coveiros despeitados por falta de trabalho, andam de novo assustados. Por todo o lado ressurgem, reforçados, partidos e movimentos que reivindicam um mundo novo, lutando com firme apoio no legado que Marx e tu nos deixaram. A luta hoje deve ser, é seguramente, mais difícil do que no teu tempo pudeste prever. Igual, contudo, é a natureza predatória do capitalismo, cada vez mais selvagem na busca do lucro a qualquer custo. E idêntica há-de ser a nossa determinação para o combate.
Sabes camarada, temos muito orgulho na honrada bandeira rubra por que lutaram sucessivas gerações de comunistas e nos princípios que estruturam o Partido de novo tipo, instrumento que o capital não cessa de tentar destruir.
Agora, pela milésima vez na história, uns bandalhos querem incutir na opinião pública a ideia de que ser comunista é ser criminoso. Ignaros, julgam-se originais e não fazem senão o papel de imitadores rascas: desde, pelos menos, a revolta de Espártaco, que sobre os que ousam lutar são bolsadas as mais escabrosas mentiras. E depois?
A luta continua! Cada vez com mais determinação, porque não nos revemos nesta civilização de barbárie. Continuaremos a lutar com a mesma necessidade e naturalidade com que respiramos. Porque não podemos fazer outra coisa.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Viva a Venezuela soberana!

Hugo Chavez expulsou da Venezuela um espião norte-americano. Logo o império, habituado à subserviência dos ocidentais sequazes, vociferou, considerando ser Chavez parecido com Hitler. É o que sucede sempre que Bush reage olhando-se ao espelho.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Contra as vítimas, sempre os mesmos

Transcrevo do blogue de António Balbino Caldeira, a quem os pais e crianças deste país muito devem:

"Real, virtual e absurdo
Enquanto pela Europa fora se pune a pedofilia virtual, por aqui desculpa-se a pedofilia... real!João Beselga, professor de... Moral da Casa Pia, condenado pelo tribunal de 1.ª instância por abuso sexual de um deficiente mental de 14 anos, viu a sua pena comutada em um terço e a indemnização da vítima reduzida a metade, por decisão dos inesquecíveis juízes desembargadores Rodrigues Simão, Carlos Sousa e Telo Lucas, da 3.ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa. Segundo o Correio da Manhã, o argumento dos juízes foi o seguinte: "não ter ficado provado que João Beselga tenha sido a única, ou a primeira pessoa, a abusar da vítima"... O corajoso advogado da Casa Pia Miguel Matias comentou a este propósito que o chocava que "a repetição de um abusos sexual faça diminuir o valor do dano". Saliente-se que, ainda por cima, a vítima é deficiente mental.O inesquecível juiz desembargador Carlos Rodrigues de Almeida, da mesma secção do Tribunal da Relação de Lisboa, já tinha assumido uma posição polémica no recurso deste caso quando pôs em causa o testemunho de uma vítima de João Beselga.(...)"