segunda-feira, 30 de maio de 2005

Lagoa das Sete Cidades


A paisagem é deslumbrante: por todo o lado a beleza natural, ainda preservada, interpela-nos os sentidos, impele-nos a ficar. Se algo destoa na ilha de São Miguel, Açores, é a impunidade de que continuam a beneficiar os pedófilos e as ratazanas que os defendem. De Ponta Delgada à Ribeira Grande, das Furnas a Rabo de Peixe; de Lagoa ao Nordeste todos repetem o mesmo sentimento de revolta: prenderam o Farfalha, mas os "graúdos" continuam por aí, destruindo a vida de meninos pobres, sem perspectivas de vida e com famílias que, tantas vezes e a troco de dinheiro, acolhem os abusadores sexuais.
Neste processo imundo, também foi condenado um médico. Que ao contrário do Farfalha, está em liberdade. E até já dá consultas sem qualquer entrave. Agora, terminado o julgamento, o silêncio mediático repôs a impunidade dos canalhas. E eles não tardaram nos ataques.
Alguém pode ajudar as crianças dos Açores?

terça-feira, 24 de maio de 2005

O catastrofista

Onde é que já vi este cenário catastrofista?


Tudo está a ser feito para que o povo aceite sem oposição o conjunto de medidas destinadas a resolver o problema do défice orçamental. Apregoa-se o inaceitável discurso dos “sacrifícios para todos”, como se a responsabilidade pela situação em que nos encontramos não fosse sempre dos mesmos e da mesma política neoliberal.
Se os que peroram de bolsos cheios sobre sacrifícios a impor, parassem um minuto para reflectir, constatavam que afinal a crise não é generalizada: a banca e as grandes empresas auferem lucros assombrosos, que contrastam com as dificuldades das pequenas e médias empresas, com as miseráveis reformas e pensões atribuídas a seres humanos que toda a vida trabalharam. E com os baixíssimos salários de milhares de trabalhadores.
A crise é fruto da impreparação dos que permanecem sucessivamente nos governos, ora pela direita assumida, ora em representação da direita travestida de socialista. E ainda têm o despudor de vir falar-nos em sacrifícios...
As designadas elites têm pés e sentimentos de barro. Não prestam. Para lá da prossecução dos seus interesses pessoais e de grupo, só vêem a submissão aos que adoram de cerviz dobrada . E mantém o País refém da estratégia delineada pelos que lhes pagam para fingir que mandam.
Párias. Repetem o discurso catastrofista. Mas engordam as contas pessoais. Desempenham funções no Estado de forma manifestamente incompetente, mas não hesitam em chutar para os outros a responsabilidade, insistindo no conto do vigário de que “a culpa é dos funcionários públicos”. Ou do Serviço Nacional de Saúde, que almejam igual ao dos EUA, onde os pobres morrem como tordos por falta de assistência médica.
Quem, como Sócrates, repetiu durante a campanha eleitoral, até à exaustão, que não aumentava os impostos, pode agora fazê-lo? Pode. Mas, se o fizer, não espere que o consideremos sério. Isso não.


sexta-feira, 20 de maio de 2005

História da América Latina marcada pelas invasões e conspirações de Washington


A viagem recente da secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice pela América Latina suscitou receio nos povos e governos que são a favor da independência e da soberania nacional. Segundo a opinião geral, o objetivo da viagem foi reforçar o papel de quintal que o poderoso vizinho do Norte atribui à região. Não é possível uma aproximação entre os EUA e a América Latina se constantemente a região é alvo de imposições e ameaças de agressão contra países independentes que contestam a política de Washington, governo que mantém a mesma atitude dos anos da guerra fria.
Cuba e a Revolução Bolivariana na Venezuela são exemplo disso. A história continua os acusando quando, época por época, se constata o protagonismo imposto por Washington mediante agressões militares, ocupação de territórios e de nações, em conseqüência da diplomacia do destino expresso, da fruta madura, do grande porrete, ou da luta atual contra o terrorismo. O interesse desta nação no subcontinente é procurar aliados que apoiem suas intenções militares, políticas e econômicas no mundo, como fonte de matéria-prima para seu bem-estar e como área de segurança geopolítica. Dentro deste panorama, os povos latino-americanos sentimo-nos peões e instrumentos do país do Norte.

A HISTÓRIA NÃO OS ABSOLVE
Desde a independência das 13 colônias, em 1776, e a posterior união republicana até nossos dias, a história dos Estados Unidos reúne a sucessão paralela do maior expansionismo geopolítico, territorial, econômico e comercial jamais conhecido pela humanidade. Na primeira década do século 19, em 1809, o presidente estadunidense, Thomas Jefferson, realizou uma intentona para se apoderar de Cuba, através da Espanha. Propósito que seria estendido à região toda quando, em 1823, Washington proclamou a Doutrina Monroe, que declara que a América Latina é zona de influência do vizinho do Norte. A intervenção no Equador para garantir seus interesses econômicos foi qualificada pelo professor equatoriano Jorge Núñez, de exercício preliminar para intervenções posteriores no Pacífico sul. Apenas tinha decorrido um ano de sua retirada de Guayaquil quando, em 1835, sob o pretexto de proteger seus interesses em El Callao e Lima, os fuzileiros norte-americanos desembarcaram no Peru, aproveitando a guerra civil naquele país e a constituição da Confederação Peruano-Boliviana, em 1836.

Desde então, a intervenção do poderoso vizinho do norte tem estado presente no Panamá, Haiti, Porto Rico, Nicarágua, República Dominicana, Uruguai, Cuba, Chile, Honduras, Colômbia, Costa Rica, México, Equador e Peru, e em outros países. Além de realizar campanhas de extermínio dos índios, as 13 colônias originais multiplicaram por dez sua extensão territorial em menos de um século, mediante um processo de despojo, chantagem e terrorismo de Estado, particularmente com a agressão ao México.

Com sua estratégia expansionista, os Estados Unidos arrebataram a seu vizinho do sul 51% de seu território. Isto é, mais de dois milhões de quilômetros quadrados. Os primeiros passos foram dados em 1819 quando o banqueiro Moses Austin foi autorizado pelo governo do México para se estabelecer no país, com 300 famílias. Em 1835, os colonos norte-americanos domiciliados no rico território texano ultrapassavam a cifra de 60 mil. A fruta estava madura e alentados por Washington proclamaram a independência do Texas, pretexto para que os voluntários norte-americanos interviessem. Em 1846, o Congresso dos EUA aprovou a anexação e ao mesmo tempo as tropas atacaram, atravessaram o rio Grande, ocuparam Veracruz e posteriormente a Cidade do México. Lá morreram heroicamente, em combate, os cadetes da Escola Militar do castelo de Chapultepec. A agressão, qualificada por José Martí como guerra humilhante, terminou com o tratado Guadalupe-Hidalgo, em virtude do qual o México foi despojado, definitivamente, dos territórios que hoje compreendem os estados do Texas, Califórnia (os mais extensos dos EUA) Arizona, Novo México, Utah, Nevada e partes de Colorado e Wyoming. Mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, eqüivalentes à superfície conjunta da Inglaterra, França, Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Dinamarca e Suécia.

As perdas econômicas do México foram inestimáveis se observamos que somente a Califórnia produziu muito mais ouro do que o produzido pelos Estados Unidos nas seis décadas anteriores.
Mais uma vez, em 1914, Washington interveio no território mexicano. Foi quando vários tripulantes do cruzeiro ianque Dolphin foram presos no porto de Veracruz, incidente que supostamente tinha sido resolvido quando o presidente Woodrow Wilson foi autorizado pelo Congresso para ocupar, sem declarar guerra, o porto de Veracruz. Esta operação foi realizada com 6 mil fuzileiros. A arrogância ianque veio à tona novamente quando a marinha desse país bombardeou o porto nicaragüense de San Juan del Norte, depois que as autoridades desse país tentassem fazer pagar imposto ao iate do milionário estadunidense Cornelius Vanderbilt. Este incidente serviu de antecedente ao aventureiro William Walker, que operando a favor dos interesses dos banqueiros Morgan e Garrison, invadiu a Nicarágua e proclamou-se presidente, em 1855. Durante os dois anos de dominação atacou a El Salvador e Honduras, onde também se proclamou chefe de Estado.

O vizinho do Norte também interveio na guerra dos cubanos por sua independência do colonialismo espanhol e em 1902 proclamou na Ilha um protectorado, sob controle de Washington. O século 20 foi a época do Grande Porrete: escindiram o Panamá da Colômbia para se apoderarem do canal interoceânico, invadiram militarmente Cuba durante o levante provocado pela reeleição do presidente Tomás Estrada Palma, desembarcam fuzileiros na República Dominicana, intervieram em quatro ocasiões no Panamá, ocuparam o México para apoiar o regime de Adolfo Díaz, invadiram e usurparam o poder por mais de 20 anos na Nicarágua, onde pela resistência das forças, lideradas por Augusto César Sandino, deixaram o controle do país à tirania de Anastasio Somoza, que ordenou o assassinato do líder nicaragüense. Ainda, tornaram o Haiti num protectorado até 1934 e invadiram Honduras para garantir o domínio da banana por parte da United Fruit Company.

Com algumas exceções, reitera-se o apoio de Washington às ditaduras em diferentes países da região: Colômbia, Equador, Venezuela, Cuba, Haiti, República Dominicana, Peru, Uruguai, Argentina, Chile, El Salvador, Guatemala, Honduras, onde foram estabelecidos regimes militares que mataram milhares de pessoas. Esta repressão tentava tolher a ação dos movimentos revolucionários. Não ocultavam a teoria de quintal dos EUA quando armaram um exército de mercenários para derrubar o governo democrático de Jacobo Arbenz, na Guatemala, onde a guerra civil e a desapiedada repressão deixaram mais de cem mil vítimas. Por outro lado, o golpe militar que matou o presidente constitucional do Chile e impôs a tirania fascista de Augusto Pinochet foi o início do Plano Condor, em que as ditaduras militares da Argentina, Uruguai, Chile e Brasil, juntaram métodos e ações repressivas para assassinar mais de 50 mil revolucionários, em 20 anos.

O triunfo da Revolução cubana abriu uma nova etapa no processo revolucionário da América Latina. Mais de 45 anos de bloqueio econômico, atentados terroristas e planos para assassinar o presidente Fidel Castro, organizados pela CIA, não impediram que as ânsias de independência frutificassem em movimentos importantes que tinham como objetivo uma integração latino-americana. Eis a Alternativa Bolivariana para as Américas, assinada recentemente pelos presidentes Fidel Castro e Hugo Chávez.

quarta-feira, 18 de maio de 2005

Abusadores sexuais


"As pesquisas mais recentes vieram confirmar aquilo que os primeiros investigadores descobriram. O Dr. Gene Abel, juntamente com um grupo de colegas, conduziram uma série de estudos sobre delitos sexuais em finais da década de 80, em que era pedido aos criminosos que, de forma voluntária, dissessem quantos crimes sexuais tinham praticado no total. Os resultados deixaram os profissionais da comunidade estupefactos. Duzentos e trinta e dois molestadores de menores admitiram terem tentado praticar mais de 55 mil actos de abuso sexual; alegaram terem sido bem sucedidos em 38 mil destes incidentes que abrangiam um total de 17 mil vítimas. Tudo isto vindo de apenas 232 indivíduos. Os molestadores de crianças de sexo feminino que não viviam com eles contavam uma média de vinte vítimas cada. Embora fossem em número mais reduzido, aqueles que abusavam de crianças do sexo masculino que não habitavam na mesma casa eram ainda mais activos, com cerca de 150 vítimas cada.

Não obstante estes números impressionantes, a maioria destes criminosos nunca foi denunciada. Na verdade, Abel calculou que as possibilidades de um criminoso sexual ser apanhado era de três por cento. Ao que parece, o crime compensa, e o crime sexual parece compensar particularmente bem.

Mas como ter a certeza de que estes indivíduos não estão a mentir? Infelizmente a investigação relativa às vitimas confirma as suas declarações. Num estudo clássico relativo às mulheres adultas da população em geral, a Dra. Diana Russel descobriu – e a pesquisa do Dr. Gail Wyatt veio confirmar – que as taxas de abuso sexual de menores são extraordinariamente elevadas. Vinte e oito por cento das mulheres que constituíam a amostra de Russel tinham sido molestadas na infância aos catorze anos, 38% se incluirmos a faixa entre os 14 e os 17 anos de idade. Tratava-se apenas de abusos com contacto físico – o exibicionismo não foi incluído – e foi também deixado de fora o contacto sexual não violento entre pares. Não obstante, apenas 5% dos abusos sexuais contra crianças reveladas a estes investigadores tinham sido denunciados às autoridades. Os números relativos aos casos masculinos mostram-nos taxas mais baixas mas ainda assim alarmantes. Embora os pedófilos que se inclinam para o sexo masculino sejam extremamente activos, são mais raros que os que molestam meninas. Não obstante, é provável que entre 9 e 16 por cento dos rapazes nos Estados Unidos sejam molestados antes de atingirem a idade adulta."
Anna C. Salter

António Sanches condenado


"O antigo funcionário da Casa Pia António Sanches foi condenado a nove anos de prisão. O Tribunal da Boa Hora deu como provado um crime de abuso sexual de menores e dois de violação. O tribunal sentenciou Sanches a sete anos de prisão por cada um dos crimes de violação e a um ano de prisão por abuso sexual de crianças. Em cúmulo jurídico, aplicou uma pena unitária de nove anos de cadeia. O ex-funcionário foi ainda condenado a pagar uma indemnização de quatro mil euros a um dos menores e 75 mil euros à outra vítima. Este é um dos processos autónomos retirado do mega-processo da Casa Pia. Os crimes foram cometidos entre 2002 e 2003 contra duas crianças de 10 e 11 anos, quando o arguido, agora com 46 anos, desempenhava as funções de fiel do armazém do colégio Nuno Álvares." (SIC online)
Confesso que tenho muita dificuldade em entender como é que um arguido condenado por crimes bárbaros desta natureza, pode aguardar em liberdade o resultado do recurso, sabendo-se que os pedófilos são predadores incansáveis.

Incontornável

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1974

CANÇÃO Nº 5, TÍTULO: E DEPOIS DO ADEUS; INTÉRPRETE: PAULO DE CARVALHO; MÚSICA: JOSÉ CALVÁRIO; LETRA: JOSÉ NIZA; ORQUESTRAÇÃO: JOSÉ CALVÁRIO; DIRECÇÃO DE ORQUESTRA: JOSÉ CALVÁRIO


QUIS SABER QUEM SOU
O QUE FAÇO AQUI
QUEM ME ABANDONOU
DE QUEM ME ESQUECI
PERGUNTEI POR MIM
QUIS SABER DE NÓS
MAS O MAR
NÃO ME TRAZ
TUA VOZ.
EM SILÊNCIO, AMOR
EM TRISTEZA E FIM
EU TE SINTO, EM FLOR
EU TE SOFRO, EM MIM
EU TE LEMBRO, ASSIM
PARTIR É MORRER
COMO AMAR
É GANHAR
E PERDER.
TU VISTE EM FLOR
EU TE DESFOLHEI
TU TE DESTE EM AMOR
EU NADA TE DEI
EM TEU CORPO, AMOR
EU ADORMECI
MORRI NELE
E AO MORRER
RENASCI.
E DEPOIS DO AMOR
E DEPOIS DE NÓS
O DIZER ADEUS
O FICARMOS SÓS
TEU LUGAR A MAIS
TUA AUSÊNCIA EM MIM
TUA PAZ
QUE PERDI
MINHA DOR
QUE APRENDI.
DE NOVO VIESTE EM FLOR
TE DESFOLHEI...
E DEPOIS DO AMOR
E DEPOIS DE NÓS
O ADEUS
O FICARMOS SÓS.