sexta-feira, 7 de outubro de 2005

A luta continua!

Termina hoje a campanha eleitoral. Quem a seguisse apenas pelos media, julgaria que além dos partidos da política de direita e respectivo berloque, nada mais existe. Jornais ditos de referência, como o Público e o Diário de Notícias, conseguiram a proeza de nunca referirem as iniciativas dos autarcas comunistas e dos seus aliados. Silenciar a CDU foi a ordem dos donos e as respectivas vozes, prestativas, cumpriram.
Por outro lado, a diferença de meios de que dispõem as diversas candidaturas, impede qualquer discussão de ideias e agrava as desigualdades. O Ministério Público deveria investigar a que título, com que intenções e contrapartidas, milionários financiaram campanhas eleitorais, com dinheiro, carros e lojas.
Porque não são instituições de caridade, muitos destes “beneméritos” vão apresentar as facturas já no dia 10 de Outubro e todos seremos chamados a pagá-las, nomeadamente, sofrendo as consequências da especulação imobiliária e do crescimento desordenado do betão.
É pois neste contexto, antidemocrático, que a CDU luta para divulgar a obra que realiza com trabalho, honestidade e competência. Fossem outras as condições e mais gente poderia beneficiar da reconhecida capacidade que os eleitos comunistas colocam ao serviço das populações. Assim, resta a luta e a convicção de que as eleições são importantes, mas não são tudo.

Boa noite!



"A Internacional"

De pé, ó vítimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Refrão
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Duma Terra sem amos }bis
A Internacional.

Messias, Deus, chefes supremos,
Nada esperemos de nenhum!
Sejamos nós quem conquistemos
A Terra-Mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos,
Tudo o que a nós diz respeito!

Refrão

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Aquela Noite de Natal


Hoje sonhei contigo

Querias falar dos livros que saíram e já leste. Quando o sonho começou, tu eras pouco mais do que um sorriso radioso. Mas nos olhos tinhas o brilho dos que respeitam ideais. Soube logo que eras tu que me interpelavas. Depois, estranhamente, do riso nada mais vi. A não ser quando os teus dedos fizeram na porta da rua o sinal habitual e eu corri por te saber ali, fortaleza de ternura e amizade.
Olá camarada, o tempo é nosso. Quero falar-te da Eurídice e do Joel, do Miguel e da Joana, invenção de amor numa noite de Natal. Abril existiu mesmo. Já sabíamos, mas agora é tão diferente. Eles, os que sofreram e resistiram, estão a contar. Não deixam que a mentira domine e possa mais.
Sabes camarada, quando absorvo as histórias que os heróis nos oferecem, fico feliz porque os nossos filhos vão ter memória. Saber onde crescemos e o que fizemos para os criar. Abril foi mesmo, camarada, e não esta pasmaceira de gente castrada. Abril foi mesmo, e não este tempo frio em que nos querem calados, derrotados, sem do sol termos o desejo e o alento.
E porque agora sei do Álvaro; do Dias Lourenço; da Margarida Tengarrinha; do Zé Casanova; do Pires Jorge; do José Magro, do Modesto Navarro; do Sérgio Ribeiro; do Manuel Pedro; do Joaquim Gomes; do Militão Ribeiro e tantos , tantos outros, não há porra nenhuma que me faça calar a alegria.
Porque me corre nas veias esta agitação, este orgulho de partilhar com eles a mesma heróica bandeira. De ter herdado deles, de tantos como eles, o mesmo gosto à luta, o mesmo lema.
Sabes camarada, Abril foi mesmo e o que me falta é saber o nome destes heróis todos, para aprender mais sinónimos de Coragem, Honra, Dignidade, Dedicação, Coerência, Ternura, Dor, Resistência, Confiança, Futuro, Convicção e Amizade,
Obrigado camaradas, por nos terem legado Futuro!

Hasta siempre comandante!!!



“...para que o Mundo não esqueça!!!”

Completam-se no próximo dia 9 de Outubro, 38 anos sobre o assassínio de Che Guevara. Apesar de há muito serem conhecidos os pormenores deste crime, nunca é demais repetir a pergunta: Quem matou o CHE?
Em primeiro lugar, os que o executaram; em última análise o imperialismo, esse sistema que fez o Padre Camilo Torres dizer que,“se Jesus Cristo aqui viesse, diante de tamanhas injustiças, teria pegado numa metralhadora e ter-se-ia juntado aos guerrilheiros”.
Guevara, - cuja ordem primeira era “ assistir aos feridos por ordem de gravidade, sem considerar se eram gurrrilheiros ou soldados do exército” – gravemente ferido no dia 8, é feito prisioneiro e transportado para a escola de La Higuera.
Aqui, sentado no chão, chão tantas vezes pisado por pobres e desprotegidas crianças – razão primeira e última da sua luta – espera a chegada do agente da CIA Félix Rodriguez que o virá interrogar e que... traz consigo, (dos Estados Unidos da América, é bom lembrar!!!) a ordem para o matar!!! A sangue frio é abatido por Mário Teran, não sem antes lhe dizer: “ dispara, que matas um Homem!!!”.
Assim morre uma das maiores personalidades do séculoXX, defensor intransigente do Homem Novo, humano, fraterno e solidário, livre dos estigmas cruéis e desumanos do capitalismo e do imperialismo que marcam a sociedade em que, infelizmente, vivemos.
Diz quem o viu, no seu pobre leito de morte, que parecia Cristo!!! Talvez por isso, ainda hoje, os camponeses bolivianos lhe chamam Santo Ernesto de La Higuera!!!
Talvez por isso, o retrato de Che foi e é, aos olhos de milhões de pessoas, “ o retrato da dignidade suprema do ser humano”!!!
Um dia, em resposta a uma pergunta sobre um possível parentesco, afirmou: “ se és capaz de tremer de indignação cada vez que se comete uma injustiça no Mundo, somos companheiros e isso, é o mais importante”.
Foi há 38 anos!!! Para que o Mundo não esqueça!!!
Até sempre companheiro!!!

João de Almeida

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Carlos Paredes


«Geniais são as pessoas que respeitamos muito, Génio era Mozart.»
Carlos Paredes
CARLOS PAREDES

"Tive o privilégio de ter privado por poucas horas que fosse, com o grande Génio! Estávamos no começo da Revolução de Abril! Oferecia-se ao Povo, tudo aquilo que ele nunca sonhara usufruir, sobretudo Cultura!
Carlos Paredes, tinha sido convidado para dar um concerto (gratuitamente), na zona mais pobre da cidade. Zona piscatória. Onde os homens têm a frieza do mar e as mulheres a dureza da fome! A Lota, foi o local escolhido! Grande, muito grande! Impossível falar-se de acústica! Os pescadores gostam de música! Então encheram por completo o grande armazém!

Mais de quinhentas pessoas. Falavam alto, os gritos das crianças correndo, era ensurdecedor! As vareiras (mulher do pescador), não habituadas a saírem à noite, riam de alegria! A algazarra era tanta que nós, os da organização, pensámos duas vezes! Fazemos o concerto e ninguém ouve, ou desculpamo-nos e o Carlos Paredes vai embora! Depois de discutido, falámos com ele. Ficou indignado perante a segunda proposta: “Se não conseguirem ouvir, a culpa é minha!”.

Foi para o palco e começou a tocar, a aparelhagem de som de 3ª categoria, não se portou mal! O público, não habituado a concertos, gritava, ria, aplaudia, tudo o que fizesse barulho, era audível naquele grande armazém! Carlos Paredes, parou! Observou o público com o seu ar sereno, humilde, sorriu timidamente!

Fez-se silêncio na Lota! Ouviu-se os primeiros acordes dos Verdes Anos! O emudecimento inesperado, arrepiou-nos! O irreverente público, tinha-se rendido ao som harmonioso da guitarra! Tocou, tocou muito! Quando terminou, as palmas, os gritos de alegria, entoaram na grande Lota! Deram-lhe cravos! Cravos vermelhos!

Enquanto guardava a guitarra, com o seu ar humilde e tímido, disse:”Espero que tenham gostado, alguém se queixou da acústica?” Ele era um Génio!

GUIDA RODRIGUES

Obrigado Guida Rodrigues por este texto belíssimo, escrito na azáfama da luta eleitoral. E se puderes, transmite aos camaradas e amigos afectados pela prepotência do fascistóide Ludgero, a minha solidariedade. A luta continua!

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

3000 crianças morrem por dia


3 mil crianças africanas morrem por dia de Malária, afirma a OMS

Segundo o último relatório em conjunto, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Unicef (Fundo da ONU para as Crianças), divulgado nesta sexta-feira no Dia Mundial da Malária, mais de 3 mil crianças africanas morrem por dia em decorrência da doença. O estudo afirma que 90% das mortes são registradas na África subsaariana e que a maioria delas é de crianças com menos de cinco anos. A droga atualmente utilizada no combate à malária, a cloroquina, não é eficaz, mas é usada por ser a mais barata.
O tratamento actual foi criticado pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), que citaram o exemplo da Tanzânia, onde o número de mortalidade das crianças caiu em 20% quando elas passaram a dormir sob redes tratadas com inseticidas. As acções governamentais denotam claramente uma preocupação maior das autoridades com economia de recursos do que com o compromisso de salvar vidas. Quase 2 milhões de pessoas morrem em função da malária por ano no continente africano, gerando um prejuízo de US$ 12 bilhões.
A melhor solução seria o tratamento à base de artesimina, recomendado pela OMS e muito mais potente e eficiente, ela é derivada da planta chinesa Artemisia annua e vem sendo usada contra a malária há mais de dez anos. A combinação da droga com a amodiaquina pode eliminar os sintomas da malária em três dias. Em KwaZulu Natal, na África do Sul, as mortes por malária em hospitais caíram 80% em função deste tratamento. No entanto, o tratamento à base de artesimina custa US$ 1,50 por dose, em comparação com os US$ 0,50 de custo da cloroquina. O custo da mudança em toda África, ainda assim, giraria em torno de US$ 100 a 200 milhões.

Este texto de Cassiano Sampaio foi colocado como comentário a um post de Sérgio Ribeiro, por Pedro Gonçalves, no blogue anónimo séc xxi. Referindo-se à foto, escreveu Pedro Gonçalves:
" Sou fotógrafo. Pelo menos faço por isso. A fotografia que mais me marcou até hoje é a de uma criança. Retrata uma menina que se arrasta para um campo de nutrição e em segundo plano vemos um abutre no chão que aguarda pelo inevitável. Kevin Carter é o nome do fotógrafo. Sul Africano. Fotojornalista habituado a cenários de guerra e a cenas de horror. No entanto esta fotografia toca-me de uma maneira muito especial. Não a consigo (nem quero) esquecer. Apetece-me dizer muita coisa mas fico por aqui. "

terça-feira, 27 de setembro de 2005

A não perder!


Aquela Noite de Natal é o mais recente livro de José Casanova. Depois de ter sido publicamente apresentado na recente edição da Festa do Avante, coube a Urbano Tavares Rodrigues falar hoje do livro na Casa do Alentejo, em Lisboa. A sala foi pequena para acolher tantos leitores, amigos e admiradores do Zé. Que escutaram, orgulhosos, Urbano Tavares rodrigues afirmar que o autor de O Caminho das Aves é já um grande escritor.
Pessoalmente, adorei o livro. E só lamento que a mesquinhez e o carácter persecutório dos que fazem crítica literária em Portugal, melhor dizendo, dos que dominam e mandam na crítica literária cá no burgo, tenham já decretado que do livro não se pode falar. Porque o que está a dar, dizem eles, é a escrita não ideológica, assim propagando o "quando oiço falar de cultura, saco logo da pistola", que caracteriza os regimes fascitas.
Cabe-nos lutar contra a censura: porque se trata de um livro belíssimo, que fala de Amor e de luta, de resistência e paixão; de confiança no futuro e camaradagem. Mas sobretudo, porque o livro e o autor merecem que se fale deles.
No próximo dia 1 de Outubro, a partir das 17H00, os que puderem e quiserem conhecer o livro e o autor, podem fazê-lo deslocando-se à livraria Som da Tinta, em Ourém.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

A vossa vontade será feita



A vossa vontade será feita

Eu vou tentar, prometo, que destes versos
Não saia uma canção mal comportada
Eu vou tentar não falar do que acontece
Eu vou tentar falar sem dizer nada.

Não vou, por isso, falar da exploração
Nem sequer do amor à Liberdade;
Da luta pela terra e pelo pão
E do apego à Paz da humanidade.

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Vocês preferem que eu vos fale
De grilos a cantar e gambuzinos?
A vossa vontade será feita
Eu calarei a fome dos meninos.

Vocês preferem que eu vos cante
Sem vos lembrar os tiros e as facas?
A vossa vontade será feita
Eu calarei o frio das barracas.

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Vocês preferem que eu vos fale
Com um sorriso a iluminar-me as trombas?
A vossa vontade será feita
Eu calarei o estilhaçar das bombas.

Vocês vão gostar que eu não cante
A luta de nós todos todo o ano
A vossa vontade será feita
Não falarei do povo alentejano

Vou tentar não falar do que acontece
Vou tentar falar sem dizer nada

Não falarei do luxo e da miséria
Não falarei do luxo e da canseira
Não falarei das damas, das mulheres
De tudo o que se passa à nossa beira

Não falarei do Amor, nem da Verdade
Nem do suor deixado no trigal;
Eu não ofenderei vossas excelências
Nem a civilização ocidental!

(Alfredo Vieira de Sousa, 1976)

sábado, 24 de setembro de 2005

URGENTE!

"A Constança Castelo Branco Mota da Silva Marques, de 7 anos, é neta de uns amigos da minha família, tem uma doença do foro oncológico e está em estado muito grave. Está internada no IPO, precisando de fazer um transplante de medula.Como não se tem encontrado, até agora, medula compatível (não existe também nos bancos de medula nacionais nem estrangeiros), venho por este meio pedir que: Quem tiver idade entre os 18 - 45 anos; Mais de 50 Kg; Não tiver recebido nenhuma transfusão de sangue; Faça o teste de compatibilidade, de 2.ª a 6.ª feira, das 8h - 16h, no: Centro de Histocompatibilidade do SulHospital Pulido ValenteAlameda das Linhas de TorresTelefone: 217 504 100
Obrigada Luísa Biscaya
POR FAVOR, ENVIEM ESTE PEDIDO A OUTRAS PESSOAS PARA QUE SE SALVE ESTA CRIANÇA.
23/9/05 19:46 "

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Antes que seja tarde!


Manuel da Fonseca

Antes que seja tarde

Amigo
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel Fonseca, "Poemas completos", Cancioneiro da Esperança