quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Recordando Anna C. Salter

Do livro “PEDOFILIA E OUTRAS AGRESSÕES SEXUAIS

"Nunca encontraremos um abusador de menores que não seja um mentiroso experiente, mesmo que a sua arte não seja nata.

“(...) o silêncio é a alma das agressões sexuais. (...) os criminosos sexuais conseguem agir impunemente durante décadas, talvez mesmo durante toda a vida; (...) conseguem enganar todo o tipo de pessoas, em todo o tipo de lugares; "

"As investigações têm relatado prontamente a frequência com que os crimes de natureza sexual ocorrem nos Estados Unidos. Nós é que não lhe temos prestado a atenção devida. Investigações realizadas desde 1929 documentam taxas de abuso sexual de crianças do sexo feminino situadas entre os 24 e 37 por cento. Os estudos relativos ao sexo masculino são mais raros, mas os poucos que existem apresentam taxas alarmantes, alguns entre os 27 e 30 por cento."

"Aquilo que parece mais espantoso é que estes estudos apresentavam provas daquilo que à época era considerado abuso sexual e ninguém lhes prestou atenção."

"O Dr. Gene Abel, juntamente com um grupo de colegas, conduziram uma série de estudos sobre delitos sexuais em finais da década de 80
, em que era pedido aos criminosos que, de forma voluntária, dissessem quantos crimes sexuais tinham praticado no total. Os resultados deixaram os profissionais da comunidade estupefactos. Duzentos e trinta e dois molestadores de menores admitiram terem tentado praticar mais de 55 mil actos de abuso sexual; alegaram terem sido bem sucedidos em 38 mil destes incidentes que abrangiam um total de 17 mil vítimas. Tudo isto vindo de apenas 232 indivíduos. Os molestadores de crianças de sexo feminino que não viviam com eles contavam uma média de vinte vítimas cada. Embora fossem em número mais reduzido, aqueles que abusavam de crianças do sexo masculino que não habitavam na mesma casa eram ainda mais activos, com cerca de 150 vítimas cada."

"Não obstante estes números impressionantes, a maioria destes criminosos nunca foi denunciada. Na verdade, Abel calculou que as possibilidades de um criminoso sexual ser apanhado era de três por cento. Ao que parece, o crime compensa, e o crime sexual parece compensar particularmente bem. O que me parece verdadeiramente assustador é que os criminosos já tinham sido anteriormente denunciados por crianças, e as denúncias haviam sido ignoradas."

"Ignorar uma revelação válida pode ter consequências desastrosas. No mínimo, aumenta a confiança do criminoso na sua capacidade de passar impune. Frequentemente, constitui uma permissão para voltar a atacar a mesma criança."

"Estou nesta área há demasiado tempo para acreditar que, só porque o indivíduo é culpado e só porque alguém descobriu a verdade, isto automaticamente significa que ele vai ser responsabilizado."

"Quer se trate de mulheres ou de homens, os criminosos sexuais são difíceis de detectar. O seu interesse pelas crianças pode ser obsessivo, todavia está quase sempre bem oculto."

"Apenas cerca de 5 por cento dos violadores chegam a ser detidos e ainda menos cumprem uma pena significativa. Em 1991, ocorreram aproximadamente cerca de 700 000 violações de mulheres adultas nos USA, segundo um inquérito dirigido à população em geral acerca da sua experiência em ataques de cariz sexual. As violações de adultos constituem somente cerca de um terço das violações perpetradas todos os anos nos EUA. Ainda que o violador seja apanhado, leva tempo até que estes casos sejam julgados – tempo para que os crimes sejam investigados e para que o processo seja enviado a tribunal. Consequentemente, podemos verificar o seguimento destes casos olhando para o ano de 1992 e não para o de 1991, quando os crimes foram perpetrados. Em 1992, um total de 120 000 crimes de natureza sexual foram comunicados à policia. Dentre estes, o número de criminosos que foram efectivamente acusados, julgados e condenados e que depois passaram pelo menos um ano detidos foi de 7 500, ou seja, menos de 0,5 por cento do número real de casos de mulheres violadas comunicados aos investigadores."
" Não há dúvida que o crime sexual compensa mesmo."

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

A alegada TSF

Um deste dias, uma das vítimas dos pedófilos, que a TSF trata, acintosa e repugnantemente, por alegadas vítimas, referiu ao tribunal não ter dito tudo quando foi ouvida pela juíza de instrução. Tinha optado por não referir mais nomes de agressores porque, revelou, se queria ver livre do sofrimento que o processo - que se eterniza para gáudio de alguns - lhe tem provocado.
Tanto bastou para que a alegada TSF escarrasse o insulto brutal, em sucessivos espaços informativos: "Alegada vítima reconheceu em tribunal ter mentido".
Será que naquela casa, antes prestigiada, já não mora ninguém com coração? Ou apenas alguém que conheça a distinção entre mentir e omitir? Alguém que possa discernir que afirmar que a criança mentiu, sem mais, é contribuir para o miserável peditório dos pedófilos, que em todo o mundo usam sempre esse argumento para descredibilizar as vítimas?
Quando será que os alegados jornalistas da alegada TSF entendem, se é que tal alguma vez será possível, que as vítimas foram analisadas no Instituto de Medicina Legal, por profissionais competentes, que não tiveram qualquer dúvida em reconhecer o óbvio: as crianças foram reiteradamente abusadas, algumas com tal brutalidade que, para retomarem a sua vida "normal", necessitam de ser sujeitas a intervenção cirúrgica?
São por isso, tão "alegadas" quanto as vítimas do fascismo, do nazismo e de outras barbáries. Por mais que alegados e prestativos jornalistas afirmem o contrário.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Bem prega Frei Sócrates...


Da caixa de correio:

“No momento em que eliminam vários direitos adquiridos, em nome da sustentabilidade das contas do país e da equidade de direitos na função pública, José Sócrates e o PS alargam até 2009 o generoso regime de privilégios de autarcas e deputados. Pior, fazem-no à socapa, com enganosos artifícios por baixo da mesa, e tentando passar a ideia de que estão a fazer o contrário, a moralizar o alargado esquema de regalias da classe política. Atente-se nos passos desta artimanha processual e política.

Antes de impor os generalizados sacrifícios e cortes à função pública, José Sócrates anunciou e garantiu que, como exemplo, os políticos seriam os primeiros a prescindir dos seus regimes de privilégios injustificados. Para isso, e porque «os sacrifícios teriam de ser distribuídos por todos» como assegurou, iria ser revista a lei das subvenções dos políticos. Uma lei que, há mais de duas décadas, permite que seja contado a dobrar o tempo em funções dos políticos para efeitos de reforma, que lhes seja atribuído um invejável subsídio de reintegração ou que se reformem antecipadamente muito antes dos 65, dos 60 ou até dos 50 anos. O fim destes privilégios iria abranger, de imediato, mais de um milhar de autarcas (presidentes de câmara e vereadores executivos) e algumas dezenas de deputados, entre outros políticos.
A nova lei entrou mesmo no Parlamento a 16 de Junho e foi votada e aprovada a 28 de Julho. Faltava apenas a votação final global que, face ao crescente clamor de protesto dos aparelhos partidários, o Parlamento meteu na gaveta e deixou para depois das férias. Começava a perceber-se que a nova lei só iria entrar em vigor depois das eleições de 9 de Outubro, por pressões de autarcas e estruturas partidárias. Na verdade, para um autarca que tivesse terminado o seu primeiro mandato e agora se recandidatava, a entrada em vigor da nova lei implicaria que no final de 2009 apenas contasse 8 anos, de dois mandatos, para a sua reforma. Se a lei não entrasse em vigor (e como a anterior estipula que, a partir dos 6 anos em funções, a contagem é feita a dobrar), esse mesmo autarca chegaria a 2009 contabilizando 16 anos para a sua reforma. E muitos deles, deputados e autarcas, poderiam mesmo continuar a usufruir até 2009 do privilegiado sistema de reformas antecipadas. Percebia-se a inquietação.

Quando o Parlamento reabriu, a 15 de Setembro, Sócrates fez questão que a aprovação final da nova lei fosse votada de imediato, para afastar dúvidas e suspeições. E foi. Só que, em vez de seguir para promulgação em Belém, ficou a aboborar nos gabinetes do Parlamento e na secretária do socialista Osvaldo Castro. Só foi enviada a Jorge Sampaio a 4 de Outubro e contendo uma disposição que estipula que «a presente lei entra em vigor no primeiro dia do mês seguinte ao da sua publicação». Ou seja, estava garantido que os autarcas reeleitos a 9 de Outubro podiam dormir descansados. A nova lei só teria efeitos a partir de 1 de Novembro. Os vinte dias que o Parlamento e o PS retiveram a lei, antes de a enviar para a Presidência, tinham sido cirurgicamente providenciais.

Sampaio promulgou a lei com rapidez, em dois dias, e enviou-a para publicação em «Diário da República», onde viu a luz do dia na manhã seguinte às eleições autárquicas. Mas já era tarde para ter efeitos imediatos. Ainda assim e porque as leis entram em vigor cinco dias após a sua publicação (não fosse a disposição que, neste caso, remete para 1 de Novembro), muitos autarcas recearam que ela passasse a vigorar logo no dia 15 de Outubro. E, à cautela, num movimento inédito logo na primeira semana pós-eleições, muitos foram os concelhos e os autarcas que se apressaram a antecipar as tomadas de posse. Não fosse o diabo tecê-las.

Em conclusão:
No momento em que restringem direitos a vários sectores da Função Pública, em que extinguem subsistemas de saúde mais favoráveis, em que aumentam a idade para efeito de reforma, em que congelam salários e progressões nas carreiras - nesse mesmo momento, José Sócrates e o PS permitem que as regalias e regimes especiais da classe política se prolonguem até 2009 e abranjam mais umas larguíssimas centenas de políticos no activo.

Com que cara e com que moralidade pode o primeiro-ministro, o PS e os deputados ( que foram cúmplices nesta artimanha processual em proveito próprio) encarar os funcionários públicos em greve? Ou exigir que a generalidade dos funcionários públicos compreenda as dificuldades e aceite os sacrifícios? Não sobrará, no meio de tudo isto, um mínimo de vergonha?”

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

OLIVÉRIO UM HOMEM SOLIDÁRIO!



Francisco António Cadena Colazzos, mais conhecido como Padre Olivério Medina, desenvolveu um trabalho durante oito anos (1975-1983), em prol dos mais carenciados. Ainda jovem, o padre colombiano, respeitado no meio da comunidade camponesa em Neiva – Colômbia, lutava para que todos tivessem direito à saúde, educação e alimentação! Os paramilitares de extrema-direita perseguem-no e ameaçam-no de morte. É obrigado a refugiar-se nas montanhas. Em 1983, troca o sacerdócio pela guerrilha da FARC – Exército do Povo. Juntamente com os guerrilheiros, tentam uma solução pacífica para os problemas do povo colombiano.

Em 1997, Olivério vai viver para o Brasil, dedicando-se a divulgar a situação do seu país e a luta das FARC –EP. Em 2001, organiza o “I Encontro Internacional para a Paz na Colômbia” realizado em El Salvador.

No dia 24 de Agosto 2005, foi preso pela Polícia Federal brasileira, apoiados por agentes colombianos e a Interpol. A prisão foi decretada pelo Supremo Tribunal Federal em resposta a um pedido de extradição do governo colombiano para adoptar medidas de investigação, a um suposto crime cometido em 1991. Trata-se de tribunais especiais, baseados num decreto que define como terrorismo, entre outras coisas, a greve em sectores estratégicos, sujeita a vários anos de prisão.

A justiça colombiana faz parte da estrutura do terrorismo de Estado. São inúmeros os massacres de camponeses pelo exército ou pelos paramilitares. Mais de 3 milhões de camponeses foram despojados violentamente de suas terras. Quatro mil líderes sindicais foram assassinados entre 1982 e 2004. Repetem, agora, outras acções anteriores, com o mesmo objectivo: capturar num país estrangeiro um quadro destacado das FARC-EP, levá-lo para a Colômbia e entrega-lo depois aos EUA.

Nunca o padre Olivério violou as leis brasileiras; tem visto de residência permanente no Brasil e é pai de uma criança brasileira. A entrega de Olivério ao governo colombiano será um risco para sua integridade física e para sua própria vida, e colocaria o Brasil numa posição contra os direitos humanos.
URBANO TAVARES RODRIGUES, escreveu uma carta ao seu amigo e camarada Olivério Medina! Uma belíssima prova de solidariedade, amizade e confiança!
http://www.resistir.info/mur/oliverio_medina.html

Que mais se pode dizer? Lula da Silva, tenha vergonha!

Guida Rodrigues
3/11/05 00:19

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

TODO APOIO A OLIVERIO MEDINA

Retirado do site RESISTIR, fica aqui o seguinte apelo
O governo lulista ameaça entregar o Padre Oliverio Medina aos seus carrascos na Colômbia, entregá-lo ao regime do narcotraficante Uribe. É preciso dar todo o apoio àquele representante diplomático das FARC-EP, que vive há longos anos no Brasil. É preciso impedir que o governo Lula, cúmplice do imperialismo, venha a consumar este novo crime. Assine a petição on line para conceder o estatuto de refugiado ao Pe. Oliverio Medina e evitar, assim, a sua extradição para a Colômbia.
http://www.PetitionOnline.com/cura2005/petition.html

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Sobre a Luta no Sector da Justiça


Nota do Gabinete de Imprensa do PCP 27 de Outubro de 2005

1. A dimensão da luta nestes dias travada pelos profissionais do sector da Justiça, em defesa dos seus direitos, pela dignificação do seu estatuto, constitui o mais cabal desmentido à campanha demagógica, populista e mistificatória do Governo contra os magistrados e outros profissionais que trabalham nesta área.

2. Tratou-se efectivamente de uma intensa campanha destinada a esconder dos trabalhadores e dos cidadãos em geral uma verdade que o tempo e os factos se encarregarão de confirmar: para lá da defesa de direitos próprios, subjacente à luta dos magistrados e dos profissionais deste sector esteve e está o objectivo e a exigência da concretização, que já tarda, de efectivas melhorias do funcionamento do sistema judicial, de uma melhor justiça para os portugueses.

3. Ao invés de atacar os problemas de fundo que afectam a Justiça, o Governo aposta claramente no debilitamento e na divisão do movimento associativo do sector, para também dessa forma mais facilmente controlar o poder judicial.

4. O profundo descontentamento existente, fruto da constante degradação e precariedade das condições de trabalho e da administração da Justiça aos cidadãos, está bem patente na resposta maciça e na unidade verificada, inédita, por parte de sectores profissionais muito diferenciados e das suas organizações representativas.

5. A unidade e determinação demonstradas nestes dias constituem um sério aviso ao Governo Sócrates e ao seu ministro da Justiça, de que a arrogância e a imposição de soluções, ao contrário da via do diálogo e da negociação, não são o caminho para a resolução dos problemas e muito menos para a estabilidade dos Tribunais e do poder judicial, pilar do regime democrático que deve a todo o custo ser preservado.

6. O PCP reafirma a sua total solidariedade com todos os sectores da Justiça em luta pelos justos e superiores objectivos da defesa da independência do poder judicial contra a continuada estratégia de ingerência e governamentalização de que é alvo.Manifesta igualmente a sua determinação em contribuir, como sempre tem feito, para que a administração da Justiça se realize em condições de maior dignidade e igualdade para quem a serve e para o povo, a quem se destina.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Obrigado!

"6.3.05
Sempre gostei do vermelho, de aniversários, de homens corajosos e de poesia. Ainda não me defini políticamente, mas tenho na minha família gente que me conta histórias que agora não passam pela cabeça de ninguém. E como os portugueses eram tratados. As lutas dos que trabalhavam de sol a sol e não tinham direitos nem pequeno-almoço. Das prisões e das torturas. Do analfabetismo e das crianças sem futuro. Das desgraças da guerra e da pobreza. Dos assassínios.Tudo isto em que pesquiso e leio, encontro sempre homens e mulheres comunistas na linha da frente. Na luta pela melhoria das coisas. E eles hoje fazem anos! Recorri-me aos conhecimentos do meu pai e do meu avô e surripiei o poema abaixo no blog do Dr. Pacheco Pereira. Só para lhes dar os Parabéns! "
"- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
- Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.

Passava já de ano e dia...
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar

- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!

- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.

- Antes que fale emudeça!
- Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar."

Jaime Cortesão - Romance do Homem da Boca Fechada

Retirado do blogue http://thita.blogspot.com/ .
Por mim, militante do PCP há 22 anos, muito obrigado.

terça-feira, 25 de outubro de 2005


Quando vieres
Encontrarás tudo como quando partiste.
A mãe bordará a um canto da sala...
Apenas os cabelos mais brancos
E o olhar mais cansado.
O pai fumará o seu cigarro depois do jantar
E lerá o jornal.
Quando vieres
Só não encontrarás aquela menina de saias curtas
E cabelos entrançados
Que deixaste um dia.
Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos
Como se te tivessem sempre conhecido.

Quando vieres
Nenhum de nós dirá nada
Mas a mãe largará o bordado
O pai largará o jornal
As crianças os brinquedos
E abriremos para ti os nossos corações.

Pois quando vieres,
Não és só tu que vens
É todo um mundo novo que despontará lá fora
Quando vieres.

Maria Eugénia Cunhal, in Silêncio de Vidro, Editorial Escritor
Poema dedicado ao irmão, Álvaro Cunhal, então preso nas masmorras fascistas

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Com comentários


Se o cão se mantiver solidário quando o dono levantar a cabeça, vai ser um caso sério para os que causam tanta miséria. A luta continua!